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Monday, December 11, 2017

Raríssimas: mais tuga é impossível


Uma IPSS que cai em actos de corrupção e roubalheira para benefício de X ou Y não é, infelizmente, raridade nenhuma - muito menos um exclusivo lusitano (aqui no Reino Unido fala-se imenso em estórias desse jaez, até porque as organizações de caridade têm um protagonismo enorme). 

Porém, a vergonhaça da Raríssimas é emblemática, pitoresca mesmo, pela caricatura que traça do parvenu português, da cupidez aldeã, do pato bravo deslumbrado, papalvo e mesquinho, que mal dá um passinho em frente, não só abusa como ainda gosta de se exibir julgando que o tomam por pavão...

Os nossos irmãos brasileiros ( também eles martirizados por vilanias e comportamentos ridículos deste estilo)  têm um ditado rude que podemos aplicar lindamente ao arrivista português: quem nunca comeu melado, quando come se lambuza.




A crer no que vem nas gazetas a senhora presidenta em causa, para além de desonesta, passou a si própria o pior atestado de pelintrice e pinderiquice que se pode, ao querer dar-se ares de grande dama. 

O caso é reles de alto a baixo (até os próprios gastos, como se não bastasse a crueldade de serem feitos à custa das contribuições para os pobres doentinhos, são pindéricos todos os dias: típicos de quem nunca viu meia dúzia de tostões à frente e só come camarão quando o rei faz anos. 200 euros em marisco no cartão da instituição? 200 euros num vestido...ai, o português e o seu amor às marcas de segmento médio...)? É que até para surripiar há que ter um nadinha de brio e ser um bocadinho menos unhas-de-fome. Roubar para poupar 400 euros num ordenado mais que suficiente para fazer face a tais gastos não é só gatunagem: é ser miserável. 



Não me entendam mal; não é que desviar fundos alguma vez seja desculpável, trate-se de uma mega operação à Sócrates ou de uma velhacaria em menor escala como esta. 

Só que aí é que está: há quem roube muito mais, mas pouca gente roubará com tanta deselegância.  Ser ladrão de casaca não é para qualquer um, está visto.

 Depois, é todo o quadro pantomineiro e barato da coisa: o marido e o filho envolvidos na "parada", já com ideias de criar uma dinastia e tudo (nem era folhetim português sem a cunha, essa instituição nacional. Português açambarcador que se preze tem de meter a família toda ao barulho a aproveitar o filão, assim tudo ao molho tipo cortiço, senão não tem piada).



 E de resto a "dótora", ponha-se a devida ênfase no dótora que repito, isto é um "causo" português, lá por ter roçado ombros com Doña Letizia de Espanha e com a  Primeira Dama um par de vezes, já se armava em Rainha do Sabá (ou será do Samoco?) já se achava com direito a fazer-se representar com a dignidade que a sua pessoa exigia (sim, porque todos sabemos que Santa Teresa de Calcutá, para levar a cabo as suas caridades, precisava de torrar o dinheiro dos leprosos no El Corte Inglès). 

Nada me diverte tanto como uma senhora que não sabe o que é uma Senhora verdadeira a tentar fazer-se passar por "Senhora que se dedica a causas". Tenho conhecido bastantes dessas Senhoras verdadeiras, do mais bem nascido e instruído que pode haver; e na sua maioria, pouco lhes bastava para freiras: caridosas até à extravagância, abnegadas como faquires, algumas eram capazes de não comprar uns sapatos decentes para si, para darem o que tinham e não tinham aos seus protegidos. Caridade e vaidade (vaidade extrema, pelo menos)  não costumam caminhar juntas. 

Porém a pérola, a cereja portuguesinha em cima do bolo, o melhor do melhorzinho, é mesmo o relato abaixo, ao melhor estilo "nunca sirvas quem serviu, nem peças a quem pediu" ou "se queres ver o vilão, põe-lhe o chicote na mão". Delicioso:

«Alguns ex-funcionários da Raríssimas dão ainda conta de um ambiente dentro da associação em que todos eram obrigados a demonstrar o seu respeito pela sua presidente. “Sempre que saía ou entrava para o seu gabinete, todos os elementos que estavam na recepção obrigatoriamente e independentemente das vezes que senhora presidente entrasse e saísse, tinham de se levantar das suas cadeiras à sua passagem"».

Nunca conheci uma beata manda chuva da paróquia, nem um Fidel Castro de bairro, que não adorasse o seu cultozinho da personalidade e não o exigisse aos seus subordinados...em cada arrivista há sempre um pouco de mitómano.

De mais a mais, sem conhecer os envolvidos mas armando-me em profiler do FBI, a julgar pelos retratos, os modos da senhora presidenta (grandes gestos, grandes sorrisos e gargalhadas) além de não serem lá muito senhoris não combinam, nem um bocadinho, com a seriedade que uma instituição deste género pede. Olhando para ela, ninguém diria que não estava a divertir-se à grande e à francesa. E não é que estaria?

Friday, December 8, 2017

Dica para bem viver: a táctica da "Música no Coração"



Há uns anos passei um período mais conturbado e (eu que costumo levar tudo com bom humor e nunca gosto de dar parte de fraca) sentia, verdadeiramente, os meus nervos esfrangalhados e os meus pobres neurónios à beira do chilique. Enfim, coisas que sucedem quando damos atenção a pessoas/situações malucas. 

Na altura tive de arranjar remédio... e isso incluiu inventar uns mecanismos de defesa, ou estratégias mentais, para lidar com aqueles momentos de ansiedade. Um deles pode parecer óbvio (e bastante tonto)  mas ajudou-me tanto que ainda hoje emprego essa técnica quando me sinto nervosa, negativa, receosa ou coisa que o valha.

Era assim: sempre que os meus pensamentos iam numa direcção desagradável, que qualquer memória involuntária me assaltava e me deixava maldisposta, eu tentava concentrar-me imediatamente numa das minhas coisas favoritas- tal e qual como a Maria do filme "Sound of Music".




O conteúdo da mentalização não era muito importante per se, desde que me ocorresse instantaneamente e fosse algo de concreto: uma imagem tão fofinha, divertida ou entusiasmante que conseguisse inverter automaticamente as vibrações negativas em crescendo. Podia ser uma recordação (geralmente, alguma daquelas peripécias de infância que nos fazem rir, mesmo sem querer, quando as contamos) algo do dia a dia (as gracinhas dos meus gatos, por exemplo) ou um objectivo (uns sapatos de designer que tencionava comprar, um vestido bonito que tinha de ir buscar à costureira, qualquer coisa).




Posso dizer que isto me salvou de me afogar em sentimentos deprimentes. Por isso, ganhei o hábito de ter alguns álbuns no Pinterest (e no meu telefone) cheios de imagens que me fazem feliz: seja de gatinhos, bebés giros,  corujinhas fofas, raposinhas com caudas felpudas e poneizinhos, seja de penteados e maquilhagens que tenciono experimentar ou de carteiras Chanel, vestidos Dolce & Gabbana ou viagens que estão na minha lista. 





Quando não tenho nada que fazer (ou se sinto que tenho algumas tarefas stressantes pela frente e que estou a entrar em modo "atrofiadinha" e "cara de tacho") detenho-me por uns momentos a olhar para essas figuras, só porque sim, e sinto o meu espírito a levantar-se de imediato, interrompendo o ciclo de aflição e desligando o complicómetro.

É como fazer um reset aos pensamentos, tendo uma tela neutra para nos organizarmos melhor.

Se andam à beira do colapso, experimentem, que funciona. Afinal, a Maria é que sabia.

Tuesday, December 5, 2017

Três anúncios que eu devia adorar (só que não).

Passar muito tempo todos os dias num shopfloor todo luxuoso não é só glamour: também tem os seus inconvenientes, e um deles é sofrer com anúncios à última colecção/jóia/perfume a passar em loop nas telas ad nauseam. Ora, se isso acaba por enjoar quando são spots de que se gosta, imaginem quando acontece com reclames que nos merecem embirração...é uma arrelia!

Vejamos então três que me andam a  tirar do sério: 


Chanel, Gabrielle





Entenda-se: eu adoro all things Chanel (bom, quase tudo), incluindo boa parte dos seus perfumes, e acho Karl Lagerfeld um génio. Depois, apesar de eu ser muito esquisita quando se trata de fragrâncias novas, Gabrielle é uma pura maravilha. Acho mesmo que se vai tornar um clássico.  Deixa-nos envoltas numa nuvem deliciosamente aromática e luxuosa- sabem quando um aroma dura o dia todo e tem o efeito "mas o que cheira tão bem? Oh! Sou eu!"- um dom raro numa época de perfumes produzidos a martelo sem grande inspiração, ou cada vez mais "baptizados". É um perfume verdadeiramente fabuloso, juro. 
 Porém, confesso que tive preguiça de o experimentar graças ao anúncio. 




Não tanto por eu embirrar com a menina enjoadinha de serviço, Kristen Stewart (que até está bastante bem em alguns dos ads de maquilhagem da marca, honra lhe seja feita) mas porque o conceito é mostrá-la endurecida, arrapazada, trapalhona, agressiva, desalinhada, meio tontinha e cheia de chiliques (estará triggered, meu floquinho de neve?), sem o mínimo de feminilidade nem graciosidade. 

Salva-se a luz, a fotografia e a imagem parte Grécia antiga (uma das inspirações na mais recente colecção Cruise da marca) parte anos 1920. Ok, eu entendo que o look, silhueta e atitude "à la garçonne" fazem parte do imaginário central da Chanel, mas não é preciso levar a ideia à caricatura. Mademoiselle Chanel era avant garde,  sim senhor, e moderna e fumava em boquilha e usava calças, mas procurava sempre a beleza, a harmonia estética.  Then again, com todas as ideias feministas e de abolição de "estereótipos de género" que estiveram na moda em 2017, este é capaz de ser, simplesmente, um anúncio do seu tempo. Se isso apela ao público-alvo que compra Chanel, já é outra história. Ainda bem que o produto fala por si...


Jo Malone, Crazy Colourful




Gosto muito desta popular marca de perfumes (recomendo o de flor de laranjeira e o de rosa encarnada, ambos uma maravilha) e costumo achar muita graça tanto ao seu conceito minimalista, quase de botica, como ao facto de ser uma marca very british. Jo Malone  honra o seu DNA inglês e faz um sucesso estrondoso com os consumidores orientais, especialmente chineses (que a compram quase por atacado, se lhes derem asas). Isso pode explicar a imagem meio excentricidade asiática, meio Mod Londrino dos anos 1960 do seu anúncio de Natal (que de natalício só tem mesmo os Christmas crackers- aqueles pacotinhos dourados com surpresas e confetti.




 Mas também não era preciso ir tão longe! Entre os gestos esquisitos e meio infantis dos protagonistas, de quem tomou uns pirolitos valentes ou não joga com o baralho todo, mais a maquilhagem, as caretas, a coreografia peculiar/ enervante (aquele gesto circular com os braços faz-me choques nos neurónios) e a música psicadélica, não sei se acho o anúncio apenas muito curioso ou verdadeiramente perturbador. 

Parece ter sido inventado por alguém que só aguenta as reuniões familiares de Natal com uma valente dose de copos e cigarros que fazem rir e criou isto só para desconstruir a quadra. Depois, o rapazinho, com aquele cabelinho de boneco e aquelas sobrancelhas, lembra-me não sei que persona non grata e só me apetece dar-lhe um safanão. Aliás, tenho vontade de entrar por ali dentro, desatar aos pontapés às caixas e correr tudo à bofetada, a ver se se comportam como gente. Tarados. Ufa, que me soube bem tirar esta do sistema.


Dolce & Gabbana - The One


É paradoxal eu não gostar destes spots, porque como sabem Dolce & Gabbana é provavelmente a minha griffe preferida. Ainda por cima, a-do-ro quando voltam às raízes inspirando-se na cultura do Sul da Itália e nos anos 1950, com todo um imaginário que fala aos meus genes e aos meus gostos, por muito estereotipado que seja. 

Desta feita, a marca decidiu continuar a apostar no universo pitoresco a que nos tem habituado, pondo os protagonistas da campanha a interagir com os populares numa festa folclórica de Nápoles ao som de Tu vuo' fa' l'americano, com muita cor, muita pasta e muito gesto de mãos. E decidiu juntar a isso um bocadinho de mediatismo imediato, passe a onomatopeia, convidando para "caras" do perfume The One duas das maiores estrelas de Game of Thrones, série que parece ter o condão de agradar a gregos e troianos.

 Até aí, nada contra. E diga-se em abono da verdade que a versão fotográfica da campanha resultou - quase toda ela - lindamente. O pior é que em vídeo, a ideia tinha tudo para funcionar...mas por alguma razão que me escapa, não funciona




 Primeiro, Emilia Clarke: a menina é encantadora e muito simpática, mas escusavam de lhe disfarçar a beleza com uma peruca acachapada (fui investigar, é mesmo uma peruca) e  uma maquilhagem que lhe dá cara de quem dormiu pesada sesta (estranhíssimo, já que a D&G costuma ser infalível quando o assunto é maquilhagem). 




Mas o que constrange no spot nem é isso: é que, tanto na versão masculina como na feminina, o John Snow e a Daenerys parecem totalmente forçados, acanhaditos e pouco à vontade, o que a modelos ainda se desculpava mas é esquisitíssimo em quem faz de representar o seu ganha-pão. Até fui googlar para perceber se era só impressão minha ou se mais gente achava o mesmo, mas parece que basta dar uma volta pelo Youtube para perceber não sou a única a ter tal opinião. Será má direcção de actores? Ou a premissa da coisa é fingir que as personagens de Game of Thrones saltaram directamente do universo da série para Nápoles e se sentem completamente taralhocas  no meio daquela festa toda? Em todo o caso, o resultado soa amador, algo que não se espera da dupla D& G- culpa sua, porque nos habituou à perfeição.  Vergognazza.




Thursday, November 30, 2017

Força, Athina Onassis: a paciência tem limites.



Há dias fiquei contente pela mega-milionária Athina Onassis, que finalmente acordou para a vida, chamou a si a esperteza/ mau feitiozinho do seu avô Aristóteles e correu com o marido alpinista social e traidor.

 A menina, que ao que dizem tem tanto de simples e "boa serás" como de rica, pagou bem caro a ingenuidade juvenil de se ter envolvido com o seu treinador de equitação: um homem comprometido, muito mais velho, superficial, ambicioso e já com uma filha de um anterior relacionamento. Disparates de uma rapariga de 18 anos: Doda Miranda, o seu marido brasileiro, terá arranjado uma ou mais amantes assim que se apanhou de papel passado e sentado nos milhões.

Honra lhe seja feita, o rapaz não foi uma completa má influência. 
Apesar do seu perfil de Casanova das cavalariças e de ser ganancioso todos os dias (na altura em que deixou a mãe da sua filha por Athina, a ex foi categórica em afirmar que era tudo por dinheiro e que Doda dissera várias vezes que a sua aluna era "feia" e "gorda como um elefante"), depois de casar, incentivou-a a ter orgulho na sua ascendência grega e a bater o pé ao pai, que tentava pôr e dispor de tudo contra a vontade dos conselheiros da Fundação Onassis...




A história é longa e rocambolesca (pelo meio a ex namorada de Doda e mãe da sua filha suicidou-se, acrescentando mais uma página à "maldição" Onassis e deixando à rival, por herança, a educação da enteada e de outro filho de um anterior relacionamento- uma confusão).

De todo o modo, a herdeira demonstra ter amadurecido e revela uma sagacidade, auto estima e presença de espírito que sempre faltaram à sua destrambelhada e pobre (apesar de riquíssima) mãe, Christina.

 E deixem-me dizer-vos que isso me parece um verdadeiro milagre. Aliás,  com os antecedentes que tem seria um milagre a rapariga ter ficado minimamente sã e escorreita das ideias, quanto mais.

Athina é da minha idade, mais coisa menos coisa; lembro-me de ver nas revistas do social das minhas tias as idas e vindas dos seus pais e de ter imensa pena da pobrezita. Ser criada pela amante do pai depois de o divórcio dos progenitores ter contribuído para a mãe se finar antes do tempo devia ser dose - fazia-me uma impressão tremenda!


Os pais de Athina: o playboy Thierry Roussel e a herdeira Christina Onassis

Porém, Athina terá boa natureza e uma cabeça muito assente nos ombros: parece que superou isso tudo e que está feita uma rapariga elegante e esperta como a raposa do seu avozinho: antes de pedir o divórcio, reuniu pacientemente todas as provas da traição do respectivo. E antes disso já tinha passado as palhetas ao papá ganancioso, recuperando o controlo da sua fortuna.


 Não brinquem com Athina, que ela é cá das minhas: caladinha e discreta, mas ainda a procissão vai no Adro, já ela topou todas as maroscas e tem um plano em andamento. Respect.

 Com os anos e algumas intervenções estéticas (apesar de ser mais dada a cavalos do que a vaidades) ficou até bonita:  herdou os grandes olhos da mãe, mas a compleição mais clara, a estrutura mais elegante e os traços finos do pai e da avó materna (que era uma grande beldade). Bom para ela. Espero que agora abra a pestana e faça um casamento decente.


A mãe e a avó de Athina Onassis: Christina Onassis e Athina Livanos


Palavra que não percebo estas herdeiras: com uma fortuna tão descomunal, ligações privilegiadas e uma figura aceitável, Athina Onassis podia encontrar marido numa Casa aristocrática ou real, ou entre famílias respeitáveis da alta burguesia ou sei lá, se estivesse virada para algo mais criativo, com alguma estrela de Hollywood ou do desporto. 

Mas não- estas meninas ingénuas ouvem toda a vida "tenha cuidado, que há muito mariola que só a vai querer pelo seu dinheiro" e em vez de procurarem o amor em quem já tem dinheiro de sobra, embeiçam-se pelo primeiro pelintra que aparece ( que por cálculo de probabilidades, é muito mais certo que esteja interessado no vil metal, não?).





É de esperar que a menina Onassis tenha aprendido com este tropeço e não siga o exemplo da mãe, que vivia num constante casa-separa com caçadores de fortunas. Tenho para mim que não será o caso: Athina é, para começo de conversa, mais bem parecida, menos vulgar, mais delicada... e mal ou bem, teve uma infância minimamente estável.

 A sua mãe, Christina Onassis, foi um verdadeiro case study sobre TUDO aquilo que uma mulher NÃO deve fazer com a sua vida. Pensei em incluir a história dela aqui, mas depois achei que Christina vai dar outro post, em tópicos




Multimilionária, estragada com mimos e carente de afecto, Christina teve o azar de não ser uma beleza (mas podia ter-se tornado numa mulher com bastante encanto e cheia de estilo, se tivesse cabecinha e ouvisse os conselhos da madrasta, Jackie Kennedy) e de a família, além de não a tratar da melhor maneira, ter morrido toda de repente, no momento em que ela mais precisava de apoio. 



Nunca soube lidar com os homens, mas não sabia estar sozinha. Era um verdadeiro retrato-robot da mulher desesperada. Esmagada entre as tragédias que não estava na sua mão evitar e as que podia ter evitado, acabou por morrer tristemente aos 37 anos, quando começava a encontrar alguma alegria e sentido para a vida nos negócios e na educação da filha.

Athina Onassis é filha da sua mãe mas (sorte sua) aparenta ser muito mais neta do seu avô. Estimo sinceramente que venha a encontrar a felicidade porque, ao que se sabe dela, é de facto boa pessoa. Até ver, já demonstrou um valentíssimo assomo de esperteza e dignidade feminina, e isso não há dinheiro que pague. Ou não tivesse ela o nome de Atena, a deusa da Sabedoria e da Guerra que - só por acaso - era solteira. Antes só que mal acompanhada, e só quem sabe estar bem só pode andar bem acompanhada no futuro.

Friday, November 24, 2017

Até para uma Kardashian isto é demasiado.





Para negligee até não estaria mal. Só que é um vestido.

O meu maior problema com as irmãs Kardashian (ou as "Kardashonas" como o meu caro irmão lhes chama) nem é tanto as raparigas em si, ou o que fazem ou deixam de fazer (não acompanho o programa, logo algumas das suas piores tropelias escapam-me, mas acho que tenho visto por aí anónimas a ter comportamentos bem piores).

O que me faz espécie é sobretudo a forma como saltaram para a fama - ou seja, a cavalo das acrobacias íntimas da menina Kim e sob o chicote de uma mãe loucamente ambiciosa.

Alguém que fica famosa em tais circunstâncias não pode, no meu livro, vir a ser uma celebridade de pleno direito, por muito que até prove o seu valor como entrepeneur (um talento que, inegavelmente, a família possui) ou, numa linguagem mais actual, como influencer. Talvez o defeito seja meu, que não consigo abarcar o conceito da fama pela fama ou da fama via Instagram.

A única fórmula matemática que vagamente concebo para aceitar Kim e companhia como famosas é pensar nelas como se pensava antigamente acerca das cortesãs célebres(ou cocottes): as "grandes horizontales" chamadas assim por terem, precisamente, subido horizontalmente na escala social à custa de serem glamourosas e das suas aventuras de alcova.





O paralelo possível que me ocorre estabelecer é mesmo Kim Kardashian ser a Belle Otero, a Liane de Pougy, a La Paiva, a La Barucci do sec. XXI. Numa versão menos sofisticada e com uma entourage mais plebeia e infinitamente mais reles, mas seja.

No entanto - honra lhes seja feita -apesar de alguns valentes deslizes e de umas escorregadelas vulgares no que toca às fatiotas, eu não detesto tudo o que as irmãs usam ou vestem. É pior o que comunicam (e a forma como as admiradoras as imitam) do que os trajes das irmãs per se.
Kim não se sai mal de todo quando não ouve cegamente as ideias fashionistas do marido, Kendall faz o seu papel como modelo e tenho de reconhecer que Kylie sabe do que fala quando se trata de maquilhagem. A César o que é de César.

Em suma, nem sempre o que as irmãs vestem parece barato, ordinário e medonho. Só às vezes.


O pior é que quando uma pessoa até já está em modo "se não as podes vencer, ao menos aceita a sua existência", a normalizar a fama das Kardashian lá na sua cabeça, vem uma delas e zás: faz algo que nos faz dizer, como se diz no Brasil (sic): assim fica difícil te defender, né?


Isto para vos contar que ia eu muito descansada para apanhar o metro quando me deparo com Ms.Kardashian nestes lindos preparos:




E não, não é um anúncio de lingerie. Acontece que Kourtney (a irmã menos famosa?) fez  uma parceria com a Pretty Little Thing- uma loja online de roupa tipo Bershka, dessas baratinhas com trapos trendy e de curto prazo, uns pavorosos, outros aceitáveis como é normal nestas lojas - muito popular aqui no Reino Unido. 

A Pretty Little Thing é, como seria de esperar, uma lojinha muito do agrado das teenagers e sobretudo, das serigaitas, embora tenha um bocado de tudo e até se encontrem por lá algumas coisas bastante engraçadas e normais (como calças de cintura subida e vestidinhos).

Tendo em conta que nem tudo o que a Pretty Little Thing faz é medonho e que Kourtney Kardashian nem costuma ser a mais espampanante da família, seria de esperar que a Kolecção Kápsula da Kardashian não fosse totalmente de fugir.


Kourtney Priscila em modo serigaetae pavonis maximus


 A moça até é mãe, logo ...sei lá eu, a imaginar qualquer coisa, eu contaria com algo mais prático e mais comum, embora justíssimo e a tender para o pindérico, Kardashian style. Mas não. A menina achou que não basta vestir como uma Kardashian- é preciso que o público compre a versão mais exagerada e caricatural de uma Kardashian. ´Tá bem então. 




Serigaitae Dominatrix Supremis?


Entre vestidos mínimos de fazer corar uma stripper, muito poliéster, muita transparência, muito brilho (tinha de ser) esta colecção cápsula (que podem ver na íntegra aqui) é, enfim, um verdadeiro guarda roupa de serigaita que decide abraçar a sua meretriz interior e gritar ao mundo: "dane-se, vou sair do armário e já que nenhum Carlão me assume, assumo-me eu como a maior galdéria que já se viu".
Só se salvam uns macacões, um vestido camiseiro e uns botins que, se fossem num material nobre, teriam a sua piada. O resto não é só mau- é perigoso. Vai haver decerto  meninas dos seus quinze anos com pais negligentes a comprar estas porcarias.

E depois é assim: queixam-se de que o mundo embirra com as Kardashian, e que ninguém as respeita e tal. Mas a fazer coisas destas, querem simpatia? Não, minhas meninas. Ainda não foi desta que me enganaram.

Tuesday, November 21, 2017

Geração Floco de Neve: a cura certa e infalível



Por aqui já temos falado bastante da geração floco de neve - um fenómeno que cresceu loucamente nos Estados Unidos durante a administração Obama graças à propagação de ideias marxistas e liberais esquerdoides, mas que se tem espalhado um pouco por toda a parte via redes sociais - ou seja, ao facto de todo o mundo ter tempo de antena para se queixar das coisas mais parvas.


Nota: esta cena aconteceu mesmo. Não é ficção.
Para quem anda mal informado, a Geração Floco de Neve ofende-se com tudo: vê micro-agressões, racismo, sexismo, apropriação cultural, gordofobia, slut shaming, body shaming, assédio, bullying e ódio em toda a parte. Sente-se "espoletada" ("triggered") por qualquer alfinete, tendo (ou fingindo) ataques de pânico à mínima coisa. Basta alguém discordar de alguém, criticar ou fazer uma piada sem má intenção, para lançar uma convulsão de choraminguice com direito a queixa formal.




A doideira é tal que já não se pode brincar com nada - há mesmo humoristas famosos que se recusam a actuar em campus universitários-graças aos protestos dos Social Justice Warriors de serviço e em certas universidades foram criados "espaços seguros" para os estudantes terem os seus chiliques à vontade (fanicos esses motivados por coisas tão ridículas como "livros perturbadores" (como falámos aqui) ou aplausos (como discutimos aqui) ou um colega ou professor dizer que votou em Donald Trump. Como a série Family Guy satirizou brilhantemente, "não existem piadas - vivemos num mundo pós piadas".



Os flocos de Neve acham-se com direito a tudo, dizem-se socialistas ferrenhos mas não passam sem as regalias do capitalismo, como os cafés cheios de xarope da Starbucks e os Iphones (normalmente pagas pelos pais capitalistas) e em suma, são bons discípulos de Justin Trudeau (um dia tenho de falar aqui de Justin Trudeau): meninos mimados incapazes de fazer pela vida, mas que se acham muito bonzinhos. Uns wannabe hippies a quem falta a pureza e estilo dos hippies, e que para defender "a paz e a igualdade" não hesitam em recorrer à violência. Ai de quem se atreva a discordar deles!



Os floquinhos de neve odeiam a sua pátria e a cultura ocidental que lhes permite todas as suas liberdades, luxos e doideiras, mas não vivem sem as regalias da tal cultura opressora (nomeadamente, internet livre para ventilarem os seus disparates). Todos querem ser considerados lindos e extraordinários, mesmo que façam de propósito para serem exactamente o oposto. Para eles, tudo é  subjectivo: as relações são líquidas e casuais, o género é fluido, o bem e o mal são relativos, os padrões de beleza não existem, as recompensas não dependem do mérito porque todos são especiais (especialmente eles próprios) tudo devia ser grátis e a verdade não vale um chavo porque os sentimentos são mais importantes do que os factos.



 Os rapazes são geralmente efeminados e supostos defensores das mulheres (como o Cavaleiro Andante dos Pensos Higiénicos, de quem falámos há tempos) e as raparigas umas feminazis de carteirinha que passam o seu tempo em protestos e nos copos, e depois reclamam que não há homens de jeito. Gastam o dinheiro da família tirando licenciaturas que não têm empregabilidade (como estudos feministas ou sociologia das minorias ou coisa que o valha) e que lhes permitem dissertar à vontade sobre Justiça Social, unicórnios e duendes, mas depois refilam contra o Capitalismo por não terem carreira que se veja. Fazem por ser bizarros para dar nas vistas o mais possível e poderem queixar-se de serem apontados. Resumindo, são uns inúteis orgulhosos do seu diletantismo, que ainda por cima nem é um diletantismo artístico e interessante como o do Carlos da Maia, e vivem numa histeria, delírio e paranoia permanentes. São fases- dir-se-ia em tempos. Mas o pior é que isto agora é levado a sério e apoiado por certos média como uma espécie de salto evolutivo para uma nova sociedade.






Quando pensamos que há 70 anos, jovens dos seus 18 se dispuseram a morrer valentemente na II Guerra (e por seu turno, as raparigas dessa geração eram snipers ou trabalhavam nas fábricas a montar bombas) e comparamos isso com estas amostras de gente... é de uma pessoa se benzer. Lá dizia o outro: tempos difíceis geram homens (e mulheres) de valor. Tempos fáceis geram homens fracos.

Pois bem, na minha família nunca houve flocos de neve nem tolerância para gente fraquinha do miolo.


Os remédios eram prontos e eficazes, por isso sugiro que sejam empregues quanto antes nas escolas e faculdades, antes que estas se tornem viveiros de gente doida. Eis o que os meus pais, avós e parentes disseram toda a vida a quem se atrevia a ter "chiliques":

- Vai correr para o pinhal que isso passa-te.
- 30 abdominais e 25 flexões- no chão, já!!!
- Pega num paninho e limpa (o chão, o carro, as janelas) para te acalmares.
- Bico calado que eu com essa idade tinha X homens sob o meu comando.
- Vai à Missa que isso passa (a recomendação ou ameaça do Terço também surtia logo efeito).
- Pega-te com Deus, filha.
- Bolinha baixa rente à relva!
- Pouca vergonha!
- Nem pense que vai sair à rua nessas figuras.
- Há muita louça para lavar e lenha para carregar cá em casa: trate disso que os nervos passam.
- Leva uma tareia que chora com razão.
- Os nervos tiram-se com um pau (sacando da colher de pau).
- Vá varrer as escadas que aqui não há pão para malucos.
- (*Inserir tarefa*) Aqui não há pão para malandros.


Bem diz o povo: chinelo canta, moral avança. Ou "casa que não é ralhada não é casa bem governada". E a sociedade começa em casa, não nos enganemos...


Mas esperem- nem é preciso virem para minha casa. Se pensarmos de acordo com as ideias de esquerda que estes meninos tanto apoiam... nem o proletariado oprimido teria pachorra. Mao Tse Tung mandava-os para os campos vergar a mola que era um gosto, porque apesar de tudo nem ele gostava de alminhas delicadas. O próprio Che Guevara, que estes "equalitários da treta" tanto idolatram, era capaz de lhes espetar um balázio quando visse como se ofendiam com tudo. E se fossem para os países islâmicos que tão afincadamente defendem, tenho para mim que de cem chicotadas bem merecidas não se livravam...

Em resumo: flocos de neve, ninguém gosta de vocês, porque ninguém gosta de palermas. 
Agora venha 2018, porque 2017 foi cheio disto e está tudo farto.





Saturday, November 18, 2017

As coisas que eu ouço: padrões elevados (NOT!)






Esta semana deparei-me com duas moçoilas com muito mau ar, à porta da Poundland (espécie de "lojinha dos 300" cá do burgo). Dizia então, com a resoluta postura de quem tomou um grande propósito de vida, uma loura oxigenada à sua "miga":

- Eu já o avisei que comigo não faz farinha! Se ele engravidar a outra, acabou tudo entre nós!


Fiquei estarrecida com tanta baixeza e tive de fugir dali para não me escangalhar a rir na cara delas...

Eu costumo bater na tecla dos "padrões elevados" quando se trata de relacionamentos.

Ou seja, se uma mulher quiser evitar relações em que é desrespeitada (e convém que queira...) ou tratada como um brinquedo, precisa de definir muito bem consigo, antes de se envolver seja com quem for, o que quer e não quer para a sua vida. Saber o que aceita e não aceita. 

E claro, terá de comunicar esses padrões (por palavras e atitudes) a qualquer potencial namorado, logo que começam a conhecer-se e ele deixa claro o seu interesse. 

 Às primeiras iniciativas que ele tome (ele, atenção...) cabe a uma rapariga deixar explícito, de forma serena e amigável mas firme, de forma verbal e não verbal, o que está disposta a aceitar, vulgo: se quiser sair comigo, tem de convidar com a devida antecedência, porque eu valorizo o meu tempo; ou "não me envolvo em relações casuais...;se não tiver um relacionamento sério, prefiro estar sozinha" ou ainda "não acredito em coabitar sem estar casada". Perante isto, quem é sério (ou está mesmo interessado) deixa-se estar; quem anda na brincadeira fica informado e põe-se a andar enquanto é tempo. Filtragem feita.

Quem não define o que quer, sujeita-se a ser alvo de joguinhos. Ou mal interpretada. Os homens admiram e respeitam quem se dá ao respeito. Se uma mulher sabe o que quer, mas age e fala como se quisesse outra coisa, arrisca-se a patinar na maionese meses ou anos a fio, a perder o seu rico tempo e a gastar a sua paciência com quem não a merece, não presta ou, simplesmente, com alguém que é errado para si. Isto quando não faz papelões menos dignos ainda.


Porém,  vá- há mulheres que têm até um padrão digno e civilizado na sua cabeça, mas pecam por não se explicarem ou não terem firmeza. Mas estas duas que eu tive a pouca sorte de ouvir? 

O padrão nem sequer existia, ou é tão baixo, tão rasteiro,que está em valores negativos. Pergunto-me qual é, para começar, o objectivo de uma mulher que pensa assim: com tanto homem por este mundo de Deus, o melhor cenário que ela consegue imaginar para a sua felicidade é que o seu "amigo" não tenha filhos de outra qualquer? É que notem, a pobre coitada não só não deve ter uma relação assumida, como já nem aspira à exclusividade; aceita a rival, desde que só ela própria tenha a honra de carregar as bastardias do D.Juan! E eis, minhas senhoras, as belas conquistas da "libertação da mulher". Se foi para esta "igualdade de direitos" que andaram a libertar o mulherio...só me resta concluir que o mulherio é, na maioria, composto por selvagens em maior ou menor grau postas à rédea solta. 




Tudo bem que uma pessoa vai sabendo, aqui e ali, de mulheres que aceitam tudo para não estarem sozinhas: de serem a "outra" , ou uma de várias, ao papel degradante de "amiga colorida" (ou meretriz pró-bono) na tentativa patética de fazer um homem que não as assume mudar de ideias, a lista é grande e deprimente. Não precisamos de conviver com serigaitas, Carlões e Carlonas para sabermos que esse universo paralelo existe. Quanto mais não seja, basta olhar para a MTV ou para um qualquer reality show para ficarmos a conhecer esses fenómenos, nomeadamente o dos engatatões que são pais de pobres bebés ilegítimos de várias "baby mammas".

Tudo bem que este exemplo que citei acima é muito exagerado e diz respeito a uma certa demografia; mas olhem que já ouvi histórias parecidas em extractos mais selectos da sociedade. Uma amiga toda bem veio uma vez perguntar-me que conselho dar a uma conhecida dela, que se tinha envolvido com um Casanova que mantinha várias "amigas", todas sabendo das suas artes, que se sujeitavam a tudo na esperança de (sic) "lhe conquistar o coração". A minha resposta? Eu ria-me na cara dele, oras! Que outra réplica seria possível perante tanto descaramento? 

Já estou como a outra: estas raparigas não sei para que querem a esperteza...




Parte do problema dessas mulheres será não terem aprendido as velhas regras da dignidade feminina em casa, e a outra parte só pode estar ligada a problemas profundíssimos de auto estima.

Convém que se tratem os relacionamentos como o processo de procura de emprego. Se, numa entrevista, o potencial empregador disser: "não assinamos contrato, o salário é pago em sandes de chouriço, não garantimos nada  e vai ter de competir com uma data de colegas pelo privilégio de estar aqui todas as manhãs às oito" o mais certo era virarem as costas e deixarem o palerma a falar sozinho. 

Mas quando se trata da vida privada já tudo é escrito em papel molhado e ninguém estranha?


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