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Friday, October 13, 2017

Há pessoas que só respeitam quem as trata mal. É incrível.



Aprendi com a minha família e com a Bíblia- e mais tarde, a ler Maquiavel, Sun Tzu, Mazzarin e outros estrategas - que raramente é preciso ser mau para chegarmos onde queremos. A diplomacia, a gentileza, a bondade, a calma, a paciência e a discrição 
levam-nos mais longe do que uma atitude prepotente de "quero, posso e mando" e do que atalhos desonestos, que têm sempre prazo de validade (veja-se o nosso amigo Sócrates). 

Juntando a essas características a ética de trabalho, o trabalho árduo e o entusiasmo, não há nada que não se consiga fazer.




O tempo confirmou-me essa ideia:  as pessoas mais bem sucedidas com quem tenho privado são o vivo exemplo disso. Quanto mais próximas do topo, mais bondosas e amáveis costumam ser. É nos quadros intermédios que costumam estar os serzinhos insuportáveis: competentes e empenhados q.b ( ou obcecados)  para subirem até certo ponto, mas demasiado impossíveis de aturar para que alguém no seu perfeito juízo os deixe ascender a altos voos ou manter-se lá. Ninguém respeita os brutos.




 O uso da veemência, da força ou mesmo da assertividade deve ser reservado como recurso expressivo para quando já não se vai lá com serenidade, papas e bolos. O bem sempre que possível, o mal sempre que necessário (ou apenas se for mesmo necessário). Ou como dizia o outro, caminha em paz mas leva um cajado bem grande na mão! Lá por uma pessoa ter ética, não quer dizer que seja pateta. Ou como a avozinha me repetia sempre "Deus Nosso Senhor também não gosta que a gente seja palerma!".


E não me tenho dado mal com a abordagem...




No entanto, há sempre alminhas que parecem ter alergia à honestidade e à gentileza: ou seja, quando lidam com gente de bem (mesmo que se tenham dado mal com quem se comporta do modo oposto) em vez de ficarem aliviadas, todas contentes de encontrarem pessoas de confiança, e de as estimarem para não as perderem, decidem abusar. Entram em modo "se me dão o dedo, eu quero o  braço todo". 


E tratam de lidar com os bons como lidavam com os maus- ou pior ainda, pensando que podem porque quem é bom não reclama nem retalia. 




Na cabeça destes entes, bom = a trouxa.  Na sua óptica, só é gentil quem é demasiado cobarde para ser mau; só é honesto quem não tem lata  para ser matreiro; só é educado quem não possui coragem para fazer exigências ou para dar respostas tortas.

Não lhes passa pela ideia que alguém possa ser bom, ser honrado, agir discretamente, fazer pouco barulho, querer o bem de todos e ter palavra, não porque se deixa intimidar ou porque não tem alternativa, mas por simples escolha sua, por hábito de berço e por natureza de carácter. Tomam os outros por idiotas: não lhes ocorre que as pessoas lhes topem os esquemas perfeitamente, apenas prefiram não o demonstrar para evitar um confronto aberto e darem a volta à questão de uma forma airosa. Podemos ser ardilosos e não sermos umas bestas.





Para criaturas assim, as pessoas boas são demasiado boas para ser verdade, logo há que tratá-las com a mesma sem cerimónia que se dedica às pessoas más.

E é mesmo isso que fazem, porque se calhar nunca aprenderam aquela frase de S. Francisco de Sales''Nada é tão forte como a gentileza 
e nada é tão suave como a verdadeira força".

Coitados, só entendem a linguagem da má criação e da trapaça (ou em casos extremos, a linguagem do banano e da bolacha).





O lado positivo disso (já que é impossível evitar totalmente tropeçar em criaturas que só respeitam quem é tão bruto como eles ou pior) é que por vezes, passar por menos esperto do que se é na realidade dá imenso jeito. E ter paciência de Santo, também. Quando os espertalhões julgam que o "bonzinho" não vai fazer nada, que se vai deixar pisar à vontade, já ele, de saco cheio e irremediavelmente roto mas nas suas calmas, metido consigo, preparou uma estratégia para lhes tirar o tapete. 

Quando dão por ela já é tarde; espalham-se ao comprido, sai-lhes o tiro pela culatra, o bonzinho segue alegremente com a sua vida deixando-os na mão e os chicos-espertos têm de voltar a lidar com pessoas que não prestam, que é para aprenderem. O calado vence tudo, era outra frase que a avó me repetia vezes sem conta. 

E isto não é ser sonso, é ser estratégico.

Thursday, October 12, 2017

Divisão de tarefas: as mulheres e a "carga mental"




Por norma e por princípio, costumo estar no mais completo e assumido desacordo com os exageros feministas. Por vários motivos lógicos ( este texto excelente que encontrei explica tudo) mas sobretudo porque quem engole essa cassete se dedica a debater histericamente problemas imaginários em vez de incidir nas questões que realmente afligem as mulheres por esse mundo fora.



Porém, no meio de tanta tinta desperdiçada em artigos patetas sobre "papéis de género" há um assunto que tenho vindo a encontrar mencionado aqui e ali, e que importa assumir que existe: a sobrecarga mental que cai sobre as mulheres no que toca à gestão da casa.





Isto porque não é que os homens não ajudem (vamos partir do princípio que ajudam e já voltamos a isso mais adiante).

 É que há uma diferença entre "ajudar" e "fazer a sua parte" ou entre "cooperar" e ser pró-activo. Esse ângulo subtil tem aparecido nos média aqui e ali: esta crónica de Paulo Farinha relata um exemplo disso em primeira mão e até mesmo publicações Católicas se têm debruçado sobre ele


"O fenómeno da carga mental consiste em pensar sem parar nas coisas que há para fazer, antes mesmo de delegá-las. É pensar em todo o trabalho quase  invisível que faz um ambiente doméstico funcionar, como a preocupação porque logo vai acabar o papel higiénico e é preciso colocá-lo na lista de compras, o medo de se esquecer de marcar consulta médica, lembrar-se de comprar as passagens para as férias…
Para poder dedicar-se a estas coisas, ou inclusive para delegá-las, primeiro é preciso pensar nelas (...) geralmente é só a mulher que tem que pensar em tudo, já que o marido se coloca em atitude passiva e é preciso pedir-lhe para fazer as coisas”.



É certo partir do princípio que, nos dias que correm, um casal em que marido e mulher tenham carreiras fora de casa se vê obrigado a dividir tarefas. E que muitos homens, tendo vivido sozinhos, são óptimos cozinheiros e "donos de casa".

Depois, eu não serei a típica dona de casa de primeira viagem, desorientada com as alegrias domésticas: dificilmente encontrarão alguém mais antiquada do que eu no toca à imagem da mulher que cozinha bem (e que tira alegria disso) que faz por ter a casa organizada e confortável e que adora mimar a cara metade.

Recebi desde muito nova esses valores: não importa o quanto um homem ajude, não importa se a esposa tem governanta e mulher a dias: supervisionar e orientar é um trabalho minucioso que precisa de jeitinho feminino. Os homens adoram ser apaparicados e as mulheres (as do meu tempo e do meio em que cresci e me movi, pelo menos) gostam de apaparicar. Nada de errado nisso.  Igualmente, sou toda a favor da liberdade (ou mesmo do cenário ideal) de a mulher, se a família tiver meios para se dar a esse luxo, ficar em casa a cuidar dos filhos, ou trabalhar apenas em part time. Principalmente se tiver algum rendimento próprio, porque nunca se sabe o futuro e em todo o caso, é sempre melhor contar com autonomia nos gastos quotidianos.


No entanto, ser tradicional não significa ignorar a tal sobrecarga psicológica que está associada aos afazeres domésticos!




Assim como um homem saber cozinhar e limpar não implica, necessariamente, que o fará ao ritmo necessário para uma vida a dois e/ou com filhos.

 A dinâmica de um casal é diferente de viver em casa dos pais, ou para si mesmo (a) e exige uma adaptação que nem sempre é suave.






 Cenários à parte (independentemente do perfil social, com mais desafogo ou menos, com ou sem pessoal doméstico para ajudar e com mais ou menos apoio da família alargada ) a realidade para a maioria dos casais entre os 20 e muitos e os 40 e poucos é ambos trabalharem fora e (hipoteticamente) dividirem as tarefas em casa.

A palavra corrente é que ainda há muito a evoluir nesse sentido. Para mim, partilhar tarefas é uma conclusão meramente lógica. Se nos anos 1950 a mulher ficava em casa o dia todo enquanto o marido trabalhava para pagar as contas, o justo é que cuidasse do lar e dos filhos. Se hoje os dois têm iguais responsabilidades fora de casa, o justo é que dividam as responsabilidades domésticas como adultos conscientes.







Porém , ainda admitindo que isto acontece - que o marido dá a papinha ao bebé, que aspira a casa, que vai às compras, que sabe cozinhar e faz tudo como manda o figurino sem achar que está a fazer um favor em limpar o que sujou- a verdade é que os homens tendem a um certo comodismo. 

Ou seja, até ajudam...mas esperam que lhes digam o que fazer. E às vezes ficam muito admirados por a mulher refilar que isto ou aquilo não está feito.








"Mas então - resmungam eles- custa alguma coisa
 pedir-me para lavar a  louça/ pôr o lixo fora/ levar o cão à rua?".

Ou ainda "mas está aborrecida porquê? Se ela não me disse para fazer isto ou aquilo!"

E não esqueçamos a mania de fazer as coisas, sim senhor, mas apenas ao seu próprio ritmo, quando bem lhes parece, e não quando a necessidade surge, vulgo: "eu já disse que aspirava/limpava e trato disso daqui a bocado/amanhã de manhã".

Ou seja, mesmo no nosso mundo supostamente igualitário, a biologia ataca e o homem tende a ataques de criancice, querendo ser mimado como se a mulher estivesse em casa a tempo inteiro ou, pelo menos, esperando ser orientado naquilo que é preciso. O pior é que planear, decidir, escolher, representa metade do esforço que é preciso para realizar as ditas tarefas. Estabelecer a lista das coisas para fazer, lembrar a cara metade de as levar a cabo e verificar se foram feitas é um trabalho em si mesmo - e um trabalho exaustivo, que faz a mente feminina funcionar como um ábaco o dia todo. Supostamente, eles tendem "a deixar-se levar a partir do momento em que começam uma vida a dois




O que a longo prazo acaba por se tornar opressivo, deixar a  mulher à beira de um ataque de nervos/fanico/esgotamento e na melhor das hipóteses, fazer com que ela caia na tentação de ralhar e murmurar. Muitas mulheres anseiam - por exemplo- pela hora de regressar ao trabalho a full time depois da licença de parto, porque já não podem ver roupa e louça à frente!


O remédio para tal "mini flagelo" reside na comunicação diária, verbal e não verbal; mas também em as mulheres adoptarem uma atitude mais relaxada, não querendo tudo na perfeição e deixando que as consequências/ actos falem mais alto do que muito palavreado. 


Ou seja, primeiro há que chegar a acordo quanto a  quem faz o quê, mesmo que seja em modo "fake it ´till you make it" - assumindo que o acordo poderá não resultar na perfeição ao início.



Segundo, abandonando a atitude "nunca peças a um homem para fazer o trabalho de uma mulher". Se o marido não desempenha as tarefas tão bem como se gostaria, ou na ordem/ritmo que seria de desejar, paciência; é melhor do que nada e só a prática leva à perfeição. 

 Terceiro, é preciso encarar a questão com bom humor. Rir dos desastres é o melhor remédio!  Há dias, regressava eu com o meu mais que tudo do supermercado e dei-lhe à escolha: ou ele tratava da louça e eu arrumava as compras, ou vice versa. Ele, que detesta vivamente a louça mas gosta ainda menos de andar no tétris com o frigorífico e os armários, (apesar de ser muito mais alto e de ter muitíssimo mais jeito do que eu para isso, diga-se de passagem) lá se conformou com o pior dos dois males e pôs-se a lavar os pratos, não deixando de atirar um chiste à bonita forma como as mercearias iam ficar organizadas... devolvi-lhe a graçola e lá continuámos. Mas como desde que o mundo é mundo os homens não sabem fazer nada sozinhos, sempre me ia pedindo que lhe chegasse isto ou aquilo ou tirasse mais aqueloutro da frente.




É claro que eu, impaciente e cheia de sono depois de um dia  caótico, resmunguei se quando eu lavava a louça, por acaso lhe pedia que limpasse o espaço para eu poder trabalhar...e disse que se desembaraçasse porque eu ainda nem tinha descalçado as botas!

Pois não se ficou e desatou a imitar-me, nos seguintes termos:

"Olhem para mim, pobre de mim, sou uma infeliz, sou uma desgraçada...ai de mim, que vou morrer calçada!".


É óbvio que desatámos a rir e acabou ali a má disposição.





 E por fim, em quarto, é vital saber realmente delegar e confiar; por muito que doa deixar a casa menos impecável! Ausentar-se  quando necessário sem preparar tudo, ou deixar por fazer aquilo que de todo não pôde ser acabado, sem sentir culpa, tem mais poder do que muito sermão. Bem dizem os ingleses: aquilo que não pôde ser feito, não era tão importante como isso.






Afinal, como prega o povo, ou há moralidade ou preguiçam todos. Não ter peúgas enroladinhas na gaveta 
 uma vez por festa (e ter de as ir "pescar" ao cesto da roupa lavada pela manhã) ou encontrar a casa num rodilho quando chega, em vez do cenário aconchegante a que se habituou, não mata ninguém - mas terá decerto mais efeito num homem do que pedidos, censuras e ameaças. 

Por vezes é preciso combater uma atitude desfasada dos tempos com outra atitude à moda antiga: ou seja, aplicando o remédio da minha santa avozinha... dar-lhes o desconto que se dá às criancinhas e mostrar, como se mostra às mesmas criancinhas, que as atitudes mandrionas têm por consequência o desconforto.

Wednesday, October 11, 2017

Uma história sem heróis que anda nos jornais: a serigaita, o mauzão e os pais




A serigaita e o seu "Príncipe" de uma noite só


Hoje trago-vos uma estorieta sem jeito nenhum que a imprensa badalou nos últimos dias com grande entusiasmo e comiseração para com a pobre rapariguinha enganada. Espantou-me que nenhum jornal usasse o mínimo de espírito crítico para relatar o caso e que ninguém - a não ser meia dúzia de comentadores anónimos- tirasse daí a menor lição de moral.  Enquanto as mulheres continuarem a  ser tratadas como pobres criancinhas ingénuas, mesmo quando são vítimas apenas da sua pouca esperteza e falta de dignidade, mal estamos.

Regra número um para a felicidade amorosa e o equilíbrio de uma rapariga: não ser uma serigaita oferecida, por mais que as "migas", as Cosmopolitans e as Capazes da vida insistam que isso é o máximo. 

Regra número dois: se essa rapariga tiver mesmo, mas mesmo, de ser uma doidivanas porque não o pode evitar, porque enfim, é genético e a educação não ajudou, ao menos que não seja uma serigaita oferecida e trouxa

Ou seja, uma serigaita  ingénua,  romântica *e* burrinha que confunde pândega com romance e engate com relacionamento sério- ou como o caminho para um relacionamento sério. É que não há nada mais patético. Para os homens as duas coisas não caminham juntas e fora raríssimas excepções a telenovela termina sempre em lágrimas para a infeliz que achou que desta é que tinha acabado a noitada de copos no palácio (neste caso, no quarto de hotel barato) do Príncipe Encantado e que ia ser feliz para sempre. Fail. É que isso, nem os homens nem as outras mulheres respeitam. 




Uma Samantha Jones da vida real ou uma femme fatale ainda se aturam: mandam as regras à fava, não devem satisfações a ninguém, não pedem batatinhas, deixam o macharedo baralhado ou arrasado no coração e/ou na bolsa ...enfim, por mais doidas que sejam mantêm algum poder na situação, vingam o mulherio e tem os sentimentos sob o seu domínio. Podemos reprovar o seu comportamento arriscado, não compreender como o fazem e não as querer por perto, mas sempre nos escapa um "ah valente mulher!".

Agora uma pobre coitada que rebaixa o valor da Mulher aos olhos masculinos, que dá o coração mais o resto e ainda um par de botas a desconhecidos e ainda anda atrás deles depois de levar com os pés de novo, depois chora pelos cantos, faz de vítima, ameaça com o karma,  protesta nos social media e deita aos homens as culpas da sua irresponsabilidade? Tenham paciência, cresçam. Isso é DD: Deprimente e Des-pre-zí-vel.




Regra número três (e última): se a rapariga em causa tiver ignorado todas essas regras, se fez todas as coisas deprimentes e desprezíveis atrás citadas e grande figura de urso, ao menos (por amor da Santa, por favor, pelas alminhas) que se abstenha de escarrapachar o caso nas redes sociais. E se escarrapachou (como estas criaturas escarrapacham quase sempre) ao menos que não ache que passar vergonhaça no facebook é insuficiente e não se lembre de levar o vexame para os jornais.

Mas foi precisamente isso que Sophie Stevenson, uma inglesa de 24 anos, fez- com o apoio dos pais!

Eu bem digo que as serigaitas não são um fenómeno inexplicável que anda de noite, como o Yeti ou o Chupacabras. Não nascem por aí no ar, ou num ovo chocado sozinho à beira da estrada. Para criar um ser destes, sem a mínima noção do apropriado nem um pingo de bom senso, é quase sempre preciso haver progenitores desmiolados (geralmente, envolvendo um pai ausente ou demasiado banana) .

Volta e meia lá há uma por outra que até vem de boas famílias e sai a ovelha negra, um desgosto e uma surpresa terrível para os pais, mas quase sempre esse comportamento nasce de lares permissivos demais.


Sophie, a serigaita, perdão, vítima.



Adiante: a menina Sophie, que passaremos a designar como a "vítima" (reparem que usei aspas) foi passar férias a Barcelona em Agosto, por altura do terrível atentado que lá sucedeu. No meio da confusão conheceu Jesse, um holandês, e envolveu-se imediatamente com o estranho que nunca vira mais gordo, passando a noite com o rapaz em grandes folias enquanto os pais, em Manchester, desesperavam por não saberem notícias dela. A coitada chamou a isto "um romance como deve ser". Para o rapaz foi um engate de ocasião com a primeira rapariga que lhe caiu no colo, mas ela deve ter julgado que estava a viver um filme épico de amor e tragédia estilo Titanic ou Pearl Harbour.




Acabaram as férias, cada um foi para sua casa e terão continuado a falar-se diariamente na internet com grande entusiasmo da "vítima". Segundo ela, o marmanjo falava em manter uma relação à distância. Por sua vez, ele jura aos pés juntos que nunca disse tal.  O menino também teria prometido várias vezes ir vê-la ao Reino Unido, mas o certo é que nunca lá pôs os pés. E que fez a boa da Sophie? Juntou o seu dinheirinho que tanto lhe custa a ganhar como gerente de um bar, e agiu como agem todas as mulheres da luta: comprou um bilhete e lá foi contente e airosa para Amsterdão para se encontrar com o "namorado".




OK, pausa para uma mais uma regra da avozinha: numa situação destas, se o rapaz tem boas intenções e está mesmo interessado, ele é que deve fazer a primeira visita. Óbvio. Já bastara ela entregar os pontos todos e mais alguns no primeiro encontro, agora era a vez dele fazer algum esforço e investir nela, não? 

Até imagino a mãe e as minhas santas avós a dizerem esse tipo de coisas, todas escandalizadas. "Então, porque não vem cá ele?". Aliás, consigo sentir o pai parado à porta a pedir um relatório completo acerca da criatura e a ter uma síncope com o relato do "romance", e juro que dali ninguém arredava pé e ia ser uma cena bonita, ia. 

Mas os pais de Sophie acharam normalíssimo que a filha tivesse passado a noite com um perfeito estranho, que tanto quanto sabiam até podia ser um serial killer, e que agora o fosse visitar completamente sozinha. Boa. Isto gente prevenida é outra coisa. 


O pai da "vítima"

E Sophie agarrou no seu kit de maquilhagem de serigaita e nas suas roupinhas da Boohoo (marca que vende muita roupa serigaita por estas bandas) e fez-se ao caminho.

Long story short, quando a desmiolada chegou ao aeroporto, do rapaz nem rasto. Depois de muito esperar e desesperar, e de contar aos pais que o príncipe se sumira no nevoeiro, lá se arrastou de transfer para o hotel. 

Mas quando finalmente conseguiu que o rapaz se dignasse a responder-lhe... teve a pior surpresa da sua vida: Jesse disse-lhe que tudo aquilo não passara de uma partida muito malvada, chamada "Pull a Pig" (quando os rapazes competem entre si para ver quem se envolve com a mulher mais feia) levada ao extremo. E zás, bloqueou-a sem mais aquelas.


A mãe da  "vítima", em estado de choque e ultraje

Ok, a ser verdade , que não sabemos se é, isto foi aborrecido e Jesse é uma besta- isso é inegável. Primeiro, por se ter deitado com uma rapariga que considerava pouco atraente ( já se sabe que muitos deles quando querem facilidades tudo lhes serve, mas não deixa de ser horrível) e segundo, pela crueldade gratuita de que foi capaz. Se calhar o moço, de 21 anos, é mesmo um bocadinho psicopata e no meio disto tudo não será um exagero dizer que a menina teve sorte em não lhe ter acontecido muito pior.

É preciso ter uma mente retorcida e sem empatia alguma para se dar ao trabalho de pregar uma partida tão elaborada a alguém. Se não gostava dela, se nunca mais a queria voltar a  ver, tomava chá de sumiço como qualquer engatatão de desesperadas e pronto. Isto foi doentio, tudo tem limites, etc, etc.

Mas a verdade é que o mundo está cheio de más pessoas e isso inclui alguns maus rapazes. Por isso é que convém conhecer alguém o mais possível e ter o máximo de garantias antes de dar passos grandes e de se encher ilusões. Só assim para ter o mínimo de segurança e mesmo isso não evita surpresas. That´s life. Toughen up. Deal with it.




E pronto, não havia ali morte de homem. Nem de mulher! "Ai que ele abandonou-me desamparada num país estrangeiro!"- berra Sophie para quem a quer ouvir, como se tivesse ido parar a Cabul ou a Bagdad e não a uma terra pacífica e super desenvolvida. Isto, estas mulheres "resolvidas" e "independentes"...

  Depois do mal feito, que restava a Sophie? Ora vejamos. Que tal abrir horizontes para ficar menos burrinha?

 Tinha a viagem e estadia paga numa das mais interessantes cidades do mundo, povoada de alguns dos homens mais bem parecidos e gentis da Europa. Oh minha menina, se a vida dá limões fazemos limonada!

Ia fazer umas compras à baixa e ao mercado de Waterloo Plein, ver os museus, visitar a casa de Anne Frank para se lembrar que muitas jovens tiveram vidas bem piores que a sua e mesmo assim não desanimaram, arejar, conhecer gente nova, ver as vistas, e se estivesse mesmo muito abalada ia meter o nariz numas coffee shops e dar uma volta ao distrito encarnado para conversar com algumas das "raparigas trabalhadoras" que lá andam metidas nas montras, convidá-las para os copos e desabafar todas juntas que os homens não prestam. De certeza que alguma das meretrizes lhe daria de bom grado algumas dicas mais acertadas para dar o troco a Jesse, mal por mal uma cortesã sempre tem algum sentido prático como mulher de negócios que não deixa de ser...




Mas não. Voltou para casa humilhada, chorona, toda ranhosa e inconsolável por causa de um sujeito que viu uma vez na vida. E os pais, em vez de lhe darem um calduço, de se escandalizarem pela falta de amor próprio e de decoro da moça e de lhe dizerem para ter mais calma para a próxima, para não se meter em aventuras sem compromisso, fizeram o jogo  dela; juntaram a sua lamuria à da filha mimada e chamaram a polícia (que obviamente lhes respondeu que não podia fazer nada, pois não tem jurisdição na falta de moralidade de ambas as partes).


O alegado vilão


 Como isso não funcionou, no lugar de se calarem bem caladinhos e de terem um bocado de vergonha na cara, vai de ligarem para  imprensa e de relatarem o caso tim tim por tim tim,  todos contentes com os 15 minutos de infâmia. Olá mundo, a minha filha é uma oferecida e eu nem sou homem para a pôr na ordem.




Diz o pai "estremunhoso" que ouvir a filha a ligar em lágrimas foi mil vezes pior do que não saber dela durante os atentados de Barcelona (note-se o bom gosto e as prioridades desta gente) . E que quer ir acertar contas com o rapaz (o não seria lá muito justo já que ele nunca lhe prometeu nada, mas sempre podia ter sido feito em vez de se enxovalhar a nível global, vá). A mãe, essa, diz que a menina tem a auto estima em frangalhos, coitadinha- se calhar, se fosse uma mãe atenta saberia que a filha nunca tivera grande auto estima para começo de conversa, ou não andaria a pedir batatinhas atrás de um rapaz que mal conhece a não ser no sentido bíblico do termo...

Em todo o caso, a auto estima de Sophie deve estar lá nos píncaros agora, porque muita gente teve pena dela e lhe deu elogios por comiseração, do estilo "quem perde é ele, tu és linda". E como uma serigaita adora atenção e elogios, suponho que recuperará depressa da sua "desgraça". Quanto a Jesse, esse, nega tudo, principalmente quaisquer ideias de "romance" .  "A vítima aqui sou eu" afirma ele, queixando-se de que ele a sua família têm recebido ameaças de morte. Também ele poderá tirar uma lição disto: quando uma rapariga se mostra muito fácil, geralmente a factura a pagar com isso é bastante difícil


Uma boa lamparina em cada um e ficava o problema resolvido, digo eu...




Wednesday, October 4, 2017

Oh senhoras (?) por favor...depois não se queixem! (Basic Bit*hes, Parte I)


Cada vez mais,  fico admirada (e em alguns casos, envergonhada) com certas coisas que leio para aí, escritas por raparigas casadoiras ou esposas entre os vinte e muitos, trinta e picos. E pergunto-me para que ideia de casamento é que estas meninas foram educadas...

A supermodel Miranda Kerr fez cair o Carmo e a Trindade quando há umas semanas disse que as mulheres devem ser femininas e fazer por agradar aos olhos do marido. A sensata beldade segue o conselho da sua avó, que sempre a avisou que os homens são seres visuais. Logo,  uma mulher deve fazer um esforço para estar linda quando a cara metade chega a casa: pôr um vestido sexy ou um robe de seda e um bocadinho de maquilhagem (podem ler os seus conselhos aqui na íntegra).




E (para horror e ultraje das emancipadinhas de serviço) a modelo empreendedora, independente e podre de rica, que também criou a sua própria linha de cosmética, acrescentou que em trabalho é toda decidida, assertiva e mandona se for preciso; mas que em casa gosta de relaxar, cozinhar como uma chef, assumir uma postura mais gentil e feminina e permitir que o marido ( o multi milionário fundador do Snapchat) "vista as calças" e se sinta no seu papel masculino e poderoso.



 "É um bom equilíbrio" diz ela. De resto, Miranda é cá das minhas: não acredita que uma mulher deva tomar a iniciativa, correr atrás e tirar ao homem o prazer da conquista. Defende que os homens gostam de se sentir respeitados e as mulheres, acarinhadas.

"Não façam tudo por um homem. Se ele estiver interessado, vai querer fazer coisas por vocês". 

 É claro que estou completamente de acordo com Miranda: uma mulher realmente poderosa não tem medo de permitir ao homem guiar a dança, ao sabor da Mãe Natureza. E em troca do esforço dele para a conquistar, ela faz o esforço para agradar. Elementar. Amor com amor se paga.




Pois nem preciso de vos dizer que as reacções que se seguiram nas redes sociais da vida foram perfeitamente incendiárias!

Não faltaram jovens mulheres casadas (e outras que gostariam de estar casadas mas não conseguem encontrar um homem bom/segurar homem algum, não sabem elas porquê...) a dizer coisas do tipo: "só me faltava essa! Que grande canseira!  ou "quem me ama tem de me amar de fato de treino e toda desarranjada!" e ainda "é fácil falar para uma modelo rica que ganha a vida a parecer uma boneca insuflável e tem criados para lhe tratar de tudo!".




Houve ainda quem apontasse que a boa da Miranda, que sabe tanto, não conseguiu conservar o primeiro marido, Orlando Bloom.

 Bom, não sabemos o que se passou; mas não só o ex deve ter algum respeito por ela (já divorciado até chegou a bater em Justin Bieber para a defender, recordam-se?) como se calhar, só se calhar, foi ela que quis alguém com uma postura mais tradicional. Afinal, Orlando Bloom, depois do divórcio, andou a namorar com a feminazi das feminazis, Katy Perry. E o segundo marido é tão bem apessoado como ele e mais alpha male. Além de ultra milionário, o que, não precisando ela de mais dinheiro, pesa na balança social  em termos de grau de alfa macheza. Adiante.




É óbvio que também apareceram mulheres ajuizadas a dar-lhes respostas do tipo "chegar do emprego e não mudar logo para roupa de andar por casa nem tirar a maquilhagem não é exactamente física quântica" ou "um esforçozinho não mata ninguém. Eu gosto de estar bonita não só por ele, mas por mim" . Mas o tom geral nos comentários foi o "venha a nós" o desleixo, a preguiça e toda uma atitude de desafio

Desafio contra quem, ou contra quê? Nem elas sabem, mas tenho a certeza que só funciona contra elas próprias...


Parece que o mulherio de hoje (ou certo mulherio) quer tudo sem dar nada em troca. Estas meninas querem ser elogiadas pela beleza sem tomarem os mínimos cuidados com o físico e a toilette, e querem arranjar/ conservar um bom marido enquanto se comportam orgulhosamente como destravadas ou desesperadas em solteiras...e como generalas e biscas se eventualmente casam.

 Resumindo: não querem ser "wife material", não querem ser boas esposas, mas querem um óptimo marido?

*Pausa para sorriso maquiavélico, encolher de ombros incrédulo, revirar de olhos e face palm*


Criaturas do Senhor: não dá, não funciona!



Mas perguntarão vocês, porquê dar ao post o subtítulo "basic b***ches"? 

Simples: o  conceito de "basic b*tch"  banalizou-se na cultura pop para definir uma rapariguinha fútil,  cabeça de vento, instruída mas sem grande cultura nem bom gosto, que adopta todas as tendências do momento sem pensar se lhe vão bem, que só ouve e lê o que é comercial, que compra todas as ideias superficiais que os media lhe impingem. 




Em suma, uma alma sem referências, nem refinamento,  nem personalidade, que mal arranha a superfície. Creio bem que o termo se aplica lindamente à noção que muitas mulheres hoje têm acerca do seu papel num relacionamento: querem o "boneco" e o status de casadas perante a sociedade; mas só superficialmente, sem sacrifícios, sem trabalho. Adoptam, sem pensar e nos aspectos mais importantes das suas vidas, o que meia dúzia de jornalistas amarguradas com a vida lhes impingem nas revistas femininas e sites feministas. Num bovarismo desbragado, acham que tudo lhes é devido. Esperam ser tratadas como princesas quando se comportam como peixeiras (sem ofensa às peixeiras que se fartam de trabalhar e muitas serão óptimas esposas). São, em suma, básicas. Mas acham-se o máximo, pensam que merecem tudo,  exigem ser vistas como jóias raras e preciosas. 


 OK, continuem a acreditar nisso- que a Miranda lá está contente, bem casada, mimada e irritantemente feliz. 

 Nota: continuaremos a analisar este "fenómeno" por outros ângulos na segunda parte deste post, porque é muita "basiquice" junta para dizer tudo num só!



Monday, October 2, 2017

A diplomática distância de um braço



Há dias o senhor meu marido disse-me muito admirado, vendo que eu tinha encerrado cordialmente uma pequena "guerra fria" com uma pessoa amiga que se mostrou falsa: só essa paciência! Fosse comigo, mandava esse (a) infeliz a uma certa parte e bloqueava e acabou!

Ele é muito mais intempestivo e "pão-pão-queijo-queijo" do que eu, talvez por ser homem. 


Quando corta com alguém é de vez, declaradamente, e não há apelos que valham. Já eu, se o caso não é grave, dou uma tacadita, uma alfinetada apenas para a criatura perceber que não me enganou; a pessoa eventualmente manda outra piadita, gaba-se um bocadinho dos seus feitos, justifica-se toda, põe-se nos bicos dos pés só para não desandar muito ferida no seu orgulho... e fica tudo na paz do Senhor sem danos a contabilizar. 

É possível assentar duas bofetadas de luva branca sem esborrachar os brios do oponente: afinal, poucas coisas espoletam inimizades escusadas como uma humilhação das grandes. Até os Romanos só levavam o inimigo em parada pública se ele fosse teimoso e atrevido durante demasiado tempo. 

Maquiavel recomendava que,  face à necessidade de atacar/vingar-se de/ ofender alguém, a razia  devia ser feita de tal forma que o inimigo nunca mais estivesse em condições de dar o troco - ideia terrível, mas eficaz!

No entanto há que deixar os actos de esborrachar, de deitar por terra e as descascas de alto a baixo, as humilhações completas, o armar de barracas e o descobrir de carecas público para aquelas pessoas realmente malvadas que é preciso parar quanto antes. E esses casos são raros...

Lá dizia esse siciliano sapientíssimo do Cardeal Mazarin, génio político e protegido de Richelieu (com quem terá aprendido um par de coisas): Se triunfares sobre um adversário, não cedas à tentação de o insultar excessivamente. 

Isto porque a vida me ensinou que às vezes não vale a pena encher tudo de pólvora nem de vinagre; na maioria das situações, é escusado tentar matar um mosquito com um martelo pneumático: um humilde e silencioso mata-moscas de plástico faz o truque. 

 Ainda que se deixe confiar na pessoa e que já não nos convenha ser amigos dela, podemos sempre ser amigáveis desde que a sua presença não represente risco. Isto não significa ser neutro como a Suiça ou engolir ofensas- retirar-lhe a intimidade mas dar-lhe o desconto que se dá aos tolos é apenas uma forma de evitar vendettas de parte a parte,  entrar numa espiral "zangam-se as comadres, sabem-se as verdades" ou causar ofensas que não têm qualquer utilidade. É sermos um bocadinho políticos. Ou ter fair play

Abraham Lincoln dizia que a melhor forma de nos livrarmos de um inimigo é transformá-lo num amigo. Eu acredito que a melhor forma de nos livrarmos de um falso amigo é despromovê-lo a "relações amigáveis".

Wednesday, September 27, 2017

O karma usará saias?




Não que eu acredite por aí além no conceito de karma que ficou na moda invocar a propósito de qualquer desfeita, como se aqui no Ocidente fosse tudo budista. Acredito mais na justiça divina. Que às vezes é poética. 

E a figura da Justiça costuma ser pintada como feminina, o que me dá muito jeito para este post, ou seja: há dias dei comigo a pensar, muito divertida cá com os meus botões,  que a Justiça deve mesmo ser mulher.

 Já se sabe que os homens podem fazer muitas maldades e a sociedade, apoiada nas leis da natureza, dá-lhes um certo desconto, enquanto condena as mulheres se fizerem a mesmíssima coisa (simplesmente porque uma mulher, mesmo que seja assim para o feiota, não tem dificuldade em arranjar companhia de uma noite só; mas um homem, se quiser fazer outro tanto, já tens mais trabalho ainda que seja bonito. A natureza deu a homens e mulheres privilégios e dificuldades distintas: elas detêm as chaves da alcova, eles detêm as chaves do compromisso; cabe a cada um (a) saber usar as regras do jogo a seu favor, em vez de se amargurar com isso). 

De qualquer forma, deixem que vos diga: nenhum homem valdevinos fica sem troco. 




 Leis da Natureza ou da sociedade à parte,
 há homens que (ou de forma crónica, ou em certas fases da vida) se portam MESMO mal.




Com ajuda de mulheres desmioladas que estão pelos actos e depois choram e se arrepelam e dizem que eles as iludiram , é certo, mas essencialmente por culpa deles.

 No entanto, eles são tão malandros como azarados. E a Justiça Divina fá-los SEMPRE pagar as favas com juros. A sério. Nunca vi um homem deixar as suas velhacarias em dívida. Pode demorar, mas lá diz o poeta: não há fúria no Inferno como a de uma mulher despeitada. E se a Justiça é mulher, como julgo que é...bom, ela tem muito mau feitio e anda para aí danada.






Vejamos o destino trágico dos homens que fazem disparates atrás de disparates. Karma´s a bitch, meninos!

1- O baby daddy



Pecado: por baby daddy não se deve entender alguém que, enfim, casou mais do que uma vez e tem filhos dessas uniões ( a vida pode surpreender até quem leva o casamento muito a sério) mas uma figura típica dos bairros complicados que, com o relaxamento dos costumes, se tem banalizado até na aldeia. 

Ou seja, um mulherengo que anda com uma, anda com outra, vive com outra ainda em on e off e não contente com esse belo estilo de vida ainda arranja bebés fora do matrimónio aqui e ali. Juro pelas alminhas que há tempos conheci um rapaz, segurança numa boutique de luxo cá das redondezas, que tinha 12 filhos de 8 mães diferentes. Como é que ele sustentava aquilo tudo é coisa que me escapa...adiante!




O baby daddy é uma abelhinha que gosta de andar de flor em flor sem nunca assumir um compromisso honrado (nunca é demais frisar, acompanhado de mulheres da mesma estirpe que se sujeitam) e de espalhar florzinhas ilegítimas pelo jardim inteiro (por jardim, entenda-se bairro/ginásio/escola de dança/bar duvidoso que frequenta).




 E o pior do piorio? É que raramente os relacionamentos com as suas baby mommas são coisa encerrada no passado. Por norma, armado em sultão ou rei da savana, vai continuando a liaison com pelo menos uma ou duas odaliscas do seu harém, ou concubinas das suas cubatas, ou o que lhes queiram chamar -  que por sua vez se esgatanham entre si a ver se ele faz delas mulheres honestas. Jura a cada uma que as ex namoradas ou ex amigas coloridas promovidas a baby mommas são um pesadelo e que já não quer nada com elas, mas vai tendo cama, mesa e roupa lavada na casa de todas. E elas acreditam, fiadas em tão lindo príncipe...




Penitência: O resultado de tanta dança e falta de auto domínio é óbvio...vários pequenos fraldiqueiros com direito a tratá-lo por papá, com sérios daddy issues...e sem grande assistência (emocional, pelo menos) por parte do dito cujo. 




baby daddies minimamente conscientes das suas responsabilidades, há outros que não, mas em todo o caso é um fenómeno muito reles dos tempos modernos. E qual é o castigo do baby daddy (além de ter de lidar com pedidos de pensão de alimentos e processos de paternidade, claro)?

 É que está sempre metido em assados e confusões- ou como se vulgarizou dizer, baby mama drama. Volta não volta as baby mommas, depois de trocarem muitos insultos e muita bolachada lá entre elas, descobrem-lhe as carecas e viram-se a ele. O castigo de um baby daddy é ter de lidar constantemente com as suas várias baby mommas. Se uma mulher furiosa é o fim, imaginem várias...e umas quantas com mais um crianço a caminho, todas toldadas das hormonas! 




Isto para não falar que lhe é quase impossível arranjar um relacionamento estável com uma mulher séria, mesmo que arrepie caminho. Primeiro, porque ninguém está para aturar esse tipo de bagagem; segundo, porque com tanta pensão de alimentos, não lhe sobra dinheiro nem para mandar cantar um cego, quanto mais para saídas românticas como manda o figurino quando se quer conquistar uma rapariga decente e para planear uma vida a dois; e terceiro, porque as baby mommas fazem perseguição cerrada a cada nova "rival" que aparece. Uma vez baby daddy sempre baby daddy, não há volta. Bem feito.


2- O marialva que derrete tudo




Pecado: este marialva é um moço que (pelo menos quando está solteiro) é o terror das redondezas: ou porque sofreu uma tremenda desilusão com um grande amor e decidiu vingar-se conquistando impiedosamente uma correnteza de mulheres que despreza mal consegue o que quer, ou porque enfim, é bonito e rico e macho alfa e as serigaitas lá lhe facilitam a caça, ou simplesmente porque é parvo, a auto estima não lhe assiste e tudo o que vem à rede é peixe. Ou tudo isso junto.

 Party boy, tem por divisa "galdérias e vinho verde". E o vinho verde (mais o whisky, as imperiais, os shots e sabe-se lá o que mais) leva a muitas más decisões.


 O marialva-que-derrete-tudo não tem critérios estéticos nem de atracção: afinal, quem quer quantidade, rapidez e facilidade não pode ser esquisito. 

Mesmo que o Casanova seja bem parecido e/ou bem nascido, para a diversão qualquer vulgar criatura de saias serve, cougar ou caloira, loira ou morena, alta ou baixa:  desde que esteja pelos ajustes sem dar  trabalho e que não seja completamente hedionda à luz do álcool nem uma bola de unto com pernas, a ela como San´Tiago aos mouros. Assim como assim, não tenciona ficar por perto para ver melhor à luz do dia, nem sequer à luz da mesinha de cabeceira: usa as mulheres como quem gasta lenços de assoar e salta fora.



Um playboy inveterado pode ser um vigarista da pior espécie (dos que não respeitam os seus compromissos, caçam as namoradas dos amigos e prometem mundos e fundos às mulheres para sumirem na manhã seguinte) ou ter um código de ética ( só ser D. Juan quando está solteiro, não se gabar das suas aventuras, não difamar ninguém, não mentir, avisar que não procura nada sério, separar as mulheres que se dão ao respeito daquelas que facilitam, etc).




  Porém, se um é mau o outro pouco mais adianta: é sempre um infeliz sem grande respeito por si próprio, e um malandro que se aproveita das fraquezas alheias. Quanto mais não seja, aproveita-se da carência das mulheres desesperadas que julgam que ao lançar-se nos braços de qualquer estranho  encontrarão finalmente o príncipe encantado.



Por mais que ele até diga que nunca ilude ninguém, a verdade é que as mulheres não funcionam assim- acedem a uma ligação casual esperando fazê-lo mudar de ideias e rapidamente se enchem de ilusões românticas. E quando isso não acontece, quando ele deixa de responder às suas mensagens ou lhes diz na cara que desamparem a loja, as desgraçadas, enraivecidas com mais um par de patins, ficam verdes, entram em modo bruxa  e rogam-lhe pragas terríveis: ou seja, conjuram o coventículo das "migas", acendem o caldeirão da ladies night e vão para o facebook/twitter/instagram invocar maldições de tremer, estilo "what goes around comes around" . 




Penitência: Ao playboy de carteirinha assistem dois possíveis castigos. O primeiro é que nenhum homem é tão espertalhão como se julga e quem se rebaixa a companhias menos correctas está sempre exposto a pessoas de má indole que possam ser mais sacanas do que ele. 

 A certo ponto do percurso pode haver uma serigaita que (ou porque o apanha carente ou porque é mais fingida do que as restantes)  lá lhe dê a volta com muita lamuria, muita chantagem emocional e consiga passar de "miga" para as ocasiões a namorada oficial. Quando isso acontece, o pobre acaba por se ver preso a uma relação que não queria realmente, que rapidamente azeda -  com alguém que não pode levar a lado nenhum e que a sua família não aprova. Se for mesmo, mesmo mas meeeesmo azarado, a chica esperta engendra uma criancinha e no mínimo, o moço fica embaraçado para o resto da vida.




 O segundo cenário é que, ainda que tenha sorte, que decida parar de agir mal, que ninguém lhe deite o laço, que se desembarace de tais assombrações do passado e que encontre a mulher dos seus sonhos - a única por quem é capaz de se reformar e com quem quer assentar (lá diz o sábio povo que os homens só se portam bem pela mulher que querem mesmo) - a fama precede-o e pode estragar tudo.




 Afinal, qualquer jovem de família, que passou a vida a portar-se decentemente e nem sonha que tais escândalos existem, vai sentir-se chocada ao saber de semelhantes destemperos. Depois, o marialva ficará surpreendido por ver que encontra resistência: habituado como está a conquistar mulheres que não têm por onde escolher e que se viram do avesso por um olhar dele, não sabe lidar com mulheres exigentes, dignas, acostumadas a ser cortejadas e trazidas nas palminhas pelos seus pretendentes. Com tudo isso, o marialva passa a sofrer de amor como fez sofrer outras pessoas, tendo de penar muito se quiser levar a sua avante.

 Mas não é tudo: afinal, teu passado (e tua rede social) te condena. Por muito que tudo corra pelo melhor e que o amor vença...por  mais que ele se torne num cavalheiro digno de toda a confiança, acima de toda a suspeita, cortando totalmente com as companhias e hábitos de tempos idos; ainda que a mulher da sua vida lhe saiba a crónica toda e consiga engolir o sapo; mesmo que acredite que "todo o santo tem um passado e todo um pecador tem um futuro", e que  "os homens são como o ouro, se cair ao chão lava-se e fica novo", mais cedo ou mais tarde vai ficar a saber mais em detalhe a quantidade e pior, a qualidade das criaturas com quem ele se envolveu e ter um fanico.




 Ou porque lhe contam, ou porque encontra refundido nos confins da internet, dos papéis ou do telemóvel da cara metade algum testemunho amargurado de serigaita usada e deitada fora. E zás, há cena. Vulgo "o quê, com este estafermo/ esta múmia/este trambolho? Mas como é que ele foi capaz, como? O que é que isto diz de mim?".




 E se a menina não fizer as malas e sair porta fora é uma sorte...Pimba, a praga rogada há tanto tempo no convénio das "migas", a prece da fêmea rejeitada às cruéis Fúrias Vingadoras... tardou mas não falhou. E o pobre marialva reformado lamenta a diversão fácil que anos antes não lhe custou nada nem nos brios, nem na consciência. Cá se fazem, cá se pagam!






3- O infiel



Pecado: este dispensa apresentações. Pula a cerca porque toda a vida foi mulherengo, femeeiro e não sabe parar quando está comprometido/casado, sempre em modo "a galinha da vizinha é melhor que a minha";  ou então, pula a cerca porque não fazia grande sucesso com o sexo oposto quando era mais novo e lá se comprometeu com a primeira ou segunda namorada que arranjou mas entretanto começou a achar que se calhar não viveu a vida ao máximo e que agora é que teria sorte com as mulheres; ou simplesmente, dá as suas facadinhas porque/quando a ocasião se apresenta. 



Um traidor pode ter diferentes motivações, ser sempre assim ou ter fases; pode gostar de manter várias doidivanas no seu serralho com quem se diverte em modo descartável, sem o mínimo sentimento envolvido...e ao mesmo tempo, uma mulher troféu para apresentar ao mundo e ser mãe dos seus filhos; ou ser um pinga amores que se apaixona em série por uma e outra enquanto a cara metade, coitada, nem sonha, ou se sabe e lhe faltam os meios/ coragem para o pôr a marchar, tenta em vão segurar o barco em modo mulher da luta. E não esqueçamos aqueles que, tendo sido minimamente sossegados, de um momento para o outro têm uma crise de meia idade e fogem de casa porque se acham apaixonados por uma maluca qualquer.

 Em todo e qualquer caso, o que distingue todo o infiel (além de uma tremendaça falta de ética, de palavra, de respeito e de amor próprio) é a ausência de hombridade e a vontadinha de ter sol na eira e chuva no nabal.



No fundo, todo o infiel é um cobardolas: o que ele gostava mesmo era de ser um marialva (ver acima) e fazer horrores sem dever nada a ninguém, mas falta-lhe firmeza e valentia para se lançar sozinho no mundo, sem apoio emocional nem uma mulher garantida todas as noites. 

É que, mal ou bem, um marialva (por mais êxito que tenha nas suas conquistas) acaba por passar algum tempo sozinho;  e, se for sincero com o mulherio, por enfrentar as consequências da sua má vida. Há sempre mulheres que não estão pelos ajustes quando não há promessas. 




Mas um traidor não tem tais incómodos: afinal alguém que mente, que age pelas costas, não precisa de se ralar com nada disso desde que não seja apanhado. Ilude a amante e ela fica toda contente; é amoroso com a legítima e como ela não desconfia ou tem medo de descobrir, ele lá continua a ter a papinha feita, a roupinha passada, uma companhia para levar aos eventos sociais, etc.


O infiel é assim porque quer o melhor dos dois mundos: estabilidade e liberdade ou melhor, libertinagem. Sem contar com atenção a dobrar ou a triplicar...e com a adrenalina de viver perigosamente. Espertalhão este menino, hein?



 Penitência: bem se diz por aí, "o homem que engana uma boa mulher com uma criatura de mau porte merece ficar com a meretriz que arranjou". E é certinho. Isto pode acontecer de diferentes maneiras, mas o resultado é sempre igual. 

 Ora porque o malandro mentia bem mas a sorte acaba-se e a legítima não perdoa nem o primeiro deslize (abençoada!) ou porque era useiro e vezeiro em fazer tropelias e a pobre coitada perdoou setenta vezes sete porque tinham filhos e hipotecas e etc mas enfim, tantas vezes o cântaro vai à fonte que algum dia lá fica a asa e há sempre uma gota de água que faz transbordar o copo...long story short, mais tarde ou mais cedo o
 traidor vê-se de malinhas à porta e com as despesas do divórcio/complicações da separação às costas. 



Ao início o gandim pode ficar um bocado desorientado com tudo isso, para a seguir passar uma fase em que goza a tão sonhada liberdade. E aí entra, ou tenta entrar, em modo marialva-galdérias-e-vinho-verde. O pior é que primeiro, ele não foi habituado a balouçar no trapézio sem rede; não está acostumado a fazer porcaria sem ter uma ingénua para quem voltar ao final do dia.

 E segundo, falta-lhe o savoir faire e espírito de lobo solitário do marialva. Rapidamente vê que não faz tanto sucesso como julgava, que o mundo lá fora não está povoado de estrelas do cinema adulto como ele fantasiava lá na sua cabeça e que até os marialvas se sujeitam a andar com mulheres que só se toleram sob o efeito de uma grande carraspana (ver acima)...em suma, teria ficado melhor se ficasse quieto! Afinal, tinha melhor em casa! A vida de aventura não é para ele - se fosse, teria ganho coragem mais cedo.


Entra então em modo pesaroso e eventualmente tenta voltar atrás - amiúde, levando com a porta na cara. E que faz então, coitado? Lá se põe no mercado em busca de outro relacionamento. Só que como o "mercado" é complicado e quem está carente não selecciona bem, quase sempre acaba por ter de se arrumar com uma que não chega aos calcanhares da primeira - ora uma serigaita que se aproveita dele e lhe faz a vida num inferno, ora uma mulher também separada, traumatizada e cheia de vícios por ter aturado outros iguais a ele. Em suma, fica ali uma casa bem montada.


O outro cenário comum é o do homem que troca a namorada ou a esposa pela amante,  por uma das suas "amigas coloridas", pela criada/nanny ou por uma colega de trabalho.

Esse (como falámos em detalhe aqui) ainda se costuma arrepender mais depressa, simplesmente pelo facto de uma mulher que aceita relacionar-se com um homem comprometido ou casado não ser, por princípio, uma senhora que se leve a sério ou pessoa de moral sólida..isto quando não é uma interesseira para começar. Nas horas vagas, tudo muito lindo; mas como companheira dos bons e maus momentos, não funciona. 



Não raro, até aquilo que o atraía na amante rapidamente desaparece porque uma vez achando-se com o pássaro preso no laço, a mulher fatal descuida-se e já não se rala sequer em se pôr bonita nem em seduzi-lo. A paixão esfria e fica apenas uma mulher cheia de defeitos, com a agravante de não ter ética nenhuma. Isto se tudo correr pelo melhor - porque muitas não se ensaiam de lhe dar a provar do próprio remédio traindo-o com o Carlão do ginásio ou o Ricardão da contabilidade. Quem não respeita os compromissos alheios, é de esperar que respeite os seus próprios votos?

Mas há casos ainda mais trágico-cómicos e garanto-vos que não inventei (não preciso de ser criativa, basta conhecer muita gente e andar por aí de orelhas arrebitadas). Por vezes a justiça divina é ainda mais rigorosa e parece detestar os traidores de forma particularmente visceral.

Conheci um senhor que sempre tratou a esposa (que o adorava doidamente e o tratava como um rei) com um certo desprezo. Quando apanhou os filhos crescidos, fez o que há muitos anos ameaçava levar a cabo,ou seja, pôs-se a andar com uma rapariga que nada tinha de bela, mas jovem e com quem (achava ele) tinha mais em comum cultural e socialmente falando. A esposa abandonada sofreu imenso, mas dali a nada quem se lamentou foi ele. 



A nova mulher, chica esperta e mandona, tratava-o com três pedras na mão e fez-se fria como um bloco de gelo. Fazia dele gato sapato...enfim, tanto o atormentou que dali a nada o infeliz se finou com um enfarte, e a criatura era de tal forma ruim que ainda arranjou maneira de engendrar complicações com as heranças. Uma autêntica megera...no enterro foi mais chorado pela ex mulher do que pela viúva alegre!
 Passaram uns anos e do nada, sem que ninguém sonhasse, a primeira esposa recebeu uma herança milionária de um parente afastado. E ei-la rica, com a sua vida refeita ao lado de outra pessoa e com a estima de toda a família, incluindo dos parentes do ex ingrato. Só não é inteiramente feliz porque coitada, era uma santa e continua com pena do defunto! Quanto a esse lá deve estar às voltas no purgatório, menos incomodado pelas chamas e pelas correntes do que por se sentir muito estúpido.



Portanto, minhas senhoras, vejam que nenhum maroto passa impune e consolem-se com essa certeza. E cavalheiros, tratem de se emendar enquanto a procissão vai no adro, porque amanhã pode ser tarde demais...


***(Nota: só para não dizerem que tenho dois pesos e duas medidas, hei-de fazer uma versão do karma de calças, porque esse também existe para castigar as más mulheres- e é bem justa. Está prometido).



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