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Wednesday, May 8, 2019

Colecção cápsula para mamãs - quando os básicos chegam e sobram (baby post #2)

Estas calças "maternity" da Boohoo são um salva vidas!


Se houve bons exemplos de estilo que a senhora minha mãe me deu (e que me impressionaram observar desde pequena, em contraste com outras mães que via por aí) foram estes:

- Ser mãe não é desculpa para desleixar a silhueta: ela continuou elegantíssima e com uns abdominais impecáveis depois de dois filhos. É claro que a genética ajudou, mas um pouco de exercício (nada de extenuante, apenas ginástica localizada e manter-se muito activa) fazer uma alimentação saudável, usar uma cinta adequada no pós parto e (durante e após bebé), abusar das massagens com creme e óleo hidratante teve de certeza um papel crucial. (Vou manter isso em mente, good luck to me!)

- Para estar confortável e vestida apropriadamente quando se está de esperanças não é preciso "mascarar-se de grávida" mas também há que evitar realçar a barriga em exagero, seja na tentativa tola de parecer sexy, seja porque "é fofinho".


Jardineiras: há gostos para tudo, mas são das peças menos democráticas.
Há algumas aceitáveis, mas poucas pessoas ficam bem nelas...

O resultado dessa abordagem sensata é que a mãe conseguiu estar gira, amorosa, normal e intemporal nos seus retratos de grávida em plenos perigosos anos 80 (usando vestidinhos hippie, calças skinny e coisas simples dessas) enquanto tantas outras - incluindo a pobre Lady Diana - deixaram para a posteridade imagens suas enfiadas em balandraus largueirões cheios de folhos ou pelo contrário, jardineiras "de mamã" e outras modernices que enfatizavam o barrigão.



Convém pensar na roupa de gravidez como se pensa no vestido de noiva: afinal, é uma fase única, que vai inevitavelmente ser fotografada para mais tarde recordar, por isso é bom que o visual não pareça ridículo nem datado uns anos mais tarde. Basicamente, o mantra deve ser "seja você mesma, em versão de esperanças".


Audrey Hepburn- intemporal e confortável.

Actualmente a moda pré-natal tornou-se muito mais democrática e muitas marcas têm as suas linhas "pré mamã" mas felizmente perceberam que, mais do que inventar vestimentas específicas "para gravidez" é preciso criar versões pré mamã das roupas normais.

É claro que também se assistem a alguns horrores ultra justos, como os vestidos "à Kardashian", que são de arredar, mas regra geral, sabendo procurar e não perdendo a cabeça é fácil respeitar as três regras essenciais do guarda roupa para futuras mães:



1- Conforto e elegância são palavras chave; há que recusar tudo o que seja completamente solto, para não parecer um barril, mas enfaixar-se em spanxs e tecidos ásperos ou rígidos e empoleirar-se em saltos instáveis também é má ideia.

2- Não investir demasiado num "novo guarda roupa completo" nem em artigos muito dispendiosos, porque afinal são de uso temporário e só há algumas peças que fazem realmente a diferença.  Essas (já falaremos delas) duram toda a gestação, pois são extensíveis, mas também não é sensato ir comprar demasiadas porque obviamente só vão servir para aqueles nove meses (e para guardar para uma futura gravidez, nossa ou de uma amiga).



A senhora minha mãe (comigo a caminho) nos anos 80, usando um dos seus vestidos hippie de Verão; eu com 36 semanas num vestido Mango de mousse que tenho há anos e que se adaptou sem problemas ao meu "estado interessante".


3- IMPORTANTE! Há que evitar comprar tamanhos diferentes de calças, jeans e saias à medida q a barriga vai crescendo - é o dinheiro mais mal empregadinho que existe (mea culpa, ainda fiz isso uma ou duas vezes porque encontrei calças cigarrette de cintura subida muito giras).  É preferível ir direita às versões para grávida com cinta elástica no seu tamanho, mandar à costureira para ajustar as bainhas se necessário e fica-se "armada" para toda a gravidez.




4- Muitas peças que já temos no closet podem perfeitamente integrar a "colecção cápsula" de grávida (desde que não se engorde muito, obviamente).

 É o caso das t-shirts e tops básicos, longos, de algodão (com e sem mangas), das camisas masculinas, dos boyfriend blazers e casacos de peles, sobretudos e gabardinas oversized (muitas peças vintage tendem a ser maiores e/ou mais soltas), vestidos de malha extensíveis, cardigans soltos e tricots longos, vestidos envelope maiorzitos, camisas "de lenhador", túnicas, sundresses largos e vestidos hippie, blusas de "cigana" e blusas ou vestidos "de camponesa" - e regra geral,  tudo o que antes da gravidez costumava usar-se com um cinto. Muitas destas roupas existem em "versão mamã" mas não diferem quase nada do design normal.


Nota: é quase impossível encontrar blazers para grávidas. Acho que as marcas assumem que as futuras mães não trabalham, e/ou se transformam todas em hippies sempre confortavelmente enfarpeladas num look "boémio" de balandraus e ponchos. Se precisa de blazer (s) para o emprego, ou para dar um ar mais estruturado e compostinho a certas fatiotas, o melhor é procurar modelos longos, uns boyfriend (soltos) outros ligeiramente cintados, num tamanho maior do que o seu normal (não há regras, experimente vários e escolha o que assentar bem nos ombros).

Tendo estes pontos em mente é fácil reproduzir as ideias amorosas para "toilettes de mamã" que andam por aí no Pinterest - inspirações bonitas e apropriadas não faltam. É importante também tirar partido dos acessórios, roupas e "statement pieces" mais luxuosos que já se têm em casa para manter alguma variedade, já que é normal repetir à exaustão as peças que oferecem menos desconforto.



Vejamos então as peças a comprar:




1- Uma ou outra túnica longa de corte império (acima). As versões normais das blusas e túnicas longas de camponesa servem bem até ao fim do segundo trimestre, mas nos últimos meses o corte império dá mesmo muito jeito para acomodar aquela "redondeza extra" sem levantar onde não deve!


2- T-shirts e tops de algodão mais longos e soltos em cores básicas: por mais que tenhamos, nunca são demasiados.

3- Roupa interior adequada, incluindo soutiens ultra macios e cintas: é quase escusado lembrar, já que a maior parte das coisas deixará de servir e também é preciso investir em algumas peças específicas para esta fase.



4- Pelo menos uma saia lápis básica, pré mamã -  com cinta incorporada "sobre a barriga" (esq.) ou de cintura muito subida e extensível (dir.) . Estas últimas são ideais para os primeiros meses e para usar tops ou camisas por dentro. Quem gosta pode pensar também num modelo colorido (enviesada, recta, evasé, maxi...) de cintura alta, especialmente se vai passar de esperanças os meses de Verão.





5- Calças afuniladas /cigarrette:  umas de cintura subida, elástica (esq.) que dão imenso jeito para tops, bodies ou camisas por dentro; e outras "over bump" (dir.), que passam por cima da barriga para acomodar tudo sem nunca se descompor. Tal como com as saias, estas últimas são úteis nos meses finais, quando passa a ser mais elegante usar túnicas e camisas por fora, de modo a não dar uma silhueta de "Humpty Dumpty". 


Também existem os modelos "under bump" que terminam abaixo da barriga, mas sinceramente não recomendo, pois descaem... e além de deixarem passar o ar frio não são nada confortáveis nem discretas.











6- Uns 3 pares de jeans pretos e azul  nos modelos preferidos, com cinta elástica.





7- Calçado confortável para a estação com saltos bloco de 5 cm, caso precise. Claro que nesta altura é bom apostar em ténis (nomeadamente nos modelos de lona, estilo Keds ou All Star, que ficam amorosos com calças estreitas e vestidinhos) e noutros sapatos ou botas baixos, desde que devidamente acolchoados - mas um pequeno tacão largo não só dá outra elegância como oferece algum apoio lombar.


Modelo acolchoado Carvela Comfort. Como uma bailarina, mas com "um bocadinho assim".



8- Voltemos aos casacos e agasalhos: no início poderá usar os que já tem no closet sem problemas, mas por volta do segundo semestre vai precisar de algo mais "espaçoso". Eu recorri à minha colecção de sobretudos, gabardinas, corta-ventos e casacões de peles vintage, porque tinha à disposição alguns exemplares de corte solto ou com cinto que se adaptavam. Apenas comprei um longo anorak, vulgo "kispo" de modelo estreito num tamanho maior, porque todos os meus casacos de penas eram super justos na cintura. Estas são as compras que exigem mais ponderação, porque de facto não se pode prescindir de casacos adequados, mas é um investimento grande para pouco tempo.





9- Por fim, quem goste de ter leggings e calças jogger over bump para o ginásio, estar em casa e outras pequenas andanças. Pessoalmente acabei por não comprar destas ceroulas nem calças de fato de treino porque fora a barriga o meu tamanho não se alterou, logo as que já tinha servem-me bem com t-shirts compridas até agora; mas fiquei com pena porque consta que são muito confortáveis! Se usa muito este tipo de peças (e/ou aprecia vestidos túnica ou camisolões-vestido com leggings por baixo para não marcar) poderá querer investir nuns quantos pares. Algumas marcas vendem-nas em packs.





Et voilà, ficam as dicas para estar sempre bonita e cómoda sem despender horrores em roupas que usará durante pouco tempo. Convém ter presente  que esta é uma óptima altura para fazer combinações com o que já existe no seu armário: maximizar as suas peças favoritas coordenando-as com a "colecção cápsula de grávida" garante uma elegância descomplicada para esses meses de "revolução".










Thursday, April 25, 2019

Louboutin, Portugal e os Juliões Zuzartes.

Monsieur Louboutin com o sorriso ingénuo de quem ainda não percebeu que este é um país de maldispostos.


Há muitas, muitas coisas portuguesas de que sinto falta no Reino Unido. Comprar peixe fresco e carne de qualidade em toda a parte. Vinho e azeite decentes. Água da torneira (em Coimbra, vá, onde a água sabe toda à do Luso) que seja potável e agradável, o que permite que uma pessoa esquecer-se de comprar água mineral não seja o fim do mundo.

Passear por Lisboa. Pinhais com caruma. Pinhais com caruma perto da praia, com cheiro a maresia e piqueniques de frango de churrasco que não mate uma alma de susto (o frango em Inglaterra merece um post em si mesmo, volta ASAE que estás perdoada). 
Canja de galinha que seja mesmo canja, sem legumes (blhec) em qualquer tasca da esquina. Quem diz canja diz sopa Juliana ou caldo verde (aqui para fazer caldo verde só cortando-o eu, haja pachorra, ou comprando congelado em mercearias portuguesas).



Tascas da esquina que vendam comida caseira para fora. Igrejas com mais de 200 anos (por cá as Igrejas mais antigas foram quase todas transformadas em anglicanas) com ar e cara de Católicas e cinco Missas por dia todos os dias, à vontade e conveniência do fiel mais ocupado, mais preguiçoso e mais ingrato. Ou até mesmo da nossa burocracia - que é horrorosa, mas pelo menos faz sentido: a burocracia britânica pode ser menos intrincada mas tem cada doideira que não lembra ao Menino Jesus e às vezes parece tirada, sem tirar nem pôr, da Alice no País das maravilhas.

Enfim, Portugal tem imensas coisas que me fazem falta em Londres... mas outras tantas sem as quais passo perfeitamente, obrigadinha.

No topo da lista estão decerto o atrevimento, a excessiva informalidade, o desrespeito pelas tradições e o desprezo pela cortesia que era tão portuguesa  (um dia destes volto a isso).

Porém ainda mais intolerável, se possível, é a negatividade gratuita de certos "Zés e Marias Povinho", sempre de "Toma!" em riste para atirar a esmo, sem alvo definido, just in case, a que se junta a pelintrice inerente, generalizada, hereditária, fadada, de mão dada com um ódio vago e parvo pelos "ricos". (Deixo, a talhe de foice, um excelente texto sobre o assunto, de um estimado professor de quem tive a honra de ser aluna).






 E pior ainda (já que ser pobre é aborrecido mas não é nenhuma desonra e ser cronicamente pobretanas não é, tantas vezes, responsabilidade de cada um) é o estranho misto de despeito e orgulho exibicionista em ser pelintra.

Eça de Queiroz retratou lindamente esse tipo na figura de Julião Zuzarte, o médico azarado d' O Primo Basílio. Secretamente envergonhado da sua falta de recursos (que não era culpa sua, coitado) fazia gala (isso sim, culpa sua) em ser miserabilista e azedo, expondo, exagerando mesmo, as suas maleitas económicas e não se dando sequer ao trabalho de se pentear, engraxar as botas e de enfim, tentar parecer apresentável.



"É um extravagante — disse com terror Sebastião, — Não te pareceu, hem ?
— Pareceu-me um asno. Umas maneiras, uma afectação, um alambicado, a olhar muito para as meias, umas meias ridiculas de mulher... E com um certo sorriso azedado: — Eu mostrei-lhe francamente as minhas botas. Estas, — disse, apontando para os botins mal engraxados — tenho muita honra nelas, são de quem trabalha... Porque publicamente costumava gloriar-se duma pobreza que intimamente não cessava de o humilhar."







Falando em botas, o famoso designer de calçado de luxo Christian Louboutin tem há muitos anos casa em Portugal e adora o nosso país. Ao contrário de Madonna, (que para aí veio dar nas vistas e cheia de exigências depois de ter cumprido a sua palavra e desamparado a loja ao tio Donald Trump, que nos passou alegremente a pastilha) Monsieur Louboutin gasta discretamente o seu rico tempo e dinheiro em solo português a gozar o sol e a boa paparoca como um pacato cidadão.

O pior é que o senhor (como qualquer sortudo que viva em Portugal com rendimentos que lhe permitam não precisar de trabalhar para/com portugueses nem privar com o hoi polloi) tem uma ideia romântica de Portugal e dos lusitanos, povo gentil e fofinho, hospitaleiro e ameno - aparentemente.





E julgando fazer uma grande avaria, eis que o designer de moda se lembra de criar uma carteira inspirada em Portugal, com motivos portugueses, mas (como é logico, coriscos!!!) a pensar no seu público alvo internacional, na sua clientela do costume, logo, com o preço habitual dos seus produtos (o que se traduz no valor médio de uma carteira de luxo, ou seja, cerca de 1500€) sendo que parte dos lucros até reverte para uma associação de incentivo ao artesanato português e tudo.





Pois bem, a reacção nas redes sociais foi de tremer e de deixar uma pessoa envergonhada do seu passaporte. É caso para dizer, no tom mais revisteiro e mais lisboeta: ó filho, o que tu "fostes" fazer!

Deixo os print screen falarem por si, em toda a sua pobreza de espírito e baixeza- perdão, em todo o seu esplendor, a atacar a "mala" ora com o ressentimento da raposa que não chegou às uvas, ora com a indignação da injustiça social bacoca:










Vamos lá ver se nos entendemos como gente crescida, bando de malcriadões: Louboutin não fez um especial favor aos portugueses, não desenhou especificamente para as mulheres portuguesas.

 O artista inspirou-se na nossa paisagem, na nossa atmosfera, na nossa cultura, simplesmente e sem qualquer má intenção, da mesma forma que Messere Dolce e Signore Gabbana se inspiram tantas vezes na Sicília e na Espanha, sabendo perfeitamente que os seus modelos não são acessíveis ao bolso da maioria dos sicilianos/italianos e espanhóis. Monsieur Louboutin desenhou para o seu público-alvo assim como o seu concorrente Senhor Luís Onofre, português de gema, desenha sapatos luxuosos (sou particularmente fã das suas botas) que não estão ao alcance da maior parte dos portugueses, pensados para a sua freguesia espalhada por este mundo de Deus.



É claro que não faltam na Pátria senhoras nacionais que (umas com mais ostentação, outras com bom gosto) usam Louboutin, Onofre, Chanel, Hermes e outras sem que isso lhes faça mossa alguma no orçamento (benza Deus) mas não são a maioria- e luxo é luxo por isso mesmo: parte qualidade, parte arrebiques, vive sobretudo da fantasia e da exclusividade, do nome, da raridade. Quem pode pode, quem não pode tira inspiração e lá se arranja de outra maneira.

Há igualmente muita gente abastada que acha isso tudo um disparate e que não se justificam tais balúrdios por uma carteira ou um par de sapatos (o que não deixa de ser verdade num país como o nosso onde temos excelente marroquinaria a preços normais) - são opções, prioridades e opiniões inseparáveis da Liberdade que é tão cara aos portugueses sempre com miufa de que voltemos ao tempo da outra senhora.

O que é inegável é que Christian Louboutin estava no seu direito de se inspirar em Portugal para criar uma carteira para o seu segmento de mercado, e que não tem obrigação alguma de inventar um modelo mais barato só para que as portuguesas o possam comprar. Isso até seria, muito provavelmente, condescendente e paternalista da sua parte, digo eu que não gosto nada que tenham pena de mim.





Também não lhe devemos louvores e gratidão lá por causa desse gesto simpático, bem entendido: a carteira, não importa se é bonita ou nem por isso, é apenas uma homenagem gira que para qualquer povo com um mínimo de "mundo" e sofisticação, para qualquer povo/país "cosmopolita" como Portugal tanto adora tentar provar que é, não seria digno de nota.
Mas qual quê - como sempre, qualquer atenção vinda "do estrangeiro" é recebida com um misto de admiração e desconfiança, posta na coroa da Lua com a babujice e curiosidade dos selvagens e simultaneamente, virada de todos os ângulos com cupidez interesseira, a ver que vantagenzinha pode o portuguesito tirar dali, seja um exemplar grátis seja uma parte dos lucros.

É de entristecer esta mesquinhez, esta indelicadeza, esta agressividade gratuita com coisas de nada - esta futilidade de ser maldoso até com as futilidades da vida. Se os nativos recebem à pedrada cada homenagem que os seus convidados lhe prestam, podem esperar sentadinhos que nunca terão o "reconhecimento internacional", essa pedra filosofal a que o país tanto aspira. E é bem feito.

Monday, March 4, 2019

As coisas que eu ouço: não, c´os diabos!!! (Baby post #1)



Tal como partilhei convosco via Facebook, não tenciono dedicar muitos textos ao meu estado de graça. Estou nas núvens, claro - se puser de parte os enjoos contínuos, a exaustão e outros "extras" que fazem parte da encomenda - mas já se sabe que as futuras mães todas acabam por debitar as mesmas ideias, mais vírgula menos vírgula e que isto tudo só é grande novidade (e uma coisa do outro mundo) para a própria interessada.  

E como também vos disse... até ver, graças aos céus, estar de esperanças não me transformou numa taradinha canta-monos, adepta de horrores como "sessões fotográficas sexy para grávidas" e de baby showers, o que me fez comprovar que as hormonas são injustamente acusadas de muita coisa, quando a culpa assiste à falta de gosto, de decoro e de bom senso. 

Falaram-me num baby shower (com a maior boa vontade, assinale-se...) e benzi-me logo, disse que agradecia a intenção mas achava agoirenta a ideia, isto para não ser indelicada e acrescentar que é uma pinderiquice; e expliquei o mais delicadamente possível que quem desejar dar presentes poderá fazê-lo, se Deus quiser, quando o piqueno nascer e/ou for baptizado, como os nossos antepassados Católicos sempre fizeram. Só me faltava mais essa!




Vou explicar melhor, para não se zangarem já comigo: o bem intencionado hábito americano do baby shower (ou "chá de bebé", como se convencionou dizer por terras de Vera Cruz e me soa sempre a bruxas malvadas que metem criancinhas no caldeirão) começou a popularizar-se nos anos 1950, época do baby boom, como forma de desmistificar a gravidez (na época victoriana e até antes já havia tradições semelhantes, mas a festa era sensatamente feita depois do nascimento, não só devido ao secretismo que rodeava a gestação mas também aos riscos que o parto envolvia). Regra geral, era 
 um evento modesto organizado pelas amigas da gestante, sendo uma forma de ajudar a futura mãe a compor o enxoval do primeiro filho, e apenas do primeiro- que já se sabe, é sempre uma despesa considerável. 

Claro que os americanos são uns bem dispostos e uns caturras sempre prontos a fazer festas por qualquer pretexto, por isso a brincadeira foi evoluindo para formatos cada vez mais elaborados e consumistas. E também é verdade que certas coisas que no Velho Continente, de cultura mais parcimoniosa e supersticiosa, soam de mau gosto, são mais desculpáveis nos expansivos e impulsivos (mas fofos)  americanos.


Baby Shower americano na década de 1960

 Porém, tal como sucedeu com os casórios e o fenómeno bridezilla, até por Terras do Tio Sam a coisa tem ganho contornos de tal maneira egocêntricos e gananciosos (de baby showers organizados pela própria futura mãe para "pescar presentes" a listas de exigências, há casos escandalosos) e uma estética tão aberrante que nenhuma pessoa de bom gosto se lembrará de copiar tais ideias.


Para piorar um pouco, a figura do baby shower popularizou-se na Europa muito à conta de reality shows como o programa das Kardashians e afins, o que já diz tudo. As primeiras pessoas que vi a adoptar a ideia eram precisamente...enfim, mulherio de gosto e perfil duvidoso.

 Mas mais importante, além de ser uma maneira mais ou menos descarada de pedinchar presentes, fazer um baby shower é deitar foguetes antes da festa, o que nunca é alvissareiro por muito que a ciência evolua- até a criancinha estar cá fora sã e escorreita nunca se sabe, lagarto, lagarto, bate na madeira, cruzes canhoto

As minhas avós haviam de persignar-se ante tal irreverência, mas não estou sozinha nisto: em Inglaterra muita gente mais old school considera o conceito de baby shower azarento, inapropriado e deselegante. 

Por estes dias a ex-actriz de TV Cabo que casou com o Príncipe Harry deixou muito boa gente desagradada ao organizar um baby shower ultra extravagante e caríssimo em Nova Iorque, algo normal entre novos ricos mas altamente mal visto em círculos tradicionais (quanto mais na Família Real Britânica) onde a ostentação é desprezada e há toda uma aura de superstição que rodeia o nascimento de uma criança. 

Na semana passada conversava com uma amiga irlandesa que era da mesma opinião: os irlandeses conseguem ser mais dados a crendices que italianos, brasileiros, ingleses e portugueses todos juntos; e por tradição nem o berço era trazido para casa antes de o bebé vir ao mundo são e salvo. Agora, com esta americanice, não só as avós se afligem, como as pessoas se sentem na obrigação de dar lembranças três vezes: no baby shower, na primeira visita ao bebé e no baptizado!

Por tudo isso, obrigada mas não obrigada...e acho aconselhável que quem quiser adoptar o hábito para mimar uma amiga o faça discretamente, com certa modéstia elegante, depois do nascimento do bebé -principalmente se não vai haver baptizado, pelo menos nos próximos tempos. Não constranger os outros nem criar obrigações escusadas é uma delicadeza que cai bem em toda a parte.


mmmm...não, obrigada, com mil diabos!!!

Mas há mais; parece que nenhuma futura mãe hoje em dia escapa ao assunto dos tenebrosos "books de gestante"(Credo!) mesmo quando foge deles como o demo da Cruz.



Ora, há umas semanas estava previsto nevar em Londres e fiquei com esperança de que houvesse um nevão como no Inverno passado, quando tudo aqui à volta ficou coberto de um espesso manto branco e tive a oportunidade de tirar boas fotografias. 

Como tem estado sempre chuva e vento e não tem havido boa luz, até agora ainda tirei poucos "retratos de mamã para mais tarde recordar" (lá por não gostar de "books de gestantes" não quer dizer que não queira guardar alguns instantâneos bonitos e espontâneos, como sempre se fez desde que as famílias passaram a ter acesso a máquinas fotográficas). 

E lá pensei "boa, se nevar podemos conseguir algumas imagens bonitas" tendo em mente, claro está, algo natural, fofinho e normal como o exemplo no topo do texto. Comentei o assunto com umas conhecidas e eis que uma, que casou bem e teve convívios bastante civilizados na melhor sociedade (logo ganhou obrigação para não dizer tais disparates) se sai com esta:

"Que máximo! Se nevar podes tirar fotografias de bikini!!!".

(Tipo, assim:)



(ou assim!)



Podem imaginar as reacções que me passaram pela cabeça (rir-me à gargalhada na cara dela ou oferecer-lhe uma tareia, por exemplo!) mas fiquei-me por um "estás doida, rapariga, para que é que eu havia de querer retratos nesses preparos?  Então e o frio?" e ela, com o ar mais sério deste mundo: "punhas um casaco de peles por cima! Não queres mostrar que és uma grávida em boa forma e lembrar-te disso mais tarde?".

Sim, que isso do casaco havia de valer de muito...nem sei o que é pior em tal ideia: se o ridículo, se a galdeirice e sem vergonhice, se o disparatado de andar de bikini no meio da neve em qualquer circunstância, se o propósito não só de tirar tais fotografias mas de partilhá-las com o mundo (como se o meu marido alguma vez desse Amens a tal coisa, ainda que eu fosse desmiolada a esse ponto), se o facto de o frio ser arriscadíssimo não só para uma gestante mas para o pobre inocente que não fez mal nenhum.

 Anda o Serviço Nacional de Saúde a gastar meios em vacinas da gripe da tosse e da convulsa obrigatórias para grávidas (as duas já cá cantam, não vá o diabo tecê-las, e até reagi bastante mal a uma delas) porque É INVERNO E ESTÁ FRIO, mas vamos lá descascar-nos em bikini fora de época para passar vergonhaças e pneumonias. 

Como alguém disse recentemente - e com carradas de razão- numa conhecida página facebookiana cá do burgo, " quando as mulheres tiram a roupa por outro motivo são taxadas de galdérias mas se estão grávidas já tudo diz que é lindo?". Go figure.

Monday, February 4, 2019

Gilette e a "masculinidade tóxica"


A Gilette, querendo alinhar pela bitola parcial da misandria, dos exageros feminazis, dos extremismos do #metoo e em suma, do ataque global à virilidade, acaba de dar um tiro no pé (ou de entrar em modo "falem mal, mas falem de mim" ) com o seu novo anúncio todo condescendente e paternalista  (criado por uma publicitária feminista-extremista e super chata, nem mais) que deixou os homens indignados e as mulheres femininas pouco agradadas.

Não me vou alongar a descrever o spot lamechas porque já todo o mundo falou dele, mas deixo-o aqui se ainda não viram:




É no que dá ir nas modinhas do politicamente correcto, sem ver se nos servem. Quanto mais não seja, porque não soa lá muito inteligente, nem muito sincero, ofender o público alvo e ao mesmo tempo engraxar as mulheres (quando a marca vira casacas até se fartou de objectificar o mulherio enquanto isso dava jeito e  ainda por cima, vende as lâminas femininas muitíssimo mais caras que as de homem- ora tomem lá a hipocrisia da coisa) .


Hipocrisia much, meninos?

Afinal, como disse o jornalista Piers Morgan aqui em Londres e com razão (nem sempre concordo com o senhor nem com as suas amizades, mas às vezes fala verdades quando solta o verbo) não cai bem partir do princípio que os homens tipicamente masculinos são uns homens das cavernas, violadores e bullies em potência.

Vejamos uma coisa: a mensagem do anúncio nem seria totalmente negativa, se não fosse vir  no momento mais oportunista possível e o que é pior, embrulhada em cassete feminazi-marxista e tendenciosa. Usar o próprio (e super politizado) termo de nicho "masculinidade tóxica" estigmatiza imediatamente tudo, por mais que tentem dar um ar mainstream ao desastre.





Paradoxal é que aquilo que o spot defende-  os homens agirem com nobreza, tratarem as mulheres como gostariam que tratassem as mães e as irmãs deles, controlarem os impulsos animalescos que assistem a todos, não serem cobardes com os mais fracos e/ou sairem em defesa dos oprimidos- são princípios elementares de uma coisa que as feministas odeiam, chamada **cavalheirismo**.

Aliás, estas são atitudes elementares de outros palavrões que elas detestam mais ainda, como virilidade e hombridade. Afinal, as maneiras fazem o homem




Vou continuar, só para arreliar ainda mais as hárpias chatas como a potassa com a mania que são espertas e boazinhas: tudo isso (basicamente, não ser um boçal e um rústico) vem nos códigos de vetustas tradições/instituições do PATRIARCADO, esse papão... e.g. a Cavalaria e a Santa Madre Igreja. KABOOM, já estou a imaginar as esganiçadas a dar um estouro como uma castanha!


S. José Maria Escrivá (fundador da Opus Dei, nem mais...) escreveu páginas e páginas sobre o assunto, exortando o macharedo a "Esto Vir" (Sê homem!").

E digo-o pela enésima vez: ser masculino, viril, assertivo e macho alfa não implica ser um selvagem, um labrego; assim como ser cavalheiro, bom rapaz, enfim, ter honra, ser gentil, nobre e civilizado não tem de significar ser passivo, macho beta, efeminado e um banana- antes pelo contrário, como vimos alguns exemplos neste post.




 Porém, devagar com o andor: se o estribilho "boys will be boys" não desculpa tudo, a verdade é que agir como um rapaz faz parte da arte de ser homem.

 Se um filho meu não quiser andar à pancada na lama, nem fazer tropelias ao ar livre, nem ter brincadeiras brutas (sabendo os seus limites, obviamente) em suma, se não tiver atitudes de rapaz que eu e o pai dele precisemos de limar; se for, enfim, um Eusebiozinho da vida, chorão, enfiadito e queixinhas, sempre metido pelos cantos e a lamuriar-se de que os outros meninos o tratam mal sem que ele dê troco, ficarei seriamente preocupada. Provavelmente mando-o para o melhor professor de krav maga que conseguir arranjar, isto se o Colégio Militar não der conta do recado.






Depois,  tirar às mulheres e aos homens com pouca espinha dorsal toda a responsabilidade sobre os seus destinos e culpar os homens "brutamontes" de tudo, é no mínimo ridículo. Para cada "conquistador das dúzias" que se porta mal e usa as mulheres como chicletes, há as dúzias de mulheres sem dignidade nem amor próprio que se lhe ofereceram de bandeja, que se juntaram ao seu rol de conquistas sabendo o que ali estava e depois se queixam que o gabiru nunca mais lhes telefonou.




Cada xoninhas que se queixa dos outros homens, ou de que as mulheres só gostam dos marialvas, é um garoto que precisa de investir em si próprio e sim, de se "fazer homem", de "man up", de enfrentar quem (ou o que), o intimida em vez de deitar aos homens que teme/inveja, e às mulheres que lhe dão negas, a culpa dos seus desaires. Não há nada mais feio do que a falta de auto-responsabilidade.

As únicas pessoas que acham que a masculinidade, em si mesma, é "tóxica" são os homens medricas a quem falta testosterona e  as mulheres frustradas que foram rejeitadas (ou usadas e deitadas fora) pelos tais homens alfa que costumavam ser representados pelos modelos cinzelados e másculos dos anúncios da Gilette. Tipo este:



O ressabiamento, esse sim é tóxico...

Como disse a autora e radialista Allie Beth Suckley, "se a masculinidade fosse tóxica, os jovens criados sem pai seriam presumivelmente melhores do que aqueles que o têm. Mas não: tendem a ser mais agressivos, deprimidos e com tendência para o crime. A sociedade precisa de mais masculinidade, não de menos". Negar as verdades biológicas e assumir que a energia masculina não precisa de ser orientada por mãos masculinas para ser aproveitada da melhor maneira é um erro crasso.
Muito mais haveria para comentar sobre o assunto (nomeadamente, falando dos bons frutos da masculinidade devidamente canalizada, como bons maridos, bons pais, bombeiros, polícias e soldados que se sacrificam para nos proteger a todos, etc) mas da maneira como o mundo anda, decerto haverá ocasião para tal noutros posts. Fico-me por reproduzir o que li por aí, e que resume tudo:

"O problema não é a masculinidade tóxica. O problema é a falta de masculinidade." (ou de verdadeira masculinidade, vá...).

Thursday, January 24, 2019

Mulheres, não sejam uma "Jenifer" (as Jennifers que me desculpem).




Por malhas que os feeds de notícias tecem (eu que de música brasileira só conheço praticamente samba, bossa nova mais um ou outro hit que ande para aí nas bocas de toda a gente, e que fujo de funks e coisas assustadoras dessas como o demo da Cruz) fiquei a saber que há uma cantiga orelhuda que anda a dar com todas as raparigas chamadas Jennifer em doidas lá por terras de Vera Cruz, tal como a "Mila" e a "Ana Júlia" atormentaram as homónimas em tempos idos.

Dizem que O nome dela é Jenifer (sic) vai ser o grande sucesso deste Carnaval. E a fazer fé no que costuma acontecer, não tardará até a praga se instalar por cá -  pelo menos nos antros mais underground onde se fazem bailes funk a par com festas da kizomba, twerk e latinadas ou tudo junto desde que dê para roçar fivelas e rebolar o derrièrre até ao chão (lagarto, lagarto). Fica a obra prima, se ainda não ouviram:




Fiquei curiosa e fui ver do que se tratava, descobrindo rapidamente a romântica (not) história deste sucesso. Então reparem: os autores da música/letra estavam reunidos num bar ou coisa que o valha, trabalhando em busca de um novo êxito para vender, quando uma rapariga "bastante feiinha" (palavras deles) apareceu e se abraçou a um dos rapazes, toda atiradiça e desejosa de demonstrar o seu interesse no moço.

 Mal ela virou costas, os outros começaram a troçar de tão fraca conquista: "é sua namoradinha, é?". E o galã, envergonhado de ser visto em flagrante delito com um dos seus entreténs "à falta de melhor" (já se sabe que a maior parte dos homens não é exigente quando se trata de diversão fácil e gratuita) rosnou com desprezo: "qual quê! Não, ela é do Tinder".

Os outros acharam genial e decidiram que tinham de escrever uma canção com uma história semelhante... e que incluísse o Tinder na letra.

Atenção, não estou a criticar o Tinder per se: apesar de o achar uma engenhoca assustadora por causa de revelar em tempo real a localização dos utilizadores, o tempo tem vindo a provar que nem só de engates sórdidos vive a aplicação. Tem havido muitas histórias de amor e até casamentos made in Tinder, o que prova que nesta vida tudo pode ser usado para o bem ou para o mal. Mas já se sabe que a maioria...é o que se sabe. E a tal Jennifer representa a maioria desses relacionamentos casuais pouco edificantes.




A letra é básica, como costumam ser estas letras, e depois lá lhe arranjaram um videoclip para ilustrar a fábula: o D.Juan da história saiu de um relacionamento sério com uma rapariga giraça (dentro do estilo tatuagens reles e vestidinho de poliéster, mas vá). E dali a pouco a ex, vendo-o andar numa vida airada de mulheres fáceis e vinho verde, vem toda ressabiada pedir-lhe satisfações sobre a nova "amiga" dele, ao que o mariola responde que não lhe deve explicações, mas já agora....


O nome dela é Jenifer
Eu encontrei ela no Tinder
Não é minha namorada
Mas poderia ser


O nome dela é Jenifer
Eu encontrei ela no Tinder
Mas ela faz umas paradas
Que eu não faço com você

OK, a atitude da ex nem vem ao caso agora: foquemo-nos na Jenifer (só com um "n") que pelos vistos, anda a investir muito do seu rico tempo com um rapaz que se diverte à brava com ela mas que se apressa a pô-la no seu devido lugar, esclarecendo imediatamente que ela não é sua namorada. E caso restem dúvidas, ele acrescenta logo que a boa da Jenifer (apesar de não ter o título nem os privilégios de um relacionamento, nem qualquer garantia de exclusividade ou de amor) se presta a tudo e faz vontades que a ex não fazia só para lhe agradar. Grande recompensa, hein Jenifer? Bem jogado!



Questionados sobre o que é que a Jenifer fará exactamente que a outra não estava pelos ajustes, os autores disseram que fica à imaginação de cada um- e que tanto se pode tratar de acrobacias de alcova como, simplesmente, de a Jenifer ser uma rapariga alegre, positiva, sempre pronta a acompanhá-lo aqui e ali sem esquisitices, birras, caprichos nem nariz torcido. Porém, andem a Jenifer e o D.Juan na malandrice ou muito inocentemente a jogar à bisca ou a rezar o terço, o que conta aqui é que a moça anda a dedicar-se, a troco de nada, a um homem que não a acha diga de um relacionamento sério, a ver se cola, em modo "amiga colorida com esperanças", mulher da luta ou simplesmente burrinha-parvinha. E já sabemos como isso acaba...

Algumas feministas (tinha de ser) vieram mesmo problematizar a coisa, apontando o facto de terem escolhido uma modelo e actriz plus size para fazer de Jeninha-sem-compromisso e dizendo que isso vem reforçar o estereótipo de as raparigas gordinhas (ou que não correspondem por algum motivo ao padrão de beleza) serem mais atiradiças, desinibidas, disponíveis ou "fáceis" para compensar e chamar a atenção dos rapazes, rebaixando-se a ver se assentam (ou até, se "caçam" um galã de capa de revista, que à partida estará fora do seu alcance pelo menos no que ao compromisso sério diz respeito, só para provar alguma coisa às amigas). 

A verdade é que muitas "plain Janes" realmente procedem assim (o que raramente tem um final feliz), já que a falta de auto estima nunca é boa conselheira... e que as mulheres consideradas mais atraentes costumam ver-se rodeadas de mais pretendentes por onde escolher, tendo - estatisticamente falando -menos tendência a cair em tais enredos. 

Porém, como no final das contas o que vale é o conjunto e * mais importante *, como isto vai tudo da cabecinha que se tem, do sentido de dignidade feminina, da verguenza na cara e da educação que se levou em casa, há por aí muita rapariga de aspecto banal que se sai lindamente e outras, bem mais bonitas e/ou vistosas, que se prestam a ser Jenifers da vida para os sultanetes de serviço.

Se a Jenifer não fosse Jenifer e mulher da luta, e burrinha- parvinha, e "amiguinha", e desesperada, ao ouvir o refrão saía mas era porta fora, bloqueava o espertalhão no Tinder (acho que o Tinder dá para bloquear pessoas) mandava-o à ex que o aturasse e ia em busca de alguém que estivesse realmente interessado, caidinho por ela, pelo seu sorriso, pela sua atitude positiva, etc, mortinho por a apresentar a toda a gente como "o nome dela é Jenifer, ela é minha namorada". Mas a Jenifer é Jenifer, e como ela há muitas a ganhar má fama, a desvalorizar-se e a dar má fama ao resto do mulherio, desvalorizando o belo sexo a cada par de patins. É triste, não acham?

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