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Monday, November 19, 2018

Amor em tempos de...paz, amor e rock n´roll




Ando há bastante tempo para criar um post sobre o Woodstock - ou antes, sobre o street styling do Woodstock, porque houve realmente looks incríveis no festival mais ou menos improvisado que correria extraordinariamente bem e viria a ser um dos eventos mais emblemáticos de todos os tempos, símbolo incontornável do movimento Flower Power e dos protestos contra a Guerra do Vietname e a favor dos Direitos Civis. 

O que se pensava ser apenas "um festão numa quinta" acabaria por se tornar o retrato de uma geração e de um tempo em que os idealistas eram ingénuos mas realmente bem intencionados e sabiam vestir de forma controversa para as normas da época mas continuar giros - ao contrário dos snowflakes de hoje que só dizem disparates, falam de barriga cheia e se põem feios de propósito. 

Deve ter sido uma época interessante para se ser jovem, por muito que eu ache que certas "novidades" que sairam daquelas cabeças mais valia nunca terem existido, porque abriram portas a muita coisa que me desgosta hoje em dia. Enfim, a História nunca se faz sem solavancos e sem que algumas coisas mudem para melhor e outras tantas para pior...


 De qualquer modo, creio que se inventassem uma máquina do tempo eu daria um pulinho ao Woodstock, apesar de Festivais não serem o meu cup of tea e de o pivete a marijuana me dar volta ao estômago a uma distância de 100 metros. Isto se a máquina do tempo incluísse uma casa de banho com duches, ou nada feito. Até posso gostar de brincar aos hippies uma vez por outra, mas sempre em versão limpinha. 

E curiosamente, foi um casal "não hippie" que passou a ser a cara do Woodstock: em Agosto de 1969 Nick e a sua então namorada, Bobbi (ele empregado num banco, ela ainda na faculdade) ouviram na rádio o aviso das autoridades para que as pessoas se mantivessem afastadas do pandemónio nas imediações do festival. 



Como os jovens têm por hábito ser do contra, agarraram em alguns amigos, pegaram na carrinha da mãe de um deles e foram ver o que se passava. Acabaram por gostar do ambiente de espontânea alegria e música que se tinha criado e ficaram, embrulhados numa colcha que encontraram abandonada a um canto.

De madrugada o fotógrafo Burk Uzzle, trabalhava para uma agência noticiosa mas decidira ir registar o evento por sua conta, viu o casal abraçado de pé contra o nascer do sol, achou a imagem bonita - e sem que os visados se apercebessem, registou o momento.



O festival acabou, a multidão dispersou e Nick e Bobbi voltaram às suas vidas normais de quem não é hippie, com responsabilidades e contas para pagar - viriam a casar dois anos e pouco depois. Só quando o álbum com a música do Woodstock veio a público souberam que tinham sido fotografados...e que estavam famosos! (Quanto a mim foi uma sorte a relação ter resultado- imaginam-se a aparecer ad aeternum ao lado de um ex em tudo quanto é merchandising de nostalgia? Cruz Credo!).




Quase 50 anos volvidos, o casalinho continua apaixonado, a receber correio dos fãs e a dar ocasionalmente entrevistas sobre as suas memórias. Numa delas, os eternos namorados partilharam mesmo a receita para um amor sem prazo de validade e um matrimónio bem sucedido:

"O casamento é difícil. Há bons e maus momentos. É preciso escolher as batalhas: às vezes é muito mais fácil ser feliz do que ter razão. É preciso perguntar a nós mesmos- estou melhor com ou sem esta pessoa? E se estamos melhor com ela, então fazemos com que resulte".

Quanto a mim, esta é a fórmula mais sensata de todas. Devia vir escrita em papel selado quando se avançam com os documentos na conservatória....




Sunday, November 18, 2018

A soldier´s daughter never cries

Runnymede Air Forces Memorial, 25 de Julho de 2018

Eu não sei introduzir textos tristes, tocantes, solenes e bonitos. Eu não tenho jeito para despedidas porque me partem o coração e me deixam, simultaneamente, totalmente atrapalhada e com medo de soar desrespeitosa ou ridícula. Tenho menos aptidão para lidar com sentimentos em público do que a Rainha de Inglaterra (falei-vos disso, em tempos). Admiro-me sempre de ser capaz de trabalhar num sítio onde há constantemente gente a chegar e a partir e a despedir-se de parentes e amigos, nem sempre com alegria. Não sei ser desta época em que é suposto partilharem-se fraquezas, ser-se vulnerável e  toda a gente saber com que palavras, com que cara e com que postura se divulgam notícias pessoais desagradáveis (sejam mais ou menos sérias) no cenário dos social media

  Como vos comuniquei há pouco por Facebook, perdi  o senhor meu pai - como me referia sempre a ele quando uma das suas tiradas me inspirava aqui um post - de forma totalmente inesperada. 


Reveillon em Londres, 2016-17


 E tal como expliquei, a comoção e as medidas que foi preciso tomar impediram-me de escrever. Mas eu não saberia o que escrever...e hesitei até agora. Escrever o quê? Um epitáfio? Escrever o quê, justos Céus? Passar adiante, guardar a notícia para os muitos familiares e amigos que nos acompanharam, debruçar-me sobre outros temas como se nada tivesse acontecido? Embora eu nunca fosse de partilhar aqui a minha vida privada, passar uma borracha também não faria sentido já que fui não só contando algumas anedotas familiares, muitas em que o pai era o protagonista, como vos dei parte de algumas ocasiões realmente importantes embora não chegasse a elaborar ora por falta de ocasião, ora porque não é mesmo o meu estilo.




 E no entanto, se calhar, o papá foi o grande responsável por eu não conseguir lidar com estas coisas de forma compungida e dramática: é que não só fui educada por ele, mas sou muitíssimo parecida com ele, para o bem e para o mal. 

 O pai não era de sentimentalismos, fora de casa pelo menos. Apesar do coração de ouro, de se derreter pela família e do seu irish/sicilian temper, era muito anglo saxónico por educação e quando se tratava de coisas sérias, entrava em fleuma britânica. No fundo era um soldado, um espartano no sangue e nos modos, e filha de soldado nunca chora. Perante uma emergência, uma tragédia, um transe da vida, depois dos primeiros prantos é suposto fazer como o Marquês de Pombal depois do Terramoto e atender ao mais urgente, em modo marcial e robótico, com nervos de aço e o coração sabe-se lá em que estado.





 O que é que o pai diria? Oh, eu sei o que ele diria: pull yourself together! Put on a brave face! Ou: sai uma palmada que é para chorar com razão! ou ainda, "oh Sissi, vamos lá a «Tarantar» por amor de Deus!!!" («tarantar» foi um verbo que inventámos a partir de um antigo nome da nossa família, Taranto, que perdendo-se oficialmente continuou  connosco como alcunha, e como era tudo gente brava e desempenada passou a designar ser corajoso e recompor-se).

 Mas - oh ironia-  no meio do desgosto esmagador, da surpresa que me deixou sem reacção, (a vida tem destes sarcasmos crueis, ou será que nos são enviados os desafios que mais tememos?)  a primeira provação foi ver-me precisamente - eu que sou um horror nestas coisas, eu que me encontro fora do país e que estava ainda sem chão -  a braços com a tarefa de esclarecer parentes, amigos, militares que comandou, alunos e tantas outras pessoas que o admiravam que, incrédulas, estarrecidas,  me contactavam de Portugal, de Londres, dos Emirados Árabes e de outros países ainda, aflitas a querer saber se era verdade, se não era algum engano ou partida de mau gosto.




 E lá tive, enquanto arranjava tudo à pressa para seguir para Lisboa, de explicar vezes sem conta (sabe Deus com que vontade de repetir aquilo que ainda me custava a perceber): caiu fulminado durante um dos seus treinos de bicicleta, o que teria sido o tipo de viagem para o outro mundo que o pai tinha pedido a Deus... se fosse só daqui a 20 anos. Rápido e indolor para ele, e de pé como um bravo até ao fim, a fazer algo que adorava. Não numa cama ou numa poltrona, que ele não suportava gente mandriona...seria o fim perfeito - se tal coisa existe - mas foi cedo demais.


Num evento na Brigada Ligeira de Intervenção de Coimbra, 2005 (?)


Não é de estranhar esta reacção de quem privara com ele: o Senhor Tenente Coronel era uma figura tão larger then life, forte e invencível, alpha male por excelência como já se vão fazendo poucos, oficial majestoso que apavorava os tímidos (até começar a contar piadas, entenda-se) fanático do fitness, tão divertido, carismático e sociável, com um aspecto tão jovem, 60 anos recém feitos mas a  rivalizar nas proezas atléticas (apesar dos nossos avisos) com os rapazinhos de 20, que parecia realmente impossível. 

Toda a gente espera que os adoentados, os azarados da vida, os sofredores, os que levam uma vida de excessos, os velhos e os emocionalmente frágeis vão primeiro. Mas homens de aço como o pai, capazes de olhar a morte nos olhos e dar-lhe um piparote sem tir-te nem guar-te, não. Esses são, supostamente, como aquela personagem de The Walking Dead: "only Merle can kill Merle". Ou como o General Patton:  "though I walk through the Valley of the shadow of Death, I shall fear no evil...because I am the meanest motherf*** in the Valley.'

 Esses é suposto terem sete ou nove vidas como os gatos, e se não as gastaram todas, nobre e espectacularmente, em cenário de guerra ou numa aventura qualquer tipo Rambo ou Indiana Jones, cá ficarem ad aeternum a mandar em toda a gente, a suportar o peso do mundo nos ombros, a comandar as tropas até serem velhos rezingões mas sempre rijos, que enchem a paciência à família e espantam toda a gente com os seus chistes, partindo quando já não há mais a tirar da vida. 




 É o tipo de certeza que dá alguma segurança às pessoas e que, quando se vê que não é bem assim, as deixa cheias de medo além da tristeza. Se um homem assim é vulnerável, nada é seguro neste mundo. 


Eu própria tinha uma secreta esperança de que o pai saísse ao avô dele, que com duas tromboses em cima ainda arriava na Guarda Republicana tareias de criar bicho. Infelizmente, saiu à outra metade dos homens da família, que na minha não há meio termo: ou duram para sempre ou vão cedo e de repente.

Em Julho tínhamos passado uma semana juntos aqui no Sudoeste de Londres, em alegres patuscadas, a gozar a piscina do nosso jardim, os passeios a Windsor e a margem do rio em Twickenham (onde o nosso Rei Senhor D. Manuel II se exilou e de onde Sua Majestade apoiava as nossas tropas que lutaram ao lado dos Britânicos na I Guerra- até há um lindo memorial ao Rei e soldados portugueses  na paróquia que frequentava). 




 O autor dos meus dias adorava o Reino Unido, onde vinha regularmente em trabalho,  e os E.U.A, onde estudou em miúdo. Sempre preferiu que eu vivesse em Londres, tendo-me educado com essa ideia fixa. Até me deu o nome de uma colega de carteira do liceu (coisa que nunca lhe desculpei, se bem que o petit nom Sissi também foi ideia dele) e por sua parte, trabalhou numa organização britânica até ao fim, logo que se reformou do Exército.


Ao serviço do British Council em Abu Dhabi, com alunos e amigos


 Creio que lá no fundo amava igualmente do seu país, que serviu fielmente; mas era um amor ferozmente crítico, à maneira Queirosiana como o Afonso da Maia: nunca se exilou de vez, porém tinha um enorme desgosto pela rebaldaria em que Portugal se transformou, nomeadamente em termos de ética de trabalho e no desrespeito pelas Forças Armadas, algo que o magoava mais do que gostava de admitir. Acho que apesar das suas costelas estrangeiras, da influência britânica que norteava a sua forma de estar, de ser muito pouco português em muita coisa menos no respeito à bandeira (preferia a azul e branca, mas honrou a que temos e que o cobriu nas últimas cerimónias)  e à língua, tinha um lado vivamente lusitano, Moura enrustido e medievo capaz de brandir a espada de D. Afonso Henriques. Português da velha guarda, da raça dizimada em Alcácer Quibir, inconformado com a falta de patriotismo e de brio. Em suma, perdido e achado ferrava-se na velha Albion e só o facto de saber que lhe fiz a vontade não me encheu de remorsos por estarmos longe um do outro. 

No Verão fez-se uma onda de calor impossível, mas ainda conseguimos ir ver juntos o Museu Imperial da Guerra (onde está exposto um uniforme igual ao que membros do Corpo Expedicionário Português, como o meu bisavô, usaram) e o Memorial da Força Aérea em Surrey, onde o papá prestou homenagem aos gloriosos  caídos na II Guerra Mundial. Sem ele ver tirei-lhe o retrato que podem ver no topo da página, não sonhando que passaria a ser icónico para mim, meses mais tarde. "Que nunca por vencidos se conheçam". Godspeed, daddy.

Thursday, October 18, 2018

Objectivo de vida: ser uma avozinha gaiteira (e cheia de estilo, como Joan Collins ou Faye Duynaye).




Isto para não ser indelicada e enunciar, preto no branco, um dos meus #lifegoals: um dia, ter a felicidade de ser uma velha gaiteira (e jarreta e careta e embirrenta mas absolutamente adorável ou seja, ficar mais velha mas de resto, não mudar absolutamente nada, cof, cof).

Por isso fico toda contente quando vejo anúncios de moda, como este da marca de calçado (britânica mas que manda fazer muito sapatinho em fábricas portuguesas) Kurt Geiger, com a sempre bela Dame Joan Collins:




Reparem como a eterna Alexis (eu era tão pequena que a única coisa que recordo de Dinastia é mesmo o panache da Alexis) continua linda de morrer, elegantíssima, bem disposta, a fazer luzir uma saia lápis como poucas, com um palmimho de cara e umas pernas que tomariam muitas de vinte!

 E não me tragam cá "oh Sissi mas olhe que isso é tudo plásticas" e "com a vida dela também eu", que isso das intervenções estéticas pequenas ou grandes não resolve tudo, até porque sem bom senso é quase sempre pior a emenda que o soneto. Não faço ideia qual é a rotina de beleza da actriz (que ainda me vai fazer mais feliz nos novos episódios de American Horror Story- how cool is that?). Nem o que mexeu ou deixou de mexer no rosto e no resto;  o que importa é que claramente o seu objectivo nunca foi esconder a idade (o que seria inútil) mas apenas continuar a ser bonita. Qual velhice, qual carapuça. 







Outra campanha que adorei (e que está a ser responsável por esgotar a carteira "Sylvie" em toda a parte, para tristeza dos meus clientes e mal dos meus pecados) é esta da Gucci, em que Faye Dunaway (77) contracena com a it girl francesa SoKo (32). As duas actrizes fazem de mãe e filha no luxuoso cenário de Beverly Hills, e ficam igualmente bonitas com as coloridas toilettes de Alessandro Michele- prova genial de que o estilo não tem idade e de que as mesmas roupas podem ser usadas em diferentes fases da vida, desde que com o styling adequado. Brilhante!




Já  por aqui falei várias vezes de como me faz feliz ver pessoas que continuam a ser elas próprias na terceira idade, principalmente no que ao estilo diz respeito.





 Senhoras e cavalheiros janotas que mantêm a sua figura, continuam a vestir mais ou menos o mesmo tamanho, a exercitar-se, a ter a mesma cara mais ruga menos ruga (nem tudo está na mão de cada um (a) mas ter cuidados ajuda)  e  a esmerar-se com a sua imagem, a divertir-se, a fazer troça de tudo, a não se levar demasiado a sério, a entusiasmar-se com hobbies, a ter objectivos e sonhos próprios,  a ralar-se com outras coisas que não as idas ao médico e os netos (que têm um lugar muito importante, claro, mas enquanto uma pessoa cá anda ainda tem uma vida sua; não precisa de cuidar só da dos outros como se estivesse para bater as botas mais minuto menos minuto).





 Gosto de gente cheia de vida e lá dizia a nossa Lili Caneças (também ela adepta do lema da Tia Pureza "o que importa é a alegria de viver e a caturreira"), estar vivo é o contrário de estar morto. A pobre senhora foi parodiada até à exaustão pela simplicidade da frase, mas as pessoas são demasiado básicas para entender boa filosofia quando a ouvem, é o que é. O que não falta para aí é gente morta viva- até gente nova- que anda na vida por ver andar os outros.

Depois, parecer bonito, estiloso e jovem(a) quandos se é jovem não é nenhuma proeza. É algo que está ao alcance de qualquer pessoa com um físico aceitável, alguma imaginação e um bocado de força de vontade.


Isso mesmo, Ms. Dunaway!

Porém, a verdadeira beleza e o verdadeiro estilo são outra louça: passam o teste do tempo. Já aqui o disse: as raparigas "giras" têm um prazo de validade muito curto, mas as mulheres belas só deixam de o ser se se desleixarem, porque a verdadeira beleza vem da boa estrutura óssea,  da boa genética, de uma alma bonita e de algum trabalho de manutenção (a preguiça não faz parte de uma alma bonita e raramente ajuda a manter o corpo no mesmo estado). Com os homens não é muito diferente: embora eles levem por norma mais tempo a chegar ao seu auge (o que lhes dá uma reputação de se conservarem melhor) se lá não chegam aos trinta e poucos, nada feito e depois é quase sempre a descer.

E com o estilo passa-se  outro tanto: há muito quem tenha tido (ou parecesse ter) estilo em novo, mas conservá-lo é outra história. Quantos ídolos de outras décadas não parecem hoje pessoas exactamente iguais a todas as outras, isto quando não congelam no tempo e ficam horrivelmente datadas? Lá dizia Coco Chanel: as modas passam, o estilo permanece.


Sophia Loren- Dolce & Gabbana

É por isso que tenho um enorme respeito por figuras como Sophia Loren (84) Sean Connery (88) Karl Lagerfeld (85), Jessica Lange (69), Raquel Welch (78)  Susan Sarandon (72) Mick Jagger (75) ou o Duque de Edimburgo (97) entre outras que agora não me ocorrem, sem contar com as que nos deixaram recentemente mas permaneceram maravilhosas até ao fim, como o meu adorado David Bowie.

Ainda não se inventou a pedra filosofal nem o elixir da eterna juventude, por isso não mudar rigorosamente como os vampiros da Anne Rice nada não é, por enquanto,  uma opção (e nem sei se seria muito boa ideia). 

No entanto, estas pessoas provam que com alguma disciplina e mantendo a dose certa de humor e rebeldia, é possível não encontrar um estranho ao espelho, não mudar demasiado, vestir as mesmas fatiotas (com umas actualizações sensatas aqui e ali, claro) em suma, continuar-se bonito e gaiato no corpo e na alma.

 Envelhecer não deve assustar ninguém, mas transformar-se numa velhota, ter trajes de velhota e espírito de velhota sim- e em última análise, esse é um mal escusado, evitável e desnecessário!


Carmen D´ell'orefice

Ora, uma das poucas coisas boas da actual tendência para a "inclusividade" e "representatividade" a qualquer custo na indústria de moda (bem intencionada e lucrativa, mas forçada e levada ao extremo muitas vezes) é que levou a que as marcas passassem a desconsiderar a idade como factor de sex appeal ou de sucesso. E que consequentemente, começassem a incluir estrelas de várias faixas etárias nas suas campanhas de há uns anos para cá.


Sean Connery, Louis Vuitton

Dolce & Gabbana e Louis Vuitton terão sido pioneiras, convidando ícones como Monica Bellucci (54) Sean Connery e Sophia Loren para encabeçar um elenco de celebridades mais jovens e modelos estreantes-  mas a ideia parece, felizmente, ter vindo para ficar e a prova disso é que modelos veteranas como Carmen Dell'Orefice (85) voltaram a trabalhar nas passerelles e a vender capas de revista.

 Afinal, quando se tem uma figura magnífica e um rosto icónico, o que são meia dúzia de linhas de expressão ou cabelos brancos? E para quê alienar uma parte do público-alvo (precisamente a que mais terá disponibilidade financeira, tempo livre e liberdade para investir em roupas, cremes e acessórios de luxo) em nome de algo tão efémero como a juventude de calendário? Venham as mães, as tias e as avós que têm muitíssimo a ensinar!

Wednesday, October 10, 2018

Casamento: a nobre arte do "cá nos havemos de arranjar"


Cindy Crawford e Rande Gerber

 Há tempos reparei em duas frases sobre a vida de casal que me deixaram a pensar. A primeira, do filme "Cavalo de Guerra" traduz algo que decerto passa pela cabeça de muita esposa por este mundo fora (principalmente daquelas que têm a seu lado homens bons mas impulsivos, que às vezes fazem disparates). 



Quando o desastrado marido da personagem de Emily Watson lhe pergunta se ao fim de tantos anos de casados ela não está já fartinha dele, a resposta dela é sublime:
"Posso detestar-te mais, mas nunca hei-de amar-te menos".
 

Ela sabe o homem corajoso e esforçado que ele é - apesar de ter voltado da guerra traumatizado e com uma perna doente, o que o leva a refugiar-se na bebida e a tomar decisões menos benéficas para a família. Conheceu o esplêndido rapaz que ele era antes disso, por quem ela se apaixonou e com quem escolheu casar mesmo quando ele regressou danificado e uma sombra de si próprio. E como é uma mulher forte e sensata, escolhe fixar-se nisso (nesse lado que ela conhece, nesse amor e nas qualidades que ele conserva) em vez de se concentrar nas dificuldades que têm passado juntos.
 Nem sempre se gosta, todos os dias, das pessoas que se ama. Amar-nos uns aos outros mesmo quando não estamos lá muito amáveis (ou estamos mesmo em modo detestável) é parte essencial do tecido de uma família.


A segunda lição veio nada mais nada menos que dos Simpsons- que a brincar, a brincar, nos vão dando dicas para um casamento sólido há mais de vinte anos!

Num daqueles  episódios em que há um flashback para os tempos de namoro da Marge e do Homer, ele fez uma daquelas asneiras monumentais em que é useiro e vezeiro. E apesar de a peripécia ser grave, capaz de deixar qualquer noiva em parafuso e de pé atrás, a boa da Marge decide ir para a frente com o casório, dizendo-lhe:

"Temos uma vida inteira pela frente
 para corrigir esses problemas".


Ora aí está uma grande verdade: bem diz o povo "quem pensa não casa". Eu acrescentaria que não casa quem pensa demasiado. A minha avozinha também repetia sempre "o casamento é uma carta fechada" e "amanhã Deus dará".



 Certamente há defeitos de carácter tais, ou relacionamentos tão tóxicos e incompatíveis, que dificilmente têm remédio por mais que as pessoas até pareçam gostar uma da outra: é o caso da violência, da infidelidade e de outras questões graves. Em situações dessas, mais vale recuar e procurar a  felicidade noutro sítio, especialmente quando só uma das pessoas parece esforçar-se para levar a relação a bom porto. E nem falemos dos casos em que só uma parte está interessada (ou continua a investir porque afinal já desperdiçou não sei quantos anos e mais vale *tentar* casar com o diabo que se conhece do que com o que não se conhece) e a outra vai deixando andar à falta de melhor. Se é assim, direita, volver! Abortar missão e para a frente que atrás vem gente!


Porém, quando não é assim; quando um casal realmente se adora, quando tem aquela cumplicidade e compatibilidade que é difícil de encontrar e se as coisas funcionam APESAR DESSA QUESTÃO INCÓMODA, então trata-se apenas de limar arestas, ao estilo "a mulher educa o marido e vice versa". E isso não se consegue de um dia para o outro... portanto é melhor armar-se de paciência, não encher o sótão de macaquinhos, arranjar um saco cheio de confiança mútua e dar um grande salto de fé, repetindo os mantras "cá nos havemos de arranjar" e "a seu tempo lidamos com isso".



Entrar num casamento conhecendo a jóia que se tem ao lado e os polimentos de que ela necessita é, a meu ver, uma atitude mais madura e bem preparada do que caminhar para o altar aos pulinhos, no impulso da ilusão, apenas para levar um grande balde de água fria pouco depois e desistir à primeira (e inevitável) tempestade. Afinal, não há relação perfeita, por muito maravilhoso que um casal seja e por mais apaixonado que se mantenha.  Porém, a boa notícia é que se vai ter de lidar com a pessoa todos os dias e enfrentar montes de desafios grandes e pequenos, o que fará com que as questões mesquinhas se vão diluindo. Uma vida inteira é muito tempo, e o tempo- mais os afazeres do dia a dia- é um santo remédio.

Alguém muito sábio disse que o amor não é só um sentimento: é uma escolha diária. Mas também é feito de muita paciência e esperança para um permanente "logo se vê".

Monday, October 8, 2018

Manners maketh man




Há dias, sem contar, calhou-me ver a comédia de espionagem Kingsman: The Golden Circle, e fiquei encantada. Boa banda sonora, excelente coregografia e fotografia e um elenco com alguns dos meus actores preferidos (como Julianne Moore e Mark Strong). Tudo isso embalado numa história que gira à volta de duas estéticas opostas, mas igualmente icónicas: por um lado, o mais puro estilo Londrino com fatinhos de Savile Row e o bom e velho código de conduta do cavalheiro Old Etonian; por outro, a atmosfera muito americana dos cowboys da velha guarda, gente desempenada e varonil que gosta pouco de disparates. Best of both worlds!



Ora, a personagem de Colin Firth, responsável por transformar num cavalheiro o herói da história, que ao início era um grandessíssimo guna/mitra/gandim (ou chav, como por cá se diz) tem um lema muito verdadeiro, que gosta de recordar - a bem ou a mal -a quem se atravessa no seu caminho:

"Manners Maketh  Man"- as maneiras fazem o Homem.

 A frase "Manners Maketh man",vulgo de moribus facit hominem, terá começado a usar-se no sec. XIV em Inglaterra, sendo a divisa adoptada pelo director dos colégios de Winchester e de Eton. O de Winchester e o New College de Oxford mantêm esse lema ainda hoje, e por boas razões!





 Ou seja, as pessoas são julgadas pela forma como se apresentam e se comportam, gostem ou não. As boas maneiras, as maneiras civilizadas, definem o homem. Traçam a diferença entre o bruto, o troglodita, e o homem de boa sociedade: de princípios, honrado e de confiança, que sabe estar em toda a parte.

 Em última análise, as boas maneiras (a que não são alheios o espírito de sacrifício, o altruismo, a coragem e o auto domínio) separam o cavalheiro bem nascido (ou simplesmente o homem bem formado) do labrego básico que vive de acordo com os instintos e os apetites egoístas, impulsos que sem moderação são sempre nocivos para si próprio e para os outros. Seguir diariamente as regras da civilidade impede as pessoas de cair na selvajaria, na anarquia e no caos.



Essa cultura continua (graças aos Céus e a lembretes constantes) bem viva aqui no Reino Unido. Por cá ouve-se muito dizer "manners cost nothing". É raríssimo ver um homem que não ceda o lugar a uma senhora ou que tente passar à frente de outras pessoas na fila para o autocarro, por muito apressado que esteja. E ai de quem o faça! Já o tenho dito: mais do que serem naturalmente corteses e bem educados, os britânicos lembram-se constantemente de agir como tal e tratam de o recordar uns aos outros, raramente caindo num excesso de informalidade, por um lado, ou no excesso ridículo das maneiras afectadas e pomposas, por outro. Lá têm outros defeitos, como todos os povos, mas gostam das coisas simples e civilizadas...e não nos enganemos, ter maneiras nas mais pequenas coisas (uma delicadeza que ao fim e ao cabo, é mesmo grátis) é o alimento diário da civilização.




Mais o que achei mais importante na mensagem do filme- e que escapa às vezes quando se tenta ensinar alguém a prestar atenção ao seu comportamento- é que ter bons modos não rebaixa ninguém, (algo que muita gente parece julgar, na era em que ser atrevido e "não levar desaforos para casa" é uma atitude muito mais à moda) nem é sinal de fraqueza. Antes pelo contrário.

A personagem de Kingsman faz questão de lembrar (com uma boa tareia, se preciso for) que ser um cavalheiro, ser elegante e civilizado, não é, como tantos brutos pensam e com isso se desculpam para serem uns grosseirões, ser delicado, pouco viril, um "copinho de leite" ou uma "florzinha de estufa". Os grandes generais todos tinham boas maneiras: de Alexandre Magno, que tratou com grande cortesia a família cativa do Rei Dário, ao General "Raposa do Deserto" Rommel, que convidou os inimigos capturados para tomar chá, isto só para citar dois que agora me ocorrem sem pensar muito: quanto mais forte um homem é, mais se pode dar ao luxo de ser cortês. Quanto mais poderoso, mais se pode dar ao luxo de ser magnânimo.

As maneiras não são só civilização: no tempo que atravessamos, são mesmo um toque de luxo (que volto a lembrar, é grátis).



Tuesday, September 25, 2018

Coisas/marcas a comprar em Londres #1: super acessível (mas disfarça bem)




Com Londres a duas horas de avião e tantos dos amigos do Imperatrix a viajar regularmente para cá, pensei em criar uma rubricazinha catita para vos ir dando conta, conforme me for lembrando,  de compras que vale a pena fazer por aqui (leia-se marcas, produtos, ou locais onde se encontram bons negócios).

Isto porque passear por Oxford Street parece tudo muito lindo mas só lá me apanham em trabalho... haja paciência!

Pois bem:  para começar vou falar-vos de uma marca baratinha, mas janota a valer, ideal não só para aqueles momentos "vou a Londres num pulo e não sei o que hei-de comprar para a mãe/tia/amiga, só que parece mal vir à capital das compras e voltar de mãos vazias com a desculpa da confusão e da pressa" mas também para ensacar uns básicos impecáveis e umas peças transitórias sem investir demasiado.



   Eu ainda sou do tempo em que o pai vir ao UK em trabalho significava trazer-me alguma coisa da Top Shop, da Dorothy Perkins ou do Selfridges. Porém, a Top Shop já está em Portugal e assim como assim, já não é o que era - actualmente, com tanta colaboração especial com designers os preços subiram, o posiocionamento alterou-se e os modelos tornaram-se mais arrojados- o que é bom quando se quer levar uma peça marcante para casa mas pode não dar jeito quando há pouco tempo para escolher.
 Ir ao Selfridges nem sempre é opção, além de ser obviamente uma loja mais voltada para investimentos maiores e não tanto para "trazer uma coisinha para cada pessoa e mais umas pecitas para mim" (a não ser que se tenha um orçamento muito simpático, claro).


Vestido azul marinho Dorothy Perkins

Quanto à Dorothy Perkins, de que já falei várias vezes por aqui a propósito dos vestidos, continua a estar entre as minhas favoritas (ainda há poucos meses lá comprei um sheath dress preto que mais parece Dolce & Gabbana e assenta como uma luva por menos de 30 libras) mas francamente, o stock é mil vezes melhor online. Vale a pena comprar no site uns dias antes de viajar e pedir para ser entregue na loja DP mais próxima, já que há quase uma em cada esquina.

A marca de que vos quero falar segue um sistema semelhante no que respeita a compras online e também tem a vantagem de pipocar em quase tudo o que é bairro, pelo que é possível ficar alojada em qualquer subúrbio amoroso e comprar coisas giras sem ir de propósito, em missão, ao centro da cidade a tropeçar em turistas que não saem da frente e shopaholics frenéticos de todos os cantos do globo (com todo o respeito por eles já que muitos são meus clientes, mas não são exactamente a companhia deal para quem se quer despachar).

Calças paperbag, New Look


Provavelmente já repararam que a New Look está um pouco por toda a parte em Londres e arredores, e por boas razões: com preços e qualidade algures entre a Primark e a Zara, é a marca ideal para ir buscar não só uns básicos fiáveis, que assentam bem (já lá vamos) mas também se mantém extremamente actualizada quanto às tendências.

Acho que os buyers e os designers deles devem ser uns taradinhos canta-monos do Instagram, sempre à coca do que está na berra. Basta ver que a New Look faz sucesso também na Ásia, paraíso por excelência de tudo o que é trendy, e que é activa em redes sociais como o Weibo ou o Wechat, essenciais para quem quer fazer negócios da China (mas um ponto onde muitas marcas que tentam entrar nesse mercado falham redondamente).



E o melhor é que a selecção de peças é bastante transversal: nem adolescente como a Forever21 ou serigaita como outras de que não vou falar agora, nem matrona (um problema que se vê muito em algumas marcas britânicas mais famosas) o que é um feito tendo em conta que a New Look nasceu em 1969. Conta também com uma boa escolha de tamanhos. Sem ter lojas muito grandes e confusas (há algumas aqui em que não tenho mesmo pachorra para entrar) há algo para toda a gente, de miúdos do liceu a peças para o escritório ou ocasiões especiais, passando por moda para mamãs e plus size.

Confesso que ao início torci o nariz (porque como imaginam encontrar lá tecidos aceitáveis exige algum cuidado) mas o styling das montras acabou por vencer a minha curiosidade. 



Depois, há uma New Look  mesmo ao pé de minha casa e eu passava por lá todos os dias no regresso. E terceiro, a minha busca incessante por calças de cintura alta que assentassem em condições e fossem confortáveis, tanto para trabalhar como para o dia a dia (com um emprego a tempo inteiro e a cuidar da casa acabo por usar imenso a máquina de secar mas as peças de griffe não gostam muito disso, pelo que tive de arranjar alternativas) lá me fez agarrar nuns quantos pares de calças "paperbag" e cigarrette e marchar para os provadores.

E bem, fiquei agradavelmente surpreendida! Havendo sorte e paciência para apanhar tecidos consistentes e agradáveis ao toque, vale a pena arriscar porque (à semelhança de outras marcas low cost, Primark incluída) a modelagem e o corte compensam pelo material menos nobre. Cairam-me tão bem, tinham tão bom ar e eram tão macias que segui o meu instinto e comprei uns quantos pares. Pois digo-vos que com os devidos cuidados têm durado bastante, mesmo tendo-as elevado ao estatuto de "kidas calcinhas que dão com tudo" e andando com elas non stop para cima e para baixo. Com o styling adequado e atirando-lhes com uns sapatinhos de designer e uma carteira decente, ninguém dá pela "barateza".



 Tal como a maior parte das marcas, a New Look repete moldes e é fiel aos tamanhos (mudando só as cores, os materiais e alguns detalhes) por isso é boa ideia dar lá um pulinho para experimentar calças de tempos a tempos. Recomendo também as blusinhas vaporosas estilo vitoriano, as blusas de cambraia tipo camponesa, as peças básicas em algodão, os sundresses e jumpsuits, sapatos de tecido e quaisquer peças ou padrões sasonais. É tudo amoroso à vista e veste como parece, sem caídas esquisitas. Obviamente coisas mais elaboradas, como botas ou sobretudos, são quase sempre de evitar em lojas assim, mas para estas pequenas compras aprovo e recomendo!



Outra casa com um posicionamento parecido, que também vende online, costuma ter pontos de venda próximos da New Look e onde já encontrei coisas interessantes, baratíssimas e com um corte favorecedor (nomeadamente blusas de decote Bardot 100% algodão com manga rendada a 3/4 e calças skinny de cintura muito alta e tecido espesso que assentam de forma semelhante às Versace) é a Select.


Select

 No seu todo, a loja é menos de fiar do que a New Look e pode ter um ar serigaito como tudo em algumas alturas, mas não se deixem intimidar por isso e dêem uma olhadela com olhos de ver. Não esqueçamos que além de acompanharem todas as novidades estas marcas recrutam alguns designers e costureiros talentosos em início de carreira, portanto não é raro haver boas surpresas. É preciso peneirar e seleccionar bem para não comprar só porque é barato, mas usando de moderação fazem-se boas compras sem pesar na bagagem nem na bolsa.


Por fim, é difícil falar de Londres sem mencionar as omnipresentes drogarias e farmácias, que são autênticos paraísos para cosméticos e onde se encontram alguns produtos menos populares em Portugal (como por exemplo, champôs secos e texturizadores para todos os gostos).





A essas quero voltar em detalhe noutro post -  mas quanto mais não seja, ao regressar a Portugal é boa ideia passar um bocado a explorar a Boots (espécie de farmácia multiusos que até vende sanduiches) em Heathrow ou Gatwick antes de embarcar. O meu achado mais recente foi este desmaquilhante de olhos cremoso, de marca branca, que limpa tudo, até máscara de fibras para pestanas (quero falar da máscara de fibras em breve, mas aviso já  que parece cimento e custa à brava a tirar) sem ai nem ui. Uma maravilha! Por isso não desesperem: mesmo que tenham deixado tudo para a última da hora, ainda dá para levar alguma coisinha útil à prima, mana, etc, etc.











Friday, September 14, 2018

Remi Gaillard dixit: os animais, essas bestinhas.




Nunca vos contei esta mas sou uma grande fã de Remi Gaillard, o pregador-de-partidas profissional francês com cara de miudito endiabrado.

 A  foliona que vive dentro de mim diverte-se até às lágrimas com os seus apanhados fantasiosos que envolvem super heróis, personagens de videogames e bicharada (talvez porque me lembram as estórias que eu e os meus primos inventávamos sobre as maluqueiras que gostaríamos de fazer, se nos deixassem e se as personagens dos desenhos animados existissem na vida real).

  Só não gosto muito quando ele provoca a polícia em modo chapliniano (quer dizer- acho imensa graça, especialmente quando o agarram,  mas o exemplo é péssimo). Ressalvando o devido respeito pela autoridade e pelas normas de boa sociedade, aqui me confesso: adorava participar numa das suas partidas nonsense só para ver a cara das pessoas.



Entre as minhas rábulas preferidas do vasto repertório deste enfant terrible estão aquelas em que se mascara deste ou daquele bicho para arreliar os incautos que têm a pouca sorte de lhe saltar ao caminho: a do canguru ficou famosa (o rapaz deve ser persona non grata nas imediações de qualquer country club) mas as do morcego, da aranha e da borboleta toda fofinha a ser imobilizada e catada pela bófia deixaram-me com dores de barriga de tanto rir.



O que eu não sabia é que o comediante é realmente um protector incansável dos animais, tendo até criado algumas brincadeiras benévolas para angariar fundos para o canil/veterinário público que o costuma ajudar nas suas versões malvadas das fábulas de La Fontaine (alegoria feita por ele mesmo).

E numa entrevista, explicando o porquê de se fantasiar de vários bichos, Gaillard revelou que  se inspira nos animais porque, tal como ele próprio, eles são uns rebeldes sem filtro:

"Os animais têm uma pureza que falta às pessoas (...)são uns brutos.  É  por isso que lhes chamam "bestas". Estão-se nas tintas para tudo, fazem o que lhes apetece, servem-se como se estivessem na casa deles e mariambam-se para o sistema. Não têm educação nenhuma. São uns mânfios. Os animais são uns gandins".
Ou como diria a minha avozinha, são uns valentes ursos



E bem vistas as coisas, é verdade...quem tem bichos de estimação que o diga! Aqui onde me encontro, cheia de saudades dos meus gatos e do meu cão, já pude comprovar que a teoria se aplica tanto a animalejos domésticos como selvagens.

 Os papagaios silvestres (sim, há muito disso em Londres, um dia mostro imagens do meu jardim se não estão familiarizados com o fenómeno) os esquilos e as raposas que a minha cara metade faz questão de tentar domesticar (um esquilo já vem comer à nossa mão e tudo, imaginem) já me fizeram das suas: uma adorável ninhada de raposinhos fez questão de me entrar pela estufa dentro para me espatifar as galochas preferidas, que eu tinha deixado a secar, e espalhou-me por todo o lado o saco de roupa que estava separado para levar para o contentor, no melhor modo "mas quê? isto não estava aqui para a gente brincar?".


E o pior é que não dá para uma pessoa se zangar com eles. Vai lá uma pessoa discutir com seres irracionais (ou vá, com a mentalidade de uma criancinha) e absolutamente fofos? Aliás, aqui há tempos publiquei um texto em que dizia como ver/ler peripécias de bicharada é das melhores maneiras de dispersar instantaneamente a ansiedade, e entretanto soube de mais algumas que juntei ao repertório de "ursices de bichos que me fazem rir por mais que eu esteja pior que um urso".





1 - Como este urso que invadiu o jacuzzi destas pobres pessoas, esteve, chapinhou, refastelou-se, fez o que quis, enfrascou-se em margaritas e acabou por se deitar a dormir, perdido de bêbedo:



2- Ou este Pequinois insuportavelmente queridinho e felpudo que é um bully de primeira  categoria e faz a vida negra aos outros (eu...não...aguento...tanta...fofinheza junta!):



3- A história deste esquilinho bebé que perseguiu um homem durante imenso tempo até que o cidadão, em pânico (que diabo? porquê?) chamou a polícia. Eventualmente o bicharoco cansou-se de ser stalker e adormeceu num canto, sendo recolhido pela esquadra que o adoptou como sua mascote.



4- Esta família de ursos que se fez de convidada numa piscina desmontável em New Jersey (o que atesta a resistência e durabilidade das piscinas temporárias para quem não pensa investir numa definitiva...muito aguentou a geringonça!).



E de resto, qualquer gif de galináceos a perseguir pessoas ou vice-versa. A minha familia diz que sou um diabrete por me rir disto, mas não consigo evitar:





Como se diz por estas bandas, "Savage!".

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