Tenho uma colecção interessante de saias. São peças duráveis, representam um investimento moderado e permitem ousar um pouco - ou actualizar completamente o visual - sem grande dificuldade nem compromisso. Sempre achei que se queremos vestir uma tendência passageira ( e não nos apetece limitar o seu uso a tops ou pequenos acessórios) é preferível optar por uma saia, que é relativamente discreta e pode reinventar-se com diferentes coordenados.
Quanto às fishtale ou mullet skirts, que têm feito as alegrias de muita fashionista (e wannabe) por aí, considero-as a excepção à minha regra: a funcionalidade e execução são muito importantes para mim. Um feitio não deve ser apenas um feitio; mas parece-me que é disso que se trata.
Ainda não compreendi o conceito por trás do modelo, nem a sua utilidade. Não vejo ali especial arte de confecção ou design. Usar a bainha mais longa atrás é um truque muito velho para alongar a figura, empregado pelas boas costureiras de antigamente. Estrelas de cinema como Glória Swanson recorriam a este artifício. Mas uma discrepância tão grande não servirá esse propósito. Logo, ou o modelo pega e se torna habitual ( o que eu acho improvável) ou é uma saia que vai ficar datada num instante, sendo impossível vesti-la daqui a pouco tempo. De repente, lembram-me aquelas calças boca de sino com abertura lateral que apareceram e desapareceram num ápice (felizmente) em meados dos anos 90.
Algumas versões understated, no entanto, não diferem muito de outras saias assimétricas que surgiram em colecções passadas, e parecem-me mais aceitáveis. A ver vamos.
Outra "novidade" arriscada (e efémera, atrevo-me a profetizar) são os skinny jeans em tons pastel, especialmente em verde menta.
Têm a sua piada numa revista, mas creio que vão ficar desvirtuados quando invadirem as ruas, como todas as peças que exigem uma figura esbelta e que todo o mundo faz questão de usar, mesmo que desfavoreça horrores. Ontem passei por uma volumosa senhora que trazia uns. Palavra que me pareceu um jarrão ambulante. Espero que não tenhamos aí outro síndroma da legging, mas já não digo nada.







