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Tuesday, March 20, 2012

Risky business?

Tenho uma colecção interessante de saias. São peças duráveis, representam um investimento moderado e permitem ousar um pouco - ou actualizar completamente o visual - sem grande dificuldade nem compromisso. Sempre achei que se queremos vestir uma tendência passageira ( e não nos apetece limitar o seu uso a tops ou pequenos acessórios) é preferível optar por uma saia, que é relativamente discreta e pode reinventar-se com diferentes coordenados.
   Quanto às fishtale ou mullet skirts, que têm feito as alegrias de muita fashionista (e wannabe) por aí, considero-as a excepção à minha regra: a funcionalidade e execução são muito importantes para mim. Um feitio não deve ser apenas um feitio; mas parece-me que é disso que se trata.
Ainda não compreendi o conceito por trás do modelo, nem a sua utilidade. Não vejo ali especial arte de confecção ou design. Usar a bainha mais longa atrás é um truque muito velho para alongar a figura, empregado pelas boas costureiras de antigamente. Estrelas de cinema como Glória Swanson recorriam a este artifício. Mas uma discrepância tão grande não servirá esse propósito. Logo, ou o modelo pega e se torna habitual ( o que eu acho improvável) ou é uma saia que vai ficar datada num instante, sendo impossível vesti-la daqui a pouco tempo. De repente, lembram-me aquelas calças boca de sino com abertura lateral que apareceram e desapareceram num ápice (felizmente) em meados dos anos 90.
   Algumas versões understated, no entanto, não diferem muito de outras saias assimétricas que surgiram em colecções passadas, e parecem-me mais aceitáveis. A ver vamos.
 Outra "novidade" arriscada (e efémera, atrevo-me a profetizar) são os skinny jeans em tons pastel, especialmente em verde menta.
Têm a sua piada numa revista, mas creio que vão ficar desvirtuados quando invadirem as ruas, como todas as peças que exigem uma figura esbelta e que todo o mundo faz questão de usar, mesmo que desfavoreça horrores. Ontem passei por uma volumosa senhora que trazia uns. Palavra que me pareceu um jarrão ambulante. Espero que não tenhamos aí outro síndroma da legging, mas já não digo nada.

Tendências de Primavera, ou o regresso da saia

Alexander McQueen
 



Estamos quase, quase no equinócio de Primavera, e embora ainda não tenha organizado o armário na totalidade, já defini quais as peças chave para interpretar as minhas tendências favoritas para a estação. 
Os anos 50 continuam em evidência, com cortes impecáveis, cinturas vincadas, vestidos requintados, saias em balão ou lápis, calças cigarrete e perfectos, permitindo-nos vestir duas personagens: a socialite sofisticada do pós guerra ou a starlet rebelde. Presentes estão também elementos dos swinging 60s , com linhas direitas e colour blocking.
Da tendência Anos 20, vou retirar algumas inspirações nos acessórios, tecidos, bordados e aplicações. A silhueta sinuosa, que esconde a cintura, não se adequa tanto a mim - mas a riqueza dos materiais é perfeita para  as adeptas do vintage.
 A par com os básicos ( eis uma boa estação para nos abastecermos de lindas camisas brancas) os padrões (étnicos, naturais, do fundo do mar a lembrar art nouveau, geométricos) conferem alegria ao visual. A consumir com a moderação - duvido que me adapte à sobreposição muito evidente de estampados, mas escolhi alguns desenhos intemporais para um toque colorido.
O cru, as peças delicadas, o bordado inglês e as rendas mantêm lugar cativo para um look suave e romântico. Também de estações anteriores, a inspiração guerreira de várias épocas ( do cavaleiro medieval às fardas de gala) continua a dar um ar da sua graça, com vestidos e tops estruturados, em tons escuros ou metálicos. As calças clássicas (largas e fluidas, ou com pinças) prometem uma elegância fácil.
 Mas a estrela da estação - a meu ver - é a saia, que regressa às ruas em vários comprimentos, texturas e feitios (lápis, midi, maxi, balão) e sobretudo, com uma utilização diferente do que tem sido visto na última década: sem esforço, com cintos, t-shirts e camisas, à guisa de calças, impondo-se como básico para o dia a dia.
Ou seja, neste semestre a brincadeira de estações passadas continua e evolui, com formas clássicas temperadas com cores, padrões e combinações inesperadas. Haja imaginação (e organização) e não nos vamos aborrecer nem um bocadinho. E as meninas, já escolheram os visuais chave para os dias de sol que aí vêm?

Monday, March 19, 2012

Eu não sou casmurra, mas...


Elizabeth Taylor, The Taming of the Shrew 


"If I be waspish, best beware my sting." (Shakespeare II, i. 208)
 
 
Até me considero uma pessoa flexível e se o motivo da teima não é grave ou fracturante, sou adepta do "leva lá a bicicleta!". Apesar de orgulhosa, se não tiver razão, ou a culpa for minha, sou a primeira a dar o braço a torcer. Cedo imensas vezes, em imensas coisas, para fazer as pessoas de quem gosto felizes, para o bem de um projecto e por vários motivos semelhantes. 
  Não teimo por desporto. Não embirro por embirrar. Não faço questão de ter razão (mas infelizmente, quando estou convicta é raro enganar-me).  Logo, quando bato o pé e dali não arredo é porque o caso é sério/importante/perigoso/incontornável, uma questão indiscutível em que não estou disposta a negociar. 
Se digo "não aceito isto" ou "enquanto este problema existir não dá"  - é porque é assim, porque já analisei a situação sob todos os ângulos e o meu infalível instinto continua a buzinar-me aos ouvidos. É inútil aligeirar a coisa (não brinco com assuntos sérios) saltar por cima do ângulo espinhoso e agir como se ele não estivesse lá, passar uma esponja, andar de lado para o evitar, tentar que eu aceite engolir o sapo com promessas, subornos, ameaças ou pressões. Ter uma vontade firme é uma chatice. À primeira vista, pode parecer que perco mais do que ganho, mas sucede que me conheço muitíssimo bem: há coisas com que lido impecavelmente, há outras que chocam com os meus valores. Quando o problema é de fundo, não sou capaz de diplomacias - sei à partida que é inútil tentar, e nem todas as situações se prestam a soluções radicais. Não é má vontade, mas quem tem espinha dorsal não nasceu para contorcionista. 
 Assim como assim, teimo tão raramente que o meu plafond ainda me vai permitindo ser cabeçuda de vez em quando.

Já não há pachorra...

Michelle Reis
...para ouvir "Someone Like you" 30 vezes ao dia. Once again, a culpa é das playlists, peritas em tornar detestáveis até as canções mais decentes. 
Sou franca, nunca gostei do tema; é demasiado xaropento para mim ( a própria Adele já veio dizer que quer escrever coisas menos dadas ao sentimento!!! daqui para a frente) mas não é disso que se trata.
 Ainda que gostasse, não se arranja paciência para tanto vira o disco e toca o mesmo, para esmiuçar o desespero da Adelinha que só percebeu tarde demais quem era o amor da sua vida. Se há coisa que me enerva é ver uma ex sem dignidade, a pedir batatinhas - especialmente quando já não há remédio, como parece ser o caso. Só me apetece dizer: ó mulher chata! Não tem vergonha de ir desinquietar o rapaz que está sossegado em sua casa? Quem foi ao ar, perdeu o lugar. Há muito peixe no mar, muito mar no peixe, e os homens são como o biscoito: vai um, vem dezoito.
 A fila anda, a vida continua. Get over it. Já todos partilhámos consigo o momento humilhante e embaraçoso, agora faça favor de cantar outra coisa. Grata.

Sunday, March 18, 2012

Frase do Dia

Charlotte Riley  e Tom Hardy
 

             I know of nothing more dangerous than a weak man, or a weak woman, given power. (autor desconhecido)


Saturday, March 17, 2012

Éirinn go brách, says this lass...

Body language

Ralph Fiennes


Os homens dizem muitas vezes que nós, mulheres, temos defeitos que contribuem para a eterna incompreensão entre os sexos. Entre eles encontram-se a infinita tagarelice, o raciocínio floreado e a capacidade de fazer balúrdios de coisas ao mesmo tempo, que eles não são capazes de acompanhar. Revejo-me pouco nestes ditos ( excepção moderadamente feita ao último, mas não me considero das mais dotadas na matéria: consigo fazer duas a três coisas em simultâneo, mais  do que isso põe-me a cabeça à roda).
Apesar da minha imaginação e da atenção ao detalhe o meu pensamento é objectivo - pelo menos, procuro que seja. Dizem que sou naturalmente expressiva (é genético) mas gosto de dizer as coisas claras e sucintas e se possível, de falar só uma vez. Aprecio uma boa conversa, mas com limites e conteúdo.  Não perco um ror de horas com voltas, tricas e pormenores insignificantes - nem em lojas, nem noutras coisas. Retiro apenas a informação que é útil. Valorizo o silêncio. Numa discussão, não tenho paciência para ir buscar os crimes cometidos em mil novecentos e bolinha, muito menos para dissecar o assunto ad nauseam - se está resolvido, siga a Marinha que tempo é dinheiro.
E (apesar de nunca ter ouvido queixas nesse sentido) sou incapaz de lamechices. Frases inspiradas, sou capaz de as dizer num momento mais emotivo - mas ser dengosa, melosa ou aproximar-me fisicamente de forma pouco natural não é comigo. Ou seja, não preencho o estereótipo reservado ao meu género. 
 Apesar disso - e porque uma mulher, por poucos frenesis que tenha, precisa de uma rocha para  se apoiar - uma das coisas que mais aprecio no sexo oposto é a estabilidade, a atitude tranquila. Um homem pragmático e sereno é sempre digno da minha admiração. Embora o sentido de humor seja importante (gosto de um bom dito espirituoso, e acho graça a caretas) há que ter sprezzatura. Ou seja, saber ser agradável. O cinismo descarado, exagerado, provoca erosão e desconforto. É cansativo, enervante, quando uma pessoa não distingue as horas de brincar dos momentos sérios, ou daqueles em que o silêncio vale ouro. Quando não percebe que servir-se de "bengalas" (fazer pouco deste, daquele, daqueloutro, dizer mal de fulana, de beltrano, mexericar no telemóvel, ligar o Ipad, interromper-se, ir buscar isto e aquilo) não parar quieto na cadeira, não conversar sem artifícios, torna qualquer reunião inquietante e estéril. Por muito especial que seja a embalagem e o conteúdo, é preciso saber comunicá-los com eficácia - puro marketing pessoal. É preferível uma timidez óbvia a saltitar que nem pipocas no microondas. Se alguém tem direito a fanicos e chiliques ainda somos nós. A um cavalheiro, se não se puder exigir decisão e clareza, pede-se ao menos a calma, a graça indolente de uma postura felina, varonil, desempenada: ombros relaxados, aspecto pensativo, ponderação. "Eu só gosto de gente concentrada e com propósito" lá dizia a minha avózinha, com carradas de razão...