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Monday, March 4, 2019

As coisas que eu ouço: não, c´os diabos!!! (Baby post #1)



Tal como partilhei convosco via Facebook, não tenciono dedicar muitos textos ao meu estado de graça. Estou nas núvens, claro - se puser de parte os enjoos contínuos, a exaustão e outros "extras" que fazem parte da encomenda - mas já se sabe que as futuras mães todas acabam por debitar as mesmas ideias, mais vírgula menos vírgula e que isto tudo só é grande novidade (e uma coisa do outro mundo) para a própria interessada.  

E como também vos disse... até ver, graças aos céus, estar de esperanças não me transformou numa taradinha canta-monos, adepta de horrores como "sessões fotográficas sexy para grávidas" e de baby showers, o que me fez comprovar que as hormonas são injustamente acusadas de muita coisa, quando a culpa assiste à falta de gosto, de decoro e de bom senso. 

Falaram-me num baby shower (com a maior boa vontade, assinale-se...) e benzi-me logo, disse que agradecia a intenção mas achava agoirenta a ideia, isto para não ser indelicada e acrescentar que é uma pinderiquice; e expliquei o mais delicadamente possível que quem desejar dar presentes poderá fazê-lo, se Deus quiser, quando o piqueno nascer e/ou for baptizado, como os nossos antepassados Católicos sempre fizeram. Só me faltava mais essa!




Vou explicar melhor, para não se zangarem já comigo: o bem intencionado hábito americano do baby shower (ou "chá de bebé", como se convencionou dizer por terras de Vera Cruz e me soa sempre a bruxas malvadas que metem criancinhas no caldeirão) começou a popularizar-se nos anos 1950, época do baby boom, como forma de desmistificar a gravidez (na época victoriana e até antes já havia tradições semelhantes, mas a festa era sensatamente feita depois do nascimento, não só devido ao secretismo que rodeava a gestação mas também aos riscos que o parto envolvia). Regra geral, era 
 um evento modesto organizado pelas amigas da gestante, sendo uma forma de ajudar a futura mãe a compor o enxoval do primeiro filho, e apenas do primeiro- que já se sabe, é sempre uma despesa considerável. 

Claro que os americanos são uns bem dispostos e uns caturras sempre prontos a fazer festas por qualquer pretexto, por isso a brincadeira foi evoluindo para formatos cada vez mais elaborados e consumistas. E também é verdade que certas coisas que no Velho Continente, de cultura mais parcimoniosa e supersticiosa, soam de mau gosto, são mais desculpáveis nos expansivos e impulsivos (mas fofos)  americanos.


Baby Shower americano na década de 1960

 Porém, tal como sucedeu com os casórios e o fenómeno bridezilla, até por Terras do Tio Sam a coisa tem ganho contornos de tal maneira egocêntricos e gananciosos (de baby showers organizados pela própria futura mãe para "pescar presentes" a listas de exigências, há casos escandalosos) e uma estética tão aberrante que nenhuma pessoa de bom gosto se lembrará de copiar tais ideias.


Para piorar um pouco, a figura do baby shower popularizou-se na Europa muito à conta de reality shows como o programa das Kardashians e afins, o que já diz tudo. As primeiras pessoas que vi a adoptar a ideia eram precisamente...enfim, mulherio de gosto e perfil duvidoso.

 Mas mais importante, além de ser uma maneira mais ou menos descarada de pedinchar presentes, fazer um baby shower é deitar foguetes antes da festa, o que nunca é alvissareiro por muito que a ciência evolua- até a criancinha estar cá fora sã e escorreita nunca se sabe, lagarto, lagarto, bate na madeira, cruzes canhoto

As minhas avós haviam de persignar-se ante tal irreverência, mas não estou sozinha nisto: em Inglaterra muita gente mais old school considera o conceito de baby shower azarento, inapropriado e deselegante. 

Por estes dias a ex-actriz de TV Cabo que casou com o Príncipe Harry deixou muito boa gente desagradada ao organizar um baby shower ultra extravagante e caríssimo em Nova Iorque, algo normal entre novos ricos mas altamente mal visto em círculos tradicionais (quanto mais na Família Real Britânica) onde a ostentação é desprezada e há toda uma aura de superstição que rodeia o nascimento de uma criança. 

Na semana passada conversava com uma amiga irlandesa que era da mesma opinião: os irlandeses conseguem ser mais dados a crendices que italianos, brasileiros, ingleses e portugueses todos juntos; e por tradição nem o berço era trazido para casa antes de o bebé vir ao mundo são e salvo. Agora, com esta americanice, não só as avós se afligem, como as pessoas se sentem na obrigação de dar lembranças três vezes: no baby shower, na primeira visita ao bebé e no baptizado!

Por tudo isso, obrigada mas não obrigada...e acho aconselhável que quem quiser adoptar o hábito para mimar uma amiga o faça discretamente, com certa modéstia elegante, depois do nascimento do bebé -principalmente se não vai haver baptizado, pelo menos nos próximos tempos. Não constranger os outros nem criar obrigações escusadas é uma delicadeza que cai bem em toda a parte.


mmmm...não, obrigada, com mil diabos!!!

Mas há mais; parece que nenhuma futura mãe hoje em dia escapa ao assunto dos tenebrosos "books de gestante"(Credo!) mesmo quando foge deles como o demo da Cruz.



Ora, há umas semanas estava previsto nevar em Londres e fiquei com esperança de que houvesse um nevão como no Inverno passado, quando tudo aqui à volta ficou coberto de um espesso manto branco e tive a oportunidade de tirar boas fotografias. 

Como tem estado sempre chuva e vento e não tem havido boa luz, até agora ainda tirei poucos "retratos de mamã para mais tarde recordar" (lá por não gostar de "books de gestantes" não quer dizer que não queira guardar alguns instantâneos bonitos e espontâneos, como sempre se fez desde que as famílias passaram a ter acesso a máquinas fotográficas). 

E lá pensei "boa, se nevar podemos conseguir algumas imagens bonitas" tendo em mente, claro está, algo natural, fofinho e normal como o exemplo no topo do texto. Comentei o assunto com umas conhecidas e eis que uma, que casou bem e teve convívios bastante civilizados na melhor sociedade (logo ganhou obrigação para não dizer tais disparates) se sai com esta:

"Que máximo! Se nevar podes tirar fotografias de bikini!!!".

(Tipo, assim:)



(ou assim!)



Podem imaginar as reacções que me passaram pela cabeça (rir-me à gargalhada na cara dela ou oferecer-lhe uma tareia, por exemplo!) mas fiquei-me por um "estás doida, rapariga, para que é que eu havia de querer retratos nesses preparos?  Então e o frio?" e ela, com o ar mais sério deste mundo: "punhas um casaco de peles por cima! Não queres mostrar que és uma grávida em boa forma e lembrar-te disso mais tarde?".

Sim, que isso do casaco havia de valer de muito...nem sei o que é pior em tal ideia: se o ridículo, se a galdeirice e sem vergonhice, se o disparatado de andar de bikini no meio da neve em qualquer circunstância, se o propósito não só de tirar tais fotografias mas de partilhá-las com o mundo (como se o meu marido alguma vez desse Amens a tal coisa, ainda que eu fosse desmiolada a esse ponto), se o facto de o frio ser arriscadíssimo não só para uma gestante mas para o pobre inocente que não fez mal nenhum.

 Anda o Serviço Nacional de Saúde a gastar meios em vacinas da gripe da tosse e da convulsa obrigatórias para grávidas (as duas já cá cantam, não vá o diabo tecê-las, e até reagi bastante mal a uma delas) porque É INVERNO E ESTÁ FRIO, mas vamos lá descascar-nos em bikini fora de época para passar vergonhaças e pneumonias. 

Como alguém disse recentemente - e com carradas de razão- numa conhecida página facebookiana cá do burgo, " quando as mulheres tiram a roupa por outro motivo são taxadas de galdérias mas se estão grávidas já tudo diz que é lindo?". Go figure.

Monday, February 4, 2019

Gilette e a "masculinidade tóxica"


A Gilette, querendo alinhar pela bitola parcial da misandria, dos exageros feminazis, dos extremismos do #metoo e em suma, do ataque global à virilidade, acaba de dar um tiro no pé (ou de entrar em modo "falem mal, mas falem de mim" ) com o seu novo anúncio todo condescendente e paternalista  (criado por uma publicitária feminista-extremista e super chata, nem mais) que deixou os homens indignados e as mulheres femininas pouco agradadas.

Não me vou alongar a descrever o spot lamechas porque já todo o mundo falou dele, mas deixo-o aqui se ainda não viram:




É no que dá ir nas modinhas do politicamente correcto, sem ver se nos servem. Quanto mais não seja, porque não soa lá muito inteligente, nem muito sincero, ofender o público alvo e ao mesmo tempo engraxar as mulheres (quando a marca vira casacas até se fartou de objectificar o mulherio enquanto isso dava jeito e  ainda por cima, vende as lâminas femininas muitíssimo mais caras que as de homem- ora tomem lá a hipocrisia da coisa) .


Hipocrisia much, meninos?

Afinal, como disse o jornalista Piers Morgan aqui em Londres e com razão (nem sempre concordo com o senhor nem com as suas amizades, mas às vezes fala verdades quando solta o verbo) não cai bem partir do princípio que os homens tipicamente masculinos são uns homens das cavernas, violadores e bullies em potência.

Vejamos uma coisa: a mensagem do anúncio nem seria totalmente negativa, se não fosse vir  no momento mais oportunista possível e o que é pior, embrulhada em cassete feminazi-marxista e tendenciosa. Usar o próprio (e super politizado) termo de nicho "masculinidade tóxica" estigmatiza imediatamente tudo, por mais que tentem dar um ar mainstream ao desastre.





Paradoxal é que aquilo que o spot defende-  os homens agirem com nobreza, tratarem as mulheres como gostariam que tratassem as mães e as irmãs deles, controlarem os impulsos animalescos que assistem a todos, não serem cobardes com os mais fracos e/ou sairem em defesa dos oprimidos- são princípios elementares de uma coisa que as feministas odeiam, chamada **cavalheirismo**.

Aliás, estas são atitudes elementares de outros palavrões que elas detestam mais ainda, como virilidade e hombridade. Afinal, as maneiras fazem o homem




Vou continuar, só para arreliar ainda mais as hárpias chatas como a potassa com a mania que são espertas e boazinhas: tudo isso (basicamente, não ser um boçal e um rústico) vem nos códigos de vetustas tradições/instituições do PATRIARCADO, esse papão... e.g. a Cavalaria e a Santa Madre Igreja. KABOOM, já estou a imaginar as esganiçadas a dar um estouro como uma castanha!


S. José Maria Escrivá (fundador da Opus Dei, nem mais...) escreveu páginas e páginas sobre o assunto, exortando o macharedo a "Esto Vir" (Sê homem!").

E digo-o pela enésima vez: ser masculino, viril, assertivo e macho alfa não implica ser um selvagem, um labrego; assim como ser cavalheiro, bom rapaz, enfim, ter honra, ser gentil, nobre e civilizado não tem de significar ser passivo, macho beta, efeminado e um banana- antes pelo contrário, como vimos alguns exemplos neste post.




 Porém, devagar com o andor: se o estribilho "boys will be boys" não desculpa tudo, a verdade é que agir como um rapaz faz parte da arte de ser homem.

 Se um filho meu não quiser andar à pancada na lama, nem fazer tropelias ao ar livre, nem ter brincadeiras brutas (sabendo os seus limites, obviamente) em suma, se não tiver atitudes de rapaz que eu e o pai dele precisemos de limar; se for, enfim, um Eusebiozinho da vida, chorão, enfiadito e queixinhas, sempre metido pelos cantos e a lamuriar-se de que os outros meninos o tratam mal sem que ele dê troco, ficarei seriamente preocupada. Provavelmente mando-o para o melhor professor de krav maga que conseguir arranjar, isto se o Colégio Militar não der conta do recado.






Depois,  tirar às mulheres e aos homens com pouca espinha dorsal toda a responsabilidade sobre os seus destinos e culpar os homens "brutamontes" de tudo, é no mínimo ridículo. Para cada "conquistador das dúzias" que se porta mal e usa as mulheres como chicletes, há as dúzias de mulheres sem dignidade nem amor próprio que se lhe ofereceram de bandeja, que se juntaram ao seu rol de conquistas sabendo o que ali estava e depois se queixam que o gabiru nunca mais lhes telefonou.




Cada xoninhas que se queixa dos outros homens, ou de que as mulheres só gostam dos marialvas, é um garoto que precisa de investir em si próprio e sim, de se "fazer homem", de "man up", de enfrentar quem (ou o que), o intimida em vez de deitar aos homens que teme/inveja, e às mulheres que lhe dão negas, a culpa dos seus desaires. Não há nada mais feio do que a falta de auto-responsabilidade.

As únicas pessoas que acham que a masculinidade, em si mesma, é "tóxica" são os homens medricas a quem falta testosterona e  as mulheres frustradas que foram rejeitadas (ou usadas e deitadas fora) pelos tais homens alfa que costumavam ser representados pelos modelos cinzelados e másculos dos anúncios da Gilette. Tipo este:



O ressabiamento, esse sim é tóxico...

Como disse a autora e radialista Allie Beth Suckley, "se a masculinidade fosse tóxica, os jovens criados sem pai seriam presumivelmente melhores do que aqueles que o têm. Mas não: tendem a ser mais agressivos, deprimidos e com tendência para o crime. A sociedade precisa de mais masculinidade, não de menos". Negar as verdades biológicas e assumir que a energia masculina não precisa de ser orientada por mãos masculinas para ser aproveitada da melhor maneira é um erro crasso.
Muito mais haveria para comentar sobre o assunto (nomeadamente, falando dos bons frutos da masculinidade devidamente canalizada, como bons maridos, bons pais, bombeiros, polícias e soldados que se sacrificam para nos proteger a todos, etc) mas da maneira como o mundo anda, decerto haverá ocasião para tal noutros posts. Fico-me por reproduzir o que li por aí, e que resume tudo:

"O problema não é a masculinidade tóxica. O problema é a falta de masculinidade." (ou de verdadeira masculinidade, vá...).

Thursday, January 24, 2019

Mulheres, não sejam uma "Jenifer" (as Jennifers que me desculpem).




Por malhas que os feeds de notícias tecem (eu que de música brasileira só conheço praticamente samba, bossa nova mais um ou outro hit que ande para aí nas bocas de toda a gente, e que fujo de funks e coisas assustadoras dessas como o demo da Cruz) fiquei a saber que há uma cantiga orelhuda que anda a dar com todas as raparigas chamadas Jennifer em doidas lá por terras de Vera Cruz, tal como a "Mila" e a "Ana Júlia" atormentaram as homónimas em tempos idos.

Dizem que O nome dela é Jenifer (sic) vai ser o grande sucesso deste Carnaval. E a fazer fé no que costuma acontecer, não tardará até a praga se instalar por cá -  pelo menos nos antros mais underground onde se fazem bailes funk a par com festas da kizomba, twerk e latinadas ou tudo junto desde que dê para roçar fivelas e rebolar o derrièrre até ao chão (lagarto, lagarto). Fica a obra prima, se ainda não ouviram:




Fiquei curiosa e fui ver do que se tratava, descobrindo rapidamente a romântica (not) história deste sucesso. Então reparem: os autores da música/letra estavam reunidos num bar ou coisa que o valha, trabalhando em busca de um novo êxito para vender, quando uma rapariga "bastante feiinha" (palavras deles) apareceu e se abraçou a um dos rapazes, toda atiradiça e desejosa de demonstrar o seu interesse no moço.

 Mal ela virou costas, os outros começaram a troçar de tão fraca conquista: "é sua namoradinha, é?". E o galã, envergonhado de ser visto em flagrante delito com um dos seus entreténs "à falta de melhor" (já se sabe que a maior parte dos homens não é exigente quando se trata de diversão fácil e gratuita) rosnou com desprezo: "qual quê! Não, ela é do Tinder".

Os outros acharam genial e decidiram que tinham de escrever uma canção com uma história semelhante... e que incluísse o Tinder na letra.

Atenção, não estou a criticar o Tinder per se: apesar de o achar uma engenhoca assustadora por causa de revelar em tempo real a localização dos utilizadores, o tempo tem vindo a provar que nem só de engates sórdidos vive a aplicação. Tem havido muitas histórias de amor e até casamentos made in Tinder, o que prova que nesta vida tudo pode ser usado para o bem ou para o mal. Mas já se sabe que a maioria...é o que se sabe. E a tal Jennifer representa a maioria desses relacionamentos casuais pouco edificantes.




A letra é básica, como costumam ser estas letras, e depois lá lhe arranjaram um videoclip para ilustrar a fábula: o D.Juan da história saiu de um relacionamento sério com uma rapariga giraça (dentro do estilo tatuagens reles e vestidinho de poliéster, mas vá). E dali a pouco a ex, vendo-o andar numa vida airada de mulheres fáceis e vinho verde, vem toda ressabiada pedir-lhe satisfações sobre a nova "amiga" dele, ao que o mariola responde que não lhe deve explicações, mas já agora....


O nome dela é Jenifer
Eu encontrei ela no Tinder
Não é minha namorada
Mas poderia ser


O nome dela é Jenifer
Eu encontrei ela no Tinder
Mas ela faz umas paradas
Que eu não faço com você

OK, a atitude da ex nem vem ao caso agora: foquemo-nos na Jenifer (só com um "n") que pelos vistos, anda a investir muito do seu rico tempo com um rapaz que se diverte à brava com ela mas que se apressa a pô-la no seu devido lugar, esclarecendo imediatamente que ela não é sua namorada. E caso restem dúvidas, ele acrescenta logo que a boa da Jenifer (apesar de não ter o título nem os privilégios de um relacionamento, nem qualquer garantia de exclusividade ou de amor) se presta a tudo e faz vontades que a ex não fazia só para lhe agradar. Grande recompensa, hein Jenifer? Bem jogado!



Questionados sobre o que é que a Jenifer fará exactamente que a outra não estava pelos ajustes, os autores disseram que fica à imaginação de cada um- e que tanto se pode tratar de acrobacias de alcova como, simplesmente, de a Jenifer ser uma rapariga alegre, positiva, sempre pronta a acompanhá-lo aqui e ali sem esquisitices, birras, caprichos nem nariz torcido. Porém, andem a Jenifer e o D.Juan na malandrice ou muito inocentemente a jogar à bisca ou a rezar o terço, o que conta aqui é que a moça anda a dedicar-se, a troco de nada, a um homem que não a acha diga de um relacionamento sério, a ver se cola, em modo "amiga colorida com esperanças", mulher da luta ou simplesmente burrinha-parvinha. E já sabemos como isso acaba...

Algumas feministas (tinha de ser) vieram mesmo problematizar a coisa, apontando o facto de terem escolhido uma modelo e actriz plus size para fazer de Jeninha-sem-compromisso e dizendo que isso vem reforçar o estereótipo de as raparigas gordinhas (ou que não correspondem por algum motivo ao padrão de beleza) serem mais atiradiças, desinibidas, disponíveis ou "fáceis" para compensar e chamar a atenção dos rapazes, rebaixando-se a ver se assentam (ou até, se "caçam" um galã de capa de revista, que à partida estará fora do seu alcance pelo menos no que ao compromisso sério diz respeito, só para provar alguma coisa às amigas). 

A verdade é que muitas "plain Janes" realmente procedem assim (o que raramente tem um final feliz), já que a falta de auto estima nunca é boa conselheira... e que as mulheres consideradas mais atraentes costumam ver-se rodeadas de mais pretendentes por onde escolher, tendo - estatisticamente falando -menos tendência a cair em tais enredos. 

Porém, como no final das contas o que vale é o conjunto e * mais importante *, como isto vai tudo da cabecinha que se tem, do sentido de dignidade feminina, da verguenza na cara e da educação que se levou em casa, há por aí muita rapariga de aspecto banal que se sai lindamente e outras, bem mais bonitas e/ou vistosas, que se prestam a ser Jenifers da vida para os sultanetes de serviço.

Se a Jenifer não fosse Jenifer e mulher da luta, e burrinha- parvinha, e "amiguinha", e desesperada, ao ouvir o refrão saía mas era porta fora, bloqueava o espertalhão no Tinder (acho que o Tinder dá para bloquear pessoas) mandava-o à ex que o aturasse e ia em busca de alguém que estivesse realmente interessado, caidinho por ela, pelo seu sorriso, pela sua atitude positiva, etc, mortinho por a apresentar a toda a gente como "o nome dela é Jenifer, ela é minha namorada". Mas a Jenifer é Jenifer, e como ela há muitas a ganhar má fama, a desvalorizar-se e a dar má fama ao resto do mulherio, desvalorizando o belo sexo a cada par de patins. É triste, não acham?

Thursday, January 17, 2019

A saga dos farnéis ("pega na lancheira e vai levar o almoço ao pai", lá dizia a outra).

John Montagu, 4º Conde de Sandwich


O farnel para crianças e adultos (e tudo o que envolve arranjá-lo) é quase uma instituição na cultura anglo saxónica- e especialmente acarinhada no Reino Unido, onde a tradição do pic nic continua viva e de boa saúde.


Piquenique nas corridas de Ascot


Ao contrário dos portugueses [que embora se vão aos  poucos (re) acostumando a trazer almoço de casa ou comprar qualquer coisa no supermercado em vez de ir sempre a restaurantes, ainda são demasiado peneirentos para fazer da lancheira um hábito] os britânicos não se acanham de comer as suas sandwich onde quer que seja. 

Ou não fosse esta a pátria da sanduíche, invenção atribuída a John Montagu, 4º Conde de Sandwich, nobre senhor que nasceu aqui bem perto de mim em Chiswick e que, não querendo interromper os seus jogos de cartas, mandaria pôr carnes frias dentro de um pão!



 Passem junto ao Selfridges perto da hora de almoço e verão muito executivo de fatinho italiano (ou melhor, Savile Row) descontraidamente sentado num parque ou num vão de escada, mofando a sua marmita enquanto goza o ar fresco com o maior à vontade. Se estava bom para o Senhor Conde de Sandwich está bom para eles, digo eu.
 Por aqui na velha Britannia há (felizmente, mas já lá chego) toda uma indústria paralela dedicada à  preparação da lancheira. Supermercados, bazares, tabacarias e até farmácias vendem tudo o que é necessário para facilitar a vida às mães e esposas (ou pais e maridos a quem também calha a fava na época da igualdade) que enfrentam diariamente esse trabalhinho de Hércules.


Executivos gozando a paparoca e o sol em Hyde Park

  De tupperwares descartáveis (porque ninguém quer, garanto-vos, chegar ao fim do dia e abrir uma lancheira com caixas cheias de restos de molho malcheiroso e peganhento e bananas esmagadas, blhec) e zipper bags a miniaturas de queijos ou pacotes mini de batatas fritas, nachos, barritas de proteínas, bolachas de aveia ou pipocas e outros snacks (com ou sem glúten, com ou sem sal, a escolha é infinita e envolve toda a espécie de modernices saudáveis, como vagens de ervilha secas e temperadas) passando por tacinhas invioláveis com ovos cozidos (cozê-los não custa, mas embrulhá-los de modo que não se esborrachem é um horror) ou snacks de sushi.... a variedade é infinita.




Resumindo, todas as manhãs há, por este país fora, milhares de estantes a serem reabastecidas e arrumadas meticulosamente unicamente a pensar na inevitabilidade do farnel. Tenho para mim que se quem produz miniaturas disto e daquilo e saladas ou sanduiches embaladas fizesse greve por uns dias, tínhamos uma revolução à francesa ou uma revolta dos coletes em terras de Sua Majestade.

A palavra "farnel" pode ser um bocado rústica, pitoresca e antiquada nesta era das paparocas gourmet e lancheiras bonitinhas para Pinterest ver (embora "farnel" evoque imagens apetitosas de cestas a abarrotar de queijo, broa, azeitonas e outras coisas boas depois de um passeio no campo). Porém,  não me ocorre chamar-lhe outra coisa. Primeiro, porque "almoços/lanches empacotados" é uma tradução um bocado redutora para a subtil, extenuante e rotineira (mas nunca repetitiva) arte de "packing a lunch".




 Segundo, porque embora eu seja um ás da cozinha (modéstia à parte) e fique horrorizada só de pensar nos assomos das feministas que se recusam a fazer sanduiches e até empunham cartazes a dizer isso, às vezes fico tão farta de planear, fazer e empacotar almoços e lanchinhos que lhe chamo farnel por mera delicadeza, para não insultar a coisa de "bucha" - palavra rude que a boa gente da lavoura empregava mas que até já ouvi dizer numa roda de fidalgos em festa de cerimónia para designar, com toda a ausência de dita cuja e o maior desrespeito e impaciência, os canapés gourmet emproados e finórios que teimavam em não chegar. Foi um episódio muito libertador, mas ainda não consigo chamar "bucha" ao farnel porque me lembra uma criada que conheci e que cozinhava lindamente mas tinha o vício de roubar coisas parvas, como panelas. Adiante.



Pessoalmente, ao fim de quase dois anos a embalar dois farnéis - um para o senhor meu marido e outro para mim-  cansei-me de andar com a minha comida atrás e achei mais prático passar na farmácia Boots ou coisa que o valha e comprar conforme me apeteça. Não me compensa a maçada nem o carrego. Mas ele, ai que não tem tempo para parar, e que lhe sabe mil vezes melhor o que a sua esposinha lhe arranja... e já agora se forem sanduiches, wraps ou saladas preparadas pela dita esposinha amantíssima e não compradas feitas, melhor. 

Haja paciência e amor aos magotes! 

É sabido que os cavalheiros, por norma, evitam a maçada de comprar comida se puderem: quando o meu irmão viveu em Trás-os -Montes preferia carregar o carro com mercearia (da despensa lá de casa)  e tupperwares com comidinha da mamã para congelar todos os fins de semana, só para não se deslocar ao supermercado nem à padaria (que ficavam a dois passos). Go figure. Porém, sejamos justos: não me admira que os homens arranjem desculpas e que as feminazis, essas preguiçosas, protestem que não lhes apetece fazer sanduiches nem embrulhar farnéis. É que realmente fazê-lo deixa de ser divertido quando se torna uma obrigação diária.



Para cada imagem bonitinha de packed lunches gourmet no Pinterest,  há todo um manancial de textos, por essa internet fora, cunhados pela pena de donas de casa desesperadas com as malvadas das buchas, farnéis, lancheiras e marmitas!

E convenhamos: depois de um dia cansativo (em que provavelmente já se passou várias vezes pelo trabalho mental de ensaiar o que comprar e arranjar para pôr na lancheira) ou de manhã, ainda estremunhada, a última coisa que apetece é estar de pé na cozinha a empacotar pasta carbonara, salada de frango com mel e mostarda, tostas à Elvis (bacon, manteiga de amendoim e geleia) sandochas de perdiz com queijo roulè e molho agridoce picante ou sushi feito em casa, fruta lavadinha e pronta a comer num zipper bag (se não comer fruta noutras horas, ao almoço e ao lanche não falha) e outros petiscos, mais os sumos, os snacks, os talheres descartáveis, guardanapos e por aí fora, tudo devidamente selado com papel de alumínio, película aderente, elásticos, etc.




Isto se tudo correr pelo melhor e se não acontecerem incidentes deprimentes como o presunto (o raio do presunto que aqui só vem cortado fininho, fininho, separado por delicadas lâminas de plástico)  colar-se inevitavelmente aos dedos. Depois uma pessoa vai a sacudir a mão e zás, lá entorna um frasco de pickles pela banca fora. Ou, ao tirar do frigorífico uma caixa de queijinhos fundidos daqueles da Vaca que Ri, a caixa dar um piparote inexplicável pelo ar e estatelar-se, acabando uma pessoa, cheia de pressa, a fazer puzzle de queijinhos para a conseguir fechar outra vez, com o desenho do bicho virado para nós a fazer troça. É caso para chamar nomes, rogar pragas e desatar aos pontapés aos tachos. Parece coisa pouca, mas valha-nos Santo Ambrósio na forma do paciente mordomo Ambrósio do Ferrero Rocher.


Lancheira da lendária casa de mercearias finas Fortnum & Mason, fornecedora da Coroa


 Complicado também é encontrar lancheiras de lona do tamanho certo: quando as acho, encomendo várias porque duram pouco e as que se vendem por aí costumam ser bastante acanhadas para caber todo o pic nic, bebidas incluídas. As da Fortnum & Mason (acima) têm o tamanho quase perfeito, embora as latas e garrafinhas fiquem um bocadinho apertadas.

Em suma, este é um óptimo treino de pachorra e destreza para quem ainda não tem filhos (e convém mesmo que se treine, porque com criancinhas mais complicado se torna o processo: toda a vida recordei com carinho e nostalgia os lautos almoços que a  senhora mãe me preparava, apenas para descobrir - precisamente quando há meses me queixei do bruxedo que é tratar disso - que ela se descabelava com as marmitas e que nem sabe onde arranjo tanta paciência. Lá se foi a minha infância idílica).

Por fim, nem comecemos com as sugestões "deles", ou a ausência das ditas:



Passa uma mulher a vida a fugir de pretendentes indecisos como o diabo da Cruz, apenas para casar com um todo decidido e sem meias tintas... que depois de dado o nó responde invariavelmente "tanto me faz...eu gosto de tudo" ou "o que a minha adorada decidir está bem" (com galanteios é que nos enganam) quando lhe perguntamos o que quer levar para o almoço!


Nada disto me faz descrer das alegrias do lar, reparem; mas que se pense "hurra, nada de arranjar lancheiras" assim que entramos de férias, diz muito de quão divertido é isto. Se tiver filhos que reclamem do que lhes arranjo, estão bem arranjados, passe o pleonasmo- passam a embrulhar o próprio almoço que é um mimo. Palavra de honra. Amanhem-se.

Thursday, January 10, 2019

Sobre as polémicas televisivas da semana...




... só tenho uma coisa a dizer: os portugueses dão demasiada importância à televisão.


Podem armar-se em muito progressivos, muito avant garde, na proa das novas tecnologias e super anti fascitoides (a modinha de ver fascistas até debaixo da cama nunca esteve de tão boa saúde) mas mantêm pela TV um fascínio tão bacoco como tinham no tempo do nacional - canconetismo, com dois canais a preto e branco e quase nenhuma informação alternativa.

Só isso explica a relevância dada a Cristina Ferreira, ao ordenado "escandaloso" e vida privada da criatura (assunto para outro post, mas nenhuma apresentadora valeria tanto se o investimento não compensasse largamente; e que uma Tininha da Malveira tenha público a esse ponto diz muito das prioridades lusas). Ou o ultraje por Manuel Luís Goucha, também ele apresentador de entretenimento e não jornalista, por muito bem preparado que digam que é, ter tido o mau gosto de convidar um vulgar criminoso para representar ideias conservadoras (quanto a mim, um favorzinho feito à Esquerda, de propósito ou não) num programa da manhã. 

Ou ainda a indignação por o Presidente da República, esquecendo por momentos que não está no papel de celebridade (atitude que anda infelizmente na moda entre Chefes e Estado e representantes de Casas Reais) ligar em directo à mesma Cristina Ferreira a 
dar-lhe os parabéns pelo seu novo formato (que diabo, gosto do Professor Marcelo em muitas coisas, mas podia passar sem esta: mandava-lhe uma mensagem no Whatsapp e poupava-se o chilique nacional!). 


Minha gente, tudo isto pode até não ser muito edificante, mas não passa de televisão generalista; e eu julgava que a TV generalista, e os disparates que nela se possam dizer, não tinha o poder de ressuscitar Salazares nem D. Sebastiões. E que não valia grande coisa numa época em que temos acesso a dúzias de canais, a engenhocas na tv cabo para seleccionar programas, ao Youtube, a jornais online de todo o mundo e de todas as cores políticas e correntes de pensamento, mais a tantas outras formas de escolher conteúdos on demand para nos mantermos entretidos e informados. 

Afinal, parece que não: os ordenadões de fulana ou beltrana são uma ameaça à justiça social; uma entrevista (por mais mal enquadrada que seja) a um skinhead caído de pára quedas é uma ameaça à democracia e um telefonema escusado e pateta, sim, mas sem consequência, de um ex-comentador televisivo e figura popular que se fez Presidente levanta mais indignação que o caso do colar de Maria Antonieta.

Pois é, parece que me enganei e que para a generalidade dos portugueses minimamente cultos, instruídos, politicamente conscientes e supostamente dotados de espírito crítico, a "caixinha mágica" continua a ser tão poderosa como no tempo da outra senhora.
 Ou que tem o mesmo glamour e influência para pessoas "estudadas" que tem para as velhotas que discutem a vida da Cristina Ferreira na fila do Centro de Saúde, para quem tudo o que "vai à televisão" é "lindo e tem muito valor".

A única diferença é que agora podem ir para as redes sociais desabafar uns com os outros sobre o assunto. Se vissem tanta televisão como eu, que só lhe mexo para escolher o que realmente quero que ocupe o meu tempo e a minha cabecinha, andariam menos nervosos. Ainda bem que o meu paizinho me incutiu um snobismo e um cepticismo danado em relação ao pequeno écrã, safa...

Saturday, December 29, 2018

Leitora detecta serigaitice a metro #1: Oh Margarida Rebelo Pinto, assim também é abuso.


Volta não volta, os seguidores cá do Imperatrix têma  gentileza de me enviar pérolas que vão encontrando (como eu digo sempre, para ter um blog não é preciso imaginação: basta andar atento) e desta feita, a nossa amiga Eva mandou-me esta divertida publicidade ao novo livrinho da menina Margarida Rebelo Pinto.

Ora, eu confesso que não conheço a obra da autora salvo por uma ou outra crónica sua publicada em revistas ou via social media

Folheei um ou dois dos seus livros em casa de uma amiga-de-uma-amiga a tender para o pindérico que tinha a colecção toda (sabem o estilo: suburbana,boa rapariga mas pretensiosita e basicazita,  primeira universitária da família e que adorava dizer que era muito "cosmopolita"- o convívio durou pouco tempo, claro). E foi tudo. 





Fiquei com a ideia que era um Sex and the City à portuguesa, levezinho e forçadito, escrito por uma senhora benzoca em fase de modernice, para as amigas (e para as que, como a minha conhecida, não sendo benzocas gostariam de o ser) e mais nada. Apenas achei piada à parte em que uma senhora de sociedade, tendo perdido tudo, se fazia à vida criando um estupendaço serviço de catering com as receitas da família. You go, mulher independente e batalhadora, que isto de fidalguia sem comedoria é como gaita que não assobia, toda a vida ouvi; e se há uma desculpa menos desprezível para se armar de um arsenal de tupperwares, é essa.

Porém- eu que espanco a cada oportunidade os Chagas Freitas e os Noites Luares da vida que dão combustível aos delírios sórdidos da mulherada carente e desesperada - nunca tive assim coragem de pôr Margarida Rebelo Pinto exactamente no mesmo saco. Sem ter lido quase nada dela, sempre me pareceu que, sem ser uma ingénua Barbara Cartland, era um bocadinho mais comedida, mais bem criada e que escrevia para um público alvo ligeiramente mais sofisticado (ou com pretensões a tal) que não se atrevia a ser, descaradamente, serigaito. 





É claro que a fronteira é muito ténue: às vezes pouca diferença há entre a serigaita assumida e genuína (manicura da esquina que dança kizombas calientes no clube "Fuego Sensual" lá do bairro com o Carlão) e a outra que foi um bocadinho à faculdade e até se formou na área da saúde ou do direito (as advogadas, enfermeiras e psicólogas sérias que me desculpem, mas por algum motivo vejo muita serigaitice nessas áreas) só que também se rebola seminua ao som do Despacito, faz tatuagens quase tão más e cita igualmente a pobre Clarice Lispector quando o último "amigo colorido" lhe dá com os pés. Uma talvez seja mais asneirenta do que a outra, menos culta e menos ambiciosa, talvez se vista (ou dispa) um nadinha de nada pior; mas por vezes  a coisa não varia muito: nem no berço, nem nos memes badalhocos que partilha nos facebooks e instagrams, nem nos dramas.

Ainda assim (que isto uma coisa é o público a que se chega e outra é o público a que se faz, de propósito, por chegar) não via Margarida Rebelo Pinto a descer, de livre vontade, ao patamar das "guerreiras" e das "migas"

O universo de M.R.P. era, parecia-me, mais o da Teresa que ligava à Clarinha, em lágrimas, porque o marido anda com uma pindérica e ai minha querida agora o que é que eu faço, e não tanto o da Sheila Priscila que no intervalo da Casa dos Segredos tecla furiosamente à Xana Marisa, quase partindo as garras de gel no processo, "ai miga, minha vaca, o cabr*o do Carlão engravidou a outra, logo agora que estava quase a assumir-me". ´Tão a ver a nuance, sei lá?




Eis que me enganei - ou que a editora, querendo aumentar as vendas a todo o custo, enfiou um "guerreira" na promoção do livruxo, assim como quem não quer a coisa, como se usar a palavra "guerreira" não fosse uma morte social nem nada. E já agora, porque não acrescentar "há uma guerreira em cada mulher LINDONA", jurar que o livro é "Top" e despedir-se das leitoras com "beijos de luz"? Hein? Perdida por um, perdida por mil!

Ora, cada uma sabe as linhas com que se cose; já se sabe que vender livros em Portugal, light ou não light,  é um bruxedo....e viver da escrita pior ainda. Tiro o meu chapéu à senhora pelo sucesso e pela pachorra olímpica de se dedicar a tal. 

Porém, como dizia um merceeiro muito sábio lá da minha terra e o povo tem sempre carradas de razão, certos fregueses mais vale perdê-los do que tê-los. Honra e proveito não cabem no mesmo saco e quando se trata de marcas, não convém deixar que se desvirtuem. Mal ou bem, se Margarida Rebelo Pinto não quer que a confundam com uma Gabi Pinto qualquer, convém que se sente com quem tem a cargo o marketing das suas obras e lhes lembre que nenhuma senhora que se preze, por mais escandalosa que possa ser a sua vida privada, consente em ser tratada em público por "guerreira"

É que é um atestado de baixaria imediato, uma daquelas coisinhas que fazem parte do dicionário oficial para classificar flausinas baratas, um carimbo de galdéria quase pior que um "tramp stamp" tatuado ao fundo das costas, está a ver?

 Ou se calhar eu estou equivocada e o palavrão não foi usado à socapa nas costas da autora, nem deixado passar por ingenuidade; às tantas Margarida Rebelo Pinto, seja por necessidade de chegar a mais gente, seja num assomo caridoso de fazer das serigaitas assumidas serigaitas ligeiramente mais polidas, decidiu falar numa linguagem que elas apreciem. Risky move, mas sei lá eu...


Tuesday, December 11, 2018

Quatro truques naturais que a vossa pele vai adorar





Embora eu sempre me tenha interessado por cuidados de pele naturais, a verdade é que recorro a muito poucos- às vezes por preguiça, outras porque para ser franca, os benefícios não compensam a sujeira e já há no mercado substitutos mais práticos e com resultados tão bons ou melhores. 
 No que respeita às rotinas de beleza, tenho apenas uma regra: cingir-me ao que é insubstituível, seja barato ou caro, natural ou industrial. Se um cosmético tem um efeito que mais nenhum consegue dar, vale a  pena investir nele. E como sabem, apenas partilho o que acho mesmo revolucionário, por isso deixo aqui quatro que fazem parte do meu "arsenal":


1- Usar soro fisiológico - antes, ou como substituto do tónico




Este descobri no Verão passado e nunca mais quis outra coisa,  até porque sou picuinhas com os tónicos: uso-o depois de limpar ou lavar o rosto. Ajuda a conseguir uma limpeza mais profunda e deixa a pele fresca e mimosa. Fecha os poros, matifica, ajuda a desinchar olheiras, acalma a pele reactiva, revigora e permite fixar a maquilhagem por mais tempo. Gosto de salpicar o rosto com ele, deixar agir por uns segundos e tirar o excesso com um lencinho, antes de aplicar o tónico (opcional) e o sérum (vamos falar dos séruns um dia destes).

2- Fazer do Leite de Magnésia primer




Outro truque cósmico e fenomenal que andava a ser muito badalado na internet e que funcionou às mil maravilhas comigo. É estupendo no Verão, para dar aquele "bom ar" fresco e lavadinho de quem não transpira nem tem a maquilhagem derretida! Aplica-se um bocadinho na Zona T depois do creme hidratante. Deixa a pele esbranquiçada, mas desaparece lindamente quando se aplica a maquilhagem, além de impedir que os poros fiquem entupidos. Também há quem o aplique antes do desodorizante, para prolongar o efeito acabado de sair do banho.

3- Máscara de clara de ovo e mel: efeito botox e photoshop



Esta é um bocadinho aborrecida de fazer e escorre imenso, por isso aconselho que a apliquem antes de lavarem o cabelo no duche - e que a evitem se acabaram de arranjar o dito cujo, para não andarem por aí a cheirar a massa de bolo estragada (blhec). Basta misturar uma clara de ovo, mais duas colheres de sopa de mel e aplicar sobre a pele limpa (depois de um peeling ou exfoliação, então é óptimo!) deixando estar até sentirem que começa a repuxar. Tira-se com água morna (e depois, um bom banho de água e sabão, pelas alminhas!).  Já experimentei imensas máscaras profissionais, algumas das marcas mais sofisticadas, e juro que nenhuma dá um resultado parecido. Hidrata em profundidade, nutre, fecha os poros, deixa a pele fresca, preenchida e "esticadinha", ilumina... enfim, parece que andou ali um airbrush valente. Recomendo quese faça duas vezes por mês, mas quem se puder dar à maçada semanalmente verá resultados melhores ainda.


4- Exfoliante/peeling de limão e açúcar




Um truque da minha avozinha, para quem uma pele branca, fina, luminosa e sem imperfeições era meio caminho andado para o sucesso. Apesar de por motivos práticos recorrer muitas vezes aos exfoliantes de drogaria e aos peelings de ácido suave para uso caseiro de perfumaria ou de farmácia , esta receita tem o melhor dos dois mundos: uma exfoliação à séria (sem grãozinhos só para inglês ver que não fazem efeito nenhum) e a luminosidade de um peeling ácido carregadinho de Vitamina C. Também é muito bom para as manchas e acne ou pele cansada, além de ter um sabor delicioso!
 Faz-se uma papa espessa com sumo e açúcar e aplica-se na pele húmida, acabada de limpar. Massaja-se com movimentos circulares, insistindo nas zonas em que o grão da pele precisa de ser afinado, e deixa-se secar até ficar sólido. Retira-se com água morna, seguindo-se um hidratante neutro e um bom protector solar. A pele fica renovada e parece que nos saiu o mundo de cima!


Happy pampering!


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