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Monday, August 22, 2016

As "Cherie Blair" da vida.




Há dias, a propósito deste livro engraçadíssimo que tive a sorte de encontrar, lembrei-me da desgraça ambulante que era a ex "Primeira Dama" do Reino Unido, mulher de Tony Blair. Apesar de ser uma advogada de gabarito, com uma carreira de sucesso, bem casada, mãe de vários filhos e tida como uma mulher inteligente, uma intelectual...Cherie não demonstrou grande sabedoria nem senso comum.

Não prestou nenhum favor ao pobre do marido enquanto ele ocupou o cargo de Primeiro-Ministro (cargo com algumas situações bastante espinhosas a enfrentar, começando pela gestão da crise mediática que se seguiu à morte de Diana de Gales) e fez de si própria constante alvo de chacota.




Sem querer agora dar uma biografia detalhada da senhora nem entrar em detalhes sobre a sua "panelinha" com Hillary Clinton que tem andado nas bocas do povo (é caso para dizer: olha que duas se juntaram!), recorde-se: no seu dia a seguir às eleições (1997), Mrs. Blair cometeu a imprudência de vir à porta pela manhã, recolher um ramo de flores (convenientemente encomendado por um paparazzo) em chinelas, com uma camisa de dormir nada sedutora e toda descabelada. Foi um pratinho para os tablóides, que se deliciaram com a sua ausência de noção, realçada por  respostas do tipo "sabia lá eu!"...como se não se conhecesse o que é a imprensa inglesa! Mas até isto poderia ter sido usado a seu favor - o público adora uma ingénua - se a fiada de disparates, ora deliberados ora por pura falta de jeito, não se seguisse em catadupa.



Socialista e republicana ferrenha, recusou-se a usar saias e a fazer a "curtsey" (graciosa reverência tradicional) a Sua Majestade, como seria esperado dela. Era como se essa pequena cedência, esse elementar profissionalismo, o pedacinho de humildade e de conhecer o seu papel que é apanágio dos grandes, a matasse.

Isabel II , Rainha dos pés a cabeça como sempre, troçava dela com infinita condescendência: "os joelhos parecem endurecer-se-lhe assim que me vê", comentava jocosamente.


 Depois Mrs. Blair parecia fazer questão de usar exactamente o que a desfavorecia: a não ser que o dress code não deixasse qualquer lugar à imaginação, era uma tragédia pegada. De vestidos linha A ou de malha que só chamavam a atenção para as ancas largas e para os braços gorduchos a trajes casuais e preparos tão relaxados que roçavam o desmazelo, passando pelas cores menos lisonjeiras para si, Cherie nao acertava uma e  dir-se-ia que se comprazia com a sua "rebeldia" rematada por constantes trejeitos, gestos desabridos e caretas, o que levou a que a imprensa fizesse cruelmente troça da sua "bocarra de caixa de correio". E com isso algum trabalho meritório que realizava, nomeadamente de caridade, acabava por passar despercebido...



Mas o que há mais é "Cherie Blairs" por ai:  mulheres que acham que não precisam de se reger pelo mais elementar bom senso; que julgam dar uma imagem de muito "resolvidas" por desafiarem gratuitamente as mais inócuas directrizes de boa sociedade ou de bom gosto.  O mundo é que se deve ajustar a suas excelências, dar-lhes palmadinhas nas costas, acomodar-lhes as manias com um muito obrigada por cima - e não elas moverem-se de acordo com o mundo.

 As Cheries Blairs da vida (mais gordas ou mais magras, mais velhas ou mais novas, intelectuais ou rapariguinhas de shopping) sofrem do tal mal do bovarismo: acham-se demasiado cultas, espertinhas,  indomáveis ou rebeldes para ceder a quem quer que seja ou cumprir as regras de bom viver, mesmo no seu próprio interesse.

 Tudo lhes é devido, pensam as coitaditas - e por isso adoram mostrar um ar de desafio gratuito e ter um discurso provocador e irrealista, armadas em chicas espertas, desinibidas ou moderninhas (conforme o perfil, e há vários).

 Da desleixada que quer enfardar à vontade e vestir como bem entende mas fica toda melindrada por não encaixar nos "padrões de beleza", à Samatha Jones de trazer por casa que depois de uma divertida carreira de oferecida e doidivanas se queixa que ninguém a quer para relacionamento sério porque os homens são "uns cobardes, uns aproveitadores e uns bananas" passando pelas  *pseudo* intelectuais de serviço que adoram discutir política aos guinchos e berrar "não me subestime!", nunca lhes ocorre que o problema possa, afinal, estar nelas.



Em suma, as Cherie Blairs da vida não sabem o que é bom para si. Não aprenderam na adolescência que o mundo não se compadece de "rebeldias" fúteis, nem tem pachorra para ressabiamentos;  tão pouco perceberam que não há almoços grátis. E assim continuam a levar "calduços da vida" pela vida fora, passe o pleonasmo...





Sunday, August 21, 2016

Oh haja pachorra olímpica!!!

Tenho andado mortinha por comentar algumas peripécias dos Jogos Olímpicos que - como não podia deixar de ser, na era dos social media e dos memes - se tornaram virais e tem andado  por aí, na boca do povo. Hoje lá me arranjei para vir aqui tratar disso antes que a tocha se apague.

Ora, como sucede sempre nestes eventos houve momentos marcantes e inspiradores. Fiquei especialmente encantada com a forma como a ginasta Laurie Hernandez, de dezasseis aninhos,  enfrentou o júri e se lançou numa coreografia perfeita, ajudando a arrebatar a medalha de Ouro para os Estados Unidos e tornando-se numa superstar queridinha à escala global - alem de dar origem ao GIF mais popular do certame, vide:


A menina, que tem uns olhos enormes e bonitos, disse para os seus botões (salvo seja) "I got this" pôs-se em pose, piscou o olho aos jurados e vai de ginasticar como se o mundo fosse a sua ostra. O mantra (ou estado de espírito, se preferirem) " I got this" ou "está no papo", ou ainda "saiam da frente que isto é tudo meu, vou partir esta traquitana toda" é assim uma moldura mental difícil de invocar sempre que se quer, mas nunca falha. Por vezes é preciso até fingir que se está no modo "I got this", mas devia ser um exercício diário para todos nós. Linda!

Mas depois houve disparate com fartura, ou não vivêssemos a época terrível do politicamente correcto. Que os democratas esquerdóides de carteirinha quisessem dar a honra de transportar a bandeira americana a uma atleta estreante em tais andanças em vez de a confiar ao super-hiper-mega-destronador-de -recordes-da Grécia-Antiga Michael Phelps (só porque a rapariga, que até disse mal da América, é muçulmana e usa hijab) foi um deles.



Porém deixemos lá isso, que tudo acabou em modo "não querias mais nada?" e  Michael Phelps soube bem mostrar do que é feito um campeão; vejamos antes este caso de dois pesos e duas medidas: quando uma atleta gay foi pedida em casamento pela namorada, a imprensa achou lindo, progressivo, comovente e romântico. Mas quando o mesmo aconteceu a uma atleta chinesa, a quem o namorado fez a proposta em pleno pódio...aqui del Rei que o rapaz estava a constranger a menina, a roubar-lhe o seu momento de glória, a tirar o protagonismo à medalha de prata, a dizer ao mundo, de forma sexista e opressora, que apesar de alcançar glória olímpica, o triunfo mais importante da saltadora He Zi é tornar-se sua mulher. Ora, eu sou mais adepta de guardar estes momentos para a intimidade, seja lá o casal quem for, mas juntar no mesmo dia uma medalha de prata e um anel de noivado parece-me um feito impressionante. De mais a mais, ela não pareceu nada aborrecida, antes pelo contrário, e a interessada não é ninguém senão a noiva: e por fim, uma medalha fica no currículo, tudo muito lindo mas não é ela que vai fazer companhia à atleta na velhice.

Tenho para mim que as feminazis solteironas, maldispostas, mal amadas e azedas ainda toleram a instituição do casamento se for entre meninas - que uma mulher case com outra vá que não vá, enfim. Mas que aconteça a alguém, algo que dificilmente lhes acontecerá a "elas" - um homem dar-se à canseira de lhes comprar um anel e propor casório com os sininhos todos- isso já e intolerável. Afinal, a maioria é demasiado desagradável (de propósito, em muitos casos) e|ou chata e|ou promíscua e|ou malcriada para que algum diabo as carregue. Essa é que é a realidade, sorry girls.


E por fim o disparate mor, o pai deles todos, a medalha de Ouro da tonteria: a comediante Ellen Degeneres (que além de ser um amor e uma pessoa super positiva, tem tudo para que a ala anti-reaccionária e pró-justiça social que se ofende com tudo, jamais embirre com ela: lésbica, casada com outra mulher há muitos anos e toda modernaça)- ofendeu os ofendidos de serviço  ao publicar este meme muito engraçado, em que se pôs às cavalitas de Usain Bolt:

O próprio visado, que (além de ser o homem mais rápido à face da terra e de fazer de papa léguas com um sorriso de "não me apanhas" que até dá gosto ver) é uma alma bem formada, bem disposta, temente a Deus e com coisas mais importantes em que pensar (vulgo, medalhas e contratos milionários) achou imensa piada e partilhou a imagem nas suas contas de social média. 

End of story? Nããããão, porque o povo melindroso entendeu que Ellen, uma senhora "branca e rica" estava a ser racista por se atrever a brincar com tal coisa, por sugerir que se ia por às costas de um homem negro (ou preto, ou de cor, ou africano, ou sabe-se lá qual é a  forma menos ofensiva de uma pessoa se referir a outro ser humano hoje em dia).  Ora, eu acho que racista seria uma pessoa não se pôr às cavalitas de outra, seja por brincadeira ou necessidade, só por ela ser desta cor ou daquela.
As coisas estão a ficar descontroladas... daqui a nada nem as crianças podem saltar ao eixo nos recreios sem antes perguntar ao coleguinha se ele se melindra com isso. Ou, para garantir mesmo que não ocorre opressão de parte a parte, não há cá misturadas e zás, temos um apartheid horroroso com a única diferença das "boas intenções".


NOT HAPPY!

Então vejamos: aqui onde me encontro trabalha-se e convive-se diariamente com gente de todas cores do Arco Iris, de todas as nuances do Pantone, de todas as regiões do mapa e de quantos credos há. Desde que não me aborreçam, não me atrapalhem e criem bom ambiente, o mais certo é eu nem reparar se são brancos, cor de café, mogno, marfim, pérola, encarnados, amarelos ou cor de rosa às pintinhas.

 Pois bem, se -longe vá o agouro - eu torcer um tornozelo e o meu colega da Costa do Marfim que mais parece um gladiador, muito cavalheirescamente me carregar para um táxi, estou a fazer dele escravo? Mas se for o outro, que é italiano, já não há problema?
Ou quando a pausa para almoço ainda vem longe e  partilho bolachas ou chocolates com os membros da equipa que se esqueceram de trazer algo para trincar, se  tenho a lembrança de dar uma guloseima a um manager que é dos Camarões, ou a um cabeleireiro que calha ser da Zâmbia, estou a ser "paternalista"? E se uma rapariga de quem gosto bastante, nascida e criada no Quénia, me compuser o cabelo ou avisar a rapariga ao lado, uma "rosa inglesa" loura e de olhos azuis, está a fazer de mucama? E se for ao contrário - já que nestas andanças o cuidado com a imagem é de rigueur apesar da correria - estaremos a ser condescendente com o seu cabelo afro? Ora poupem-me. In ilo tempore as pessoas, fossem mais conscientes ou menos da cor de cada um, tivessem mais ou menos tacto, brincavam à vontade umas com as outras, andavam saudavelmente às turras se fosse preciso e acabava tudo bem.
Era o tempo dos vídeos fofos do Michael Jackson em que se resolvia tudo a dançar. Lembro-me bem desses dias felizes.  Hoje, nem o ouro olímpico serve para calar estas almas maldosas. Que fastio!





Saturday, August 13, 2016

As coisas que eu ouço: sede como as criancinhas



Esta foi mais vista do que ouvida: ontem ia eu toda atarefada a caminho dos meus afazeres quando, ao chegar à estação que tomo diariamente, noto os guinchinhos de alegria de duas ou  três crianças muito pequenas que se divertiam a girar sobre si próprias de braços abertos (quem nunca o fez em petiz, que se acuse...). Estava um lindo dia de sol e o quadro chamou-me a atenção pela sua inocência; bem se via que  não tinham nenhuma preocupação na Terra!

E do nada, reparo que um homem novo de fato e gravata se lhes juntou: abriu os braços e girou também, sem alterar a expressão do rosto, como se aquela brincadeira fosse a coisa mais séria deste mundo. Sorri enternecida para aquilo, julgando ser um jovem pai a brincar com os filhos.



Foi tudo tão rápido que mal deu tempo para perceber que não era o caso: ele rodou um par de vezes como um derviche com aquele ar grave de quem diz "virou que se faz tarde" (ou mais literalmente, como diria a Kylie Minogue, I'm spinning around, move out of my way) e, sem interromper o movimento nem mudar de cara, saiu da dança para apanhar o metro como se nada fosse.

 Isto diz muito da capacidade desta gente de viver a seu modo e de se estar nas tintas para o que o povo pensa, como já vimos, mas acima de tudo lembrou-me de como não se tomar demasiado a sério é condição sine qua non para a felicidade ou mesmo para o sucesso.

Se a uma pessoa crescida lhe apetece brincar ou  dançar o vira (ou outra coisa qualquer) out of the blue uma vez por outra, não está escrito em lado nenhum que seja proibido ou que precisa de ter horários e lugares específicos para tal - tão pouco se ganha automaticamente um carimbo de "figura de urso"  por causa disso, mas se ganhar, azar. E  até vos digo que só não me juntei a eles porque fiquei demasiado surpreendida e  não me queria atrasar, senão era limpinho. You can dance if you want to - and you can spin if you want to, era o que mais faltava.

Tuesday, August 9, 2016

Sissi esmiuça o estilo das londrinas (porque Londres andava muito sossegada).





O impacto das minhas primeiras voltas em Londres há uns aninhos valentes atrás, nunca se desvaneceu: viam-se aqui coisas que eu sonhava eventualmente usar (ou, se não faziam o meu estilo, pelo menos admirar de perto) mas que em Portugal eram raras ou mesmo impensáveis. Afinal, por muito que os portugueses quisessem armar em modernos, ainda se vivia uma certa sensaboria ou acanhamento em termos de estilo. Nunca me considerei uma trend setter nem a maior das early adopters, mas já na altura observava que qualquer tendência demorava bastante a instalar-se em solo luso.
 Muito ouvi "vais atravessar a cheia?" quando me atrevi a sair de corsários, apenas para os ver em cada esquina (e em versões baratas) dali a seis meses. Já em Londres, havia de tudo: lembro-me de tentar  não pasmar para uma rapariga japonesa de zori nos pés em pleno Inverno e com toda a parafernália de uma menina de Harajuku. 



A explosão da blogosfera e das redes sociais veio sem duvida atenuar muitíssimo essas diferenças. Hoje, Lisboa até tem uma comunidade de "lolitas" que se vestem "a la japonaise", e nem falemos das ridicularias que vemos em qualquer evento de moda...

De forma que quando se toma o pulso a uma das principais cidades na scene fashionista hoje em dia, as diferenças são mais subtis: afinal, existem sensivelmente os mesmos estilos dominantes seja em Londres, Nova Iorque, Paris ou Roma. Mas como em tudo... cada terra tem seu uso, cada roca tem seu fuso.


Já sei que contam que fale no mau, e no muito mau em que algumas inglesas sao useiras e vezeiras, conforme nos mostram certos reality shows: não me vou alongar nisto pois  por sorte, tenho tropeçado em poucas "chavs" com os seus cabelos arrepiados e colados à cabeça com gel, grandes argolas e tatuagens medonhas. 


Quem se veste mal fá-lo como as serigaitas portuguesas, sendo que não faltam lojas especializadas nesse look, nomeadamente em bairros populares: gigantes armazéns de poliéster capazes de dar arrepios a uma pessoa!




 No entanto, já descobri aqui umas marcas francesas que a par com os mini vestidos, tem peças amorosas e fora do vulgar em algodão, nomeadamente calças coloridas, muito anos 70. 
Voltando ao look "bairro social" que é praga a escala planetária, a diferença de Londres está na nail art que, apesar de ser muitíssimo popular e comum - há um salao de nails a cada metro, benzam-se - é bastante mais discreta. Muita unhaca, muita garra medonha, mas quase sempre de uma cor apenas, nada de bonecadas...
Talvez por muitos "manicuros" serem homens! Homens chineses, frequentemente, e casados com a manicura sua sócia. Os "nails corners" sao amiúde negócios de família, e - digo eu, que mesmo assim me recuso a entrar num - talvez o paterfamilias não tolere grandes maluqueiras à clientela. 




 Mas será na maquilhagem que se vê o maior contraste comparando com as portuguesas, apesar de a "pintura para Instagram" se ter banalizado por este mundo de Deus. Aqui o caso e sério - tanto nos visuais menos decorosos e de gosto, como entre as fashionistas de serviço e profissionais de moda.
 Para já, as londrinas levam a makeup tão a peito que mandaram pela janela a velha regra da educação à inglesa, segundo a qual uma senhora JAMAIS se retocava em público (por oposição à tradição francesa, que permitia retocar ( apenas) o baton e o pó de arroz).



 Qual! Elas fazem TODA  a maquilhagem no metro, para quem quiser ver. Muitas fazem-no, vá. E estamos a falar de sombras elaboradas, contouring, eyeliner, you name it. Com uma destreza e uma chutzpah (leia-se lata ou descaramento) que me faz sorrir...embora mande a boa educação que se faca vista grossa a estas "operacões de beleza em público".

Depois, talvez pela influência de tanta muçulmana e árabe que cá mora (muitas, aliás, trabalham como brow stylists) o threading é um must (e baratissimo) e a palavra de ordem são as sobrancelhas de Instagram...pintadíssimas, enceradíssimas, algumas a beirar, quando não ultrapassam de largo, o exagero.
 O strobing também é uma febre - e só é pena que muitas meninas, que até trabalham na área da beleza, o usem em plena luz do dia,  ficando com a cara a brilhar com mais ar de facepainting espacial do que de maquilhagem bem feita...

No entanto, mandam as boas Casas de modas que as suas funcionárias, na maioria, se cinjam a uma discreta elegância: cabelos e unhas em tons naturais e maquilhagem ao estilo Chanel: baton nude ou encarnado, sombras neutras e rosto uniforme, cabelos soltos e brilhantes ou apanhados num rabo de cavalo ou chignon. Muito old school, bonito e bon chic bon genre.


 
Mas para apreciar o verdadeiro estilo inglês em todo o seu esplendor, para não ver roupa feia nem demasiado ousada por mais que se procure,  há que ir para o campo (hoje partilhei com uma rapariga que mora no countryside  um ode de amor às galochas, que como sabem aqui se tratam carinhosamente por Wellies) ou para a Chelsea, Fulham e por aí. E o preppy mais puro, o melhor look old money sem esforço que se pode.





 Elas com os seus Chelsea blow dry - o brushing solto tão admirado na Duquesa de Cambridge:




E eles muito janotas com a melhor alfaiataria inglesa predominando por ora os tons de Verao, como o azul escuro (ma non troppo). Toda a gente - casais, famílias com os seus adoráveis bebés louros ou ruivos, grupinhos de raparigas -  parece muito correcta, muito composta, uma perfeição. Há dias vi um clone de Kate Middleton sair de trás de um arbusto num parque - com os copos, a dizer palavrões, mas bem vestida e penteada que eu sei lá....

De mais a mais, a feminilidade esta em voga: abundam os skinny jeans subidos, sim, a par com os culottes - mas fazem grande sucesso os vestidos rodados e as saias plissadas sob o joelho em nude, preto ou burgundy, que se usam numa infinita variedade de combinacoes... 



Porém, se se quiser vir a Londres tirar alguma lição de estilo, que seja para aprender a dominar a arte de usar sapatos rasos com elegância. Apesar de aqui toda a gente, ou quase, ir de ténis ou calcado prático para o emprego (o que me faz sentir menos extraterrestre com a minha mania de trazer um dustbag com uma muda de sapatos) TODO o mundo em Londres tem o mesmo hábito (e já agora - descalçam-se à frente de quem estiver, sem problema algum: dizem os nativos que por estas bandas ninguém tem tempo para reparar na vida dos outros...) isso não quer dizer que se circule com qualquer coisa até mudar para uns Burberry, L.K. Bennett ou Jimmy Choo.
 Nada disso. As londrinas "bem", sejam baixinhas ou altas,  são exímias na arte das proporções e possuem uma invejável colecção de flats cuidadosamente escolhidos, o que lhes garante um porte tão distinto e uma  figura tão esbelta como se estivessem de saltos.

 E pronto, assim de rajada isto é o que me chama mais a atenção. Mas como vejo tanta coisa, decerto me hei-de inspirar para partilhar convosco mais algumas ideias...





 




Wednesday, July 27, 2016

Shakespeare dixit: palavras apaixonadas no metro



Como vos contei, por estes lados assinala-se o aniversario da morte de William Shakespeare e o seu universo está por toda a parte - o que inclui o metro, meio de comunicação londrino por excelência... lá avisa-se, anuncia-se, recorda-se, fazem-se opiniões, educa-se o povo. O que é bastante inteligente, diga-se de passagem, uma vez que as pessoas não têm outro remédio: como tomam esse transporte todos os dias que Deus deita ao mundo, alguma coisa lhes há-de entrar na cabeça. Não é a bem, é a mal. Acho muita graça como há cartazes a lembrar, por exemplo, as boas maneiras: de respeitar o espaço privado do próximo quando o comboio vai cheio, a dar o seu lugar às senhoras, por exemplo. E de facto, a esmagadora maioria das pessoas é cortês e bem educada (até os mendigos, assinale-se) o que me confirma que não há nada para manter uma ideia viva como falar nela o tempo todo. Dos trabalhadores das obras aos executivos, não há homem aqui que deixe de oferecer o seu lugar a uma menina, senhora ou pessoa de idade (ontem vi um rapaz de fato de macaco levantar-se três vezes para oferecer o assento a três senhoras diferentes!)  ou que vendo uma mãe aflita com o carrinho de bebé escada acima, não lhe deite logo a mão para o puxar...


 Há mesmo uma campanha para melhorar a imagem dos construtores civis, pelo que os pedreiros não mandam piropos: no máximo dos máximos, dão os bons dias e guardam a sua opinião lá consigo: mas de resto, aqui quase toda a gente se fala e se saúda, apesar de ser uma cidade grande...

Mas ontem - sabeis como gosto de Shakespeare - fiquei encantada por ver que na carruagem onde ia, tinham escolhido o soneto 116 do Bardo:

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover to remove:
O no; it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests, and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth's unknown, although his height be taken.
Love's not Time's fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle's compass come;
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
   If this be error and upon me proved,
   I never writ, nor no man ever loved. 


 Haverá poucas descrições tão exactas do amor verdadeiro, de raiz, eterno: aquele que nunca se abala, apesar de presenciar as tempestades, nem se esbate com os meses e os anos, mas tudo suporta até no perigo, no desespero, no desalento: e quem acha o contrário não ama, nunca amou, só se entusiasmou...

Friday, July 22, 2016

Vem uma pessoa a Londres para levar com esta malcriadona!





Só a mim, só a mim, só a mim. Mal pus aqui os pés, eis que o metro estava pejado destes cartazes (acima) a anunciar a vinda de Amy Schumer a Londres. Sabem, Amy Schumer- uma daquelas comediantes armada em feminazi que acha que uma mulher, para ter graça, precisa de ser grosseira, promíscua, maria-rapaz, falar como um carroceiro, contar em sórdido detalhe os seus engates desesperados e auto proclamar-se galdéria de marca maior mas ofender-se toda se a chamam galdéria, tirar a roupa sempre que há a mais leve ocasião a ver se a elogiam, beber e praguejar como um marujo, e - last but not the least - defender que gordura é formosura mas ficar arreliadíssima se a emparelham, na capa de uma revista, com modelos plus size, fazendo o choradinho "eu não sou assim tão gorda" . Foi o que aconteceu, mais coisa menos coisa.

As outras convidadas (algumas das quais a metem num chinelo, diga-se) não gostaram, claro. Não se pode num dia advogar a "beleza real", ganhar popularidade às custas disso mas ficar danada se depois, tendo um rosto e um corpo banais, para dizer o mínimo, fazem de si porta estandarte da tal "beleza" real e da "body positivity". Hipocrisia ou falta de auto análise? Que isso de ser gorda é relativo. Amy não será gorda no verdadeiro sentido do termo, nada disso: é  uma rapariga "grande", rubicunda, rechonchuda e bochechuda (nada contra, vá) a vender saúde (fora o fígado, coitado, que não há-de estar la muito ortodoxo com tanto copofone). O seu problema nem estará no corpo, ou nas bochechas, mas na língua de trapos a precisar de sabão e na cabecinha armada em poderosa...


Mas o pior foi a forma boçal como a boa da Amy, sentindo-se lesada na sua formosura, se defendeu: atirou logo, de uma maneira que não me atrevo a reproduzir nem a traduzir aqui, com um palavrão bem directo e categórico, que arranja quantos homens quiser. Não no sentido "olhem que não me faltam pretendentes" mas no de " suas invejosas, basta-me por um pé na rua que já não passo a noite sozinha". See for yourselves aqui.

Se calhar não devia esconder-me de Ms. Schumer quando ela passar por cá. Devia encher-me de evangélica paciência e ter a caridade de ir ao espectáculo, sofrer aquilo tudo, bater-lhe a porta do camarim com um six pack de Guiness geladinha (suponho que ela deve gostar disso) sentá-la bem sentadinha e ter com ela a conversa que a mãe ou a avó dela não tiveram, ou até tiveram mas a menina estava demasiado entornada para perceber.




É que primeiro Amy, filha, essas coisas não se dizem, pelo menos nesses termos tão feios, ainda que sejam verdade. Segundo, minha rica, lamento o injusto e sexista double standard, mas há verdades sociais e biológicas que o feminismo não conseguirá mudar por mais soutiens que se queimem: e que, tenho pena de dizer isto, os homens, ou muitos deles, quando se trata de mulheres para a farra, não são exigentes por ai além. É triste, é repugnante, e horrível de reconhecer até porque a promiscuidade também cai mal ao sexo masculino (embora seja talvez menos socialmente condenável aos olhos do vulgo) mas é a verdade. Até entre os que são bonitos, a quem não falta por onde escolher, muitos, se tiverem pouco juízo, não se ralam de juntar ao seu carnet de conquistas umas quantas mulheres menos atraentes. Para diversão importa-lhes mais a quantidade e a facilidade, menos a qualidade. Depois, para relacionamento sério, já elevam mais a fasquia e sonham com uma beldade bem comportadinha que possam apresentar aos pais (que muitas vezes não arranjam o que é muito bem feito, já agora!).


 As excepções a isto são raras e esta é a razão de tantas mulheres que se comportam como a Amy terem dificuldade em estabilizar e andarem a choramingar que os homens são uns cobardes e uns aproveitadores  porque nunca mais lhes telefonaram - mas isso é assunto para outros carnavais.

O que importa, menina Amy, é que não há mérito algum para uma mulher em ter muitas one night stands, nem que seja com umas estampas de rapazes, porque para isso basta somente  não ser hedionda de todo, percebe? Ter muita procura nesse "mercado" (Credo!) não é um atestado de beleza, é um atestado de doidice e de uma má fama danada. De disponibilidade e muitas vezes, de carência. E em muitos casos, de incapacidade para "segurar" (salvo seja) um diabo que a carregue.  Mas era eu a dizer isto e a Amy a acusar-me de machista e opressora, porque a realidade dói sempre um bocadinho. Prefiro deixar-lhe as suas ilusões. Ela tem uma carreira de sucesso e é crescidinha, que se desembrulhe que eu não sou paga para substituir a palmatória que faltou às filhas dos outros, quanto mais ainda pagar bilhete para dar sermões a alguém. Passo.

Thursday, July 21, 2016

De volta (I think a change would do you good).





Antes de mais, e directa ao assunto porque vos escrevo de uma terra de gente sem rodeios (lá iremos noutro post...) gostaria de principiar por agradecer sensibilizada o vosso cuidado e carinho durante esta ausência que nunca imaginei tão longa - de novo, já la chegamos...


Segundo, desculpem qualquer coisinha mas terei de arranjar um teclado português por estas bandas onde a Rainha Boadicea se fartou de dar tareia nos romanos, ou não vão faltar gralhas nestes textos, ai não.
 Mas vamos a uma explicação breve, que como sabem não aprecio aqueles textos do tipo "eu, eu , eu" estilo frases inspiradoras, egocêntricas e facebookianas da Clarice Lispector: eu sou uma daquelas pessoas relativamente previsíveis. Talvez não o suficiente para me tornar horrivelmente maçadora (espero...) mas não sou grande fã de surpresas: gosto da minha rotina e de tudo direitinho,planeadinho, sem aventuras de maior. Chego a ter pesadelos em que viajo e me falta o passaporte e os cartões de multibanco, imaginem. Mas não se enganem: quando o jogo vira, vira mesmo, se o saco rebenta, vai tudo raso e nem eu sei bem de onde me saiu ímpeto para virar tudo do avesso, correr mundo e viver extraordinárias aventuras. Já não e a primeira vez.
é como se tivesse um Indiana Jones de saias cá dentro que só salta lá para fora em caso de forca maior, ou coisa que se pareça. Mas quando ele salta, esperem o inesperado, o impossível, o "nem parecem coisas tuas", etc. 


De modo que, cansada de algumas portuguesices e mesmices a vários níveis, precisada de arejar ideias e sem vontade alguma de tolerar o tórrido Verão português (que só e maravilhoso para estar num dolce far niente, mas não tão fantástico quando se tem outras coisas para fazer: lá dizia o Visconde Reinaldo "não há nada mais reles do que um bom clima!") eu andava cá a cozinhar passar uma temporada fora mais dia, menos dia. E vai não vai, vou não vou, e hoje e amanha, eis que decido ir passar dez dias a Londres (a par com Roma, uma das poucas grandes cidades onde acho tolerável viver) a ver *literalmente* em que param as modas, a beber inspiração numa cidade que, com os seus defeitos por certo, da para uma pessoa se afogar em beleza, a tirar ideias, a gozar o fresco, as lojas e os museus, a ver de perto a emoção do Brexit, dos 400 anos da morte do Bardo (vale a pena vir a Londres só para ver as montras do Selfridges inspiradas nas pecas de Shakespeare) e dos 90 anos de Sua Majestade (vim mesmo a tempo- só a mim sucedem tais coisas). E os dias foram-se estendendo, transformando-se em semanas a fio sem que eu (preparada que ia para voltar a correr para solo pátrio) tivesse levado uma engenhoca decente para escrever. O tablet da Apple e mesmo isso, uma engenhoca pretensiosa...




Mas dessas peripécias - sem querer transformar agora o Imperatrix numas "cartas de Inglaterra" - trataremos mais tarde, pois como imaginam tenho observado, admirado e embirrado bastante por aqui...

Um beijinho a todos, e considerem o  Salão reaberto com uma valente dose extra de chá, sandwiches e torradinhas. Jolly well!




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