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Tuesday, December 29, 2009

My name is Woods, Tiger Woods


É caso para dizer " você abusou". O golfista armou-se em James Bond e, com ar de quem não parte um prato, enganou a legítima. Com quinze - que se saiba - senhoras entendidas no assunto. Não se limitou a cometer adultério, porque um campeão que se preze tem de partir a louça toda. Tiger Woods fez tudo a que tinha direito:pandegou à farta, com louras, ruivas e morenas, daquelas com um arzinho que não engana ninguém, e não feliz com isso, levou-as para casa. Ora, não me consta que Tiger Woods não possa pagar um hotelzinho discreto. Não sei se o acuse de uma certa dose de estupidez, se de abuso puro e duro. Foi como quem diz " traio, engano, minto debaixo do teu nariz e ainda faço caretas". A festa, com direito a canas e foguetes, saiu cara. A sua (linda) esposa já fez saber que exercerá o acordo pré nupcial estratosférico - 300 milhões! - e se for mesmo, mesmo inteligente, exigirá mais uns trocos para compensar a vergonhaça à escala mundial. Um divórcio histórico, se a coisa correr bem (ou mal, conforme a perspectiva). Até aqui, nada de novo.
Surpreendente é que marcas como a Gillette tenham cancelado os seus contratos milionários com o atleta, e que a sua imagem, até aqui intocável, esteja irremediavelmente manchada. Algo está a mudar: já não é bem visto que um homem se comporte como um galo doido. Pessoalmente, homens de muitas mulheres sempre me despertaram desconfiança- confesso que acho o James Bond desprezível. Nunca percebi qual era o apelo de um galã inveterado: os D.Juans deste mundo são infantis, taradões, descontrolados e não sabem o que querem. Se isso cai mal a uma mulher, não cai melhor num homem. Mas até aqui não tinha provas claras de que mais gente partilhava a minha opinião. Obrigadinha, Tiger.

Monday, March 9, 2009

Parabéns, miúda!

Hoje rendo homenagem aos 50 anos da Barbie, que tantas alegrias me trouxe.
Tive a felicidade de receber uma logo no ano em que chegou a Portugal (1986)
quando o seu preço era perfeitamente inflaccionado: custavam, já na época, cerca de cinco contos. Pouco mais tarde apareceu " A minha primeira Barbie" um modelo mais simples.
Fui tão sortuda, que nesse Natal a minha mãe (eu tinha deixado de acreditar no Pai Natal meses antes, quando o meu vizinho Pedro me deu cabo das ilusões) apareceu em casa com essa maravilha aí à vossa esquerda: a Barbie Dia-e-Noite.
Juro: a minha era mil vezes mais bonita do que esta, mas foi o que se pôde arranjar. Aliás, o que sempre me fascinou nas Barbies era dentro do mesmo modelo nunca haver duas iguais!
A Barbie dia-e-noite era uma espécie de Homem-Aranha: executiva de dia ( com pasta, foto do Ken para a secretária, tailleur de veludo fashion e uns sapatinhos inspirados no modelo Chanel) e à noite...voilá! O casaco e a echarpe desapareciam revelando um body de brilhantes (não lantejoulas, mas fio brilhante) cor-de-rosa que foi toda a minha paixão, a saia virava-se do avesso para revelar uma maravilha de balão em tule cor de rosa, os sapatos davam lugar a sandálias altíssimas. Só sobrava a bolsinha.

Uma loucura. identificava-se perfeitamente comigo. Tive muitas, muitas Barbies, amigas da Barbie de todas as cores e feitios e alguns Ken, fora acessórios e mobílias(ainda guardo a maioria e ando a prometer continuar a colecção um dia destes) mas nenhuma exerceu sobre mim o fascínio da primeira. Essa, infelizmente, teve o destino de muitas Barbies dos anos 80. A menina a quem não sucedeu a desgraça, que atire a primeira pedra!

Pois. Partiu o pescoço, soltando a bolinha que lhe permitia mover a cabeça. Barbie a quem isso acontecesse, raramente escapava, pois nessa altura o hospital das bonecas esteve fechado durante muitos anos.
Graças aos céus, a minha mãe mais tarde descobriu que conseguia retirar a esfera com uma pinça, voltando a colocá-la com um pouco de habilidade (que pena não haver blogues nesse tempo, hein?).

O que nunca percebi foi a razão de alguma impopularidade da Barbie junto das mães. Eu tive sorte, tinha pais e avós muito à frente! De qualquer modo, bem podiam comprar-me Nenucos, Barriguitas e Chorões que não valia a pena - detestava-os!
Mas tive amigas que passaram a infância sem nenhuma, não porque os pais não tivessem posses, mas porque achavam que " as miudas se faziam vaidosas" e outros argumentos igualmente tolos.
Será que o seu plano era obrigar as pequenas a brincar com Nenucos e trens de cozinha desde tenra idade, para as habituar à escravatura do lar? É um mistério que me assombra até hoje.
Pessoalmente, nunca tive um Nenuco, mas tive uma boneca de cabeleireiro com uma cabeça maior que a minha, que dava para pentear e maquilhar; tive o salão de beleza da Barbie e uma cozinha para ela com filtro de água, garfos e tudo. Nunca comprei bebés para a Barbie, mas na altura a Shelly ainda não existia; logo não sei se o teria feito.
Sempre achei que tinha tempo, quando crescesse, para cuidar de bebés e lavar pratos.
A par com a Barbie, tive bicicletas, estojos de médico e de química, jogos de anatomia, algumas panelas - com moderação porque a minha mãe sabia que a brincadeira acabava mal - resmas de material para desenho, estantes e estantes de livros, bússolas e canivetes suiços (às escondidas) para expedições no pinhal e sim, um ou outro bebé-boneco que comprei por causa dos produtos de beleza "a sério" que por acaso vinham vazios e usava para experiências terapêuticas.
A Barbie foi o centro do meu quarto de brinquedos, sim senhora. Hoje continuo a adorar produtos de beleza, roupas e sapatos, continuo a querer ter tantas profissões como a Barbie, a usar maquilhagem e a gostar de cor de rosa. Se um dia ficasse milionária, não descartava o velho sonho de infância: ter "TUDO" da Barbie (quem não sonhou com isso?)
Mas saí-me bem nos estudos, dou o litro pela carreira e continuo a eleger a leitura (a par com dar cabo do piano quando chego a casa) como passatempo favorito. E sim, sou boa dona de casa e cozinho muito bem.
As puritanas que chateavam a mamã por me comprar Barbies, que venham cá provar os meus brownies, o meu sushi ou a minha salada de batata. Parabéns, Barbie. E obrigada, do fundo do coração!

Sunday, February 22, 2009

Ah, grande Beatriz Costa!


Isto de meter o nariz em tudo o que venda livros antigos tem destas boas surpresas. Veio-me parar às mãos o segundo livro desse ícone que é Beatriz Costa, " Quando os Vascos eram Santanas". Uma verdadeira delícia, que me arrancou saudáveis gargalhadas todo o fim de semana.
Uma mulher independente, vivaça, fascinante, que correu o mundo de lés a lés e conviveu de perto com monstros sagrados como Jorge Amado. E que tal como eu, nunca teve "papas na língua". Adorei!Se as minhas amigas conseguirem deitar as mãozinhas manicuradas a uma cópia, recomendo vivamente.
Já vai sendo tempo de colocarmos no devido pedestal as nossas verdadeiras estrelas, essas que tinham classe, talento e glamour: Beatriz Costa, a linda e engraçada Laura Alves, Simone de Oliveira e tantas outras. Para quando um passeio da fama? E honorários a condizer?
Só neste país é que se idolatram jogadores de futebol acéfalos e respectivas dondocas, cantores de karaoke que nem com as Novas Oportunidades se safam, concorrentes de reality shows e toda essa tropa fandanga.
E não me venham cá chamar saudosista, afinal quando a Laura passeava o belo sorriso pelos palcos eu ainda estava longe de ser chamada pela cegonha; falo dos talentos, mais velhos ou mais novos, que são deitados à sarjeta neste sítio, porque não fazem o choradinho " ai que sou pobrezinha e o paizinho enchia-me de sovas" (só se perderam as que cairam no chão, está visto)
porque têm a dignidade de não dar brado na imprensa, porque tiveram honra e vergonha na cara e um bocadinho de pouca sorte. Quando alguns dos mais dotados artistas deste país baterem as botas é que vai ser o vê se te avias: é biografias a esgotar edições, é ruas com o nome do infeliz, estátuas, capas de tabloides a relatar os últimos suspiros e a indignação dos colegas pela fraca afluência às exéquias. Viu-se o que foi com Badaró, que tantas alegrias me deu em pequena e oferecia livros às crianças; e veja-se, agora que João Aguardela passou aos campos elíseos, o que se falou dele na imprensa. As rádios tiveram a lata de passar vezes sem conta " Vida de Marinheiro" em vez de dar a conhecer - mais vale tarde que nunca - os seus outros trabalhos. Porque agora, coitadinho, já era motivo de choradinho e digno de pena, logo uma mina.
Quem está vivo, orgulhoso e de saúde, por cá, é alvo de inveja e não de admiração. Lá dizia Oscar Wilde e muito bem: é fácil apoiar quem está em baixo; difícil é solidarizar-se com o êxito de um amigo.
Mas a culpa é da genética. O miserabilismo, o coitadinho, o pobrezinho, o drama, sempre venderam em Portugal. No tempo da minha avó ainda existiam uns descendentes de jograis, que faziam as vezes do jornal " O Crime" e andavam de terra em terra a cantar as últimas desgraças. Em verso. Era o jogador viciado que acabava por apostar a mulher e os filhos e depois, arrependido, os assassinava à facada; o soldado que voltava da guerra e encontrava a mãezinha enterrada, tratando logo de profanar o túmulo num arroubo de amor filial; a menina desonrada por um malandro que acabava num bordel....um ultra romantismo mórbido, doentio, de meter nojo. Como diria a Beatriz, p*** que os pariu!
Que não se esfregue a felicidade na cara de outros menos felizes, entendo-o como um sinal de boa educação. Mas há limites para tudo. Pela minha parte, podem esperar sentados. Se alguma vez me virem por aí a expelir detalhes sórdidos, metam-me num manicómio. É um favor que me fazem.


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