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Monday, March 9, 2009

Parabéns, miúda!

Hoje rendo homenagem aos 50 anos da Barbie, que tantas alegrias me trouxe.
Tive a felicidade de receber uma logo no ano em que chegou a Portugal (1986)
quando o seu preço era perfeitamente inflaccionado: custavam, já na época, cerca de cinco contos. Pouco mais tarde apareceu " A minha primeira Barbie" um modelo mais simples.
Fui tão sortuda, que nesse Natal a minha mãe (eu tinha deixado de acreditar no Pai Natal meses antes, quando o meu vizinho Pedro me deu cabo das ilusões) apareceu em casa com essa maravilha aí à vossa esquerda: a Barbie Dia-e-Noite.
Juro: a minha era mil vezes mais bonita do que esta, mas foi o que se pôde arranjar. Aliás, o que sempre me fascinou nas Barbies era dentro do mesmo modelo nunca haver duas iguais!
A Barbie dia-e-noite era uma espécie de Homem-Aranha: executiva de dia ( com pasta, foto do Ken para a secretária, tailleur de veludo fashion e uns sapatinhos inspirados no modelo Chanel) e à noite...voilá! O casaco e a echarpe desapareciam revelando um body de brilhantes (não lantejoulas, mas fio brilhante) cor-de-rosa que foi toda a minha paixão, a saia virava-se do avesso para revelar uma maravilha de balão em tule cor de rosa, os sapatos davam lugar a sandálias altíssimas. Só sobrava a bolsinha.

Uma loucura. identificava-se perfeitamente comigo. Tive muitas, muitas Barbies, amigas da Barbie de todas as cores e feitios e alguns Ken, fora acessórios e mobílias(ainda guardo a maioria e ando a prometer continuar a colecção um dia destes) mas nenhuma exerceu sobre mim o fascínio da primeira. Essa, infelizmente, teve o destino de muitas Barbies dos anos 80. A menina a quem não sucedeu a desgraça, que atire a primeira pedra!

Pois. Partiu o pescoço, soltando a bolinha que lhe permitia mover a cabeça. Barbie a quem isso acontecesse, raramente escapava, pois nessa altura o hospital das bonecas esteve fechado durante muitos anos.
Graças aos céus, a minha mãe mais tarde descobriu que conseguia retirar a esfera com uma pinça, voltando a colocá-la com um pouco de habilidade (que pena não haver blogues nesse tempo, hein?).

O que nunca percebi foi a razão de alguma impopularidade da Barbie junto das mães. Eu tive sorte, tinha pais e avós muito à frente! De qualquer modo, bem podiam comprar-me Nenucos, Barriguitas e Chorões que não valia a pena - detestava-os!
Mas tive amigas que passaram a infância sem nenhuma, não porque os pais não tivessem posses, mas porque achavam que " as miudas se faziam vaidosas" e outros argumentos igualmente tolos.
Será que o seu plano era obrigar as pequenas a brincar com Nenucos e trens de cozinha desde tenra idade, para as habituar à escravatura do lar? É um mistério que me assombra até hoje.
Pessoalmente, nunca tive um Nenuco, mas tive uma boneca de cabeleireiro com uma cabeça maior que a minha, que dava para pentear e maquilhar; tive o salão de beleza da Barbie e uma cozinha para ela com filtro de água, garfos e tudo. Nunca comprei bebés para a Barbie, mas na altura a Shelly ainda não existia; logo não sei se o teria feito.
Sempre achei que tinha tempo, quando crescesse, para cuidar de bebés e lavar pratos.
A par com a Barbie, tive bicicletas, estojos de médico e de química, jogos de anatomia, algumas panelas - com moderação porque a minha mãe sabia que a brincadeira acabava mal - resmas de material para desenho, estantes e estantes de livros, bússolas e canivetes suiços (às escondidas) para expedições no pinhal e sim, um ou outro bebé-boneco que comprei por causa dos produtos de beleza "a sério" que por acaso vinham vazios e usava para experiências terapêuticas.
A Barbie foi o centro do meu quarto de brinquedos, sim senhora. Hoje continuo a adorar produtos de beleza, roupas e sapatos, continuo a querer ter tantas profissões como a Barbie, a usar maquilhagem e a gostar de cor de rosa. Se um dia ficasse milionária, não descartava o velho sonho de infância: ter "TUDO" da Barbie (quem não sonhou com isso?)
Mas saí-me bem nos estudos, dou o litro pela carreira e continuo a eleger a leitura (a par com dar cabo do piano quando chego a casa) como passatempo favorito. E sim, sou boa dona de casa e cozinho muito bem.
As puritanas que chateavam a mamã por me comprar Barbies, que venham cá provar os meus brownies, o meu sushi ou a minha salada de batata. Parabéns, Barbie. E obrigada, do fundo do coração!

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