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Tuesday, December 21, 2010

O regresso do Natal fofinho

 Jingle bell, jingle bell, já não há papel...podia ser o hino oficial deste Natal para muitos portugueses. Por mais abonado que seja, não há cidadão nacional que não se sinta tocado pela brisa fria da austeridade. Na imprensa proliferam os artigos com sugestões para desencantar presentes baratinhos e criativos e  aqueles testemunhos sem graça como  " eliminei os  presentes" ou "prendas, só para as crianças" .

Assim de repente, parece que estamos em guerra, a sofrer as agruras do racionamento. E tal como na guerra, o infortúnio parece trazer à tona o melhor que há nas pessoas. De Norte a Sul do país, vemos multiplicar-se obras de solidariedade em que cada um dá o que pode, um pouco do que lhe sobeja, para valer ao próximo. Esta não é a solidariedade superficial, lamechas, tipicamente festiva: sente-se uma preocupação genuína pelo vizinho do lado, porque todo o país, mais coisa menos coisa, está no mesmo barco. Os "pobrezinhos" já não são "os outros". Toda a gente está preocupada com a infelicidade e desconforto que se instalou enquanto os verdadeiros responsáveis olhavam para o lado. E isto é importante: já não vemos as pessoas a contribuir despreocupadamente, insensivelmente. Como a "crise" toca a todos, as dádivas são acompanhadas por uma conversa amável,  por um sorriso melancólico de " melhores dias virão. É aguentar, amigo". Compram-se mais produtos portugueses, "para ajudar" mas também porque são realmente requintados e  falam por si. Os presentes para a família são cuidadosamente pensados, especiais. Em muitos lares, cada um corresponderá a muito esforço, sacrifício e contas de cabeça. Estas prendinhas, esteticamente falando, trazem consigo uma elegância depurada que há muito não se via. Menos é mais. Até os mais afortunados falam abertamente em poupança e parcimónia. Seria deselegante não o fazer. A crise não conseguiu roubar o Natal aos portugueses. Pelo contrário. Deixou de se apelar ao "Natal solidário" : ele aconteceu por si mesmo.
Como na guerra, pessoas e famílias oferecem o melhor que podem, desenrascam-se, inventam, reunem-se e enfrentam o sofrimento com bom humor. Resistem. Não porque é suposto ser assim, mas porque é necessário que assim seja. Pobrete, mas alegrete.

Quanto a mim, sou uma perdida por esta época (celebro o Yule a 21 de Dezembro e o Natal a 25, é uma alegria) e arranjo sempre maneira de fazer a festa e deitar os foguetes, por mais imperfeitas que as condições sejam. Haja saúde, que o resto é lucro. A maratona começa logo em Novembro para evitar correrias (já que sou picuinhas com a selecção das ofertas e com a qualidade dos embrulhos) mas mesmo assim, as lufa-lufas de última hora são inevitáveis. E é ver-me a cantarolar e mexer os pés nas lojas ao som das Christmas Carols que irritam muito boa gente, com os olhos brilhantes e um sorriso na cara, a enfeitar a casa (com moderação, o meu sentido prático priva-me de piroseiras) nem que chovam canivetes, a azafamar-me na preparação da ceia com toda a gente a mandar vir ao mesmo tempo (faz parte da festa) e a saltitar por ali como um elfozinho feliz. No quesito do espírito de Natal sou irredutível. Se não há, arranja-se!

O que eu não esperava era ver todo o país a fazer coro comigo. Que milagre de Natal.

Monday, December 20, 2010

Calcinhas há muitas, seu palerma.





Why men love Bitches é um dos pouquíssimos livros de aconselhamento para mulheres que merece a minha aprovação. Porém, tem uma tirada que me fez rir. Diz a autora que perante um novo namorado, é aconselhável esconder a lingerie bonitinha, ou tirá-la da caixa e cortar as etiquetas à frente do rapaz, não vá ele pensar que aquela roupa interior já andou nas mãos de meio mundo. Então os homens acreditam que gastamos dinheiro naquelas peças lindas só para lhes agradar? Se as compramos, é porque são deliciosas - o que por sua vez, não quer dizer que mostremos os nossos "tesouros escondidos" assim como assim, a qualquer um. Se encantar o dito cujo ( que espero eu, já terá o título de Namorado há tempo suficiente para não fazer julgamentos tão bacocos) maravilha! Se não, minhas caras, mostrem-lhe a porta da rua, porque ninguém merece andar com calcinhas feias enquanto as peças delicadas se amontoam na gaveta, com o único objectivo de parecer séria. Eis um caso em que mais vale sê-lo que parecê-lo. Calcinhas há muitas, seu palerma, e a cueca não faz a moça, vale?


Friday, December 10, 2010

Das cabines de provas,novamente

Os provadores das lojas são o pesadelo de quem gosta de modas e elegâncias. Alguns espaços mais luxuosos têm cabinas remotamente decentes - mais privadas e amplas - mas esta é uma benesse rara. Para começar, a maior parte desses cubículos não tem um banquinho onde uma pessoa se possa apoiar, o que torna o processo de fechar zips, fivelas ou sapatos uma canseira que só visto.
 Os cabides são sempre insuficientes, e curtos demais, para pendurar a nossa roupa e a que trazemos para experimentar, o que, por mais jeitinho que se tenha, acaba com um monte de tralha no chão, tudo misturado a ganhar pó. Depois (já o referi aqui) há o problema de a maioria ser protegida por cortinas, não por portas, e admitir homens no provador feminino - o que possibilita que o namorado alheio espreite alegremente a nossa figura. Deus abençoe a H&M e Primarck, que apesar de muito acessíveis, tiveram a decência de colocar portas de madeira sólida e provadores mais arejadinhos.
Mas o pior, o pior, são as luzes super agressivas colocadas nos provadores, que conseguem transformar uma princesa num sapo. Aquela porcaria não é luz, é um raio -X. O único remédio é dar o devido desconto, espreitar pelo rabo do olho e sair para ver o resultado nos espelhos exteriores. Expliquem-me a ver se eu entendo: uma pessoa sai de casa achando que está apresentável, normal, e quando vai experimentar uma roupa que a devia fazer sentir bem, depara-se com um monstro? Estudei marketing e nunca encontrei o motivo por trás deste truque em lado nenhum. Se a ideia é vender roupa...qual será o objectivo? Fazer as mulheres fugir do provador mais depressa, comprar sem reflectir e deixar lugar à próxima? Evitar que certas chicas-espertas levem os namorados para uma malandrice expresso atrás das cortinas? É por estas e por outras que prefiro levar à sorte, testar em casa onde tenho uma luz natural e amiga, e se não gostar, troco. Fazer compras devia ser terapêutico, caramba.

Thursday, December 9, 2010

Meu rico casaquinho


Sou uma amante de básicos e gosto de conhecer a fundo o meu guarda roupa. Raramente compro uma peça em que não possa confiar, de que não goste a sério e que não saiba à partida que vai durar e fazer parte da minha vida. Uma delas é um casaco de tweed escuro 3/4, cintado, com gola de pelo, de uma designer portuguesa. Apaixonei-me por ele (à primeira vista, of course) no tempo da Maria Cachucha, não pensei duas vezes antes de o trazer para casa e ainda parece novo. Sempre que o uso sinto-me transportada para a Segunda Guerra Mundial. É uma peça de vestuário feita com amor, à moda antiga, de tecido e corte irrepreensível e que transmite imediatamente uma sensação de fiabilidade e elegância, seja usado com jeans ou um vestidinho. Não pesa, não é quente nem fresco demais...é o sobretudo perfeito e está no meu Top Ten. Percebem a ideia - é um daqueles objectos que eu não deitava fora nem que me saisse uma herança multimilionária, com muitos zeros à direita e um guarda roupa vintage do melhor que pode haver.
Um casaco mesmo a calhar para o estilo ladylike deste inverno que tanto me agrada. E ontem pregou-me um susto: com as confusões da mudança, não estava em lado nenhum: nem nos caixotes, nem no meu closet, nem do da mãe, nem nos outros armários. Aflição imediata. Meu rico casaquinho, onde te terei posto? Terá ficado caído em algum lado, sem que eu me apercebesse? Ninguém o tinha visto. Foi uma sensação de perda irreparável, pois por mais sobretudos que viessem, nenhum seria o MEU sobretudo de tweed cintado, 3/4, nem pesado demais nem leve demais, com gola de pelo e o seu porte de Katherine Hepburn ou qualquer diva de tempos idos.

Afinal estava lá, escondidinho entre os outros, com a sua costumeira elegância discreta. Foi como receber uma prenda surpresa.

Tuesday, December 7, 2010

Sissi, matadora de zombies!

Costumo dizer, na brincadeira, que só tenho medo, medo a sério, de duas coisas nesta vida: de mortos vivos e de extra terrestres. Isto faz rir os meus amigos. " Como é que podes ter medo de duas coisas que não existem?" - dizem. Dou-lhes razão, claro. Pelo menos no que toca aos zombies, porque quanto a ETs vai-se a ver. Para ser franca, nem eu sei explicar porque é que os mortos vivos me assustam. Os meus pais ficaram tão impressionados com o filme que deu o mote para o género ( The Night of the Living Dead, de George Romero) que me proibiram terminantemente de ver tal coisa. Porém, o estrago foi igual:  falaram-me do filme - adensando o mistério e o desconforto sobre ele -  mais tarde li o livro (na praia ao sol, mas ainda assim sempre a olhar por cima do ombro) e hoje é o que se vê: eu, que adoro filmes de terror e nunca me assusto, não consigo ver "The Walking Dead" sozinha na sala. Até o "Thriller" me mete medo. O pior é que quanto mais medo tenho, mais piada acho. Novidade do Romero que saia, tenho de ver. Mas já sei que é uma autêntica tortura: músculos tensos, coração apertadinho e um objecto comprido e afiado à mão, não vá o diabo tecê-las.

Já pensei em candidatar-me a castings para filmes de mortos vivos: ia fazer sucesso, com um pânico tão genuíno.


Racionalizando, este é um medo parvo. Primeiro, os zombies não existem e as hipóteses de uma pandemia que cause um apocalipse de mortos andantes são muito remotas. Óptimo! Isso não me impede de ficar gelada só de imaginar dúzias de zombies fedorentos a bater inexpressivamente nas portas e janelas. Acho que a  mera visão de três zombies pingados a vaguear no nevoeiro é suficiente para me deixar indisposta (Romero é mestre em criar detalhes subtis, mas arrepiantes e incómodos como esse). Os mortos vivos são esquisitos, lentos, malcheirosos, burros que nem portas, mas isso não me convence -  em caso de ataque, a coragem não tem grande utilidade. Ser apanhado é garantia de uma morte lenta, impiedosa e inestética. Mesmo que se escape, basta uma dentadinha para nos transformarmos numa coisa feia daquelas, a cair aos bocados.
 O meu único consolo em caso de um cataclismo desses é que não sou propensa a paralisar de medo.  O pavor dá-me fúria, e esborrachar coisas detestáveis ao tiro e à cacetada (já que não tinha outra alternativa) é capaz de ser uma boa forma de descarregar o stress. O mais provável seria que eu liderasse um pequeno grupo de sobreviventes, fazendo uso da minha mania da organização e das estratégias ( e do feitio mandão que a minha família acha que eu tenho). Pelo menos, não ia enlouquecer de tanta miufa.

Com extraterrestres, trata-se apenas da minha intuição, que me diz que quando (e se) aparecerem, não vai ser para tomar chazinho e bolachas. Não gosto da ideia de uma invasão perpetrada por uma civilização mais avançada do que a nossa, sabe Deus com que hábitos. Embirro com estranhos, já bastam os nativos.

Em ambos os casos, o mais perigoso talvez não fossem zombies ou aliens e sim os humanos enlouquecidos à rédea solta, lutando entre si pelos recursos disponíveis. Como dizia a minha professora primária, " eu não tenho medo dos mortos, tenho é medo dos vivos. Os mortos estão para lá deitadinhos, coitadinhos". E se não estiverem, têm de se ver comigo!

Friday, December 3, 2010

O espírito de Natal já chegou a Portugal

Uma jovem mãe, falando ao telemóvel para quem a quis ouvir:

Ó Mãe, ´tá bem, já se "óbiu"...vou agora passar o Natal a casa dela, há-de "haber" muita gente em casa dela para "ber" a menina...há-de receber muitas prendas, há-de! "Atão" a minha irmã chateia-me os cornos o ano inteiro e hei-de ir pra casa dela no Natal? Tenho a minha casa, para que é que hei-de levar para lá a menina? Olha, agora havia de rir-me para ela no Natal, espera! Ela manda o filho para o pé do pai para não o aturar...que exemplo de mãe! Olha, mãe, tou-me a ca***ar. Carago, não tou para aturar a p***a dos velhos! Parece que ficam doidos c´o Natal!

E com estas lindas palavras, carregadas de reverência filial e espírito natalício, largou a falar às amigas sobre o ex namorado, pai da "menina" (mas estas pessoas nunca tratam os filhos pelo nome???) e que a Popota ia actuar num supermercado próximo, logo, ela tinha de levar "a menina" a esse espectáculo carregado de significado, elevação espiritual e carinho pelo menino Jesus.


 Andar na rua de ouvidos abertos dá nisto. Devia existir uma entidade reguladora dos bons costumes, que multasse quem fala assim -  mas os iluminados iam considerá-la uma ideia anti democrática, prejudicial à tão prezada liberdade. Se algum dia ficar multimilionária, talvez pense em morar num castelo com muros altíssimos e mastins de guarda, em sair só para certos locais e em certas ocasiões onde minimize a possibilidade de ouvir disparates. Por outro lado, as tolices alheias são uma fonte inesgotável de entretenimento e matéria para análise do meu semelhante. E existem em formato natalício. Viva o luxo!

Tuesday, November 30, 2010

A casa dos Degredos

Não gosto de Reality Shows, e muito menos da forma degradante como são feitos em Portugal. Confesso que em momentos de parvalheira posso ligar o canal E! para conceder uns momentos de total inactividade aos meus neurónios, mas os formatos americanos são outro barro. Para começar, a maior parte centra-se em "celebridades" que de uma forma ou de outra fazem parte do nosso imaginário, ou com um estilo de vida diferente do comum, o que pode justificar a curiosidade gerada no espectador. Há meia dúzia de programas polidinhos, glamourosos, sem grande escandaleira e que até nos dão algumas ideias ( como The Rachel Zoe Project). Sobretudo, são formatos com um guião definido, com planos próximos e uma sonorização decente, eventualmente com legendas, e - pasme-se - com um objectivo.
 Os programas que por cá surgiram após o malfadado Big Brother fabricaram "estrelas"(leia-se, subcelebridades) a partir do material mais reles e fizeram com que o público, inculto e ingénuo, as aplaudisse.

 O mais triste é que apesar de tudo, A Casa dos Segredos poderia funcionar de forma positiva. [Falo pelo que li das regras do "jogo" porque não tenho pachorra para ver uma dúzia de caramelos em plano descritivo alapados no sofá. Mesmo que o segredo deles fosse a coisa mais escabrosa do mundo, passar-me-ia ao lado].
 Ora vejamos: era possível fazer disto uma espécie de Cluedo, se a ideia é "caçar" os segredos uns dos outros. Um segredo não é necessariamente um esqueleto no armário. Escolhessem um cientista responsável por uma descoberta importante, um atleta medalhado, um(a) médico (a) que tivesse participado em missões arriscadas, missionários, designers, portugueses com sucesso no estrangeiro....porque não fazer de um reality show uma montra de "cérebros"? Porque não aproveitar o casting para seleccionar um grupo que ensinasse alguma coisa ao povo e inspirasse os jovens com modelos positivos? Sim, porque se queriam polémica, bastava juntar um activista da Greenpeace e um Toureiro na mesma casa. Sempre agitava as mentalidades.

Mas não. Para encontrar protagonistas para este formato, a produtora teve de enfiar as mãos bem fundo no enxurro de cloaca que vai passando por este país. Gente sem nada de diferente, interessante ou notável a não ser a sua marginalidade e os sarilhos em que se meteu. Jovens que batem nos professores e desrespeitam os pais em praça pública, acompanhantes, desocupados, ex amantes de jogadores da bola, ex amantes de homens casados, tudo gente amorosa e com nível, para o povão salivar com as estorinhas degradantes, o palavreado pouco recomendável e a desgraça alheia.

A apresentadora (de quem até gosto, ressalve-se) justificou-se dizendo que o programa é um espelho do país. Espero que não seja verdade - não me revejo (cruzes! tarrenego! espiga rodrigo! ) nem à maioria dos meus amigos e conhecidos, naquela gente. Este é o reflexo de uma camada de lodo no nosso país que a TV optou por realçar, premiar e aplaudir. Má ideia. Péssima ideia.

Monday, November 22, 2010

Style Icons

Mick Jagger & Françoise Hardy

Boudoir



Um fim de semana - juro, um fim de semana inteirinho - foi quanto tempo levei a organizar a minha " vanity table" .  Há algum tempo que andava a olhar para o toucador de esguelha, e que se tinha  gerado uma inexplicável rebelião de pinceis, esponjas e bâtons. Mas não esperava enfrentar uma revolução de cosméticos ressentidos. Neste processo, encontrei algumas preciosidades que julgava perdidas, deitei fora tralha que andava geme-aqui-geme acolá a acumular mau feng shui e conclui que tão cedo não há novas aquisições para ninguém. De bâton encarnado, por exemplo, estou mais que servida (lá se vai o Chanel que queria experimentar - afinal estamos em crise e não há que desperdiçar rouge à lèvres em perfeitas condições) .
Mais importante, no seu novo boudoir o toucador vai ser elegantemente dissimulado por um biombo, a prevenir eventuais episódios de insurreição como este. Não quero que as minhas amigas vejam o meu quarto naquela figura. Pode ser uma zona de trabalho, mas tudo tem limites.

Tuesday, November 16, 2010

It bag, aluga-se!

Direitinho da série O Sexo e a Cidade para a realidade portuguesa, o site http://www.glamorous.pt/ permite às meninas (e meninos, sabe-se lá) fashionistas mas pouco " forrados" alugar carteiras de luxo - LV, Gucci, and so on - para uma ocasião especial, ou só porque sim. Como ideia de negócio, considero a iniciativa simplesmente genial. É um serviço prático (entrega as carteirinhas em todo o país) discreto ( os meninos vão entregar a dita cuja a casa) e para os responsáveis, teve um custo relativamente reduzido: cerca de 60 mil euros, sendo o investimento mais avultado a compra dos produtos, como seria de esperar. Acho piada que a cultura da "reciclagem fashion" tenha chegado ao nosso país. Ou regressado: não vão longe os tempos em que a maioria das noivas alugava o véu ou o vestido, e ainda hoje se alugam fraques. Primeiro, lojas vintage (ou em segunda mão) em versão chic. Agora, aluguer de acessórios. Num país que já que não pode sê-lo, ao menos gosta de parecê-lo, tenho a certeza de que vai ser um sucesso. Palpita-me que a ideia também vai fazer sucesso entre as produtoras de TV, que necessitem de compor uma personagem sem gastar horrores num acessório efémero.
 Pessoalmente, dou demasiado valor às minhas carteiras: são uma coisa muito pessoal, privada, de colecção. Gosto que sejam mesmon minhas, de as guardar, de lhes amarrar echarpes e outras maluqueiras.

Não me vejo a alugar uma peça dessas, até porque não faço questão (muito pelo contrário) que se note a marca, ou não marca, da minha carteira. Por mais it que a bag seja, prefiro os modelos discretos, não vá o diabo tecê-las. Ostentação não é comigo. Já a opção de outlet (sim, também as vendem a um preço mais convidativo) parece-me muito simpática.
 Todavia, não digo desta água não beberei: pode ser útil experimentar se aquela carteira ou clutch caríssima é mesmo um bom investimento, se " liga" connosco. Nesse caso, nada como fazer um test-drive à criaturinha.

Monday, November 15, 2010

O chic do Tony

Tony Carreira disse há dias no Casino Figueira que há quem diga apreciar a sua música porque " é chic gostar de ouvir Tony Carreira". Cada dia, uma novidade. Nunca ouvi em parte alguma, assim, preto no branco, que o trabalho deste cantor ligeiro rimasse com snobismo, ou vá, sofisticação. Nenhum dos meus amigos "cultos" , "elegantes" ou "snobs" se gaba aos quatro ventos de ouvir Tony Carreira - se o fazem, é às escondidas. No entanto, não posso jurar que a afirmação do senhor, por mais exagerada que seja, falte à verdade. Lá em casa, nunca percebemos como um cantor dito " popularucho" salta repentinamente de um nicho para o mainstream, passando a ser aplaudido em publico por alguns membros da suposta ´elite culta´ cá do burgo. De um momento para o outro, foi ver muita gente " bem" a dar palmadinhas nas costas do cantor sensação, enquanto os seus congéneres mantiveram o estigma de simples cantores populares, confinados às " grandiosas festas em honra do emigrante" por esse país fora. Mais estranho ainda, não vi qualquer jornalista, cronista ou opinion maker dignar-se a analisar o fenómeno. Afinal, o que é que o Tony tem? As suas canções parecem-me perfeitamente inofensivas; não seguiu a receita de alegria e brejeirice do Quim Barreiros (o que justificaria parte da sua base de fãs) nem tem um vozeirão como o Marco Paulo. Acrescente-se que, tanto quanto sei, a sua fórmula se manteve sensivelmente a mesma desde que ouvi falar dele em meados dos anos 90.

Porque é que os que franziam o nariz à música popular passaram a ser fãs do Tony Carreira? E mais intrigante, porque é que as fãs acérrimas preferem este Tony a todos os outros?

Todos sabemos que neste país as histórias de rags to riches, do emigrante que se sai bem, vendem revistas e discos no seio de um público específico. Também já ouvi que os seus músicos de palco são os melhores no ramo, que dedica tempo a todas as fãs, uma por uma. Mas isso não chega para explicar a moda.

O que faz milhares de donas de casa abandonar o conforto do lar para correr o país atrás de um artista que já viram actuar dezenas de vezes?

Ao fim de alguma análise, nós, que somos uma família que pensa muito, conseguimos encontrar razões para a adoração das maiores fãs do super Tony. Senhoras de um meio rural ou suburbano, com maridos....enfim, insensíveis, que só querem saber do futebol e da caça, que às vezes não são fiéis, nem aprumadinhos, nem dizem coisas cá de dentro como o Tony, e que projectam no senhor " tão lindinho e singelo e arranjadinho" todos os seus sonhos perdidos de amor juvenil. E os maridos, fartíssimos de aturar as legítimas, não se zangam que elas andem atrás do Tony -  até compram os discos e alugam carrinhas para o mulherio ir aos concertos. Ao menos assim não os chateiam nem perdem a cabeça com o vizinho do lado. Tenho para mim que o Tony Carreira é um preventivo para muita violência doméstica em território nacional.

Isso ainda se entende (apesar de eu achar que o Tony é um vulgar rapaz de uma aldeia perdida na beira, com roupas iguaizinhas às do dono do café central, apenas mais caras, mas lá se avenham).

O que me escapa é como este produto musical se torna tão pop, tão transversal, tão... chique? Algum desses snobes que ouve os Sonhos de Menino sem ninguém saber deve ter a resposta. Não se acanhem, escrevam-me a contar que o sigilo fica garantido, mas pelas alminhas, tirem-me deste dilema.
 

Tuesday, November 9, 2010

Um Inverno com classe

Estou contente com as colecções deste Inverno. Regressaram as saias midi, em formato lápis ou rodado (eu que já andava desconsolada com tanto vestido acima do joelho) acompanhadas de casaquinhos, capinhas, calças cigarette, pantalonas...tudo isto temperado com muito preto, um toque anos vintage (anos 40, 50 e 60) bons cortes, formatos tradicionais, tayloring perfeitinho, bons acabamentos e muita feminilidade. Padrões e tecidos clássicos, como o tartan e o tweed, cruzam-se com tendências naturais, inspiradas na Renascença e nos tempos medievais, para um look etéreo e rico. Temos brocado, caramelo e ouro velho. Temos peles,tigresse e cabedal. Temos tecidos firmes que podemos combinar com peças delicadas e malhas grandes, de efeito fofo. Ou seja, excelentes básicos e apontamentos do mais bonitinho que há. O melhor de tudo -as novidades são fáceis de coordenar com coisas que sobraram das colecções passadas, ou com "velharias" do baú da avó, que agora podem ser reutilizadas.Adoro as carteiras estruturadas, as thigh high boots, e sobretudo agradam-me as ideias subjacentes a estas peças. Vai ser um Inverno misterioso e elegante. Um conselho de amiga? Aproveitem para adquirir uma boa quantidade de roupas, porque vos vai ser útil durante bastante tempo. Estações assim inspiradas não acontecem sempre.

















Monday, November 8, 2010

O lamaçal

Muitas vezes mordo a língua, porque se há moda que cá chegou foi o politicamente correcto e não há muita gente que leve a bem um bocadinho de frontalidade. Mas este país precisa de um banho para tirar a sujidade acumulada nos últimos 100 anos e a camada de glace que lhe puseram por cima na tentativa de dourar a pílula. Chegou-se a um ponto em que já ninguém é capaz de apontar para dizer basta, é indecente, é ridículo demais.

Eis o problema do politicamente correcto: a demão de corrector é de tal forma espessa que já ninguém distingue o correcto, no sentido cru e não político do termo, do incorrecto. E quem diz duas verdades, aqui  d´El -Rei que é mau, que é preconceituoso, que é fútil, que é anti democrático.
Ai do pobre coitado que tenha o atrevimento de ter sido criado noutros valores, formatado para valorizar a cultura, o respeito mútuo, a deferência para com os mais velhos, a beleza, a harmonia,  o respeito pela autoridade, pela parcimónia, pela dignidade.
Cansa-me que uma nação que até costumava ter gente gentil confunda "humildade" com brejeirice, alarvidade e carências de toda a ordem. Fico parva quando abro  um jornal e noto que um reality show (já de si um formato lamentável) além de ter honras de página inteira, conseguiu descer ainda mais baixo e escolheu a dedo um grupinho de gente cujos feitos se limitam a ter sido acompanhante de luxo ou amante de um jogador da bola. E ainda mais parva fico quando noto que esta abjecção de assunto é alvo de discussão apaixonada nas ruas. A minha estupefacção continua ao ler que os jornalistas chamam "namorada" e não "amante" à jovem ex-alternadeira amante de um dirigente desportivo casado e 50 anos mais velho, como se isso fosse, além de tema de interesse, uma coisa normal, saudável e de louvar. Depois saio e deparo-me com gente malcriada, suja, malcheirosa, e ninguém franze o nariz, porque cheirar mal é um problema pessoal de cada um, pobre de quem tenha "racismo" contra quem gosta pouco de se lavar. Já os palavrões, são um direito inalienável de quem vive em democracia, pois claro! Quanto mais alto e mais depressa meninas e crianças os ouvirem, melhor se integram na cultura dominante.

Volta e meia, cruzo-me com empregados de loja ou da TV Cabo que me tratam por "tu", com a maior falta de profissionalismo . Nem menina, nem senhora, nem sequer "você" sem me conhecer de parte alguma, sem pensar se serei solteira ou casada, se não estarão a ser um nadinha à vontade demais para uma cliente a quem nunca viram nem mais gorda nem mais magra, sem se tocarem quando os continuo, ostensivamente a tratar com o maior respeito por "senhor" como quem diz "olha a peneirenta! Julgas que és mais quem eu? Trato-te por tu e trato mesmo!".


Relativamente ao futuro, tenham medo! Os pequenos berram que nem desalmados, dão encontrões às pessoas,  mas nenhum adulto ralha porque pode traumatizar o "precioso" ou ser processado pelos pais da cria; os meninos batem nos professores, e os pais dos meninos batem nos professores, e recebem mesada do estado sem trabalhar para sustentar carros de luxo, atribuida por políticos que forram a conta bancária de forma ilegal, mas ninguém diz nada, nem acha esquisito, porque em democracia há que sustentar os pobrezinhos (mesmo os falsos pobrezinhos) desde que não sejam velhinhos pensionistas. Quanto ao senhor doutor/engenheiro perto do poder, ele é que continua a ter razão e direito a amealhar mais uns cobrezitos porque no lugar deles o povo também se "safava" assim, desde que continue a ser da esquerda fofinha está tudo bem, Ámen, e lá por Espanha até podem vaiar o Papa porque os Padres , sejam ou não chefes de Estado, são todos uns pedófilos e vai de zupar na polícia, no padreca, no velhadas porque isto é um país livre. Quanto ao português, continua a sofrer as passas do Algarve sem se queixar -  só fica danado quando é para deitar abaixo os funcionários públicos médios que são todos uns canalhas e roubam os contribuintes, e para refilar da pena que é o leite chocolatado (para as preciosas criancinhas que os professores privilegiados e sovados hão-de educar porque os pais andam ocupados a fingir que aprendem com as Novas Oportunidades, a engrossar a estatística e a ler sobre A Casa dos Segredos) ter subido não sei quanto. Bem feita, os "alemões" são "mais ricos que a gente", eles é que sabem; e continuemos a vergar o espinhaço ao estrangeiro, porque ser patriota é coisa do tempo da outra senhora e cai mal, só é chato uma pessoa não saber como há-de pôr o "comer" para o "menino" na mesa. Nestas alturas apetece-me abrir os olhos a estes portugueses com umas tenazes, como no filme Laranja Mecânica, e bater-lhes com o telecomando na tola, e com o Correio da Manhã nas trombas, para ver se acordam. De seguida apanhar um avião para um condomínio perfeito onde não tenha de aturar gente maluca. Virgem Santa, como doi ter dois neurónios que ainda cometem o crime da indignação.

Monday, October 25, 2010

O próximo chorão de Portugal

É fatal como o destino. Volta não volta, aquando do início de um novo programa de talentos, pimba! Perguntam-me o que eu acho, como se eu fosse alguma autoridade na matéria. Verdade seja dita, não é preciso ser um guru para  perceber a equação. Os vencedores do American Idol, assim que saem do programa, passam a ter um cachet astronómico. No Reino Unido, idem. Um bom número deles constroi uma carreira interessante - veja-se o percurso de Leona Lewis ou a presença de Kelly Clarkson na lista da Forbes. Em Portugal, não há como reproduzir o fenómeno. O mercado não o permite. Aceitem-no. Lidem com isso. Com excepção de alguns que tiveram oportunidades como actores ou pivots, o destino de muitos ex "ídolos" limita-se a fazer vozes em formatos como "Dança Comigo" ou "Dá-me música". Ora, para isso não era preciso sujeitarem-se à exploração mediática de um programa como este. Inscreviam-se numa agência,  participavam num casting privado como qualquer cantor anónimo e pronto. Sem fama instantânea, sem promessas vãs, sem tabloides idiotas.

Para além da componente ´reality show` (causadora de uma invasão da privacidade que há uns anos não passava pela cabeça de ninguém) o que me aborrece no Ídolos, que até tinha tudo para ser giro ( uma boa banda ao vivo, oportunidade de experimentar estilos diferentes) é o dramalhão. E isso é mais grave do que parece, não se limita a grandes planos de lágrimas, baba e ranho acompanhados de música lamechas. Há pouco vi três jovens inteligentes, com cultura, com cabeça e uma prestação eficiente irem para o olho da rua. Porquê? Porque não dão "espectáculo". Não choram, não se fazem de infelizes, não vêm de famílias pobrezinhas e disfuncionais, reagem com calma aos reparos do júri. Pessoas normais. E isso não vende, porque o público, especialmente o português, não vota no mais talentoso; vota no mais "humilde" (leia-se pobrezinho, carenciado, rústico) porque coitadinho, "precisa mais" e não tem "peneiras", como se os grandes artistas fossem todos paupérrimos e modestos.

O que eu gostaria de saber é onde é que estes miúdos desencantam tanta lágrima. É um mistério que muitos actores em formação precisam de descobrir. Será que usam gás lacrimogéneo? São espancados impiedosamente nos bastidores? Uma coisa é certa: neste concurso, eu não me safava.

Sunday, October 24, 2010

Em privado, faz favor!

 Não há país (europeu, pelo menos) que ame tanto os grandes shoppings como Portugal. Estas catedrais do consumo foram-se tornando cada vez mais práticas, cada vez mais versáteis: hoje, só de um salto, é possível tomar uma refeição, fazer as comprinhas básicas, retocar a manicure e regressar ao escritório como se nada tivesse acontecido. Até aí, óptimo. Esse é o tipo de modernice que eu aceito bem. A não ser que a manicure seja retocada num "nails corner" ou o threading de sobrancelhas feito em pleno corredor central, à vista de quem passa. Expliquem-me o sentido disto, porque eu ainda sou do tempo em que unhas e depilações eram uma coisa íntima, não muito agradável de se ver. Procedimentos estéticos, só em espaços fechadinhos.
 Vejamos: a cliente paga pelo serviço sensivelmente o mesmo que pagaria num salão normal (ou mais um bocadinho, que as rendas de shopping estão pela hora da morte); faz de cobaia e publicita o trabalho das esteticistas; não pode fazer caretas de dor, mesmo que lhe enfiem uma lima pelo dedo dentro, e ainda muito obrigada por cima. Para mim, isto é o equivalente a tirar macacos do nariz em público. Não gosto de ginásios, restaurantes, ou cabeleireiros com aspecto de aquário. E também não quero mandar lascas e pó de unhas para cima dos infelizes que vão a passar.


O que se segue? Depilação brasileira nos corredores? 

Friday, October 22, 2010

Eu embirro com Tupperwares

A propósito deste post, lembrei-me de partilhar algo convosco: a minha embirração com os pobres tupperwares. Não que eu não seja uma dona de casa prendada, empenhada no conforto do lar, que até sou. Gosto de cozinhar; compreendo a necessidade de acondicionar bem a comida.
 E tenho o maior respeito por amigas e parentes que amam de paixão os seus mini contentores de plástico com artilharia para cada ocasião . Mas que querem? Não encaixo a ideia de existir um certo snobismo com...tupperwares. Uf, sabe bem dizer isto ao mundo! O Tupperware (uso o masculino por ser um mini armazém, embora dizer " a" dê mais jeito) é a Vista Alegre, a Companhia das Índias, a Birkin bag,  o Ferrari dos utensílios de cozinha. Mas no fundo, bem no fundo, não passa de uma marca de caixas de plástico, que muitas vezes limita a sua utilidade a guardar restos de comida e sopa para a semana inteira (credo) no congelador. Depois há a questão das reuniões de Tupperware. Eu lá sou pessoa para me sentar uma hora inteira a filosofar sobre caixas a cheirar a armazém de ferragens e a competir com as amigas a ver quem tem "a" tupperware mais recente? A/o Tupperware desactualiza-se? Precisa de upgrade? Se não actualizarmos a colecção de tupperware periodicamente, corremos o risco de haver uma catástrofe na cozinha? De apanhar um vírus culinário? De ficar démodé?  Expliquem-me por obra de quem é legítimo, e chic,  usar o cartão de crédito para comprar tupperwares. Ou comprar tupperwares a prestações.
Que se gaste uma fortuna em faianças bonitas eu percebo. Agora, ter vaidade em tupperwares
 parece-me algo mais próprio de uma técnica de superfícies profissional (é uma ferramenta de trabalho, oras) do que de gente que pretende ser benzoca. Se calhar a snob sou eu, mas as caixinhas do IKEA servem-me lindamente. Até inventarem reuniões para isso, porque aí estou fora.

Socorro, eles "andem" livres para amar!

Não há grande coisa a esperar da imprensa "rosa". É daquelas coisas que são o que são, como a fast food, os saldos ou os carrinhos de choque. Divertem-nos, há publicações melhores e piores, e disto não passa. Mas também não é preciso chafurdar no lodaçal. Entrar numa papelaria e ser assaltada por manchetes que berram "drama!" "miséria!" "tragédia!" a propósito de gente  mais amarelo-fome do que rosa  (agigantando estórias que nada têm de tão trágico assim ou que quando têm, são tão reles que deviam ser lamentadas em vez de ser notícia) é como um cheeseburguer estragado: põe-me maldisposta. Isso e frases melosas que agora estão na moda e são ditas a torto e a direito por "figuras" com obrigação de ter um bocadinho mais de cultura do que os desgraçados participantes de reality shows.
Ler pérolas como "Estou livre para amar" é foleiro demais para as minhas capacidades. Mesmo. Fujam.

Wednesday, October 20, 2010

Há algo de estranho no reino da Dinamarca...

Estranho sim. Não digo que esteja podre, porque este é um blog perfumadinho, limpinho, bem cheiroso. Mas que eu, cujos neurónios andam sempre em permanente actividade (mesmo que a actividade seja inteiramente recreativa) seja capaz de ficar longos minutos parada, a olhar para ontem, sem um único pensamento a martelar-me a mente, soa-me incrível. Nunca me aconteceu, nem durante a infância e eu fui o que se chama uma valente cabeça no ar. Mais estranho ainda, esse estado sabe-me bem.

Às tantas alcancei o Nirvana sem dar por isso. Em cima de tudo, era só o que me faltava.

Friday, October 15, 2010

Os homens são uns injustiçados

Embirro com artigos escritos por mulheres a criticar o sexo oposto, principalmente quando não têm tanta graça como isso. Como se a nossa única força consistisse em deitá-los abaixo. Mais vale assumir que a eterna guerra dos sexos tem piada: já que aqui estamos, vamos jogar com classe. “Eles” são teimosos, despistados, só fazem o que querem, têm uma sensibilidade diferente da nossa…está dito. Qual é o mistério insuportável disso? É crime? Ou muitas cronistas terão simplesmente escolhido a amostragem errada, constituída por amostras de homem? Palpita-me que é isso. Ou então não leram o manual de instruções, apesar de todas as revistas publicarem páginas intermináveis sobre como agradar ao seu homem (outro erro).

Ponto um: os homens adoram-nos. Acham-nos deliciosas, irresistíveis, ainda que de uma maneira um pouquinho bruta, trapalhona. E isso é fofo. Eu não consigo ser má para quem me considera um amor, pronto. Fazem-nos elogios. Quando nos amam, não querem saber dos nossos defeitos. Somos lindas, pequeninas, uma coisinha fofa para apertar, beijocar e encher de mimos. Depois, para eles não há nada mais sexy do que nós, mesmo quando estamos meio despenteadas, sem maquilhagem, trôpegas de sono. Até isso lhes parece lindo, ternurento e inspirador de luxúria. Se não estamos tão em forma, somos umas deusas na mesma. Se estamos em forma, chamam-nos esculturas. Não se deixem enganar pela sua (aparente) falta de atenção ao detalhe. Eles descobrem pormenores em nós e entusiasmam-se com coisinhas pequeninas que nem nos passam pela cabeça. É o narizinho não sei como, a curva dos lábios, certas expressões e partes do corpo que nós até detestamos, mas que a eles lhes merecem aquela frase histórica: “ se modificares isso, nunca mais te falo”. E quando não amam uma só mulher, amam-nas em geral. Até fazem revistas “machistas” que têm sempre – sempre – uma mulher na capa, tanto nos admiram. Qual é a revista feminina que dá esse protagonismo a um homem?



Ponto dois: os homens têm uma coisa deliciosa. Dão colo. Abraçam-nos daquela maneira que só eles sabem e há alguns, raros, que têm “ o abraço de um milhão de dólares”, que só quem já o recebeu pode contar. Os bem constituídos, de pernas fortes, são como um trono para as sortudas. Sabem como é? Sentam-nos, abraçam-nos e parece que não vamos cair dali abaixo por pior que tenha sido o nosso dia. Oh, e fazem festinhas. Aquelas que nem nós temos pachorra para fazer, nas costas, no cabelo, na testa, quando temos enxaqueca. Alguns são tímidos, incapazes de se expressar como adultos, mas manifestam o seu amor com pequenos gestos, ciuminhos, amuos, e outras coisitas que nos lançam numa montanha russa emocional, que acaba como a decência não me permite descrever. Quando amam, amam a sério, profundamente, inconfundivelmente, com uma exclusividade que até a eles os surpreende. Novidade das novidades, muitos são maduros, fiéis e não gostam de enganar porque como todo o ser humano, também apreciam a estabilidade. E esta?

Ponto três: protegem-nos. Agarram-nos com força como quem diz “é meu!”. Quando estão apaixonados, a sua dama é sagrada. Ai de quem toque a fímbria das suas vestes. Se o patrão é antipático, oferecem-se para lhe ir dar uma sova. As colegas que são más para nós são imediatamente taxadas de “cabra” para baixo. O que é reconfortante, mesmo que não passe de basófia. Sim, eles são fanfarrões, faz parte do seu encanto. Tomam conta de nós. Vão-nos esperar e buscar. Se souberem, arranjam-nos o computador ou as engenhocas lá de casa, e quando não sabem tentam, ainda que a emenda possa ser pior do que o soneto. Até há alguns que nos carregam os sacos das compras e ainda esperam pacientemente à porta dos provadores. Quando podem, os mais generosos até se oferecem para pagar a conta, o que não sendo necessário, é querido. Eles gostam de agradar. E põem o braço à nossa volta de uma maneira que só eles sabem. Quando já não nos amam, vão –se embora e vão mesmo, não há diabo que os demova. Depois muitos voltam, a rastejar se for preciso. Arrependem-se. Dão cabeçadas e mostram-nos os galos a provar que é verdade. Quando sofrem, sofrem a sério, não se curam com cabeleireiro e massagens. Provocam o rival e chegam a andar à pancada por nossa causa. Bebem até cair por ciúmes. Mostram a sua dor, rondam-nos os passos, não disfarçam, não se importam de mostrar que se sentem miseráveis. É tão romântico.



Ponto quatro: eles têm intuição, sim. Apuradíssima. Podem não reparar em coisas óbvias, o que nos deixa indignadas, mas sabem imediatamente quando a relação não caminha bem ou estamos a tramar alguma. É infalível – se sentem que a namorada lhes foge, é vê-los desdobrados em esforços para que fique tudo bem. Por outro lado (acredito que seja por descenderem de caçadores) sentem automaticamente quando temos medo de os perder, quando nos provocam ansiedade, quando gostamos (demasiado) deles. E aí, alguns abusam, o que remete para as velhinhas regras de coquetterie - se queremos que as coisas funcionem, claro.



Ponto cinco : eles não se recordam das datas importantes. Por vezes. Alguns. Mas depois têm coisas amorosas que não lembram a ninguém e trazem-nos lembranças ou têm atenções fora da data. Não são, nem têm de ser, grandes presentes. Avisam-nos que abriu uma loja que é “mesmo” a nossa cara. Trazem-nos “aquele” doce, só porque sabem que adoramos. Reparam nas nossas preferências, conhecem-nos os gostos. Quando querem e é possível, são capazes de nos oferecer determinada coisa porque gostariam de nos ver com ela, ou levam-nos a um determinado local porque têm a certeza que nos vai agradar. Para eles, o Dia dos Namorados é quando o Homem, e não o calendário, quiser.



Ponto seis: eles são lindos. Não percebo algumas amigas que dizem que o corpo masculino não é tão bonito como o nosso, esteticamente falando. São lindos - afirmação sujeita aos gostos de cada uma, como é óbvio – fortes, ágeis, maiores do que nós. Têm mãos e bocas grandes, e barbas que picam, mas que lhes ficam tão bem. Têm cabelos sedosos, sorrisos enormes e troncos fortes, músculos firmes e uma pele mais rija e resistente do que a nossa. Quando são bonitos, nem a barriguinha os prejudica muito. A sua beleza compõe-se de imensos detalhes giros – os ombros, o maxilar, o tórax, os gémeos, os ossos da anca salientes quando andam só de jeans pela casa. Dão grandes gargalhadas graves. São vivaços, expressivos, têm presença. E fazem carinhas, olhos de bambi, beicinho, como bonecos animados em versão sexy.

Em jeito de conclusão, entre mulheres e homens há um grande lapso comunicacional. Eles foram ensinados a amar as mulheres em geral, ainda que da maneira errada (e por isso, certos homens querem ter muitas mulheres). Nós fomos ensinadas a amar só um, o que acaba por não acontecer, e tentar mudá-lo se não nos servir, o que falha inevitavelmente. O caminho não está em mudar o homem, seringar-lhe o juízo, porque aquilo que realmente lhe agrada é ser DEIXADO EM PAZ. Com o seu futebol, a sua basófia, as suas engenhocas, as suas parvoíces. Se isto não servir, a receita para a felicidade é simplesmente mudar de homem. E tentar aceitá-lo como é, com coisas que não percebe, pois é mesmo assim que gosta dele, por mais que jure que não.

Thursday, October 14, 2010

Chanel is bringing lipstick back....

 
A marca quer acabar com a ditadura do todo -poderoso gloss ( que passou de complemento a senhor incontestável no necessaire) e ressuscitar o belo do bâton. Deus abençoe o responsável. Já chega de me matar para encontrar o tom de encarnado certo e de achar que tenho a boca demasiado maquilhada perto da multidão de lábios transparentes. Mesmo translúcido, bâton é sempre bâton.

Get the Tailleur!

 Marylin Monroe & Jane Russel, Gentlemen prefer Blondes.

Ata-me!!!


 Alguém disse que o mundo descambou porque as mulheres abandonaram o espartilho. Não sei se é verdade, mas a capacidade de o usar diz muito sobre  que é ser uma mulher, ou antes, uma senhora. Uma senhora deve manter as costas direitas, a cintura vincada, a cabeça erguida e se for esperta, o coração estrategicamente fechado. De espartilho e saltos altos uma mulher nunca cede, nunca dobra, nunca se compromete. É a irresistível vulnerabilidade feminina protegida por uma armadura de luxo. Apertada por um bom corpete ou espartilho, uma mulher não respira livremente nem descontrai a barriga, mas qual é a senhora digna desse nome que precisa disso? Qualquer coração precisa de uma couraça bonita. E tem tanta graça tirá-la. Um corset que não aperte um bocadinho não é um corset que se preze. Ainda bem as mulheres do século XXI podem usá-los. Só de vez em quando, que é como sabe melhor.

Tuesday, October 12, 2010

Marquise de Merteuil dixit

Well, I had no choice, did I? I'm a woman. Women are obliged to be far more skillful than men. You can ruin our reputation and our life with a few well-chosen words. So, of course, I had to invent, not only myself, but ways of escape no one has ever thought of before. And I've succeeded because I've always known I was born to dominate your sex and avenge my own.

A minha vida não dava um livro!

 Dava um Bodice Ripper, vulgo romance de cordel. É por isso que não a transformo numa novela. Primeiro, porque os leitores iam pensar que era tudo fruto da minha imaginação. Depois, porque os factos são tão rocambolescos que só podiam descambar em má literatura -  e a má literatura é para saborear às escondidas, com um sentimento perverso de culpa, em privado. Mas que as capas são giras, isso são.

Já meia noite com vagar soou...

Hoje estou num mood dark, com vontade de usar (ou acentuar, vá) os meus espartilhos, as minhas roupas góticas, os meus exageros, as minhas rendas, a minha sensibilidade e o meu lado ultra romântico, misterioso, trágico.

Monday, October 11, 2010

Um momento de reflexão e parvalheira....

Livre sou por nascimento,
Em vários pontos passando,
Cada vez, sempre buscando
Determinada corrente.

Aquela que me prendesse
Me mostrasse o meu lugar
Me fizesse ali ficar
Segura e eternamente.

Mas sigo sempre com as águas!
Sou terra que se desfaz!
Nunca encontro a minha paz
Sigo sempre com o vento...

Nem o fogo me consome
Nem há força que me vença...
E não tenho quem me prenda!
Não tenho quem me convença!

Saturday, October 9, 2010

O Fio de Ariadne

Ora aí está um objecto de grande utilidade: um fio mágico com o poder de guiar para fora do labirinto e mostrar todas as saídas, todas as respostas. Esta princesa/deidade mitológica está associada à esperança, mesmo nos momentos de desespero. Após a aventura do labirinto, viu-se abandonada por Teseu (o ingrato!) na ilha de Naxos. Mas Dioniso, esse Deus da força vital (e da pândega) apaixonou-se por ela. Casaram e foram felizes para sempre, no maior mood " toma, arranjei melhor que tu, seu palerma".

Monday, October 4, 2010

Conselho para a vida:


" Se és a única mulher no quarto, para ele vales um milhão de dólares"

Sim, meu amor, está bem meu amor...


...Já dizia o Jorge Palma que conhece alguma coisa de relacionamentos. Esqueçam os conselhos das revistas femininas que pregam que uma mulher deve demonstrar a sua forte personalidade a torto e a direito. Meninas, se querem fazer o vosso homem feliz - e garantir que ele vos cobre de mimos e atenção - não têm de a mostrar. Têm de a usar. Ou seja, dar -lhe o que ele mais gosta. E qual é a coisa que um homem mais preza neste mundo? Se pensou em coisas sexy, baratas e óbvias, engana-se. O que um homem adora acima de tudo é TER RAZÃO. O ego masculino é frágil, a vida moderna não permite aos coitadinhos caçar nem batalhar todos os dias, as mulheres tomaram de assalto as profissões e actividades que antigamente se destinavam só a eles. O que lhes resta, se não podem ao menos fingir que mandam, que decidem e que ainda são chefes de família? Há coisas que nunca mudam, e uma delas é que não é com vinagre que se apanham moscas. Já sei que algumas vão pensar " então e eu? Não preciso de ter razão?". Ora, as mulheres são inteligentes demais para precisarem de ter sempre razão. A bem da verdade, a utilidade de ter razão é um bocado limitada.
Confrontar um homem directamente é pedir chatices. Mais vale agir à moda de ontem. Seja meiga, seja feminina, não lhe grite. Dê-lhe o desconto. Proceda como fazia com o seu irmão mais novo ou seja, deixe-o ter o brinquedo por um bocadinho. E depois dê-lhe a volta, de modo que ele pense que foi tudo ideia dele, porque ele é o máximo, tão decidido, tão expedito, tão protector, tão forte. Essa nunca falha. Vai ver que ele depois a compensa lá à maneira dele. O mais provável é ele seguir o seu conselho sem perceber como diabo é que isso aconteceu. E no fundo, é tão relaxante ter alguém que vista as calças por nós enquanto mexemos discretamente os cordelinhos...

NB: Se ele mesmo assim proceder à vontade dele e fizer asneira, há sempre o velho e delicioso " eu bem te avisei".

Friday, October 1, 2010

Amor de perdição



Ontem, na série "Power, Privilege and Justice" foi contada a história de amor trágico entre Claudine Longet e "Spider" Sabich, um "it couple" de Aspen nos loucos nos 70. O conto é velho - ciumes que acabam mal - mas está cada vez mais na moda. Neste milénio, quantas histórias de paixão não acabam com uma bala ou coisa pior? Soa estranho, na nossa época asséptica, limpinha, ultra informada, mas acontece em todas as camadas da sociedade. Há quem prefira ver um grande romance acabar em sangue do que vê-lo findar de forma chocha, sem graça, cada um para seu lado, mais uma foto a cortar do álbum e pronto. Coisas do ego? Sentimentos intensos demais? Nervos esfrangalhados ou simpes exagero romântico? Sempre me perguntei o que pensarão, 20 anos depois, os que assassinam aquele (a) que era, na altura, " o grande amor da sua vida". Porque não há paixão, por maior que seja, que não acalme com o tempo, cuja dimensão não se altere, não se esbata;que não possa ser superada por outra maior; não há fúria ou ciúme, por pior que seja, que não se adoce com o passar dos anos; não há honra ferida que não se cure. Quantos comuns mortais não sentem vontade, na hora "H", de exercer uma vingança qualquer sobre um companheiro infiel, quem já não ficou maldisposto por amor para dali a dois dias pensar "que parvoice, o que eu me ralei por aquela figura"? Qual é o "amor" que justifica eliminar alguém, só para que mais ninguém aproveite, ou, em última análise, que explique destruir alguém que é belo, que alegadamente se adora? Se os remorsos não fizerem o seu trabalho, pensará quem mata: uma vida atrás das grades por causa disto?
Será que pensam, como a personagem de Eça de Queiroz " e assim acabava, reles e chinfrim, o romance melhor da sua vida! Preferia sabe-la morta, a sabe-la espancada"?

Pela parte que me toca, é um mecanismo que me custa entender, pelo simples facto que a fila anda! Se nos enganámos acerca do carácter da pessoa com quem estamos, se houve azar...rei morto, rei posto. O bom gosto impõe uma melhor selecção da próxima vez, para evitar mais paixões reles e chinfrins. Ou como diria ainda o Eça acerca dos amantes infiéis. " Deves proceder como se te tivesse caído um charuto na lama - deixá-lo fumar ao garoto que o apanhou. Zangares-te com o garoto ou com o charuto é de imbecil". Quanto mais não seja, porque não há nada de romântico em matar seja quem for - é reles, chinfrim e suja imenso.

Monday, September 27, 2010

Senhor, dai-me paciência...e quero-a já!


Não gosto de esperar. Raramente gosto de surpresas. Não gosto de coisas que não posso controlar, que não dependem de mim, que por qualquer razão - seja orgulho, timidez,conveniência ou simples limitação de poderes - não posso tomar nas minhas mãos e pôr em pratos limpos. E logo eu, que nunca fui mulher de meias tintas, ter de encarar que já esgotei todo os meus artifícios, manhas e recursos e que só me resta esperar quietinha e caladinha. Acontecer-me isto a mim, que nunca tive sequer paciência para comer um rebuçado até ao fim sem o morder. Oh, vida.

Thursday, September 23, 2010

Irina Shayk dixit


" Uma mulher não deve comprar as suas próprias jóias" numa vibe muito Zsa Zsa Gabor.
Assim se explica que uma menina que gosta de ler Tolstoi gaste o seu tempo com...Cristiano Ronaldo.

Thursday, September 16, 2010

Vanity Fair lost it?


Tatiana Santo Domingo, a mais bem vestida do mundo? Não que o material seja mau, mas em cada foto dela vejo uma dúzia de detalhes a precisar de um ajuste, uma puxadela, um apertãozito, uma esticadela...

Get the Chandelier!


Clever and attractive women do not want to vote; they are willing to let men govern as long as they govern men.


(George Bernard Shaw)

Wednesday, September 15, 2010

Por favor, morda-me o pescoço.

Sou incapaz de pieguices, pronto!




Tenho uma confissão a fazer: eu não sirvo para blogueira (nem para figura de destaque) nos tempos que vivemos. E porquê? Pelo simples motivo de ser incapaz, virtualmente incapaz, de dissecar emoções. Não só online. Fui educada para guardar os meus problemas para mim, para não demonstrar fraquezas,para disfarçar lágrimas perante um pelotão de fuzilamento, para não chatear as pessoas com os meus assuntos a não ser que tenha algo de extraordinariamente bom, fabuloso (e 100% confirmado, não vá o diabo tecê-las) para contar. No "meu" tempo - ou na minha realidade paralela, vamos - não se falava de dinheiro, não se falava de doenças, não discutíamos as zangas com o namorado, a mãe, o irmão, a não ser num círculo muito restrito e mesmo assim com cautelas. E também se cultivava a modéstia, pelo que a gabarolice era uma coisa condenável. Não vale a pena dizer que estou triste, se dali a nada já passou e o mundo escusa de saber.

Isto é uma morte social nos dias que correm.

A exploração gratuita das emoções está presente em todo o lado. É moda. Não há programa de TV que não tenha o seu quê de reality show (garanto-vos que se os programas de cantigas há uns anos fossem como o Ídolos, nunca lá tinha posto os pés) são pouquíssimos os artistas que não cedem um bocadinho da sua privacidade ou dos seus sentimentos. Tem de haver drama. Têm de mostrar lágrimas e editar as imagens com musiqinha lamechas. Se uma figura pública não mostra a sua vida privada, ao menos deve fazer caridade pública, sensibilizar-se, aderir a causas, atirar postas de pescada sobre temas sensíveis. É a demanda da realidade, do interior, de uma pseudo autenticidade.

Quem não tem lágrimas ou fraquezas (ou prefere guardá-las para si)não presta, tem bicho. Veja-se o exemplo dos pais da Maddie. Tiveram uma reacção ponderada em público, não se mostrando destroçados? Vilões, que mataram, esconderam e sumiram com a própra filha. Mai´nada. Natascha Kampusch foi uma heroína nacional - coitadinha, tantos anos em cativeiro - com direito ao seu programa de TV (que horror). Sem nenhuma formação em jornalismo ou dom especial, somente porque - que alegria! - era a desgraçadinha do momento. Só que a jovem não esteve para partilhar choradinhos e vai de aproveitar a vida e seguir em frente.
Aqui entre nós, se ela fosse emocionalmente frágil talvez não estivesse cá para contar a história, mas não foi isso que o público achou. Ai não chora? É uma p***, uma aproveitadora, ela e os pais planearam o rapto e isto foi tudo uma panelinha, um master plan encenado para sacar dinheiro.

Compreendo o drama. Em várias fases da minha vida - e pronto, até eu já estou a mencionar a minha vida - fui acusada de altivez, de "mania" etc... por não demonstrar sentimentos ou lamuriar-me. Temos pena - se eu nem em miúda era capaz de chorar na escola, havia de o fazer agora?
No meu blogue, falo das coisas que vejo, que me chamam a atenção por serem bonitas, ou feias, ou engraçadas ou graves. A dizer a verdade, não vejo mesmo propósito em comentar a fundo a minha vida pessoal. Não critico quem o faz, ha muita gente que o faz com imensa graça. Só não é o meu estilo.

Se isso faz de mim um Dexter desta vida, uma psicopata emocional com quem as pessoas não se identificam, paciência.

Monday, September 13, 2010

Franguinhos de aviário

Moro perto de um jardim infância do Estado, que este ano lectivo (pirralhos dos 0 aos 5 anos têm ano lectivo?) passou a ter creche, para alegria e alívio de cerca de 30 pais. Creche, entenda-se - e eu só percebi a diferença após fazer a cobertura noticiosa da abertura de umas quantas - é para crianças mínimas, até aos 3 anos. Já lá vamos.

Como a escolinha fica numa rua antiga, de um sentido só (ainda estou para saber quem foi o autor de tão brilhante ideia) todas as manhãs é o mesmo regabofe. Tudo bem que os piquenos dão passinhos curtos, mas caramba, será que estes cerca de 60 paizinhos (se contarmos com os dois elementos do casal e os avós nem quero pensar no montão de viaturas que isso dá) não percebem que não há espaço para 60 carros à porta do infantário /creche?

Era bem mais simples pegarem nos filhos ao colo ou fazerem o trajecto do carro até à porta num daqueles carrinhos de bebé gigantes que insistem em levar para toda a parte, mesmo quando os miúdos já estão quase a entrar para a universidade. Mas enfim, acho que os carrinhos são só para parecer bem e empatar elevadores...

É uma coisa que me faz confusão, e hoje de manhã percebi porquê: as famílias portuguesas estão traumatizadas,lelés da cuca, minha gente!
Ainda há dias se ouvia a costumeira notícia: em férias, os pais não sabem onde hão-de deixar ( vulgo: largar; depositar) os filhos. Pobres crianças. Eu ainda sou do tempo em que havia avós para isso, quando não lá se desenrascava uma ama.


Hoje, um humilde elemento da classe média (ou uma pesssoa remediada, como diz o nosso povo que tem sempre sinónimos para tudo) que se atreva a ter filhos é muito pretensioso - e quer te-los só para dizer que sim - ou muito doido, ou muito corajoso, ou tem um relógio biológico sobre humano. Só pode.Como diria a personagem de Octave Mirbeau, " quando não se é rico, o melhor é não se ter filhos...". Ou, atrevo-me a acrescentar, mudar-se para a Dinamarca, a Suécia ou outro país mais sensível e civilizado.

Com uma legislação laboral que se está bem marimbando - para não usar outra palavra- para as famílias,horários desumanos, ordenados rés vés campo de ourique que não permitem pagar a boas amas/empregadas a tempo inteiro, ATLs e colégios (obrigando os miúdos a misturar-se todos em instituições estatais, à cunha, em ruas sem estacionamento)e as reformas a chegar cada vez mais tarde, que já nem os avós podem dedicar-se aos netos...HAJA CORAGEM!


Estas crianças crescem sem saber se são um tesouro (cadeirinha no carro quase até à idade adulta, mil brinquedos) ou um trambolho, um empecilho que é preciso despachar. Qualquer lado serve, desde que não brinque na rua, Deus nos livre.


E não me façam engolir essa de que "socializar é bom para as crianças". Ninguém me convence que um bebé de meses se divirte a socializar com o desgraçado no berço ao lado. O que há é um festim de bactérias (não é à toa que chamam "infectários" aos colégios) e rebentos a crescer à lei da selva.

Sei de casos de crianças que antes de nascer já estavam na lista de espera para quatro ou cinco creches públicas. Ora, eu admito isso para entrar em colégios exclusivos ou faculdades de medicina, mas parece-me hiperbólico, digno de "1984" que o mesmo aconteça a bebés. E não se esqueçam dos centros escolares, que vão empurrar a pequenada para quilómetros de casa, impedindo-os de almoçar com a família. Estão entregues à bicharada. Sem referências, sem afectos, sem papinhas da avó, criados em massa.

A crescer assim, despachados,empurrados à bruta para fora do ovo, sovados pelos companheiros de infortúnio, depositados a magote no mesmo aviário, como é que os pequenotes podem ser educados? Que futuro tem este país, com toda uma geração a ser...mal criada?

Friday, August 27, 2010

Às vezes, no Shopping...há voyeurs!

Eu pecadora me confesso: embora me pele por compras, não tenho paciência para sessões demoradas. Faço uma lista do que quero e em geral, consigo despachar-me com relativa rapidez. Por isso, só me dou ao trabalho de experimentar peças em caso de extrema necessidade, para evitar surpresas.
Esta mania acentua-se em lojas mais mainstream (mas que vendem aquelas roupinhas básicas de que todas nós gostamos)e com provadores pouco arejados. Não há pachorra para estar horas (mais do que as estritamente necessárias, vá) encafifada dentro de um shopping!

Só que às vezes tem de ser. Há dias dirigi-me a uma destas lojinhas pop para comprar calças saruel, baggy e boyfriend em saldo. Calças-tendência são um dos items que deixo sempre para estes últimos dias, porque já se sabe que podem tornar-se obsoletas em dois tempos. Como esta marca cria modelos giros, confortáveis e de boa qualidade, faço-lhe sempre uma visitinha, apesar de não me agradar o chinfrim e a confusão lá dentro.

E eis que aconteceu MAIS UMA VEZ. Alguém me explica porque é que uma loja que não vende roupas masculinas admite homens dentro do corredor de provas???

Volta e meia é isto. Mulherzinhas burras, preguiçosas, sem auto estima que têm preguiça de vir cá fora mostrar ao marido/namorado como lhes assenta a roupa, vá de levar o imbecil para junto dos provadores. Ora, sucede que sendo uma loja só para mulheres, a nossa privacidade é (pouco) resguardada por...cortinas, que se arredam ao menor movimento.

Resultado: enquanto elas experimentam, eles vão enchendo a vista e se for preciso - como aconteceu desta vez - plantam-se à frente do espelho comum,a embaraçar quem quer dar uma espreitadela ao seu reflexo.

E se uma pessoa diz qualquer coisa, ainda é capaz de levar uma resposta torta, parolíssima, do estilo " O QUÊ!? NÃO DIZ AQUI QUE É PROIBIDO!"

Pois não, mas é uma questão de bom senso. De certeza que não acham piada que os namorados das outras clientes espreitem o traseiro das suas respectivas...ou será que acham?

Pergunto-me se estes casais terão algum acordo esquisito e doentio, género deixo-te espreitar mulheres nuas à vontade desde que pagues a conta!

Friday, July 30, 2010

Não é esmalte, é verniz

O que é nacional é bom. A marca CLICHÉ é 100% portuguesa. Tem a larga palette de cores, a textura "gel" , secagem rápida e nomes bonitos dos vernizes Risquè, mas é nossa, é mais barata (até agora só encontrei nas lojinhas do chinês, com preços entre os 75 e os 85 cêntimos) e com muito mais quantidade. O frasco é um pouquinho maior que os vernizes Tass, outra marca brasileira de que gosto muito e nem sempre encontro por aí.

Os tons são um mimo. Há uma grande variedade de porcelanas, beges, rosa pálido, encarnado e rouge noir - aquelas cores de que ando sempre à procura - mas não faltam cores originais, do acinzentado ao roxo, passando pelo laranja. Irisados, translúcidos, cremosos...uma maravilha. Ah, e dura. Vão por mim, que fui fazer jardinagem (e foi hardcore, não me limitei a regar uns pés de salsa) e cheguei a casa com as mãos impecáveis.

Cá em casa já tenho uns 20. Não resisti. Cores fofinhas com nomes como "sorte" , "mouraria", "caravela", "veneno", " saudade" e "bem feito" tendem a convencer-me.

Um aplauso manicurado para o autor (autora?) desta ideia. Por vezes, reinventar um conceito acrescentando-lhe um carácter distinto é a chave do sucesso.

(Não tenho fotos, mas podem consultar o site oficial)

http://www.fcapelo.com/cliche/index.html

Tuesday, July 20, 2010

Blinded by the Guardian: cantas bem e alegras-me!


No final de Agosto chega o novo álbum dos Blind Guardian. Melhor do que isto, só acertar na raspadinha - não muda a minha vida, mas sabe muiiiito bem. Ainda mal ouvi as previews de "At The Edge Of Time". Quero saborear o disco quietinha, bem enroladinha, a sonhar acordada. Hansi Kürsch tem a voz dos anjos. É tão raro ver uma banda genuinamente talentosa e inspirada nos dias que correm, que os bardos merecem ser aclamados. Pelas letras que contam uma história, pelos temas que norteiam cada álbum, pelos instrumentais magníficos e pelos coros a fazer lembrar os Queen. A sua música soa-me como pôr vintage rock, mitologia, poesia e fantasia na Bimby e agitar com força. O resultado é soberbo. Tão soberbo, que é de uma mulher se casar com o Hansi só de bem que ele canta. Mesmo que a maioria das fãs não lhe tenha perdoado a grande carecada, vale?

Christina Aguilera está Gagá?



Passe o trocadilho! Sem contar, volto à música pop.

O novo album de Christina Aguilera, Bionic, é um flop de vendas que lançou o pânico na sua editora, a RCA. Com Lady Gaga a dominar os tops, mesmo antes da saída do disco não faltou quem acusasse Aguilera de imitar a mais recente estrela no firmamento da música comercial. Até aí, era só disparate - afinal, Christina Aguilera já era uma diva de classe A quando Gaga ainda estava escondida nos bastidores..

Mas com o single " Not myself tonight" Aguilera deu-lhes razão e foi um ver se te avias, a chamar à moça " lady gaga barata".

O videoclip polémico - mas sem nada de novo - cheira a desespero para se manter a par das Gagas e Rihannas da vida. Não era preciso. Provocar, já aqui o disse, só tem interesse quando não é redundante. Pior do que usar um tema mais que usado e debatido hoje em dia, é que Aguilera já o tinha feito (Dirrty, lembram-se?) passado a prova com distinção e voado para outras paragens, com aquele estilo pin up que era tão giro.

Voltar atrás é apenas...ir de cavalo para burro, como diz o povo que é muito sábio. Aguilera já tinha construído o seu espaço, já tinha atirado a roupa fora, já a tinha voltado a vestir (mais ou menos, vá). Em Dirrty, fez sentido. Em Bionic, foi despropositado, e o público não é parvo.

Com a sua voz e experiência no meio - goste-se ou não do estilo, Christina é uma das cantoras mais marcantes da sua geração - o pedestal estava assegurado. Podia reinventar-se. Escusava de se repetir. Esta era a altura para fazer algo totalmente diferente, até para colaborar com Gaga se lhe apetecesse (foi o que fez Beyonce, que se mantém intocável nas suas tamanquinhas) e não para ir com a carneirada.

A artista é uma boa artista, não havia necessidade, como dizia o outro.

Saturday, July 17, 2010

Alguém leu os meus pensamentos!

O Flamengo, clube onde jogava o alegado responsável pelo assassínio de Eliza Samúdio, tomou a decisão de o despedir por justa causa e de o processar por danos à equipa.Bem feito. Parece que alguém leu o meu post, ou os meus pensamentos, ou simplesmente que as pessoas ajuizadas continuam em sintonia neste mundo. Além disso, a presidente do Flamengo,Patrícia Amorim,decidiu que "todos os contratos de novos jogadores ou de renovação de vínculo terão uma cláusula que prevê sanções judiciais caso o atleta se envolva em situações que denigram a imagem do clube publicamente".

Ei-la:

O atleta X (colocar o nome do atleta), se obriga expressamente em honrar a imagem e o bom nome do CRF e de seus patrocinadores, mantendo conduta ilibada dentro e fora de campo, observando as regras de boa conduta e imagem pública que lhe são pertinentes, sob pena de rescisão imediata do contrato, sem qualquer ônus para o CRF. §1º - A inobservância do disposto nesta cláusula acarretará sanções legais ao atleta e quem mais tiver dado causa à violação, respondendo administrativa, civil e criminalmente, inclusive por danos morais, materiais e à imagem, sem prejuízo de outras medidas judiciais cabíveis.

Ah grande mulher! Apenas é de lamentar que fosse preciso um caso tão trágico para os clubes de futebol acordarem e deixarem de mimar monstrinhos.Resta-nos torcer para que em Portugal sigam este exemplo...o seguro morreu de velho.

Thursday, July 15, 2010


Cada vez presto menos atenção à música pop. Mas tenho simpatia por Lady Gaga - embora não faça apostas quanto à duração do fenómeno. É extravagante, mas traz algo de diferente, saído da sua cabecinha. Pode limitar-se a reinventar, mas consegue faze-lo de forma interessante.Sobretudo gosto de ouvir uma canção comercial e dançável que tenha conteúdo e história, como Alejandro. Tenho um fraquinho por música com sabor a culpa, vá-se lá saber porquê.

Tuesday, July 13, 2010

Deixa-te ´tar, que ´tás bem...



Emily Blunt

Emily Blunt é uma das actrizes mais interessantes da sua geração. Para começar, é uma actriz a sério, com formação e um currículo respeitável. Gosto dela por isso. Gosto dela pela sua selecção de papéis(quem interpreta a Rainha Victoria, uma princesa celta e ainda entra em The Devil wears Prada tende a ganhar a minha aprovação, que querem). E por fim, gosto dela porque tem estilo, pinta e um porte aristocrático, com aqueles olhos verdes amendoados e beleza distinta. Mulheres de classe são tão raras hoje em dia.

Monday, July 12, 2010

Porca miséria! Já chegou o Bicho Careta!

























Uma pessoa encontra um recanto escondido do Mondego, com umas ilhotas num cenário idílico, longe da praia fluvial de Palheiros do Zorro (que fica longe que eu sei lá, num caminho que nos mata de enjoo com tanta curva e está sempre apinhada) e daquelas zonas para onde vai todo o mundo, ou como se dizia antigamente, a " praia dos tesos".

Molham-se as calças para lá chegar, mas compensa. É canaviais, aves de rapina, peixinhos a nadar na água transparente e nem vivalma por perto.
Mas a pessoa esquece-se que é Domingo. E que este ano o bicho careta já lá chegou, raios o partam. Então, para não falar no cenário que se atravessa antes de encontrar o cantinho secreto - famílias inteiras com carrinhas, com tendas, a fazer churrascos, a acender fogueiras, a dançar o samba e a sujar tudo - ao pôr os pés no local almejado, tem uma visão de enfurecer um santo. É latas vazias. É papéis. E pior! Povo miserávelo nosso , que se dá ao trabalho de andar imenso tempo até um local bonito e limpo e depois o ultraja desta maneira. Se o Município se desleixasse, já era imperdoável mas pronto. Só que não. A pouca distância estão vários contentores bem grandes! Haja meios, porque neste país as melhores coisas não são grátis. Ou as pessoas investem em propriedades privadas com rio e constroem piscinas, ou estão condenadas a aturar isto. Contacto com a natureza, qualidade de vida na cidade e património comum são anedotas.
E ainda vêm pregar ao povo o Ecoponto , o Limpar Portugal e as Eco-Escolas e todas essas coisas fofinhas. Qual compostagem, qual reciclagem, qual cabaça!Querem explicar ao bicho careta formas "bem", politicamente correctas e sofisticadas de comportamento ecológico? Ensinem-lhe mas é a a difícil arte de carregar um miserável de um saco de plástico para enfiar o próprio lixo. Que lixo de gente.

Thursday, July 8, 2010

De (cabelo) preto nunca me comprometo...


Julgam elas! Eu adoro a Maga Patalogika. Adoro cabelo preto, sempre adorei. Mas a verdade é que esta cor não cai bem a toda a gente.

Logo, não percebo esta moda que se vê por aí de há uns dois anos a esta parte. Começou com as WAGS ( marias chuteiras/ namoradas de jogadores da bola) que fartas de descolorir as extensões, e procurando uma cor igualmente chamativa e provocante, trocaram o louro queimado pelo preto escorrido.

Ora, não se pode dizer que WAGS sejam exemplo para alguém.

Mas como é costume, meio mundo ( não a melhor metade, claro) foi a correr copiar.

Uma amiga, cabeleireira nos subúrbios, confessou-me que as cores que mais se gastam naquele salão são o preto e o preto-azul. É um ver se te avias.

Não sei como as góticas deste planeta estão a reagir a esta invasão, mas não deve ser bonito de se ver!

Vamos ao que interessa:
O mal do preto é que (tal como o louro platinado e outras cores dramáticas) exige que quem o usa tenha uma pele fantástica e esteja sempre com o cabelo imaculadamente limpo, o brushing feito, a maquilhagem impecável e roupas elegantes, de bom corte, sem muito ruído visual. Não permite grandes casualidades, ar de cansaço, a pele a brilhar nem fatiotas berrantes de ar baratuxo. Ah: também fica péssimo com logótipos e strass.

Ou seja, para suportar o preto com estilo é preciso ter carradas de estilo. Depois, o preto - seja asa de corvo, azulado ou qualquer outra nuance - é uma cor arriscada, que não vai bem com todos os tons de pele.

Pode resultar em peles claras + olhos claros, peles morenas + olhos claros, e peles douradas + olhos escuros, por exemplo, mas ainda assim precisa de ser bem calculado. O menor erro do colorista estraga o efeito.


Para muita gente - morenas ou louras de pele clara e olhos escuros, por exemplo - o que resulta é um castanho muito escuro, que parece mesmo preto, e não dá aquele ar de marylin manson mergulhado num balde de azeite durante dois dias.

Por fim, há a questão da textura: a tinta preta, em cabelos muito finos ou muito frisados, dá um aspecto "mordido" e mole ao cabelo, que fica parecido com graxa. Nada agradável.
Mas o pessoal não quer saber disto para nada e atira para o cabelo a primeira coisa preta que lhe aparece, de preferência com extensões enormes, desfrisagem japonesa, botas brancas, calças rasgadas e pele torrada pelo solário, com um grão terrível.

Um look de bruxa? Fantástico. Mas de bruxa má dispensa-se, obrigadinha!

Eu bem disse, coelhinho, para te vestires...


Eu bem avisei, ainda há poucos dias.A Playboy portuguesa andava a portar-se pouco de acordo com os seus padrões internacionais.



Desta vez decidiu brincar com Jesus Cristo, a propósito de José Saramago. E pimba, lá se foi a edição lusa da Playboy. Digam o que disserem sobre a liberdade de expressão, já se viu que brincar com a religião alheia dá mau resultado. Se a Igreja Católica não simpatiza com gente pouco vestida, para quê cuspir-lhe na face?

Não arranjam outra forma de provocação?Outro alvo para brincadeiras?


Pela parte que me toca, só me incomoda o facto da ideia ser tão...DÉMODÉ.

Isto é tãoooo anos 80/ 90. A Benetton já o fez. A Madonna já o fez. Get over it.

E já agora, podiam ter procurado uma beleza renascentista e atlética para fazer de Jesus...assim como se vê nas Igrejas.

se querem provocar, ao menos façam as coisas com estilo. Digo eu.

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