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Netscope

Tuesday, June 22, 2010

Veste-te, que ainda te constipas!



Não consigo achar piada a Sam Worthington. Não é que o homem seja feio, mas é tão comum que poderia passar pelo padeiro, carteiro ou bate chapas lá do bairro. Duvido, no entanto, que algum deles sofra da inexpressividade crónica deste rapaz. Acho incrível que alguém tenha dado por ele, quanto mais transformá-lo na maior estrela de filmes de acção dos últimos tempos, a arrefinfar tudo quanto é papel minimamente interessante dentro do género. Senão, vejamos: não é grandalhão (o que poderia dar-lhe o aspecto de homem gélido e inacessível) e por mais que o tentem convencer disso,não fica bem de mini saia, porque nem sequer tem músculos. Não mete medo a ninguém. Não tem feições cinzeladas, muito menos uma cara bonitinha, que lhe criasse uma aura de "anjo do mal".

Demonstra tantas emoções como uma cebola crua, sem desprimor para as cebolas que ao menos fazem chorar. E, cereja em cima do bolo, faz-se de coitadinho ("ooh, eu antes de ter sucesso andava a dormir no carro") masca pastilha nos óscares e da fama de malcriado não se livra. O típico pantomineiro que finge que se está nas tintas para os holofotes.

Hollywood tem de perder a ideia de que tudo o que vem da Austrália é interessante, porque Russel Crowes não andam por aí ao pontapé.

E este, não faço ideia que planeta o foram desencantar, passe o trocadilho.

Manifesto Anti Bidet, a.k.a Bidé



Já não é a primeira vez que, ao decorar uma casa de banho e manifestar o meu desinteresse pelo belo do bidet, o construtor olha para mim com o ar mais surpreendido deste mundo.

"O QUÊ??? A menina não quer bidé?????" dizem os pobres senhores, como se me perguntassem a mais natural das coisas. É curioso.

Quando os franceses - quem havia de ser? - inventaram o bidet, nenhuma senhora respeitável se atreveria a comprar um objecto com um uso prático tão óbvio. Embora fosse utilizado na casa real, a popularização do seu uso pelas prostitutas (a quem o bidet, também chamado douchette, dava imenso jeito ao longo de um dia de expediente) criou uma aura atrevidota e escandalosa para o pequeno lavatório.

Entretanto, o nosso amigo foi-se popularizando na Europa,na América Latina e na Ásia. Um português ou brasileiro que se preze não passa sem bidé em casa, mesmo que não o utilize. Nem se concebe uma casa de banho sem bidé - é a mesma coisa que Barcelos sem Galo, Fado sem guitarras, bacalhau sem batatas.

Ressalve-se que aquilo que chamamos bidé está muito longe dos luxuosos bidés franceses (ainda tenho um wc cujo poliban tem incorporado um bidet com repuxo, giríssimo) que tinham repuxinhos, torneirinhas e frasquinhos perfumados para garantir a máxima higiene da zona íntima - e para muita gente, dos pezitos. Essa tradição foi seguida pelos japoneses, que não imaginam uma retrete nem um bidé sem jactos perfumados e núvens automáticas de pó de talco. A "nossa" versão, mais cara ou mais barata, tem duas torneirinhas e uma tampinha, e já está, mas ainda é vista como um artigo de luxo pelos americanos - que, contradição das contradições, começam a adoptá-lo.

A questão é: faz sentido ter bidé hoje, quando toda a gente (espero) toma duches diários, até mais do que um, e não há necessidade de lavar o corpo por partes?

Se é para poupar papel (ou toalhitas) como alguns amigos do ambiente defendem, gastar mais água para poupar papel não me parece grande ideia. Em caso de emergência, chuveiro ou banheira!

Exceptuando casos muito pontuais, como uma sessão de pedicure, não vejo utilidade para o douchette...uma vez, ao mergulhar os pés em água quente, prendi o pé na torneira do bidé (essas torneiras luxuosas, modernas e douradas para bidé de designer) e caí de cabeça. Nunca mais me atrevi. Talvez o trauma venha daí.

Depois, a não ser que a pessoa passe o dia na malandrice, como as senhoras francesas de vida alegre, não há nada que um duche a sério, ainda que leve, não resolva - digo eu.

E mesmo que seja verdade, é sempre chato alguém olhar para o nosso douchette bem apetrechado e imaginar " mmmm, esta passa o dia na malandrice, que desavergonhada".

Assim como assim, a maioria das pessoas que conheço usa o bidé para apoiar revistas, o que é muito mau...quando muito, a haver revistas num WC, que estejam num cestinho. Os bidés roubam espaço e não são assim tão baratos.

Há 100 anos eu seria uma descaradona por comprar um bidé.
Hoje sou uma excêntrica por recusar o bidé.


Moral da história: vou investir num bonito armário, para por no lugar do bidé, que servirá para guardar cremes, sabonetinhos e outras coisas de pessoa limpinha.

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