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Thursday, September 16, 2010

Vanity Fair lost it?


Tatiana Santo Domingo, a mais bem vestida do mundo? Não que o material seja mau, mas em cada foto dela vejo uma dúzia de detalhes a precisar de um ajuste, uma puxadela, um apertãozito, uma esticadela...

Get the Chandelier!


Clever and attractive women do not want to vote; they are willing to let men govern as long as they govern men.


(George Bernard Shaw)

Wednesday, September 15, 2010

Por favor, morda-me o pescoço.

Sou incapaz de pieguices, pronto!




Tenho uma confissão a fazer: eu não sirvo para blogueira (nem para figura de destaque) nos tempos que vivemos. E porquê? Pelo simples motivo de ser incapaz, virtualmente incapaz, de dissecar emoções. Não só online. Fui educada para guardar os meus problemas para mim, para não demonstrar fraquezas,para disfarçar lágrimas perante um pelotão de fuzilamento, para não chatear as pessoas com os meus assuntos a não ser que tenha algo de extraordinariamente bom, fabuloso (e 100% confirmado, não vá o diabo tecê-las) para contar. No "meu" tempo - ou na minha realidade paralela, vamos - não se falava de dinheiro, não se falava de doenças, não discutíamos as zangas com o namorado, a mãe, o irmão, a não ser num círculo muito restrito e mesmo assim com cautelas. E também se cultivava a modéstia, pelo que a gabarolice era uma coisa condenável. Não vale a pena dizer que estou triste, se dali a nada já passou e o mundo escusa de saber.

Isto é uma morte social nos dias que correm.

A exploração gratuita das emoções está presente em todo o lado. É moda. Não há programa de TV que não tenha o seu quê de reality show (garanto-vos que se os programas de cantigas há uns anos fossem como o Ídolos, nunca lá tinha posto os pés) são pouquíssimos os artistas que não cedem um bocadinho da sua privacidade ou dos seus sentimentos. Tem de haver drama. Têm de mostrar lágrimas e editar as imagens com musiqinha lamechas. Se uma figura pública não mostra a sua vida privada, ao menos deve fazer caridade pública, sensibilizar-se, aderir a causas, atirar postas de pescada sobre temas sensíveis. É a demanda da realidade, do interior, de uma pseudo autenticidade.

Quem não tem lágrimas ou fraquezas (ou prefere guardá-las para si)não presta, tem bicho. Veja-se o exemplo dos pais da Maddie. Tiveram uma reacção ponderada em público, não se mostrando destroçados? Vilões, que mataram, esconderam e sumiram com a própra filha. Mai´nada. Natascha Kampusch foi uma heroína nacional - coitadinha, tantos anos em cativeiro - com direito ao seu programa de TV (que horror). Sem nenhuma formação em jornalismo ou dom especial, somente porque - que alegria! - era a desgraçadinha do momento. Só que a jovem não esteve para partilhar choradinhos e vai de aproveitar a vida e seguir em frente.
Aqui entre nós, se ela fosse emocionalmente frágil talvez não estivesse cá para contar a história, mas não foi isso que o público achou. Ai não chora? É uma p***, uma aproveitadora, ela e os pais planearam o rapto e isto foi tudo uma panelinha, um master plan encenado para sacar dinheiro.

Compreendo o drama. Em várias fases da minha vida - e pronto, até eu já estou a mencionar a minha vida - fui acusada de altivez, de "mania" etc... por não demonstrar sentimentos ou lamuriar-me. Temos pena - se eu nem em miúda era capaz de chorar na escola, havia de o fazer agora?
No meu blogue, falo das coisas que vejo, que me chamam a atenção por serem bonitas, ou feias, ou engraçadas ou graves. A dizer a verdade, não vejo mesmo propósito em comentar a fundo a minha vida pessoal. Não critico quem o faz, ha muita gente que o faz com imensa graça. Só não é o meu estilo.

Se isso faz de mim um Dexter desta vida, uma psicopata emocional com quem as pessoas não se identificam, paciência.

Monday, September 13, 2010

Franguinhos de aviário

Moro perto de um jardim infância do Estado, que este ano lectivo (pirralhos dos 0 aos 5 anos têm ano lectivo?) passou a ter creche, para alegria e alívio de cerca de 30 pais. Creche, entenda-se - e eu só percebi a diferença após fazer a cobertura noticiosa da abertura de umas quantas - é para crianças mínimas, até aos 3 anos. Já lá vamos.

Como a escolinha fica numa rua antiga, de um sentido só (ainda estou para saber quem foi o autor de tão brilhante ideia) todas as manhãs é o mesmo regabofe. Tudo bem que os piquenos dão passinhos curtos, mas caramba, será que estes cerca de 60 paizinhos (se contarmos com os dois elementos do casal e os avós nem quero pensar no montão de viaturas que isso dá) não percebem que não há espaço para 60 carros à porta do infantário /creche?

Era bem mais simples pegarem nos filhos ao colo ou fazerem o trajecto do carro até à porta num daqueles carrinhos de bebé gigantes que insistem em levar para toda a parte, mesmo quando os miúdos já estão quase a entrar para a universidade. Mas enfim, acho que os carrinhos são só para parecer bem e empatar elevadores...

É uma coisa que me faz confusão, e hoje de manhã percebi porquê: as famílias portuguesas estão traumatizadas,lelés da cuca, minha gente!
Ainda há dias se ouvia a costumeira notícia: em férias, os pais não sabem onde hão-de deixar ( vulgo: largar; depositar) os filhos. Pobres crianças. Eu ainda sou do tempo em que havia avós para isso, quando não lá se desenrascava uma ama.


Hoje, um humilde elemento da classe média (ou uma pesssoa remediada, como diz o nosso povo que tem sempre sinónimos para tudo) que se atreva a ter filhos é muito pretensioso - e quer te-los só para dizer que sim - ou muito doido, ou muito corajoso, ou tem um relógio biológico sobre humano. Só pode.Como diria a personagem de Octave Mirbeau, " quando não se é rico, o melhor é não se ter filhos...". Ou, atrevo-me a acrescentar, mudar-se para a Dinamarca, a Suécia ou outro país mais sensível e civilizado.

Com uma legislação laboral que se está bem marimbando - para não usar outra palavra- para as famílias,horários desumanos, ordenados rés vés campo de ourique que não permitem pagar a boas amas/empregadas a tempo inteiro, ATLs e colégios (obrigando os miúdos a misturar-se todos em instituições estatais, à cunha, em ruas sem estacionamento)e as reformas a chegar cada vez mais tarde, que já nem os avós podem dedicar-se aos netos...HAJA CORAGEM!


Estas crianças crescem sem saber se são um tesouro (cadeirinha no carro quase até à idade adulta, mil brinquedos) ou um trambolho, um empecilho que é preciso despachar. Qualquer lado serve, desde que não brinque na rua, Deus nos livre.


E não me façam engolir essa de que "socializar é bom para as crianças". Ninguém me convence que um bebé de meses se divirte a socializar com o desgraçado no berço ao lado. O que há é um festim de bactérias (não é à toa que chamam "infectários" aos colégios) e rebentos a crescer à lei da selva.

Sei de casos de crianças que antes de nascer já estavam na lista de espera para quatro ou cinco creches públicas. Ora, eu admito isso para entrar em colégios exclusivos ou faculdades de medicina, mas parece-me hiperbólico, digno de "1984" que o mesmo aconteça a bebés. E não se esqueçam dos centros escolares, que vão empurrar a pequenada para quilómetros de casa, impedindo-os de almoçar com a família. Estão entregues à bicharada. Sem referências, sem afectos, sem papinhas da avó, criados em massa.

A crescer assim, despachados,empurrados à bruta para fora do ovo, sovados pelos companheiros de infortúnio, depositados a magote no mesmo aviário, como é que os pequenotes podem ser educados? Que futuro tem este país, com toda uma geração a ser...mal criada?

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