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Friday, October 1, 2010

Amor de perdição



Ontem, na série "Power, Privilege and Justice" foi contada a história de amor trágico entre Claudine Longet e "Spider" Sabich, um "it couple" de Aspen nos loucos nos 70. O conto é velho - ciumes que acabam mal - mas está cada vez mais na moda. Neste milénio, quantas histórias de paixão não acabam com uma bala ou coisa pior? Soa estranho, na nossa época asséptica, limpinha, ultra informada, mas acontece em todas as camadas da sociedade. Há quem prefira ver um grande romance acabar em sangue do que vê-lo findar de forma chocha, sem graça, cada um para seu lado, mais uma foto a cortar do álbum e pronto. Coisas do ego? Sentimentos intensos demais? Nervos esfrangalhados ou simpes exagero romântico? Sempre me perguntei o que pensarão, 20 anos depois, os que assassinam aquele (a) que era, na altura, " o grande amor da sua vida". Porque não há paixão, por maior que seja, que não acalme com o tempo, cuja dimensão não se altere, não se esbata;que não possa ser superada por outra maior; não há fúria ou ciúme, por pior que seja, que não se adoce com o passar dos anos; não há honra ferida que não se cure. Quantos comuns mortais não sentem vontade, na hora "H", de exercer uma vingança qualquer sobre um companheiro infiel, quem já não ficou maldisposto por amor para dali a dois dias pensar "que parvoice, o que eu me ralei por aquela figura"? Qual é o "amor" que justifica eliminar alguém, só para que mais ninguém aproveite, ou, em última análise, que explique destruir alguém que é belo, que alegadamente se adora? Se os remorsos não fizerem o seu trabalho, pensará quem mata: uma vida atrás das grades por causa disto?
Será que pensam, como a personagem de Eça de Queiroz " e assim acabava, reles e chinfrim, o romance melhor da sua vida! Preferia sabe-la morta, a sabe-la espancada"?

Pela parte que me toca, é um mecanismo que me custa entender, pelo simples facto que a fila anda! Se nos enganámos acerca do carácter da pessoa com quem estamos, se houve azar...rei morto, rei posto. O bom gosto impõe uma melhor selecção da próxima vez, para evitar mais paixões reles e chinfrins. Ou como diria ainda o Eça acerca dos amantes infiéis. " Deves proceder como se te tivesse caído um charuto na lama - deixá-lo fumar ao garoto que o apanhou. Zangares-te com o garoto ou com o charuto é de imbecil". Quanto mais não seja, porque não há nada de romântico em matar seja quem for - é reles, chinfrim e suja imenso.

Monday, September 27, 2010

Senhor, dai-me paciência...e quero-a já!


Não gosto de esperar. Raramente gosto de surpresas. Não gosto de coisas que não posso controlar, que não dependem de mim, que por qualquer razão - seja orgulho, timidez,conveniência ou simples limitação de poderes - não posso tomar nas minhas mãos e pôr em pratos limpos. E logo eu, que nunca fui mulher de meias tintas, ter de encarar que já esgotei todo os meus artifícios, manhas e recursos e que só me resta esperar quietinha e caladinha. Acontecer-me isto a mim, que nunca tive sequer paciência para comer um rebuçado até ao fim sem o morder. Oh, vida.

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