Recomenda-se:

Netscope

Friday, October 15, 2010

Os homens são uns injustiçados

Embirro com artigos escritos por mulheres a criticar o sexo oposto, principalmente quando não têm tanta graça como isso. Como se a nossa única força consistisse em deitá-los abaixo. Mais vale assumir que a eterna guerra dos sexos tem piada: já que aqui estamos, vamos jogar com classe. “Eles” são teimosos, despistados, só fazem o que querem, têm uma sensibilidade diferente da nossa…está dito. Qual é o mistério insuportável disso? É crime? Ou muitas cronistas terão simplesmente escolhido a amostragem errada, constituída por amostras de homem? Palpita-me que é isso. Ou então não leram o manual de instruções, apesar de todas as revistas publicarem páginas intermináveis sobre como agradar ao seu homem (outro erro).

Ponto um: os homens adoram-nos. Acham-nos deliciosas, irresistíveis, ainda que de uma maneira um pouquinho bruta, trapalhona. E isso é fofo. Eu não consigo ser má para quem me considera um amor, pronto. Fazem-nos elogios. Quando nos amam, não querem saber dos nossos defeitos. Somos lindas, pequeninas, uma coisinha fofa para apertar, beijocar e encher de mimos. Depois, para eles não há nada mais sexy do que nós, mesmo quando estamos meio despenteadas, sem maquilhagem, trôpegas de sono. Até isso lhes parece lindo, ternurento e inspirador de luxúria. Se não estamos tão em forma, somos umas deusas na mesma. Se estamos em forma, chamam-nos esculturas. Não se deixem enganar pela sua (aparente) falta de atenção ao detalhe. Eles descobrem pormenores em nós e entusiasmam-se com coisinhas pequeninas que nem nos passam pela cabeça. É o narizinho não sei como, a curva dos lábios, certas expressões e partes do corpo que nós até detestamos, mas que a eles lhes merecem aquela frase histórica: “ se modificares isso, nunca mais te falo”. E quando não amam uma só mulher, amam-nas em geral. Até fazem revistas “machistas” que têm sempre – sempre – uma mulher na capa, tanto nos admiram. Qual é a revista feminina que dá esse protagonismo a um homem?



Ponto dois: os homens têm uma coisa deliciosa. Dão colo. Abraçam-nos daquela maneira que só eles sabem e há alguns, raros, que têm “ o abraço de um milhão de dólares”, que só quem já o recebeu pode contar. Os bem constituídos, de pernas fortes, são como um trono para as sortudas. Sabem como é? Sentam-nos, abraçam-nos e parece que não vamos cair dali abaixo por pior que tenha sido o nosso dia. Oh, e fazem festinhas. Aquelas que nem nós temos pachorra para fazer, nas costas, no cabelo, na testa, quando temos enxaqueca. Alguns são tímidos, incapazes de se expressar como adultos, mas manifestam o seu amor com pequenos gestos, ciuminhos, amuos, e outras coisitas que nos lançam numa montanha russa emocional, que acaba como a decência não me permite descrever. Quando amam, amam a sério, profundamente, inconfundivelmente, com uma exclusividade que até a eles os surpreende. Novidade das novidades, muitos são maduros, fiéis e não gostam de enganar porque como todo o ser humano, também apreciam a estabilidade. E esta?

Ponto três: protegem-nos. Agarram-nos com força como quem diz “é meu!”. Quando estão apaixonados, a sua dama é sagrada. Ai de quem toque a fímbria das suas vestes. Se o patrão é antipático, oferecem-se para lhe ir dar uma sova. As colegas que são más para nós são imediatamente taxadas de “cabra” para baixo. O que é reconfortante, mesmo que não passe de basófia. Sim, eles são fanfarrões, faz parte do seu encanto. Tomam conta de nós. Vão-nos esperar e buscar. Se souberem, arranjam-nos o computador ou as engenhocas lá de casa, e quando não sabem tentam, ainda que a emenda possa ser pior do que o soneto. Até há alguns que nos carregam os sacos das compras e ainda esperam pacientemente à porta dos provadores. Quando podem, os mais generosos até se oferecem para pagar a conta, o que não sendo necessário, é querido. Eles gostam de agradar. E põem o braço à nossa volta de uma maneira que só eles sabem. Quando já não nos amam, vão –se embora e vão mesmo, não há diabo que os demova. Depois muitos voltam, a rastejar se for preciso. Arrependem-se. Dão cabeçadas e mostram-nos os galos a provar que é verdade. Quando sofrem, sofrem a sério, não se curam com cabeleireiro e massagens. Provocam o rival e chegam a andar à pancada por nossa causa. Bebem até cair por ciúmes. Mostram a sua dor, rondam-nos os passos, não disfarçam, não se importam de mostrar que se sentem miseráveis. É tão romântico.



Ponto quatro: eles têm intuição, sim. Apuradíssima. Podem não reparar em coisas óbvias, o que nos deixa indignadas, mas sabem imediatamente quando a relação não caminha bem ou estamos a tramar alguma. É infalível – se sentem que a namorada lhes foge, é vê-los desdobrados em esforços para que fique tudo bem. Por outro lado (acredito que seja por descenderem de caçadores) sentem automaticamente quando temos medo de os perder, quando nos provocam ansiedade, quando gostamos (demasiado) deles. E aí, alguns abusam, o que remete para as velhinhas regras de coquetterie - se queremos que as coisas funcionem, claro.



Ponto cinco : eles não se recordam das datas importantes. Por vezes. Alguns. Mas depois têm coisas amorosas que não lembram a ninguém e trazem-nos lembranças ou têm atenções fora da data. Não são, nem têm de ser, grandes presentes. Avisam-nos que abriu uma loja que é “mesmo” a nossa cara. Trazem-nos “aquele” doce, só porque sabem que adoramos. Reparam nas nossas preferências, conhecem-nos os gostos. Quando querem e é possível, são capazes de nos oferecer determinada coisa porque gostariam de nos ver com ela, ou levam-nos a um determinado local porque têm a certeza que nos vai agradar. Para eles, o Dia dos Namorados é quando o Homem, e não o calendário, quiser.



Ponto seis: eles são lindos. Não percebo algumas amigas que dizem que o corpo masculino não é tão bonito como o nosso, esteticamente falando. São lindos - afirmação sujeita aos gostos de cada uma, como é óbvio – fortes, ágeis, maiores do que nós. Têm mãos e bocas grandes, e barbas que picam, mas que lhes ficam tão bem. Têm cabelos sedosos, sorrisos enormes e troncos fortes, músculos firmes e uma pele mais rija e resistente do que a nossa. Quando são bonitos, nem a barriguinha os prejudica muito. A sua beleza compõe-se de imensos detalhes giros – os ombros, o maxilar, o tórax, os gémeos, os ossos da anca salientes quando andam só de jeans pela casa. Dão grandes gargalhadas graves. São vivaços, expressivos, têm presença. E fazem carinhas, olhos de bambi, beicinho, como bonecos animados em versão sexy.

Em jeito de conclusão, entre mulheres e homens há um grande lapso comunicacional. Eles foram ensinados a amar as mulheres em geral, ainda que da maneira errada (e por isso, certos homens querem ter muitas mulheres). Nós fomos ensinadas a amar só um, o que acaba por não acontecer, e tentar mudá-lo se não nos servir, o que falha inevitavelmente. O caminho não está em mudar o homem, seringar-lhe o juízo, porque aquilo que realmente lhe agrada é ser DEIXADO EM PAZ. Com o seu futebol, a sua basófia, as suas engenhocas, as suas parvoíces. Se isto não servir, a receita para a felicidade é simplesmente mudar de homem. E tentar aceitá-lo como é, com coisas que não percebe, pois é mesmo assim que gosta dele, por mais que jure que não.

Thursday, October 14, 2010

Chanel is bringing lipstick back....

 
A marca quer acabar com a ditadura do todo -poderoso gloss ( que passou de complemento a senhor incontestável no necessaire) e ressuscitar o belo do bâton. Deus abençoe o responsável. Já chega de me matar para encontrar o tom de encarnado certo e de achar que tenho a boca demasiado maquilhada perto da multidão de lábios transparentes. Mesmo translúcido, bâton é sempre bâton.

Get the Tailleur!

 Marylin Monroe & Jane Russel, Gentlemen prefer Blondes.

Ata-me!!!


 Alguém disse que o mundo descambou porque as mulheres abandonaram o espartilho. Não sei se é verdade, mas a capacidade de o usar diz muito sobre  que é ser uma mulher, ou antes, uma senhora. Uma senhora deve manter as costas direitas, a cintura vincada, a cabeça erguida e se for esperta, o coração estrategicamente fechado. De espartilho e saltos altos uma mulher nunca cede, nunca dobra, nunca se compromete. É a irresistível vulnerabilidade feminina protegida por uma armadura de luxo. Apertada por um bom corpete ou espartilho, uma mulher não respira livremente nem descontrai a barriga, mas qual é a senhora digna desse nome que precisa disso? Qualquer coração precisa de uma couraça bonita. E tem tanta graça tirá-la. Um corset que não aperte um bocadinho não é um corset que se preze. Ainda bem as mulheres do século XXI podem usá-los. Só de vez em quando, que é como sabe melhor.

Tuesday, October 12, 2010

Marquise de Merteuil dixit

Well, I had no choice, did I? I'm a woman. Women are obliged to be far more skillful than men. You can ruin our reputation and our life with a few well-chosen words. So, of course, I had to invent, not only myself, but ways of escape no one has ever thought of before. And I've succeeded because I've always known I was born to dominate your sex and avenge my own.

A minha vida não dava um livro!

 Dava um Bodice Ripper, vulgo romance de cordel. É por isso que não a transformo numa novela. Primeiro, porque os leitores iam pensar que era tudo fruto da minha imaginação. Depois, porque os factos são tão rocambolescos que só podiam descambar em má literatura -  e a má literatura é para saborear às escondidas, com um sentimento perverso de culpa, em privado. Mas que as capas são giras, isso são.

Já meia noite com vagar soou...

Hoje estou num mood dark, com vontade de usar (ou acentuar, vá) os meus espartilhos, as minhas roupas góticas, os meus exageros, as minhas rendas, a minha sensibilidade e o meu lado ultra romântico, misterioso, trágico.

Monday, October 11, 2010

Um momento de reflexão e parvalheira....

Livre sou por nascimento,
Em vários pontos passando,
Cada vez, sempre buscando
Determinada corrente.

Aquela que me prendesse
Me mostrasse o meu lugar
Me fizesse ali ficar
Segura e eternamente.

Mas sigo sempre com as águas!
Sou terra que se desfaz!
Nunca encontro a minha paz
Sigo sempre com o vento...

Nem o fogo me consome
Nem há força que me vença...
E não tenho quem me prenda!
Não tenho quem me convença!

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...