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Monday, October 25, 2010

O próximo chorão de Portugal

É fatal como o destino. Volta não volta, aquando do início de um novo programa de talentos, pimba! Perguntam-me o que eu acho, como se eu fosse alguma autoridade na matéria. Verdade seja dita, não é preciso ser um guru para  perceber a equação. Os vencedores do American Idol, assim que saem do programa, passam a ter um cachet astronómico. No Reino Unido, idem. Um bom número deles constroi uma carreira interessante - veja-se o percurso de Leona Lewis ou a presença de Kelly Clarkson na lista da Forbes. Em Portugal, não há como reproduzir o fenómeno. O mercado não o permite. Aceitem-no. Lidem com isso. Com excepção de alguns que tiveram oportunidades como actores ou pivots, o destino de muitos ex "ídolos" limita-se a fazer vozes em formatos como "Dança Comigo" ou "Dá-me música". Ora, para isso não era preciso sujeitarem-se à exploração mediática de um programa como este. Inscreviam-se numa agência,  participavam num casting privado como qualquer cantor anónimo e pronto. Sem fama instantânea, sem promessas vãs, sem tabloides idiotas.

Para além da componente ´reality show` (causadora de uma invasão da privacidade que há uns anos não passava pela cabeça de ninguém) o que me aborrece no Ídolos, que até tinha tudo para ser giro ( uma boa banda ao vivo, oportunidade de experimentar estilos diferentes) é o dramalhão. E isso é mais grave do que parece, não se limita a grandes planos de lágrimas, baba e ranho acompanhados de música lamechas. Há pouco vi três jovens inteligentes, com cultura, com cabeça e uma prestação eficiente irem para o olho da rua. Porquê? Porque não dão "espectáculo". Não choram, não se fazem de infelizes, não vêm de famílias pobrezinhas e disfuncionais, reagem com calma aos reparos do júri. Pessoas normais. E isso não vende, porque o público, especialmente o português, não vota no mais talentoso; vota no mais "humilde" (leia-se pobrezinho, carenciado, rústico) porque coitadinho, "precisa mais" e não tem "peneiras", como se os grandes artistas fossem todos paupérrimos e modestos.

O que eu gostaria de saber é onde é que estes miúdos desencantam tanta lágrima. É um mistério que muitos actores em formação precisam de descobrir. Será que usam gás lacrimogéneo? São espancados impiedosamente nos bastidores? Uma coisa é certa: neste concurso, eu não me safava.

Sunday, October 24, 2010

Em privado, faz favor!

 Não há país (europeu, pelo menos) que ame tanto os grandes shoppings como Portugal. Estas catedrais do consumo foram-se tornando cada vez mais práticas, cada vez mais versáteis: hoje, só de um salto, é possível tomar uma refeição, fazer as comprinhas básicas, retocar a manicure e regressar ao escritório como se nada tivesse acontecido. Até aí, óptimo. Esse é o tipo de modernice que eu aceito bem. A não ser que a manicure seja retocada num "nails corner" ou o threading de sobrancelhas feito em pleno corredor central, à vista de quem passa. Expliquem-me o sentido disto, porque eu ainda sou do tempo em que unhas e depilações eram uma coisa íntima, não muito agradável de se ver. Procedimentos estéticos, só em espaços fechadinhos.
 Vejamos: a cliente paga pelo serviço sensivelmente o mesmo que pagaria num salão normal (ou mais um bocadinho, que as rendas de shopping estão pela hora da morte); faz de cobaia e publicita o trabalho das esteticistas; não pode fazer caretas de dor, mesmo que lhe enfiem uma lima pelo dedo dentro, e ainda muito obrigada por cima. Para mim, isto é o equivalente a tirar macacos do nariz em público. Não gosto de ginásios, restaurantes, ou cabeleireiros com aspecto de aquário. E também não quero mandar lascas e pó de unhas para cima dos infelizes que vão a passar.


O que se segue? Depilação brasileira nos corredores? 

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