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Tuesday, November 9, 2010

Um Inverno com classe

Estou contente com as colecções deste Inverno. Regressaram as saias midi, em formato lápis ou rodado (eu que já andava desconsolada com tanto vestido acima do joelho) acompanhadas de casaquinhos, capinhas, calças cigarette, pantalonas...tudo isto temperado com muito preto, um toque anos vintage (anos 40, 50 e 60) bons cortes, formatos tradicionais, tayloring perfeitinho, bons acabamentos e muita feminilidade. Padrões e tecidos clássicos, como o tartan e o tweed, cruzam-se com tendências naturais, inspiradas na Renascença e nos tempos medievais, para um look etéreo e rico. Temos brocado, caramelo e ouro velho. Temos peles,tigresse e cabedal. Temos tecidos firmes que podemos combinar com peças delicadas e malhas grandes, de efeito fofo. Ou seja, excelentes básicos e apontamentos do mais bonitinho que há. O melhor de tudo -as novidades são fáceis de coordenar com coisas que sobraram das colecções passadas, ou com "velharias" do baú da avó, que agora podem ser reutilizadas.Adoro as carteiras estruturadas, as thigh high boots, e sobretudo agradam-me as ideias subjacentes a estas peças. Vai ser um Inverno misterioso e elegante. Um conselho de amiga? Aproveitem para adquirir uma boa quantidade de roupas, porque vos vai ser útil durante bastante tempo. Estações assim inspiradas não acontecem sempre.

















Monday, November 8, 2010

O lamaçal

Muitas vezes mordo a língua, porque se há moda que cá chegou foi o politicamente correcto e não há muita gente que leve a bem um bocadinho de frontalidade. Mas este país precisa de um banho para tirar a sujidade acumulada nos últimos 100 anos e a camada de glace que lhe puseram por cima na tentativa de dourar a pílula. Chegou-se a um ponto em que já ninguém é capaz de apontar para dizer basta, é indecente, é ridículo demais.

Eis o problema do politicamente correcto: a demão de corrector é de tal forma espessa que já ninguém distingue o correcto, no sentido cru e não político do termo, do incorrecto. E quem diz duas verdades, aqui  d´El -Rei que é mau, que é preconceituoso, que é fútil, que é anti democrático.
Ai do pobre coitado que tenha o atrevimento de ter sido criado noutros valores, formatado para valorizar a cultura, o respeito mútuo, a deferência para com os mais velhos, a beleza, a harmonia,  o respeito pela autoridade, pela parcimónia, pela dignidade.
Cansa-me que uma nação que até costumava ter gente gentil confunda "humildade" com brejeirice, alarvidade e carências de toda a ordem. Fico parva quando abro  um jornal e noto que um reality show (já de si um formato lamentável) além de ter honras de página inteira, conseguiu descer ainda mais baixo e escolheu a dedo um grupinho de gente cujos feitos se limitam a ter sido acompanhante de luxo ou amante de um jogador da bola. E ainda mais parva fico quando noto que esta abjecção de assunto é alvo de discussão apaixonada nas ruas. A minha estupefacção continua ao ler que os jornalistas chamam "namorada" e não "amante" à jovem ex-alternadeira amante de um dirigente desportivo casado e 50 anos mais velho, como se isso fosse, além de tema de interesse, uma coisa normal, saudável e de louvar. Depois saio e deparo-me com gente malcriada, suja, malcheirosa, e ninguém franze o nariz, porque cheirar mal é um problema pessoal de cada um, pobre de quem tenha "racismo" contra quem gosta pouco de se lavar. Já os palavrões, são um direito inalienável de quem vive em democracia, pois claro! Quanto mais alto e mais depressa meninas e crianças os ouvirem, melhor se integram na cultura dominante.

Volta e meia, cruzo-me com empregados de loja ou da TV Cabo que me tratam por "tu", com a maior falta de profissionalismo . Nem menina, nem senhora, nem sequer "você" sem me conhecer de parte alguma, sem pensar se serei solteira ou casada, se não estarão a ser um nadinha à vontade demais para uma cliente a quem nunca viram nem mais gorda nem mais magra, sem se tocarem quando os continuo, ostensivamente a tratar com o maior respeito por "senhor" como quem diz "olha a peneirenta! Julgas que és mais quem eu? Trato-te por tu e trato mesmo!".


Relativamente ao futuro, tenham medo! Os pequenos berram que nem desalmados, dão encontrões às pessoas,  mas nenhum adulto ralha porque pode traumatizar o "precioso" ou ser processado pelos pais da cria; os meninos batem nos professores, e os pais dos meninos batem nos professores, e recebem mesada do estado sem trabalhar para sustentar carros de luxo, atribuida por políticos que forram a conta bancária de forma ilegal, mas ninguém diz nada, nem acha esquisito, porque em democracia há que sustentar os pobrezinhos (mesmo os falsos pobrezinhos) desde que não sejam velhinhos pensionistas. Quanto ao senhor doutor/engenheiro perto do poder, ele é que continua a ter razão e direito a amealhar mais uns cobrezitos porque no lugar deles o povo também se "safava" assim, desde que continue a ser da esquerda fofinha está tudo bem, Ámen, e lá por Espanha até podem vaiar o Papa porque os Padres , sejam ou não chefes de Estado, são todos uns pedófilos e vai de zupar na polícia, no padreca, no velhadas porque isto é um país livre. Quanto ao português, continua a sofrer as passas do Algarve sem se queixar -  só fica danado quando é para deitar abaixo os funcionários públicos médios que são todos uns canalhas e roubam os contribuintes, e para refilar da pena que é o leite chocolatado (para as preciosas criancinhas que os professores privilegiados e sovados hão-de educar porque os pais andam ocupados a fingir que aprendem com as Novas Oportunidades, a engrossar a estatística e a ler sobre A Casa dos Segredos) ter subido não sei quanto. Bem feita, os "alemões" são "mais ricos que a gente", eles é que sabem; e continuemos a vergar o espinhaço ao estrangeiro, porque ser patriota é coisa do tempo da outra senhora e cai mal, só é chato uma pessoa não saber como há-de pôr o "comer" para o "menino" na mesa. Nestas alturas apetece-me abrir os olhos a estes portugueses com umas tenazes, como no filme Laranja Mecânica, e bater-lhes com o telecomando na tola, e com o Correio da Manhã nas trombas, para ver se acordam. De seguida apanhar um avião para um condomínio perfeito onde não tenha de aturar gente maluca. Virgem Santa, como doi ter dois neurónios que ainda cometem o crime da indignação.

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