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Tuesday, November 16, 2010

It bag, aluga-se!

Direitinho da série O Sexo e a Cidade para a realidade portuguesa, o site http://www.glamorous.pt/ permite às meninas (e meninos, sabe-se lá) fashionistas mas pouco " forrados" alugar carteiras de luxo - LV, Gucci, and so on - para uma ocasião especial, ou só porque sim. Como ideia de negócio, considero a iniciativa simplesmente genial. É um serviço prático (entrega as carteirinhas em todo o país) discreto ( os meninos vão entregar a dita cuja a casa) e para os responsáveis, teve um custo relativamente reduzido: cerca de 60 mil euros, sendo o investimento mais avultado a compra dos produtos, como seria de esperar. Acho piada que a cultura da "reciclagem fashion" tenha chegado ao nosso país. Ou regressado: não vão longe os tempos em que a maioria das noivas alugava o véu ou o vestido, e ainda hoje se alugam fraques. Primeiro, lojas vintage (ou em segunda mão) em versão chic. Agora, aluguer de acessórios. Num país que já que não pode sê-lo, ao menos gosta de parecê-lo, tenho a certeza de que vai ser um sucesso. Palpita-me que a ideia também vai fazer sucesso entre as produtoras de TV, que necessitem de compor uma personagem sem gastar horrores num acessório efémero.
 Pessoalmente, dou demasiado valor às minhas carteiras: são uma coisa muito pessoal, privada, de colecção. Gosto que sejam mesmon minhas, de as guardar, de lhes amarrar echarpes e outras maluqueiras.

Não me vejo a alugar uma peça dessas, até porque não faço questão (muito pelo contrário) que se note a marca, ou não marca, da minha carteira. Por mais it que a bag seja, prefiro os modelos discretos, não vá o diabo tecê-las. Ostentação não é comigo. Já a opção de outlet (sim, também as vendem a um preço mais convidativo) parece-me muito simpática.
 Todavia, não digo desta água não beberei: pode ser útil experimentar se aquela carteira ou clutch caríssima é mesmo um bom investimento, se " liga" connosco. Nesse caso, nada como fazer um test-drive à criaturinha.

Monday, November 15, 2010

O chic do Tony

Tony Carreira disse há dias no Casino Figueira que há quem diga apreciar a sua música porque " é chic gostar de ouvir Tony Carreira". Cada dia, uma novidade. Nunca ouvi em parte alguma, assim, preto no branco, que o trabalho deste cantor ligeiro rimasse com snobismo, ou vá, sofisticação. Nenhum dos meus amigos "cultos" , "elegantes" ou "snobs" se gaba aos quatro ventos de ouvir Tony Carreira - se o fazem, é às escondidas. No entanto, não posso jurar que a afirmação do senhor, por mais exagerada que seja, falte à verdade. Lá em casa, nunca percebemos como um cantor dito " popularucho" salta repentinamente de um nicho para o mainstream, passando a ser aplaudido em publico por alguns membros da suposta ´elite culta´ cá do burgo. De um momento para o outro, foi ver muita gente " bem" a dar palmadinhas nas costas do cantor sensação, enquanto os seus congéneres mantiveram o estigma de simples cantores populares, confinados às " grandiosas festas em honra do emigrante" por esse país fora. Mais estranho ainda, não vi qualquer jornalista, cronista ou opinion maker dignar-se a analisar o fenómeno. Afinal, o que é que o Tony tem? As suas canções parecem-me perfeitamente inofensivas; não seguiu a receita de alegria e brejeirice do Quim Barreiros (o que justificaria parte da sua base de fãs) nem tem um vozeirão como o Marco Paulo. Acrescente-se que, tanto quanto sei, a sua fórmula se manteve sensivelmente a mesma desde que ouvi falar dele em meados dos anos 90.

Porque é que os que franziam o nariz à música popular passaram a ser fãs do Tony Carreira? E mais intrigante, porque é que as fãs acérrimas preferem este Tony a todos os outros?

Todos sabemos que neste país as histórias de rags to riches, do emigrante que se sai bem, vendem revistas e discos no seio de um público específico. Também já ouvi que os seus músicos de palco são os melhores no ramo, que dedica tempo a todas as fãs, uma por uma. Mas isso não chega para explicar a moda.

O que faz milhares de donas de casa abandonar o conforto do lar para correr o país atrás de um artista que já viram actuar dezenas de vezes?

Ao fim de alguma análise, nós, que somos uma família que pensa muito, conseguimos encontrar razões para a adoração das maiores fãs do super Tony. Senhoras de um meio rural ou suburbano, com maridos....enfim, insensíveis, que só querem saber do futebol e da caça, que às vezes não são fiéis, nem aprumadinhos, nem dizem coisas cá de dentro como o Tony, e que projectam no senhor " tão lindinho e singelo e arranjadinho" todos os seus sonhos perdidos de amor juvenil. E os maridos, fartíssimos de aturar as legítimas, não se zangam que elas andem atrás do Tony -  até compram os discos e alugam carrinhas para o mulherio ir aos concertos. Ao menos assim não os chateiam nem perdem a cabeça com o vizinho do lado. Tenho para mim que o Tony Carreira é um preventivo para muita violência doméstica em território nacional.

Isso ainda se entende (apesar de eu achar que o Tony é um vulgar rapaz de uma aldeia perdida na beira, com roupas iguaizinhas às do dono do café central, apenas mais caras, mas lá se avenham).

O que me escapa é como este produto musical se torna tão pop, tão transversal, tão... chique? Algum desses snobes que ouve os Sonhos de Menino sem ninguém saber deve ter a resposta. Não se acanhem, escrevam-me a contar que o sigilo fica garantido, mas pelas alminhas, tirem-me deste dilema.
 

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