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Friday, December 3, 2010

O espírito de Natal já chegou a Portugal

Uma jovem mãe, falando ao telemóvel para quem a quis ouvir:

Ó Mãe, ´tá bem, já se "óbiu"...vou agora passar o Natal a casa dela, há-de "haber" muita gente em casa dela para "ber" a menina...há-de receber muitas prendas, há-de! "Atão" a minha irmã chateia-me os cornos o ano inteiro e hei-de ir pra casa dela no Natal? Tenho a minha casa, para que é que hei-de levar para lá a menina? Olha, agora havia de rir-me para ela no Natal, espera! Ela manda o filho para o pé do pai para não o aturar...que exemplo de mãe! Olha, mãe, tou-me a ca***ar. Carago, não tou para aturar a p***a dos velhos! Parece que ficam doidos c´o Natal!

E com estas lindas palavras, carregadas de reverência filial e espírito natalício, largou a falar às amigas sobre o ex namorado, pai da "menina" (mas estas pessoas nunca tratam os filhos pelo nome???) e que a Popota ia actuar num supermercado próximo, logo, ela tinha de levar "a menina" a esse espectáculo carregado de significado, elevação espiritual e carinho pelo menino Jesus.


 Andar na rua de ouvidos abertos dá nisto. Devia existir uma entidade reguladora dos bons costumes, que multasse quem fala assim -  mas os iluminados iam considerá-la uma ideia anti democrática, prejudicial à tão prezada liberdade. Se algum dia ficar multimilionária, talvez pense em morar num castelo com muros altíssimos e mastins de guarda, em sair só para certos locais e em certas ocasiões onde minimize a possibilidade de ouvir disparates. Por outro lado, as tolices alheias são uma fonte inesgotável de entretenimento e matéria para análise do meu semelhante. E existem em formato natalício. Viva o luxo!

Tuesday, November 30, 2010

A casa dos Degredos

Não gosto de Reality Shows, e muito menos da forma degradante como são feitos em Portugal. Confesso que em momentos de parvalheira posso ligar o canal E! para conceder uns momentos de total inactividade aos meus neurónios, mas os formatos americanos são outro barro. Para começar, a maior parte centra-se em "celebridades" que de uma forma ou de outra fazem parte do nosso imaginário, ou com um estilo de vida diferente do comum, o que pode justificar a curiosidade gerada no espectador. Há meia dúzia de programas polidinhos, glamourosos, sem grande escandaleira e que até nos dão algumas ideias ( como The Rachel Zoe Project). Sobretudo, são formatos com um guião definido, com planos próximos e uma sonorização decente, eventualmente com legendas, e - pasme-se - com um objectivo.
 Os programas que por cá surgiram após o malfadado Big Brother fabricaram "estrelas"(leia-se, subcelebridades) a partir do material mais reles e fizeram com que o público, inculto e ingénuo, as aplaudisse.

 O mais triste é que apesar de tudo, A Casa dos Segredos poderia funcionar de forma positiva. [Falo pelo que li das regras do "jogo" porque não tenho pachorra para ver uma dúzia de caramelos em plano descritivo alapados no sofá. Mesmo que o segredo deles fosse a coisa mais escabrosa do mundo, passar-me-ia ao lado].
 Ora vejamos: era possível fazer disto uma espécie de Cluedo, se a ideia é "caçar" os segredos uns dos outros. Um segredo não é necessariamente um esqueleto no armário. Escolhessem um cientista responsável por uma descoberta importante, um atleta medalhado, um(a) médico (a) que tivesse participado em missões arriscadas, missionários, designers, portugueses com sucesso no estrangeiro....porque não fazer de um reality show uma montra de "cérebros"? Porque não aproveitar o casting para seleccionar um grupo que ensinasse alguma coisa ao povo e inspirasse os jovens com modelos positivos? Sim, porque se queriam polémica, bastava juntar um activista da Greenpeace e um Toureiro na mesma casa. Sempre agitava as mentalidades.

Mas não. Para encontrar protagonistas para este formato, a produtora teve de enfiar as mãos bem fundo no enxurro de cloaca que vai passando por este país. Gente sem nada de diferente, interessante ou notável a não ser a sua marginalidade e os sarilhos em que se meteu. Jovens que batem nos professores e desrespeitam os pais em praça pública, acompanhantes, desocupados, ex amantes de jogadores da bola, ex amantes de homens casados, tudo gente amorosa e com nível, para o povão salivar com as estorinhas degradantes, o palavreado pouco recomendável e a desgraça alheia.

A apresentadora (de quem até gosto, ressalve-se) justificou-se dizendo que o programa é um espelho do país. Espero que não seja verdade - não me revejo (cruzes! tarrenego! espiga rodrigo! ) nem à maioria dos meus amigos e conhecidos, naquela gente. Este é o reflexo de uma camada de lodo no nosso país que a TV optou por realçar, premiar e aplaudir. Má ideia. Péssima ideia.

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