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Friday, December 10, 2010

Das cabines de provas,novamente

Os provadores das lojas são o pesadelo de quem gosta de modas e elegâncias. Alguns espaços mais luxuosos têm cabinas remotamente decentes - mais privadas e amplas - mas esta é uma benesse rara. Para começar, a maior parte desses cubículos não tem um banquinho onde uma pessoa se possa apoiar, o que torna o processo de fechar zips, fivelas ou sapatos uma canseira que só visto.
 Os cabides são sempre insuficientes, e curtos demais, para pendurar a nossa roupa e a que trazemos para experimentar, o que, por mais jeitinho que se tenha, acaba com um monte de tralha no chão, tudo misturado a ganhar pó. Depois (já o referi aqui) há o problema de a maioria ser protegida por cortinas, não por portas, e admitir homens no provador feminino - o que possibilita que o namorado alheio espreite alegremente a nossa figura. Deus abençoe a H&M e Primarck, que apesar de muito acessíveis, tiveram a decência de colocar portas de madeira sólida e provadores mais arejadinhos.
Mas o pior, o pior, são as luzes super agressivas colocadas nos provadores, que conseguem transformar uma princesa num sapo. Aquela porcaria não é luz, é um raio -X. O único remédio é dar o devido desconto, espreitar pelo rabo do olho e sair para ver o resultado nos espelhos exteriores. Expliquem-me a ver se eu entendo: uma pessoa sai de casa achando que está apresentável, normal, e quando vai experimentar uma roupa que a devia fazer sentir bem, depara-se com um monstro? Estudei marketing e nunca encontrei o motivo por trás deste truque em lado nenhum. Se a ideia é vender roupa...qual será o objectivo? Fazer as mulheres fugir do provador mais depressa, comprar sem reflectir e deixar lugar à próxima? Evitar que certas chicas-espertas levem os namorados para uma malandrice expresso atrás das cortinas? É por estas e por outras que prefiro levar à sorte, testar em casa onde tenho uma luz natural e amiga, e se não gostar, troco. Fazer compras devia ser terapêutico, caramba.

Thursday, December 9, 2010

Meu rico casaquinho


Sou uma amante de básicos e gosto de conhecer a fundo o meu guarda roupa. Raramente compro uma peça em que não possa confiar, de que não goste a sério e que não saiba à partida que vai durar e fazer parte da minha vida. Uma delas é um casaco de tweed escuro 3/4, cintado, com gola de pelo, de uma designer portuguesa. Apaixonei-me por ele (à primeira vista, of course) no tempo da Maria Cachucha, não pensei duas vezes antes de o trazer para casa e ainda parece novo. Sempre que o uso sinto-me transportada para a Segunda Guerra Mundial. É uma peça de vestuário feita com amor, à moda antiga, de tecido e corte irrepreensível e que transmite imediatamente uma sensação de fiabilidade e elegância, seja usado com jeans ou um vestidinho. Não pesa, não é quente nem fresco demais...é o sobretudo perfeito e está no meu Top Ten. Percebem a ideia - é um daqueles objectos que eu não deitava fora nem que me saisse uma herança multimilionária, com muitos zeros à direita e um guarda roupa vintage do melhor que pode haver.
Um casaco mesmo a calhar para o estilo ladylike deste inverno que tanto me agrada. E ontem pregou-me um susto: com as confusões da mudança, não estava em lado nenhum: nem nos caixotes, nem no meu closet, nem do da mãe, nem nos outros armários. Aflição imediata. Meu rico casaquinho, onde te terei posto? Terá ficado caído em algum lado, sem que eu me apercebesse? Ninguém o tinha visto. Foi uma sensação de perda irreparável, pois por mais sobretudos que viessem, nenhum seria o MEU sobretudo de tweed cintado, 3/4, nem pesado demais nem leve demais, com gola de pelo e o seu porte de Katherine Hepburn ou qualquer diva de tempos idos.

Afinal estava lá, escondidinho entre os outros, com a sua costumeira elegância discreta. Foi como receber uma prenda surpresa.

Tuesday, December 7, 2010

Sissi, matadora de zombies!

Costumo dizer, na brincadeira, que só tenho medo, medo a sério, de duas coisas nesta vida: de mortos vivos e de extra terrestres. Isto faz rir os meus amigos. " Como é que podes ter medo de duas coisas que não existem?" - dizem. Dou-lhes razão, claro. Pelo menos no que toca aos zombies, porque quanto a ETs vai-se a ver. Para ser franca, nem eu sei explicar porque é que os mortos vivos me assustam. Os meus pais ficaram tão impressionados com o filme que deu o mote para o género ( The Night of the Living Dead, de George Romero) que me proibiram terminantemente de ver tal coisa. Porém, o estrago foi igual:  falaram-me do filme - adensando o mistério e o desconforto sobre ele -  mais tarde li o livro (na praia ao sol, mas ainda assim sempre a olhar por cima do ombro) e hoje é o que se vê: eu, que adoro filmes de terror e nunca me assusto, não consigo ver "The Walking Dead" sozinha na sala. Até o "Thriller" me mete medo. O pior é que quanto mais medo tenho, mais piada acho. Novidade do Romero que saia, tenho de ver. Mas já sei que é uma autêntica tortura: músculos tensos, coração apertadinho e um objecto comprido e afiado à mão, não vá o diabo tecê-las.

Já pensei em candidatar-me a castings para filmes de mortos vivos: ia fazer sucesso, com um pânico tão genuíno.


Racionalizando, este é um medo parvo. Primeiro, os zombies não existem e as hipóteses de uma pandemia que cause um apocalipse de mortos andantes são muito remotas. Óptimo! Isso não me impede de ficar gelada só de imaginar dúzias de zombies fedorentos a bater inexpressivamente nas portas e janelas. Acho que a  mera visão de três zombies pingados a vaguear no nevoeiro é suficiente para me deixar indisposta (Romero é mestre em criar detalhes subtis, mas arrepiantes e incómodos como esse). Os mortos vivos são esquisitos, lentos, malcheirosos, burros que nem portas, mas isso não me convence -  em caso de ataque, a coragem não tem grande utilidade. Ser apanhado é garantia de uma morte lenta, impiedosa e inestética. Mesmo que se escape, basta uma dentadinha para nos transformarmos numa coisa feia daquelas, a cair aos bocados.
 O meu único consolo em caso de um cataclismo desses é que não sou propensa a paralisar de medo.  O pavor dá-me fúria, e esborrachar coisas detestáveis ao tiro e à cacetada (já que não tinha outra alternativa) é capaz de ser uma boa forma de descarregar o stress. O mais provável seria que eu liderasse um pequeno grupo de sobreviventes, fazendo uso da minha mania da organização e das estratégias ( e do feitio mandão que a minha família acha que eu tenho). Pelo menos, não ia enlouquecer de tanta miufa.

Com extraterrestres, trata-se apenas da minha intuição, que me diz que quando (e se) aparecerem, não vai ser para tomar chazinho e bolachas. Não gosto da ideia de uma invasão perpetrada por uma civilização mais avançada do que a nossa, sabe Deus com que hábitos. Embirro com estranhos, já bastam os nativos.

Em ambos os casos, o mais perigoso talvez não fossem zombies ou aliens e sim os humanos enlouquecidos à rédea solta, lutando entre si pelos recursos disponíveis. Como dizia a minha professora primária, " eu não tenho medo dos mortos, tenho é medo dos vivos. Os mortos estão para lá deitadinhos, coitadinhos". E se não estiverem, têm de se ver comigo!

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