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Tuesday, December 21, 2010

O regresso do Natal fofinho

 Jingle bell, jingle bell, já não há papel...podia ser o hino oficial deste Natal para muitos portugueses. Por mais abonado que seja, não há cidadão nacional que não se sinta tocado pela brisa fria da austeridade. Na imprensa proliferam os artigos com sugestões para desencantar presentes baratinhos e criativos e  aqueles testemunhos sem graça como  " eliminei os  presentes" ou "prendas, só para as crianças" .

Assim de repente, parece que estamos em guerra, a sofrer as agruras do racionamento. E tal como na guerra, o infortúnio parece trazer à tona o melhor que há nas pessoas. De Norte a Sul do país, vemos multiplicar-se obras de solidariedade em que cada um dá o que pode, um pouco do que lhe sobeja, para valer ao próximo. Esta não é a solidariedade superficial, lamechas, tipicamente festiva: sente-se uma preocupação genuína pelo vizinho do lado, porque todo o país, mais coisa menos coisa, está no mesmo barco. Os "pobrezinhos" já não são "os outros". Toda a gente está preocupada com a infelicidade e desconforto que se instalou enquanto os verdadeiros responsáveis olhavam para o lado. E isto é importante: já não vemos as pessoas a contribuir despreocupadamente, insensivelmente. Como a "crise" toca a todos, as dádivas são acompanhadas por uma conversa amável,  por um sorriso melancólico de " melhores dias virão. É aguentar, amigo". Compram-se mais produtos portugueses, "para ajudar" mas também porque são realmente requintados e  falam por si. Os presentes para a família são cuidadosamente pensados, especiais. Em muitos lares, cada um corresponderá a muito esforço, sacrifício e contas de cabeça. Estas prendinhas, esteticamente falando, trazem consigo uma elegância depurada que há muito não se via. Menos é mais. Até os mais afortunados falam abertamente em poupança e parcimónia. Seria deselegante não o fazer. A crise não conseguiu roubar o Natal aos portugueses. Pelo contrário. Deixou de se apelar ao "Natal solidário" : ele aconteceu por si mesmo.
Como na guerra, pessoas e famílias oferecem o melhor que podem, desenrascam-se, inventam, reunem-se e enfrentam o sofrimento com bom humor. Resistem. Não porque é suposto ser assim, mas porque é necessário que assim seja. Pobrete, mas alegrete.

Quanto a mim, sou uma perdida por esta época (celebro o Yule a 21 de Dezembro e o Natal a 25, é uma alegria) e arranjo sempre maneira de fazer a festa e deitar os foguetes, por mais imperfeitas que as condições sejam. Haja saúde, que o resto é lucro. A maratona começa logo em Novembro para evitar correrias (já que sou picuinhas com a selecção das ofertas e com a qualidade dos embrulhos) mas mesmo assim, as lufa-lufas de última hora são inevitáveis. E é ver-me a cantarolar e mexer os pés nas lojas ao som das Christmas Carols que irritam muito boa gente, com os olhos brilhantes e um sorriso na cara, a enfeitar a casa (com moderação, o meu sentido prático priva-me de piroseiras) nem que chovam canivetes, a azafamar-me na preparação da ceia com toda a gente a mandar vir ao mesmo tempo (faz parte da festa) e a saltitar por ali como um elfozinho feliz. No quesito do espírito de Natal sou irredutível. Se não há, arranja-se!

O que eu não esperava era ver todo o país a fazer coro comigo. Que milagre de Natal.

Monday, December 20, 2010

Calcinhas há muitas, seu palerma.





Why men love Bitches é um dos pouquíssimos livros de aconselhamento para mulheres que merece a minha aprovação. Porém, tem uma tirada que me fez rir. Diz a autora que perante um novo namorado, é aconselhável esconder a lingerie bonitinha, ou tirá-la da caixa e cortar as etiquetas à frente do rapaz, não vá ele pensar que aquela roupa interior já andou nas mãos de meio mundo. Então os homens acreditam que gastamos dinheiro naquelas peças lindas só para lhes agradar? Se as compramos, é porque são deliciosas - o que por sua vez, não quer dizer que mostremos os nossos "tesouros escondidos" assim como assim, a qualquer um. Se encantar o dito cujo ( que espero eu, já terá o título de Namorado há tempo suficiente para não fazer julgamentos tão bacocos) maravilha! Se não, minhas caras, mostrem-lhe a porta da rua, porque ninguém merece andar com calcinhas feias enquanto as peças delicadas se amontoam na gaveta, com o único objectivo de parecer séria. Eis um caso em que mais vale sê-lo que parecê-lo. Calcinhas há muitas, seu palerma, e a cueca não faz a moça, vale?


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