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Saturday, December 31, 2011

Contagem decrescente



Azul real, encarnado e dourado. Champagne. Correria. Alegria. Vou ali abrir as portas ao Ano Novo e já volto.

Adeus, 2011...o ano da Agoge


Enquanto escrevo, estou a ansiar pela passagem de ano. Não que a data me entusiasme muito...eu nunca gostei do desconhecido, embora leve a sério aquela coisa do "mudar de página".
Mas 2011 equivaleu a uma agoge* na idade adulta. Este ano foi como os mestres dos filmes de kung fu dos anos 70, que ensinam magistralmente - à bofetada, para não esquecermos as lições. Num mood ou aprendes e sobrevives, ou estás feita. A contornar obstáculos. A forçar-me a respirar. Uma longa aula que me obrigou a "abrir a pestana" e pôr fim a certos padrões que se vinham instalando. Com músculos doridos, membros arranhados, exausta - mas apta. Mais forte. Mais ágil. Mais rápida. Foram 12 meses que me permitiram realizar alguns desejos e pôr em prática projectos muito bons. Vitórias que valem o dobro porque sei que muito do que consegui foi feito com o coração ferido, a alma a pesar toneladas e vontade de não me levantar do sítio. Esforcei-me a triplicar porque as mulheres da minha família, tal como as mulheres espartanas, não choram quando têm problemas - erguem-se, inspiram, sacodem o pó dos vestidos e vão à luta. Que eu guarde bem as lições desta "coming of age" forçada:


- O meu primeiro instinto está sempre correcto e é para seguir, pareça o que parecer, doa a quem doer.
Se faz quá quá como um pato e anda como um pato, provavelmente é um pato. Quando o meu dedo que adivinha e o meu chackra de estimação dão sinal de alarme, estou perante uma situação perigosa. Há que saltar para cima do inimigo ou dali para fora imediatamente. Se parece mal, paciência. Se se zangarem comigo, temos pena.

- Com os malucos não se discute. Esta poupa imenso tempo e muita canseira. Cada um tem o seu ritmo, não vale a pena tentar resolver tudo segundo os meus padrões. Deixar que os outros percebam os factos por eles mesmos. Já sabia esta mas ainda fui parva...a prudência excessiva nunca resultou bem comigo. A racionalidade sim, mas tem limites.

- As pessoas magoam muito mais facilmente aqueles que amam. Facto.

-A culpa não morre solteira. Vi cair com estrondo um mostrengo que parecia intocável e fazia a vida dos outros num inferno. Todos torciam para isso, mas ninguém esperava um desmoronar tão meteórico e definitivo, daqueles que garantem que a besta não voltará a chatear vivalma. Sim, os Deuses estão acordados. Às vezes gostam de se espreguiçar, mas não falham.

- Não tentar salvar a carruagem descarrilada, nem bater num cavalo morto. Quando a coisa está preta ou cheira a esturro, mais vale sair do comboio a tempo. O que nos estiver destinado, volta e compõe-se. O que não voltar estava a mais.

- Face a uma crise, há que lançar mão a todos os recursos.
E isto significa mesmo todos. Sair da zona de conforto. Não é esperar que o diabo não seja tão negro como o pintam, perder tempo a analisar pormenores nem arranhar a superfície. O que aprendemos não vale nada se não for usado. Mesmo que meta medo ou dê muito trabalho. Mesmo que tenhamos vontade de nos acanhar. O bem sempre que possível, o resto sempre que necessário. Mover montanhas a pontapé, ir buscar recursos à China, chamar o génio da lâmpada, a girl´s gotta do what a girl´s gotta do. E mais nada.

- Há sempre uma surpresa boa ao virar da esquina. Não vale a pena descabelar-se, a roda gira constantemente.

Desejo-vos um Feliz Ano Novo. Que 2012 seja mais romano e menos espartano...queremos alegria!

* Regime de treino duríssimo a que as crianças espartanas eram submetidas.

Thursday, December 29, 2011

Vassourada na primeira...catrapuz, bruxa no chão!*



Felizmente cá em casa temos as vassouras largas. Coriscos, como eu detesto amadores.


* José Barata Moura, no fantástico álbum infantil "A cidade do penteado" (do tempo em que ainda não tratavam as crianças como estúpidas).

Monday, December 26, 2011

E antes de fechar o ano, há que dizer isto....(porque depois tenho mais em que pensar)

A ESPADA DE DÂMOCLES
Mestre Maquiavel disse que a vitória, mesmo que obtida por meios vergonhosos, nunca desonra. É triste, mas é um facto. A grande qualidade de Maquiavel reside em ver o ser humano por aquilo que ele é, desencantadamente: naturalmente mau, lambe botas, ganancioso, crédulo e fraquinho do miolo. Os seus escritos pretendem dar-nos ferramentas para lidar com isto.
Consolemo-nos pensando que a Fortuna é caprichosa. A "sorte grande" só sai uma vez. Quem depende de um golpe (de sorte e não só) não tem vitórias duradouras. Uma batalha não significa a guerra, e quem ri por último...

Deve ser triste só ganhar fazendo batota. E estar sempre a olhar por cima do ombro, com medo de ser apanhado mais dia menos dia. Saber que não se conseguiu nada naturalmente - nem pela beleza, nem pelo talento, nem pela inteligência, nem pelo mérito, mas pela vigarice pura e dura, por insistência e por cara de pau. Nunca ser desejado, nunca estar à altura, nunca passar de mula com arreios de cavalo por mais que se faça.
Ser-se burro que nem um testo, sem uma colher de chá; ser um falhanço tão redondo em tudo que os únicos meios de subir na vida são na horizontal ou através de esquemas. Viver a tentar a sorte, a atirar o barro à parede. Só que a Sorte está sempre a olhar para o relógio, o barro é escorregadio e o cuspo não é uma cola de confiança. Andar com a espada de Dâmocles por cima da cabeça, entre o Pêndulo e o poço, tic tac, tic, tac, tic tac.
É de uma pessoa rir e comer bolachas. Mesmo.

As coisas que eu ouço, versão Natal


Como foi o vosso Natal? O meu foi mais-que-perfeito, graças a Deus, assim que acabou a lufa lufa dos preparativos. E como é apanágio cá em casa, não podiam faltar as coisas extraordinárias e misteriosas. Desta vez não foi antes do pequeno almoço, mas antes da Consoada:

- Um pão-de-ló escapou-se da mesa dos doces e fugiu para parte incerta levando dois cúmplices consigo. Não nos fez falta mas deixou-nos intrigadíssimos. Se virem um bolo com ar culpado por aí já sabem a quem pertence. (Mas não o mandem para cá, foi há dois dias e já deve estar num bonito estado; ele que volte para quem o desencaminhou).

- Devido a problemas de comunicação, o lenhador teve de entregar a "mercadoria" por volta das quatro e meia da tarde do dia 24. A Sissi cheia de coisas para fazer, com uma salada de frutos do bosque a meio, lá foi orientar o homem. "Ó menina, a minha carrinha já é velha, não desce essa rampa toda; vou buscar o rapaz e mandar as cavacas pela ladeira abaixo!". E eu - a contar com a lenhinha empacotada e arrumadinha no alpendre sem sujar nada- que remédio. Quando voltei lá fora só tive tempo de dar um grito, porque havia troncos voadores por todo o lado, projectados a grande velocidade na direcção do meu gato mais novo. O sacaninha adora a lareira e lá deve ter percebido o destino da lenha. Como a "máquina de fazer quentinho" é amiga, os troncos também deviam ser, julgava ele. "Pare, pare que me mata o gato" avisei eu a esquivar-me de um projéctil de três quilos. "Ah, ele arreda-se" ou qualquer coisa assim, responde o lenhador que obviamente nunca teve gato na vida.
Fechou-se o bichano, descarregou-se a lenha, e o pátio sujo que metia dó. Pediu-me uma vassoura e uma pá para limpar as cascas de pinheiro. Levei-lhas, com um saco para apanhar as "carrascas" que - no meu entender, que tenho lareira desde que me conheço por gente - dão um excelente combustível.
"As cascas, menina? Nem pensar metê-las na lareira, não  queira uma coisa dessas. Não é preciso saco que eu levo-as de volta para deitar fora". Cheia de pressa, super ocupada e mal refeita do susto não insisti; encolhi os ombros, paguei, muito obrigada e feliz Natal.
 Só hoje é que em conversa com a família me ocorreu porque é que ele não quis deixar as carcodoas - deve vendê-las muito mais caras para cobertura de jardins. Deve ter-me achado com ar de betinha da cidade que não percebe nada disto e só gosta de lareiras porque estão na moda, e pensou que me podia enganar com uma peta dessas. Malandro. Se apesar disso não tivesse feito um bom negócio, eu dizia-lhe as cascas!

Adoro

Este spot spot da Coca Cola. É emocionante sem lamechices, está muito bem produzido e de todas as versões que vi, a portuguesa é a melhor. Perfeito!

Saturday, December 24, 2011

Considerações Natalícias

Custou, que desta vez o meu espírito de Natal sobre humano parecia não querer funcionar. Mas uma pessoa não pode fazer vontade ao corpo, e como eu digo sempre, se não há espírito de Natal, força-se um pouco que ele aparece!
Tive de puxar mais pela cabeça para encontrar os presentes certos. Mas está feito. Já fiz a minha boa acção secreta de Natal, e acreditem que este ano foi grandinha. A árvore está um primor, mas
apetece-me dar traulitada ( apesar da quadra) nos senhores que a venderam. Imaginem, comercializam árvores naturais " para plantar" e depois cortam-lhes as raizes rente...só para poupar num vaso de plástico! Pobrezinha, vai precisar de muitos cuidados para continuar a crescer. Espero que sobreviva, como outras que enfeitámos e depois devolvemos à terra. Brutamontes!
Os embrulhos ficaram giros como sempre - graças a nós, porque os das lojas já não são o que eram e em Portugal não há casas especializadas nesse serviço como nos Estados Unidos. Sem hipótese de os mandar fazer a quem sabe, é comprar papel - a trabalheira que dá encontrar papel do bom - sacos bonitos, etiquetas e laçarotes e deitar mãos à obra. Não houve muita confusão nas compras ( ou toda a gente tratou delas com antecedência, ou a crise está mesmo a sentir-se, o que me entristece muito) mas ainda me ri um bocadinho - não resisti - das pessoas com cara de tacho na fila do bacalhau. Parecia o racionamento da Segunda Guerra Mundial! Felizmente cá em casa preferimos outras coisas. Olha esperar na "bicha" por um peixe seco! Não me faltava mais nada...
Ainda há muito por fazer, desde a preparação da Consoada ao arranjo das mesas, por isso passei aqui para vos desejar um Natal 2011 (ou um solstício de Inverno) muito feliz, com uma canção da amiga Kate Bush que eu adorava em pequenita...
 Que o Deus renascido vos dê aquilo que mais desejam. Menos aos meninos que se portaram mal. A esses, espero que o Pai Natal e o Menino Jesus tragam só uma coisa: JUÍZO. (Podia pedir uma tareia mestra com aquelas bengalas de Natal; seria divertido mas não condizia com o lema da boa vontade e blá blá blá).

Friday, December 23, 2011

O Homem com H da Land Down Under

Charles Mesure


Melhor do que um remake de V, que fazia as minhas delícias quando era pequena, só uma versão com  personagens como Kyle Hobbes, interpretada pelo britânico Charles Mesure.
V prima pelo casting e pelo figurino. (Os vestidos da Anna, que maravilha!) Adoro. E adoro este mercenário endiabrado. Primeiro porque sendo filha, neta, bisneta e por aí fora de militares, tenho uma atracção irresistível por este tipo de figura. Não fui para o Exército porque não me deixaram, porém "treino militar" não me faltou e o bichinho ficou cá, o que pode parecer contraditório a quem acaba de me conhecer. Mas isso é assunto para outro post...
 Hobbes é corajoso, mauzinho e gosta de o ser, apesar de ter bom coração lá no fundo. É vê-lo todo contente, com um sorriso malandreco, de cada vez que o deixam torturar alguém ou recorrer a medidas extremas. Posso explodir com isto? Posso provocar dores excruciantes a este monte de lixo?  Posso matar este lagartão, posso, posso?  Encantador.
Charles Mesure cresceu na Austrália ( eu gosto dos Australianos que são gente valente e desempenada...) e escreveu, interpretou e produziu mais de 30 peças de teatro antes de se dedicar à televisão, enquanto acabava o curso de Direito. Depois começou a escolher papéis. Fez de Arcanjo Miguel e agora de aventureiro. Em relação à sua figura, não há nada a dizer...eu, que por ossos do ofício nunca me deixei impressionar por celebridades bonitas e galãs de TV, aqui me confesso rendida à evidência. Uma cara linda, de perfil grego, cabelos escuros a contrastar com olhos azuis, barba certinha e o corpo mais perfeito dos dois hemisférios. Espero vê-lo em mais produções, e se eu fugir misteriosamente "lá para baixo" já sabem o motivo...

Make up low cost‏ - uma review geral


Até há uns três anos atrás, esta menina aproveitava cada viagenzita para comprar maquilhagem a preços simpáticos. Por cá, as marcas internacionais presentes nos supermercados e as de perfumaria eram as opções imediatas. Quando queria algo específico - sombras de qualidade, pincéis, bases com texturas diferentes- recorria às profissionais como a Kryolan, a Sephora ou a Make up Forever. Estas, por sua vez, foram-se popularizando com a chegada da MAC, Bobby Brown e Benefit, entre outras.
Porém, rapidamente as linhas low cost chegaram a Portugal - e eis que algumas coisas que eu costumava encomendar ou comprar "lá fora" se encontram facilmente por cá.
Estes cosméticos "baratinhos" têm vantagens além do preço (e do design giro). Não afirmo que substituam produtos profissionais, pois continuo fiel a muitos deles - mas complementam lindamente. Em primeiro lugar, a qualidade: eu sou alérgica a quase tudo e posso atestar que não me irritam a pele (nem os olhos, e uso lentes). Na sua maioria, preenchem a expectativa. Em segundo, a variedade e especificidade. Algumas propostas destas marcas - correctores, primários ou lip plumps - só estavam disponíveis até aqui em gamas profissionais. Por fim, pela minha experiência, posso dizer que a qualidade em muitos artigos é igual ou superior às marcas "médias" e que alguns não ficam a dever nada às alternativas mais luxuosas. Fica aqui a minha review:

Schlecker
Uma das minhas drogarias preferidas- e que existe porta sim porta não na maior parte dos bairros alemães e holandeses - está há algum tempo no nosso país. A versão portuguesa destas lojas é mais modesta, mas mantém algumas pérolas como os cremes em tamanho viagem, o expositor da Essence e a sua própria linha de cosméticos, a Basic.

Pontos fortes: as bases, principalmente a compacta (cremosa) a mousse e a versão em stick. O lip plump em várias cores. As máscaras de pestanas, que são muito variadas e fabulosas. As edições especiais. Máscaras de rosto para todas as peles e creme de olhos. Hidratante com cor. Creme de corpo reafirmante. É espesso, mas uma maravilha!

Pontos fracos: Há poucas lojas espalhadas pelo país (tenho de me deslocar até Cantanhede ou Porto para lá ir). O stock não se compara com o que vemos lá fora. Venham mais produtos " de lá". E já que estou a pedir, tragam as concorrentes da Schlecker: Etos, Kruidvat, Trepkleister e as megastores Hema, que vendem um dos melhores cremes e bálsamo labial que já usei. (Quem não as conhece pode espreitar aqui).



Essence

Já conquistou as portuguesas e dispensa apresentações.

Pontos fortes: as bases e máscaras de pestanas (já devem ter reparado que é por aí que adivinho logo se uma marca tem qualidade ou não). A base em mousse e a base mate são as minhas preferidas, e têm tons clarinhos tal como a Schlecker. Quanto às máscaras, ainda não encontrei nenhuma que me desagradasse, mas gosto especialmente da Smokey eye. Na minha opinião, arrumam a um canto muito "rimel" profissional que já comprei. Os eyeliners e lápis diversificados. As edições especiais, que têm tesourinhos como o pó de pestanas, lip stain ou blush em gel. O tónico. Os milhentos top coats para unhas. Primer para sombra. Pós compactos. E muitos outros.

Pontos fracos: As gamas não estão completas na maior parte das lojas. Ao introduzir novidades, por vezes descontinuam alguns dos melhores produtos, como o volumizador de lábios e o pó iluminador. As edições especiais têm um stock muito pequenino, que desaparece num ápice. As sombras são "o elo mais fraco" comparadas com o resto, embora haja algumas excepções.

Catrice:



Um pouco mais cara, mas muito acessível mesmo assim, com uma enorme variedade e um packaging muito atraente.

Pontos fortes: As sombras, muito pigmentadas e com cores lindas. Ainda não mergulhei a fundo porque tenho muitas, muitas paletes para gastar, mas estou fã. O primer, que é excelente e com óptima relação qualidade-preço. As cores dos vernizes. As bases e correctores, embora pudessem ter mais tons e texturas por onde escolher.

Pontos fracos: As máscaras de pestanas! Caí de amores por uma (de volume) e aquela coisa não seca nem à lei da bomba. Olhos esborratados todo o santo dia!
A reposição do stock também é lenta e em pequenas quantidades. Se gostam de um produto, comprem enquanto há...

Miyo:

 

Esta pequena linha veio da Polónia e está disponível nas parafarmácias do Jumbo (e nas lojas Carlos Santos, onde é bastante inflacionada em comparação).

Pontos fortes: O pó Doll Face, e apetece-me repetir isto non stop. É o mais perfeito que encontrei em muitos anos, e existe na cor "vanilla" que é literalmente a minha cara. Algumas máscaras são do melhor que já usei. Os lápis. As bases não são nada más, mas espero que tragam texturas novas (não sou grande fã de foundation líquida). Ouvi falar muito bem das sombras.
Pontos fracos: Se o expositor que vi está completo, a linha é básica. Merece mais variedade!
Gosh
Muito popular no Norte da Europa, esta marca dinamarquesa apresenta um posicionamento diferente e preços mais elevados. Poderia descrever-se como a irmã mais velha (e "pró" ) da Essence. Em alguns produtos a diferença compensa,
noutros nem tanto. Por um pouco mais, é preferível comprar alternativas de perfumaria.
Pontos fortes: As sombras e lápis, pela textura e pelas cores ricas. Variedade de primers.
Pontos fracos: Como é que uma marca escandinava só tem bases escuras?

Falta-me experimentar os produtos Elf, Kiko e Nyx. Todo o mundo fala neles mas não tenho encontrado em parte alguma...aceitam-se sugestões!

Monday, December 19, 2011

Sissi, a série de TV

Hoje sonhei que a minha vida era uma série de televisão. Não um reality show à Rachel Zoe, nem uma série sobre a minha vida. Eu era uma personagem, a minha família e amigos também, a minha casa era um cenário, os locais que frequento eram criados em estúdio, havia uma régie, sala de maquilhagem, guiões e câmaras por todo o lado. Os meus gatos eram "adereços" - tinham feito um casting para os contratar- e o meu guarda roupa criado por figurinistas (nada contra, a não ser que aquela não era a minha roupa mas um figurino pensado para alguém que não existia na realidade). Os meus produtos de beleza eram uma manobra de product placement, imaginem! Até pessoas de quem eu não gosto nada entravam na série, no papel de maus da fita. Ora, foi precisamente por causa disso, e pelas voltas desagradáveis para a protagonista que o enredo estava a tomar, que eu saí do plateau e fui direitinha à sala dos argumentistas. Estes senhores é que eram responsáveis pelas minhas aventuras e desventuras dos últimos tempos, pelos meus sucessos e arrelias, pelas minhas decisões, pelas minhas falas, por tudo e mais alguma coisa.
Bati-lhes à porta e reclamei: que assim não podia ser, porque a personagem principal também tem direito a respirar de alívio antes do final da temporada, não é só reveses, e o público já se andava a queixar (as heroinas sofredoras estão fora de moda); que os vilões que me tinham arranjado eram reles, baratuxos e representavam mal que se fartavam; por causa deles andávamos a perder tantas audiências que por esse andar íamos ter o programa cancelado.
Respondeu-nme o guionista sénior que eu tinha razão, que os executivos já lhes tinham dito exactamente a mesma coisa. Por isso iam dar um final apoteótico às personagens indesejáveis e introduzir novidades emocionantes nos próximos episódios, pois as audiências são soberanas.

Eça de Queiroz dixit



Se um charuto te cai à lama, não o podes naturalmente levantar: deves deixar fumá-lo em paz ao garoto que o apanhou: zangares- te com o garoto ou com o charuto, é de imbecil

As coisas que eu ouço - mas afinal, quem é que me avia?

John Malkovich, Jeremy Irons e Gérard Depardieu


Na terra dos meus avós, um conhecido nosso comprou o café local. A clientela era certa, o negócio corria bem e a rapaziada gostava de abancar por lá para se juntar ao amigo. Certa noite, já fora de horas, o jovem patrão recebeu os companheiros mais uma vez e decidiu ir ao andar de cima buscar uns aperitivos para lhes oferecer. Todo animado, voltou para baixo a dançar aos saltos e a cantar
" xálálálá li, a malta está aqui" - terminando o último verso com um salto das escadas para a sala do café, de braços no ar numa pose à John Travolta. E foi assim que estacou, porque um velhote da aldeia (típico frequentador das tabernas do antigamente) tinha chegado sem se fazer notar. Com um sério grão na asa e cara de poucos amigos, perguntou indignado - um pouco para os rapazes que se esforçavam para não rir à gargalhada, um pouco para o dono do café - Mas afinal, quem é que me "abia"? E ainda de mãos no ar, respondeu o inexperiente "taberneiro" : Sou eu.

Como "aviar" é um verbo com muitas utilidades e de fácil emprego, este tornou-se um chavão lá em casa. Não faltam ocasiões para atirar um "quem é que me avia" a alguém neste país de burocratas, macacos do rabo cortado, indecisos e pantomineiros.

Igualzinho a ti, eu conheço mais de cem*...


Detesto pessoas que se acham a última bolacha do pacote, a última coca cola do deserto. Guess what, baby, you´re not so special. Ou é de mim, que sou muito pouco impressionável.

* Gabriel o Pensador

Sunday, December 18, 2011

Pelo menos 30,322 leitores...

Andy Warhol e Jerry Hall (Studio 54)

têm passado por aqui, o que me faz feliz se pensarmos que este canto esteve mais de um ano parado. Jornalismo a full time e blogar não combinam, pelo menos quando se faz parte de uma equipa pequena e muito atarefada. Perdi a conta às vezes que tive uma ideia a fervilhar, os dedos a saltar, mas quando chegava a casa tarde e a más horas, depois de um dia inteiro a escrever, a fazer de inquisidora e a correr de um lado para o outro os neurónios pura e simplesmente não cooperavam. Este tem sido o meu trombone, o sítio onde digo o que bem quero e me apetece (que aqui quem manda sou eu, e às vezes sabe bem mandar em alguma coisa) desde modas e elegâncias a instantes mais "profundos" passando por assuntos sérios.
Tenho a agradecer aos que me seguem, aos que ainda não me seguem mas aqui vêm com frequência, aos meus amigos que me incentivaram a não deixar "a Imperatriz" morrer na forma, às centenas de visitantes portugueses e brasileiros que tenho todos os meses, a muitos outros dos EUA, de toda a Europa e de destinos mais exóticos; e àqueles que cá vêm ter à procura de coisas como " Irina Shayk nua" (não vai acontecer) " ratinhos anjinhos fofinhos" (vá-se lá saber porquê) ou "panikes de chocolate" (embirro com eles, mas quem procura não sabe) mas acabam por ficar um bocadinho. Grazie Mille!!!

Saturday, December 17, 2011

Aleluia, irmãos!



Finalmente o produto- que-fazia-sucesso-no tempo-das nossas-mães-mas desapareceu-misteriosamente das lojas portuguesas está de volta. No final dos anos 70, com a moda dos cabelos extra lisos e a humidade dos capacetes, as meninas "freak" recorriam a este spray milagreiro. Os champôs secos são excelentes para espaçar lavagens ou prolongar o brushing, ou seja, funcionam como um champô do dia seguinte - quando o cabelo até não está mal, mas tem cara de quem vai acabar com as raízes pegajosas antes do pôr do sol.
 Nesses casos, garante mais 24 horas (dependendo do tipo de cabelo) de frescura, madeixas soltinhas, cheirosas e com zero electricidade estática.
Também funciona lindamente como texturizador, para acrescentar corpo à cabeleira. Se as vossas melenas têm tendência a achatar, se precisam de lhes dar textura para um penteado especial, ou se têm pela frente um evento longo num espaço quente e fechado - o pior assassino de styling que pode haver - o dry shampoo é vosso amigo.
O problema tem sido a falta de oferta, porque noutros países a maior parte das marcas tem uma gama " a seco" a preços acessíveis.
Por cá, a Klorane foi pioneira. O produto faz o que lhe compete mas é para cabelos sensíveis, logo não tem perfume. O tamanho pequeno da embalagem  também é um turn-off. Seguiram-se a Lee Stafford (que cheira muito bem, mas ainda só vi em versão pocket) e a Oriflame ( não é mau, mas deixa as pontas bastante secas comparado com os outros).
Julguei que a Tresemme, marca que me tem impressionado positivamente, viesse a seguir, trazendo a sua gama Fresh Start - com vários produtos do género- para Portugal. Mas a minha favorita, a Schwarzkopf, adiantou-se e a Syoss apresenta duas versões: para acrescentar volume e anti oleosidade, por um preço médio de 5 euros. Trouxe ambas e posso dizer que este é o melhor champô em spray até aqui. Só me falta experimentar o da Sephora. As meninas já o testaram?

Update - BB Cream, Benamôr, reclamações e outras coisas


Depois de algumas voltas ( não pude passar ainda pelo meu ponto de venda preferido, o Supercor) encontrei prateleiras cheiinhas de BB Cream no Continente do Fórum Coimbra.
Morenas, corram que "ali há-os". Caras pálidas, desiludam-se: como é costume no nosso país, o tom "light" não está disponível, pelo menos por enquanto. Resta saber se o problema se verifica só em Coimbra ou se vão repetir o que tem acontecido (com esta e outras marcas) relativamente a vários produtos, recusando-se pura e simplesmente a enviar para as lojas as cores mais claras. Certa vez tive uma discussão de pé de orelha com o apoio ao consumidor da Garnier por uma questão do género. Quando perguntei acerca de um tom para o cabelo que havia em Espanha, mas não cá, limitou-se a insistir malcriadamente "que em Portugal essas cores não se vendiam". Pois. Se não as põem nas prateleiras é natural que não... Estou a ver que tenho de me contentar com os cremes, primers, iluminadores e bases do costume.



Para não ficar desconsolada, trouxe comigo um tubinho dos grandes de Benamôr. Comecei usar a marca na adolescência, antes de ficar na moda, porque já na altura achava  a maior das graças às coisas de outros tempos. Lembro-me de haver umas embalagens em casa da avó, junto com a água de rosas e outras coisas que ela fazia tudo para esconder de mim quando era pequena (a mini Sissi era o terror dos cosméticos, mas disso falo outro dia).  Milagrosamente, talvez por ser um creme de tratamento, não me fez alergia. Este post da Flor deu-me vontade de o experimentar como primer - ou BB Cream sem cor. Para já, tem duas fãs cá em casa. Ilumina, uniformiza, é confortável na pele e controla os brilhos. Tencionava comprar o novo Normaderm, mas acho que o nosso Benamôr me fez mudar de ideias! Surpreende-me a sofisticação de um produto tão antigo: combina a hidratação, acção anti rugas, anti acne e iluminador num só. Essa era uma característica comum nos cosméticos de antigamente, antes de lançarem gamas para tudo e mais alguma coisa...uma tendência que está a voltar. Uma conhecida  marca de champô viu-se recentemente obrigada a um downsizing porque a quantidade de produtos confundia os consumidores e prejudicava as vendas. Variedade é bom, mas ter um aliado de confiança é melhor ainda.

Dos espertalhões, ou a maior tareia de Bruce Lee



Esquece a vitória ou a derrota; esquece o orgulho e a dor. Deixa teu adversário arranhar a tua pele e esmaga a carne dele; deixa-o esmagar a tua carne e fractura-lhe os ossos; deixa-o fracturar os teus ossos e toma a vida dele! Não te preocupes em escapar ileso; deixa tua vida diante dele! - Bruce Lee

Não faltavam valentões a desafiar o mestre Bruce Lee, na tentativa de pô-lo à prova ou ganhar celebridade às suas custas. Quando valia a pena, o artista marcial - que fora ele próprio um rufia na adolescência - não fugia à disputa. Outras vezes, limitava-se a virar as costas: cobarde não é aquele que evita um combate; é aquele que mesmo sabendo que é superior luta e fere o mais fraco...
Certo dia, porém, um chico esperto abusou. Como tantos outros, tinha assistido às suas lutas, estudado os seus métodos, imitado os seus movimentos, observado as suas técnicas e lido as suas entrevistas. E achou que copiar Bruce Lee bastava para sovar Bruce Lee. (Aquele que não sabe, e pensa que sabe, é tolo). Não contente com as suas más intenções, atreveu-se a procurá-lo desprevenido no seu próprio território: invadiu-lhe a casa. Se o descarado era muito corajoso, psicopata, ou apenas doido varrido, nunca saberemos porque não lhe foi dada ocasião para explicar.  Reza a história que esta foi a maior tareia que Bruce Lee deu a alguém. Só pelo atrevimento.






Momento "acudam"

Bryan e Tara Ferry


A ultimar compras de Natal, fiquei em choque: então não é que as lojas de fast fashion (e outras not so fast) que eu até respeitava se renderam em massa ao poder do sintético? A crise está brava, minha gente!
Não se espera que numa H&M ou numa Blanco a maior parte das roupas seja em tecidos fabulosos, mas costuma haver opção. E decerto não vou dar por uma peça de rayon e viscose o mesmo que no ano passado paguei pelo equivalente em material mais razoável. Cada vez que me saía um "que  vestido tão giro!" tinha de morder a língua logo a seguir. Até polyester reciclado, senhores.
Vale-me que só faço aquisições pontuais nas principais lojas de departamento (um dia falo sobre o meu Modus Operandi, que passa por misturar e procurar). São grandes, barulhentas e arrisco-me a encontrar meio mundo com uma fatiota igual.
A minha disposição melhorou quando me deparei com Bryan Ferry na campanha da H&M, acompanhado do filhote. Esse homem é uber cool, tão blasé que pode vestir um saco de levar o lixo e continuar elegantíssimo, com o maior ar "eu posso. Tens algum problema?".





Tuesday, December 13, 2011

Maquiavel dixit



Lara Stone

"Os homens prudentes sabem sempre tirar proveito dos actos a que a necessidade os constrangeu".
                            

Monday, December 12, 2011

Dos fantasmas que se metem onde não são chamados


Moira O´Hara (Alexandra Breckenridge)
Estou a adorar esta série. Não é muito assustadora, ou eu sou difícil de assustar, mas fascina-me. O casting é excelente, o enredo desperta a nossa curiosidade (fica-se com tanta vontade de saber tudo sobre a casa como aqueles que lá moram) a fotografia e os cenários são luxuosos.
Nada melhor para substituir The Walking Dead até Fevereiro.
Torço para que esta não seja uma daquelas histórias de mansões assombradas que acabam com os donos a mudar de casa. Espero que consigam resolver os conflitos com a fantasmada que por lá mora e vivam todos como uma grande família. Mas pelo andar da estória, não vai ser fácil. Os fantasmas daquela casa, se descontarmos o bicho que vive na cave, não são muito sinistros. Em compensação...são chatos. Muito chatos. Umas carraças autênticas. Intrometidos. Mexeriqueiros. Intriguistas. O último episódio foi um sufoco, com maçadores a entrar e a sair constantemente, a meter o nariz onde não são chamados, a dar palpites. É a amante psicopata que diz que aquele homem é dela. É o gay com dor de cotovelo a berrar que a casa é dele e a querer mexer na decoração. É a técnica de superfícies que abre a porta a quem não deve. São os vizinhos do lado e os colegas assassinados pelo vizinho do lado, que por sua vez gosta de se meter com as mulheres e as filhas dos outros. E muitos mais...não há um minuto de sossego naquele sítio.
A última coisa que se espera ao comprar uma moradia vitoriana é falta de privacidade. Eu que tanto gosto de estar no meu cantinho, não suporto que haja muita gente a intrometer-se em assuntos superficiais, quanto mais na minha vida privada. Detesto pessoas abelhudas, vivas ou mortas. Se forem difícieis de exorcizar, pior ainda. Isso sim mete medo...muito!

Frase da Semana

Maureen O'Sullivan e Johnny Weismuller



O senhor meu irmão, a classificar uma situação que não vem agora ao caso: 

"Isto é uma aldeia dos macacos, uma ópera de Neandertais e um circo de Australopithecus".

Sunday, December 11, 2011

Mas está tudo tolo?


1- O BB Cream Miracle Skin Perfector da Garnier anda na boca de toda a gente, nos blogs de toda a gente, na cara de todo o mundo, enfim, está em todo o lado menos nas estantes do supermercado. Como é que se atrevem a esconder uma coisa dessas da minha pessoa? Já usei cremes com cor e não são o meu produto favorito, mas as características deste chamaram-me a atenção. Pelo que vi, não será adequado para mim: creio que no nosso país só está disponível numa cor, que é provavelmente escura demais ( para o mercado asiático foram criados vários tons clarinhos...que inveja!). Para além disso, a minha pele reage a quase tudo, o que me impede de testar certas novidades. Mesmo assim quero experimentar esta perfeição em bisnaga. Vou passar no Supercor a ver se tenho sorte - e já agora, se arranjo também o Bênamor que tem andado desaparecido. Costumam ser simpáticos e encomendar-me as coisas que não estão disponíveis na loja...

2- Mas porque é que pessoas cultas, inteligentes, com blogs interessantes, se dão ao trabalho de ver e comentar a Casa dos Segredos como se de uma série se tratasse? Como se fosse a coisa mais normal do mundo, um programa decente? Minha gente, aquilo não é ficção: é gentinha que faz tudo pela fama, anónimos problemáticos que não tendo onde cair mortos vão fazer figuras tristes em horário nobre. Dali não se tira nada e nem sequer é engraçado. Volta, Macaco Adriano!

Friday, December 9, 2011

Stripper chic??? Parem o mundo que eu quero descer!

Já só falta. (Foto: Agent Provocateur)


Afinal não sou só eu que reparo nisto.
Julguei que estava a ficar maluquinha, mas o Daily Mail fez-me saber que a praga já chegou ao Reino Unido (ou veio de lá para cá...). Que bicho mordeu às mulheres para sairem à rua vestidas de quenga?
Meias de rede com calções curtíssimos, hotpants com um frio de rachar, mini saias inexistentes, tanto de noite como de dia, tudo isto acompanhado de saltos assassinos ou botas ao melhor estilo stripper. Perdão, stripper chic - parece que lhe chamam assim. E não é só as jovens - há dias vi muita mãe de família nestes preparos em pleno centro comercial. A parte pior é que a maioria não tem gosto - as roupas não se limitam a ser mínimas, são reles e baratas - nem figura para tais farrapos. Desde que seja provocante, marcha, nem que se veja celulite, banhas a saltar e outras desgraças. Assim como assim, os homens não ligam a estas coisas...ou fazem vista grossa no escuro, depois de bem entornados. "O porno tornou-se mainstream" diz o jornal.
Outras, conhecedoras de moda e elegantes de corpo, fazem menos má figura mas tinham obrigação de ter juizo. Nem tudo o que vemos na passerelle é adequado para a rua, especialmente se faz frio; e fica cómico, para não dizer outra coisa, ver seis tontinhas todas vestidas da mesma maneira a tiritar rua abaixo de copo na mão.
Ao lado de muitas destas serigaitas, as meninas do Red Light District são um exemplo de classe. E ao menos estão em montras quentinhas, onde não se constipam. Pergunto-me o que vestirão as profissionais do sexo agora que as "raparigas comuns" lhes roubaram a roupa.

Thursday, December 8, 2011

Irina, again

Irina Shayk


2 282  pessoas visitaram este blog só por causa de Irina Shayk, o que pôs os meus botões a pensar. Porquê tanta curiosidade? Eu simpatizo com a pequena. Tem cara de desenho do Manara, é culta, tem sentido de humor, é neta de uma espia do KGB - eu gosto de histórias de espiões -  e quando não faz manguitos, é carismática. Embirro com o namorado que arranjou mas ela lá terá as suas razões, e uma moça capaz de colocar D.Dolores e companhia em sentido merece palmas. Pode ser que ensine qualquer coisa ao Cristiano, a ver se ele se torna num bom exemplo para as nossas crianças. Até ver, só lhe achei piada quando saiu de uma garrafa a resmungar "eu sou o génio da bola" e isto porque tenho a mania dos  génios da lâmpada. Mas como sou amorosa e boa pessoa, deixo um conselho ao craque: dê os diamantes todos à Irina. Caem-lhe muito melhor que a si.
Emily Blunt

Dizem que podemos esquecer um rosto, um nome, uma voz mas um perfume, jamais. A minha relação com as fragrâncias é intensa, no mínimo. Tenho um grupinho de perfumes permitido: a maior parte é francesa (sobretudo Yves Saint Laurent, Chanel e Hermès) mas há três italianos que não dispenso. Não aprecio novidades; mais facilmente corro atrás de relíquias. Como o Oui Non de Kookai, frutado e subtilmente provocante, que se mantinha o dia inteirinho. Terem acabado com essa preciosidade não faz sentido, e fico toda contente quando encontro um frasquinho à venda!
Os meus preferidos situam-se algures nos ramos oriental, frutado e amadeirado. Convém que sejam elegantes, sofisticados, e sensuais sem "folhos e xarope". O perfume é das poucas coisas em que a decadência pode ter charme, mas convém não exagerar.

Florais puros são demasiado frágeis para a minha personalidade. No entanto há um italiano cítrico que gosto de ter por perto, para cheirar a lavadinho-banho-de-espuma-com-montes-de bolhinhas todo o santo dia. Essências de tangerina, flor de laranjeira, especiarias, rosa, almíscar, patchouli e jasmim fazem as minhas delícias - na composição ou puras, caso não haja um perfume de boa qualidade por perto. Média perfumaria é o terror. Sou leal aos meus perfumes, mas não a ponto de usar só um, como a senhora minha mãe. A devoção ao seu perfume foi crescendo e hoje é tanta que não consegue pôr mais nada, chegando a indignar-se de cada vez que o desvirtuam com mais uma "edição especial" . É uma assinatura.
A memória olfactiva é uma coisa fantástica. Recordam-se do Maroussia, aquela invenção dos anos 90 que cheirava a casa de passe e que caiu na graça de meio mundo? Para mim foi o horror. Perdoem-me as senhoras que gostavam, mas nunca vi coisa tão sufocante, persistente e invasiva. Enjoo quando ainda o vejo à venda, porque me vem logo à cabeça um certo dia na neve em que ia morrendo intoxicada...traumas.
Mas há lembranças que me são gratas. O Aramis ou Paco Rabanne, quando o papá saía fardado de madrugada e se vinha despedir de mim. O perfume francês clássico da tia Gracinda. A água de violetas da avó Celeste. O ambiente de certas salas. E tantos outros...
Claro que recordações destas podem ser dolorosas também. Certa vez, ouvi uma jovem senhora confidenciar toda chorosa a uma amiga: julguei que já me tinha esquecido daquele estúpido, e acordo de noite a sonhar com o perfume dele! Lá me fui abaixo outra vez...
Pessoalmente, sempre desconfiei dos dandies muito perfumados, o que me livra de desgostos semelhantes e de "perfumes fantasma" a meio da noite. Nem quero pensar na sorte do desgraçado que levasse com os pés de uma utilizadora de Maroussia.

Cá em casa, toca-se piano

Freddie Mercury

O piano foi o melhor brinquedo que me ofereceram. É um valor seguro, para brincar a vida inteira. Quando tenho a honra de receber grandes músicos, que façam o Rippen vibrar enquanto improvisamos, rapsodiamos, criamos, sinto-me nas sete quintas.

Monday, December 5, 2011


O amor deveria perdoar todos os pecados, menos um pecado contra o amor. O amor verdadeiro deveria ter perdão para todas as vidas, menos para as vidas sem amor.

Oscar Wilde

Fabulosa!

Ruiva e branquíssima, Nicola Roberts (Girls Aloud) foi, durante anos, considerada o patinho feio da banda britânica. Um belo dia decidiu mandar à fava o autobronzeador que lhe dava um aspecto de tangerina chocha, assumir a cabeleira afogueada que Deus lhe deu e investir num belíssimo look vintage. O resultado foi tão bonito que ela é actualmente um dos príncipais ícones de elegância em terras de Sua Majestade: vai ser a cara de Vivienne Westwood Anglomania, foi porta voz pela sensibilização contra os riscos do solário e lançou a sua própria linha de maquilhagem para meninas com pele de porcelana, Dainty Doll (que eu quero mesmo experimentar). O estilo de Nicola é encantador - apresenta-se sempre imaculada e é tarefa difícil encontrar uma foto sua menos boa...ou escolher só uma para colocar aqui. Se não acreditam, googlem a menina. Um amor!

Sunday, December 4, 2011

Pérolas, as lágrimas dos Deuses



Na semana passada ofereci a mim própria duas lindas pulseiras de pérolas. Com o seu brilho discreto, as "lágrimas dos Deuses" são das minhas joias preferidas. Podem ser usadas durante o dia, com traje social, com um pullover, com vestido de noite...you name it. Só há uma ocasião em que, apesar de  muito recomendadas e de o seu uso ser esteticamente correcto, me arrepio toda ao ver pérolas: nas noivas.
A avó Celeste, que nunca se enganava nestas coisas, sempre disse "pérolas são lágrimas". Uma noiva que as use chorará tantas lágrimas pelo marido quantas pérolas a sua joia tiver. Por associação de ideias, uma mulher pode comprar pérolas para si própria, aceitá-las de pessoa amiga ou de uma pessoa de família, mas não de um apaixonado. O homem que as oferece (antes do casamento, pelo menos) vai oferecer motivos para chorar mais tarde, sejam as pérolas brancas, negras ou rosadas.
Felizmente, são tão versáteis que podemos utilizá-las em milhares de outras ocasiões. Isto para quem crê em tradições destas... mas que las hay, las hay.

Monday, November 28, 2011

Eu embirro com...Coimbra B



Este post era para se chamar " eu embirro com comboios" mas os transportes ferroviários têm as suas vantagens, por pouco que eu goste deles. O que me chateia mesmo é a insegurança de viajar nos ditos cujos. E não falo dos assaltos, ou pior, dos mirones que se sentam no banco da frente a embasbacar para nós (que a um assaltante uma pessoa sempre tem um pretexto óbvio para o esmurrar). Refiro-me ao risco de acabar ferido, ou feito em panqueca, ao apanhar um comboio. Poderíamos pensar que esse perigo só se verifica em apeadeiros isolados, ou zonas rurais com passagens de nível sem guarda, não fosse a estação de Coimbra B - esse lindo cartão de visita da nossa cidade.
Alguém me explica porque é que enquanto andam em bolandas com o projecto para uma estação toda "fashion" não colocam umas passagens aéreas sobre as linhas? Será que ficava assim tão caro? Até morrer ali alguém esborrachado, que venha em todos os noticiários, acho que não temos sorte nenhuma.
Vejam o medo: até perto da hora, ninguém sabe ao certo em que linha (e estas distinguem-se mal para quem já conhece, quanto mais para forasteiros) vai parar o nosso comboio.
Uma pessoa anda ali para trás e para a frente, e ver um guarda linhas que nos informe é uma sorte! Se nos atrasamos à procura e temos o azar de o nosso cavalo de ferro se encontrar no outro extremo da estação, cava filipe e seja o que Deus quiser. Porque não há cancelas, os semáforos são uma confusão e se o guarda não estiver por perto, resta-nos o altifalante para nos orientar. Ok, eu paro, escuto e olho - mas os Alfas sem paragem passam à velocidade da luz. E mesmo que houvesse recursos humanos suficientes, as pessoas falham. Não podem tomar conta de todos os passageiros desorientados, digo eu.
Há dias, tivemos de aguardar que o Intercidades estacionado no meio do caminho arrancasse para apanharmos o comboio do outro lado - a guarda mandou o maquinista esperar, foi uma sorte. Tem algum jeito? Mas há mais.
Na mesma semana, saí já de noite na linha junto ao parque de estacionamento. Passei com outras pessoas à frente do nosso comboio e só houve tempo de dar um salto para trás quando um guarda veio a correr gritando " cuidado, cuidado, olha lá!" porque, sem que tivéssemos o menor ângulo de visão, outra máquina saiu na linha ao lado. E se o guarda não estivesse lá? O rapaz à minha frente - tenho o cuidado de nunca sera primeira a aventurar-me - era atropelado com certeza.

Olha lá olha lá o quê, c*****ho?" gritou, mal refeito do susto.  "Enquanto não se f**** alguém aqui esmagado nesta m***** de estação não estão contentes, c******.
Malcriado, mas com razão...
No ano passado, desmaiou um jovem no meio da linha mais movimentada. Acudiram-lhe a tempo, mas se passasse um comboio rápido? Porque diabos é que alguém há-de ser obrigado a caminhar na via ferroviária?
Uma amiga minha viu uma rapariga ser "sugada" para debaixo de um comboio junto à bilheteira. Não ganhou para o susto nem para um braço partido, mas podia ter havido uma desgraça.
Há tempos, uma velhota enfiou um pé entre os carris; não havia meio de conseguir sair e o Intercidades a aproximar-se - até o guarda entrou em pânico.
Sem falar nos turistas e estudantes estrangeiros que não percebem patavina de português, nem das instruções do altifalante. Vale-lhes de muito ouvir " senhores passageiros, atenção à passagem de um comboio sem paragem na linha número 3".
Não criarem uma solução provisória enquanto a estação nova não vem é o mesmo que passar fome porque não se pode comprar caviar e lagosta. Pela parte que me toca, apanho os comboios noutra freguesia sempre que posso. Se quiser emoções fortes ando na montanha russa - também tem carris e não atropela ninguém.

Eu embirro com...a lei insossa

Lindsay Lohan


Certas medidas de saúde pública aborrecem-me. Nos útimos tempos tem-me calhado broa sem sal, manteiga sem sal, entre outros produtos insossos, sem que eu tivesse pedido a versão light de nenhum deles. Um desconsolo. Não acho piada quando os órgãos de poder interferem com aspectozinhos destes na vida das pessoas, como se elas fossem estúpidas demais para cuidar de si próprias. Que haja cuidado é uma coisa, excesso de zelo é outra. Reduzir quantidades absurdas de sal, açúcar e conservantes está muito bem, mas comida insípida ninguém merece. Só porque alguns indivíduos são descontrolados e enfardam um pacote de batatas fritas gigante, ou uma barra de manteiga de uma assentada, eu é que tenho de pagar as favas? Estão a castigar as pessoas regradas, é o que é. Já me têm dito " deixa lá, daqui a nada habituas-te e já não dás pela diferença". Infelizmente não é assim: sofro de tensão baixa e hipoglicémia e se os meus níveis de sódio se desequilibrarem pode dar-me uma coisinha má. Nestas minorias ninguém pensa, nos pobres hipotensos, hipoglicémicos sujeitos aos caprichos dos comilões, e que daqui a nada já nem com um amendoinzito torrado podem contar em caso de fanico iminente. É sempre tudo ou nada neste país de modas.

Sunday, November 20, 2011

Oscar Wilde dixit




Um homem deve dar toda importância à escolha de seus inimigos: eu não tenho um só que não seja idiota.

Friday, November 11, 2011

Gaja é a tua tia

Gong Li



Não acho piada quando as amigas se interpelam umas às outras com um afectuoso "ó gaja" ou um lisonjeiro "ó gaja boa!". Principalmente em público. A intenção pode ser simpática mas soa-me agressivo, brejeiro e desnecessário. Talvez porque me acostumei a tratar as minhas amigas pelo nome próprio, por um petit nom carinhoso (ou sarcástico) ou por termos fofos como "querida" (nunca miga, nem môr, nem miguxa, cruz credo). Que se diga em privado " estás giríssima, estás uma gaja boa" ou "saiste-me cá uma galdéria" em tom jocoso ainda vá. Que se resmorda, quando estamos chateadas " que gaja maluca" ou se definam coisas de mulheres como "cenas de gaja" é aceitável. Mas em geral gaja, tal como sujeita, tipa e fulana, está reservado às pessoas que não prezamos lá muito. Tratar as amigas por nomes feios é pior ainda.
Nunca hei-de esquecer um grupinho de doidas do liceu que se tratava aos berros por nomes amorosos como p**** , vaca, porca e badalhoca. Foi fauna que me fez arrepender mil vezes de ter trocado a escola onde andava por outra, só porque lá havia as opções de antropologia, sociologia e geografia (quem me manda querer aprender alguma coisa?). Os meus pobres ouvidos. Quando elas entravam na casa de banho, todos se arredavam!
Para essas gracinhas já bastam os elementos do sexo oposto. Ainda não há muito, vira-se um rapazola e atira meio para mim, meio para o grupinho " olha, eu vi esta gaja na televisão! Foste tu não foste?" . E eu: "viu, viu, mas olhe lá que eu não sou gaja nenhuma, está bem?". Gaja é a tua tia, ó palerma.

Spartacus, bringer of rain, slayer of Theokoles....




É favor parar de matar mostrengos. Agradeço, que Adamastores não faltam por aí...mas eu já estou farta de andar assim:



E já somos mais de meia centena....

Esta linda imagem foi gentilmente cedida pela talentosa Vilma Costa. Enjoy!


Obrigada meus anjos!

Thursday, November 10, 2011

Isso é que é ter juízo, meninos


A dupla Dolce & Gabbanna decidiu pôr fim à sua segunda linha, D&G, para dar prioridade à marca original. Os motivos são sombrios e a decisão foi mal recebida por milhares de compradores e retalhistas, que não entendem como se deita à rua uma etiqueta que factura milhões por ano. Mas eu aplaudo e penso que não estou sozinha. A D&G foi um sucesso para as massas - mas banalizou totalmente o trabalho de uma casa de qualidade, afastando os verdadeiros apreciadores. Acredito que muito boa gente deixasse de vestir Dolce & Gabbanna para não se ver associada aos logótipos horrendos, à ostentação, à contrafacção e ao look "jogador da bola/mânfio da noite". Há tempos a Burberry também se viu obrigada a retirar o seu padrão de assinatura para fugir da má imagem causada pelas WAG, que usavam e abusavam das peças mais óbvias, causando uma invasão de cópias ilegais - por isso creio que as razões de Domenico Dolce e Stefano Gabanna não fugirão muito a isto. RIP, D&G, bons ventos a levem.

Fashion faux pas

David Bowie e Kate Moss - divindades da moda para casos desesperados. Rezai!


Se há coisa que me faz vibrar os nervos é ver palavras mal empregues. O termo "fashion" é uma dessas expressões que se banalizaram no nosso país, sendo utilizada a torto e a direito, com a conotação errada ou pelo menos afastada do seu sentido original. Fique claro que eu não tenho nada contra quem se declara anti moda (o que por si só pode ser um fashion statement, uma afirmação de estilo) nem contra quem só compra roupa para não andar em pelota por aí. O que eu não gosto é de pantomineiros, como os meus leitores já devem ter percebido depois de vários textos a condenar a pantominice (ainda não escrevi o manifesto anti pantomineiros, mas lá chegaremos). Ora vejamos umas definiçõezitas:

Fashion - o estilo que prevalece ou é aceite actualmente; vogue; o traje em geral, e o seu estudo; modo de executar algo ("he did it in a familiar fashion": fê-lo da maneira a que já nos habituou ; to be out of fashion: estar fora de moda ( "Truth is out of fashion": a verdade está fora de moda) fashion industry: indústria de moda, compreendendo casas, designers, marcas, manequins, agentes, produtores, etc.

Se quisermos ser puristas, raramente (ou de todo) se usa "fashion" como adjectivo. Para isso existem outros termos: fashionable, stylish, smart, elegante, hype (algo que está no auge da popularidade, must-have) e muitos mais. Alguém que segue de perto a indústria de moda, e que em princípio terá carradas de estilo, é fashionista. Uma personalidade que influencia a indústria, ou que prevalece ao longo dos tempos, é um fashion icon (Marie Antoinette, Aundrey Hepburn, David Bowie, Twiggy...). Fashion victim não é necessariamente alguém que é doido por moda mas uma pessoa que veste tudo o que é tendência sem olhar se lhe assenta bem, fazendo por vezes tristes figuras.

Por cá, se aceitarmos fashion como adjectivo, é mais correcto assumir que alguém parece ou está fashion em determinado dia, não que é fashion. No entanto, a palavra tem vindo a ganhar uma conotação irónica, associada à logomania, à foleirada e a quem se esforça demasiado.

Mas o pior nem é empregar o termo descontextualizadamente. É que as pessoas descrevem objectos ou indivíduos como fashion, ou se auto classificam como tal, sem ao menos se debruçarem sobre a matéria. Se alguém se empenhou no visual ( nem que esteja a cair de pindérico) é fashion. Ai que "féchion" que eu sou, diz a rapariga coberta de poliester. Sabem, o tipo de criatura vulgar que diz adorar moda mas quando lhe perguntam quem é o seu designer de eleição atira "Fátima Lopes". Ok, então porquê? Resposta: ahhhhhhhhhh...cof, cof...porque é mais chique (cada tiro, cada melro, já lá vamos). E além da Fátima? - perguntamos, a tentar entender se ela gosta mesmo das roupas da designer portuguesa ou se atirou o único nome que conhece.

E a boneca de feira, sapatucho de má qualidade e carteira falsa como Judas começa a esgueirar-se de mansinho, sem sonhar que se alguém lhe atira um fósforo a sua farpela arde que é um mimo, tal a quantidade de petróleo.

Porque gostar de "trapos" ou de compras qualquer mulher gosta; mas isso não é o mesmo que gostar de moda (que é uma arte) compreendê-la, saber situar-se ou pelo menos, distinguir uma tendência de um clássico ou uma peça boa de uma má.

Pior que isso, só o uso indiscriminado da palavra chic, como se a tivessem aprendido ontem ou não existissem sinónimos. Superlativos de chic então, é o cúmulo do ridículo. Se não se tem cultura, mais vale ser discreto e não fazer figura de Dâmaso Salcede com o seu constante " podre de chique" e "chique a valer". Que para ser justa, ao menos o rústico do Dâmaso procurava copiar os bons exemplos e aprender alguma coisa.

Wednesday, November 9, 2011

Tão cedo não se toca em...


Uma noite de Sábado maravilhosa, excelente música, muita alegria...e depois veio uma sangria desatada.

You know...I´m bad?


Numa segunda temporada de The Walking Dead a mover-se devagarinho, Daryl revela-se a personagem mais interessante. Não me enganei com este saloio meio selvagem, brutamontes, mas corajoso - e lá no fundo sensível, um coração de manteiga. Já existem grupos de fãs "Daryl casa comigo" e cá com os meus botões, acho que não vão mal encomendadas. Há qualquer coisa de apelativo num cavalheiro do Sul que toma conta de toda a gente, nunca se desmancha, sabe caçar, conta histórias e anda com uma besta pronta a chacinar o primeiro morto em pé que lhe apareça. Eis um homem para uma pessoa se valer numa aflição:  não perde tempo com comadrices nem pieguices e vira tudo de cangalhas se for preciso. Aposto que não gosta de gente esquisita e abusadora que morde os outros pela calada. Temos muito em comum. Não direi Daryl, casa comigo, mas que me dava jeito tê-lo por perto, não nego.

Monday, November 7, 2011


Um lobo pode estar ferido, escondido e isolado no seu covil...mas é sempre um lobo.

Saturday, November 5, 2011

It´s raining again

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