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Tuesday, February 15, 2011

Estado de Graça e Bom Senso II- Os homens


No texto irmão deste, por receio de o deixar ficar demasiado grande, houve um aspecto que ficou por tratar: o papel dos homens na maluqueira que assalta certas famílias à espera de bebé. Os cavalheiros julgaram que se ficavam a rir? A culpa também é deles. Sejamos francos, antigamente a maternidade era coisa de mulheres. Enjoos? Desejos? Não lhes diziam propriamente respeito. No momento de ter um filho, os homens eram corridos dos quartos, expulsos para o quintal ou para o corredor, e iam remoer o nervoso para outro sítio.  Parteiras, criadas e parentes afadigavam-se à volta da parturiente, a ferver água, a amparar o piqueno, a fazer rezas milagrosas e por aí fora. Os homens só serviam para atrapalhar. Quando voltavam, já a senhora estava apresentável, penteadinha, com um bebé rechonchudo e de touquinha, um amor.
Pois bem, se nessa altura os maridos se demarcavam das suas funções após encomendar o rebento - o que não era lá muito solidário, diga-se - hoje o exagero é tanto que os papás se estão a transformar numas florzinhas. Sem ofensa. Até acho amoroso que participem, mas certos casais são ridículos com afirmações do género " ESTAMOS GRÁVIDOS" (queira desculpar, estão o quê?). Alguns maridos são tão queridos, tão extremosos, que até sentem enjoos, os macaquinhos de imitação.
Minhas senhoras: os homens andam à pancada por nossa causa, levam o carro à oficina, arranjam os canos, mas ainda não põem as crianças no mundo por nós. Eles já têm bastante com que se entreter, não os deixem ocupar também o nosso departamento!
Como se já não bastasse a uma mulher de esperanças aguentar as náuseas, os incómodos, os nervos, ainda tem de aturar um marmanjão cheio de lágrimas e esquisitices? Não. Uma senhora nesse estado precisa é de um homem racional, tranquilo, valente, que lhe dê estabilidade e vá buscar chocolates com coco e mostarda às tantas da manhã. Dois adultos a enjoar e a choramingar não dá. Depois existe a questão do parto, que ainda fica pior com as variantes esquisitas de dar à luz à vontade do freguês - para não falar daqueles que decidem gravar o parto, por amor da santa! Podem dizer-me que é querido o pai participar, que une o casal. Até acredito que seja um momento emocionante, mas não é para o estômago de qualquer um. Os homens são seres menos poéticos e mais visuais do que nós. E sem querer entrar em detalhes óbvios, não há nada mais constrangedor e menos sexy que uma sala de partos. Quantos recuperarão desse trauma? Creio mesmo que uma relação que resiste a uma prova dessas aguenta tudo! Mas quem estará na disposição de arriscar, para além da vergonhaça que é ser vista naqueles preparos por quem queremos - ou devíamos querer - impressionar? Já basta a depressão pós parto, o recobro, as alterações hormonais e aquelas teorias do " ciúme pós bebé". Não temos de acrescentar mais essa.
A minha teoria é que muitos casais que procedem assim o fazem para impressionar, para mostrar ao mundo e a si próprios como são modernos e apaixonados. Certas modernices não fazem cá falta nenhuma e só são "fofinhas" na aparência. Querem pôr à prova se um homem está realmente empenhado na paternidade? Ele que não atrapalhe e ajude no que realmente interessa: aturar desejos e enjoos sem se impacientar; elogiar a esposa, apesar do grande barrigão; aconselhá-la para evitar figuras tristes derivadas de descargas hormonais; levantar-se durante a noite para embalar o bebé; mudar fraldas. Porque aí é que elas doem. Não é " ai coitadinha que tens tantas dores e tenho tanta pena de ti" e "que enjoadinho que estou" . Isso é batatas, meus senhores, e com licenças de " maternidade" para eles não há desculpa para solidariedades da treta...


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