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Thursday, February 24, 2011

O povo vai em cantigas

O português pode não ser, por tradição, tão fashion como os italianos, franceses ou ingleses, nem tão musical como os irlandeses e brasileiros. Mas não há povo que tanto vá em modas e cantigas.
As crianças precisam de canções para adormecer; os portugueses precisam de canções para acordar.
Para sairem de 50 anos de regime, só com duas musiquinhas na rádio. No tempo da Restauração, à falta da telefonia, foram necessários os versos do Manuelinho e do sapateiro. Quiçá a "culpa" seja de dois reis dados a trovas, D. Dinis e seu neto D.Pedro (o tal da Inês de Castro).
De qualquer forma, o país descobriu há dias que os jovens estão mal, graças aos Deolinda. "Parva que eu sou" caiu como um raio e o rebanho, até então conformado e caladinho, desatou a berrar que foi um gosto. Ele é jornais, ele é blogs, ele é manifestações convocadas no Facebook à guisa de Alexandria - e eis que passámos de "Geração Rasca" a "Geração Parva" ( vulgo "Deolindos" - prova provada que o que está mal pode sempre ficar pior).
 A tal que não tem emprego decente, nem estabilidade, nem independência financeira e muito menos futuro, e que está disposta - pasme-se perante tal atrevimento - a lutar pelo direito a permanecer com dignidade e a constituir família na pátria que a pariu (citando Gabriel o Pensador, já que estamos numa de poesia).
Para acordar do torpor, todos os pretextos são bons. Mas entristece-me que os portugueses não pensem nem façam barulho pela própria cabeça - que sejam precisos os Deolinda e as modas lá do Egipto para que a opinião pública dê eco ao que se fala à boca pequena vai para dez anos.
O pior é que a banda canta bem mas não me alegra. Vejam como estamos décadas depois de "Grândola Vila Morena". Trovai, trovai, que os tempos vão mesmo para folias destas.

2 comments:

Clepsidra said...

Mais um exercício perfeito de análise e bom senso. Os irritantes Deolinda fazem-me lembrar os bloquistas: Cobram 20 mil euros por um espectáculo enriquecido com canções de "pobrezinho". Bilhec!

Imperatriz Sissi said...

Obrigada, Clepsidra. É sempre um prazer ouvir uma voz irmã nesta cruzada contra o "carneirismo". Beijinhos

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