Recomenda-se:

Netscope

Monday, March 14, 2011

A Moda cá do burgo

Eu sou, como tenho demonstrado aqui, uma grande defensora dos produtos portugueses, nomeadamente no que toca a alguns artigos especializados e de luxo. No entanto, há algo nos nossos designers  - salvo honrosas excepções, como os Storytailors - que não me encanta. Temos criadores razoáveis para vestidos de noiva ou de cerimónia e marcas portuguesas de roupa casual que nada ficam a dever às Gants e Tommys deste mundo. Mas no que toca à interpretação das tendências internacionais, não compreendo o que se passa. A Vogue bem se esforça, encafifando várias páginas das passerelles portuguesas nos suplementos sazonais. Mas a coisa soa postiça, porque por mais que olhe, não consigo ver ali nada de expressivo, nada de característico ou marcante, nada que apeteça usar. Por vezes penso se os designers cá do burgo não se marimbam totalmente para as tendências e fazem uns sacos de batatas cinzentões conforme lhes dá na real gana. Podem dizer que eu é que não presto atenção, que não me esforço por conhecer o seu trabalho. É mentira, até faço por isso. Mas não devia: enquanto consumidora, não necessito de me obrigar a reparar nas colecções só porque são portuguesas; elas deviam ser apelativas, levar-me a prestar-lhes atenção. É isso que as casas internacionais fazem, porque está demasiado em jogo. Se a Chanel lançar uma colecção da treta, é certo que vai sofrer um duro revés - as expectativas são demasiado altas para que se permitam erros. Como por cá, assim como assim, esta é uma indústria emergente, ninguém dá pelas falhas. A única coisa que me salta à vista nas colecções apresentadas, salvo um coordenado ou vestido por outro, é a falta de estrutura, de um conceito subjacente e de atenção ao detalhe - precisamente os três aspectos que me influenciam a comprar. Depois, temos o ambiente deprimente dos desfiles - parvenus, arrivistas, falsos jet-setters falidos, em suma, pessoas que vão para ser vistas, dificilmente para comprar roupa. Aplaude-se a boa vontade, mas para eventos de moda em grande, é necessário que haja colecções em grande. Eça de Queiroz dizia " a verdade é que não há corridas". Eu atrevo-me a dizer " a verdade é que não há desfiles". Mas como o Carlos da Maia, ressalvo o lado positivo:  temos a vista do rio, que é bonita.

3 comments:

Lady Lamp said...

Nem mais. Uma pena, não é? :/

Imperatriz Sissi said...

Menina Lamparina,

é lamentável. Em 20 anos dava para aprender alguma coisa...salva-nos a indústria de calçado, que tem de facto evoluído. É preciso ofisticação, atenção ao mercado e aprender alguma coisa com os brasileiros, semão os nossos designers estão condenados a fazer vestidos de casório para noivas atrás do sol posto..

Imperatriz Sissi said...

Perdão - sofisticação e senão! Lol

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...