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Monday, April 4, 2011

Asneiras a metro

Private Blend Lip Color Collection, Tom Ford
Não há nada tão mau como ouvir um chorrilho de asneiras a despropósito. Em plena rua, pior ainda. E há pessoas que até parecem ter um disco rígido pejadinho delas, associado a uma metralhadora de má criação que dispara cinquenta por segundo; nunca percebi como são capazes de se lembrar de tantas seguidas nem como diabos articulam uma frase com tal número de C**, F*** e similares. Eu ficaria com o discurso trocadinho de todo, mas esses asneirentos, que fazem coisas mirabolantes com a nossa língua, conseguem-no. Lá diria a minha avó, "diz asneiras como quem diz pão". Mas também há quem o faça com imensa piada e até com graciosidade, como o Fernando Rocha, a Rititi e algumas amigas minhas. Um palavrão certeiro no momento exacto é mais eloquente que muito palavreado. Quanto a mim, não tenho grande habilidade para os dizer. Falta de hábito, porque foi coisa que nunca se cultivou no aconchego do lar. Posso cair nesse pecado quando algo corre realmente mal, ou quando dou uma topada valente de sandálias, ou na brincadeira, mas sempre em privado e quase sempre em surdina. Já experimentei, não fujo de as dizer se a ocasião o exigir, mas não resulta comigo, não sai natural, não está na minha maneira de ser. E se prevaricar, tenho uma fila de caras espantadas e olhares tão reprovadores lá em casa que me sumo logo pelo chão abaixo. Fico-me por pragas como " Caneco" "Diabos" "Com mil raios" "Galdéria" "Raios o partam" "Dane-se" "Desencaca-te" "Filho da mãe/da polícia/da política/de uma cana" "Porca Miséria" "Maldito" "Desgraçado" "Seu urso" "Seu nojento" "Infame" "Caca, caca, monte de caca" "Porco, porco, porco" ou então eufemismos que me permitem dizer exactamente o mesmo, e que até soam parecidos, vulgo o nome de uma árvore máscula e poderosa em vez de....entendem. É um bocado infantil, é a versão light das asneiras e não tem tanto efeito como mandar alguém para o c***lhinho, mas há que deixar essas habilidades para quem tem realmente talento para a coisa. Não se pode ser bom em tudo.

2 comments:

Just José said...

Bom post. Diria mesmo mais, um post do C******! :D
E há situações a dois em que um insulto e uma asneira têm um efeito afrodisíaco ou incendiário.

Imperatriz Sissi said...

Obrigada José. Lá está, há ocasiões para tudo nesta vida...

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