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Monday, October 17, 2011

Cuidado com o Homem Tofu!

Miranda Kerr

Temos problemas: uma querida amiga minha está emocionalmente envolvida com um Homem - Tofu. Para quem não sabe, esta espécie - perigosamente ignorada pela ciência - também é designada por homem esponja. Não porque bebe como uma esponja (há homens tofu abstémios) mas porque não tem espinha dorsal, molda-se a tudo o que lhe dizem, emprenha pelos ouvidos, tenta agradar a todo o bicho careta, não escolhe lados, não se decide embora goste de fingir que é macho alfa e que manda em tudo. Mas sobretudo, tem esse nome porque uma relação com uma pessoa assim nunca é doce nem salgada, não tuge nem muge, não fede nem cheira- não é carne nem é peixe, antes tofu. Um homem tofu está sempre à espera do comboio na paragem do autocarro. Ou seja, dá as pistas, manda indirectas, enrola-o-melão-desenrola-a-melancia, mas não explica directamente as suas intenções. Se todo o mal fosse esse, o drama não era grande: com o evoluir da relação havia de surgir um "momento clique" em que com uma ajudinha subtil da cortejada a coisa ganhava cabeça, tronco e membros. O pior é que um homem tofu é capaz de num dia parecer apaixonadíssimo e no outro, fazer-se de novas. Ou seja, é um quebra cabeças esponjoso. Não tem uma curva ascendente, nem rota: é uma estrada segura para a taquicardia, a não ser que a mulher seja descarada o suficiente para lhe perguntar " afinal o que é que tu queres, ó engraçadinho?". Ora, a minha amiga é uma pessoa discreta, tradicional, e não se atreve. E ele vai cavalheirescamente enrolando.


Se não fosse a curiosidade de perceber " afinal o que é que este caramelo quer de mim?" ela já o tinha mandado lamber sabão. Mas a curiosidade matou o gato; ele é respeitoso, carismático, amoroso, gostam das mesmas coisas, têm muito em comum...e à custa de resolver o puzzle (é amigo? é namorado? é carne ou peixe?) a minha amiga está a caminho de passar um mau bocado. Num momento cobre-a de atenções, de presentes, põe-a na coroa da lua, parece tão comovido perto dela que é incapaz de beijar a fímbria das suas vestes, exige o seu tempo, proibe os amigos de se aproximar ou dirigir-lhe piadinhas, arma cenas de ciúmes. No outro, faz coisas completamente parvas, vulgo convidá-la para o acompanhar a uma festa e depois fazer par com outra amiga, relegando-a para o resto do grupo. Ou flirtar com malucas à frente dela, como se estivesse mesmo à espera de uma valente peixeirada. Um homem tofu, como dizia uma amiga cabo verdiana, é como os ratos: morde e assopra;dá uma no cravo e outra na ferradura, não dá a sua palavra porque tem preguiça de a manter, não fala porque assim não se responsabiliza e se algo correr mal a culpa não foi dele, coitadinho. Foi dela, a descaradona que andou com o carro à frente dos bois. Foi das malucas que não o largam porque ele é tão lindo e tão sensível a bajulações. Foi dos amigos que lhe deram maus conselhos. Foi das más companhias. Foi do padre da freguesia.
Ou eu muito me engano, ou esta história vai acabar numa escandaleira de chifres imaginários. Como nas coisas do coração cada um sabe de si e Deus de todos, vou preparando o ombro e uma caixa de kleenex extra fofinhos pelo sim, pelo não.

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