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Thursday, November 10, 2011

Fashion faux pas

David Bowie e Kate Moss - divindades da moda para casos desesperados. Rezai!


Se há coisa que me faz vibrar os nervos é ver palavras mal empregues. O termo "fashion" é uma dessas expressões que se banalizaram no nosso país, sendo utilizada a torto e a direito, com a conotação errada ou pelo menos afastada do seu sentido original. Fique claro que eu não tenho nada contra quem se declara anti moda (o que por si só pode ser um fashion statement, uma afirmação de estilo) nem contra quem só compra roupa para não andar em pelota por aí. O que eu não gosto é de pantomineiros, como os meus leitores já devem ter percebido depois de vários textos a condenar a pantominice (ainda não escrevi o manifesto anti pantomineiros, mas lá chegaremos). Ora vejamos umas definiçõezitas:

Fashion - o estilo que prevalece ou é aceite actualmente; vogue; o traje em geral, e o seu estudo; modo de executar algo ("he did it in a familiar fashion": fê-lo da maneira a que já nos habituou ; to be out of fashion: estar fora de moda ( "Truth is out of fashion": a verdade está fora de moda) fashion industry: indústria de moda, compreendendo casas, designers, marcas, manequins, agentes, produtores, etc.

Se quisermos ser puristas, raramente (ou de todo) se usa "fashion" como adjectivo. Para isso existem outros termos: fashionable, stylish, smart, elegante, hype (algo que está no auge da popularidade, must-have) e muitos mais. Alguém que segue de perto a indústria de moda, e que em princípio terá carradas de estilo, é fashionista. Uma personalidade que influencia a indústria, ou que prevalece ao longo dos tempos, é um fashion icon (Marie Antoinette, Aundrey Hepburn, David Bowie, Twiggy...). Fashion victim não é necessariamente alguém que é doido por moda mas uma pessoa que veste tudo o que é tendência sem olhar se lhe assenta bem, fazendo por vezes tristes figuras.

Por cá, se aceitarmos fashion como adjectivo, é mais correcto assumir que alguém parece ou está fashion em determinado dia, não que é fashion. No entanto, a palavra tem vindo a ganhar uma conotação irónica, associada à logomania, à foleirada e a quem se esforça demasiado.

Mas o pior nem é empregar o termo descontextualizadamente. É que as pessoas descrevem objectos ou indivíduos como fashion, ou se auto classificam como tal, sem ao menos se debruçarem sobre a matéria. Se alguém se empenhou no visual ( nem que esteja a cair de pindérico) é fashion. Ai que "féchion" que eu sou, diz a rapariga coberta de poliester. Sabem, o tipo de criatura vulgar que diz adorar moda mas quando lhe perguntam quem é o seu designer de eleição atira "Fátima Lopes". Ok, então porquê? Resposta: ahhhhhhhhhh...cof, cof...porque é mais chique (cada tiro, cada melro, já lá vamos). E além da Fátima? - perguntamos, a tentar entender se ela gosta mesmo das roupas da designer portuguesa ou se atirou o único nome que conhece.

E a boneca de feira, sapatucho de má qualidade e carteira falsa como Judas começa a esgueirar-se de mansinho, sem sonhar que se alguém lhe atira um fósforo a sua farpela arde que é um mimo, tal a quantidade de petróleo.

Porque gostar de "trapos" ou de compras qualquer mulher gosta; mas isso não é o mesmo que gostar de moda (que é uma arte) compreendê-la, saber situar-se ou pelo menos, distinguir uma tendência de um clássico ou uma peça boa de uma má.

Pior que isso, só o uso indiscriminado da palavra chic, como se a tivessem aprendido ontem ou não existissem sinónimos. Superlativos de chic então, é o cúmulo do ridículo. Se não se tem cultura, mais vale ser discreto e não fazer figura de Dâmaso Salcede com o seu constante " podre de chique" e "chique a valer". Que para ser justa, ao menos o rústico do Dâmaso procurava copiar os bons exemplos e aprender alguma coisa.

5 comments:

Tamborim Zim said...

Na minha opinião, se a sofisticação for cultivada na cabeça e nos corações em relação a ideias, valores, sentimentos, mundividências e estéticas, será meio caminho andado p q, naturalmente, possa vir daí um "chique a valer". Ai mas o Damasozinho tb era de espancar!:) O meu livro preferido - Os Maias.

Imperatriz Sissi said...

Querida Tamborim, está coberta de razão que nem um sundae com topping duplo! A sofisticação(por muito relativo que seja esse conceito) não pode ser externa, postiça, pois é sempre um mero reflexo da educação que se recebe em casa. Não se trata tanto de ter "hábitos de gosto e de luxo" desde pequenino (o que ajuda) mas de o terreno ser preparado para os ir absorvendo mais tarde, se não se ganharam logo no berço. Sensibilidade à beleza, aos sentimentos alheios, o desejo de não ferir nem incomodar, de aprender, de se ir aperfeiçoando, a modéstia para observar e não achar que se sabe tudo, a capacidade de estar à vontade e saber estar em todo o lado, adequando-se às pessoas presentes sem dar nas vistas são o mais importante. Quem usa uma fina camada de verniz por vaidade e vontadinha de agradar ou de se exibir nunca engana ninguém...como o Dâmaso e os botões de punho "que eram duas enormes bolas". Viva Eça, eterno arbiter elegantarium de monóculo atento às gaffes e ao ridículo!

Tamborim Zim said...

Imperatriz Sissi, daminha de graciocíssima verve: amei! Bom, vero q a parte do n dar nas vistas n encontra gde eco nos leões. Mas é o zodíaco. Declaro-me inculpe.

L' Amoureuse said...

Fofa tens de ver o site da Titia do Shame (http://shameonyoublogueira.com.br/) bjs

Imperatriz Sissi said...

Que blog delicioso e mauzinho (mas sensato). Acho que já tinha ouvido falar mas nunca o tinha lido! É uma espécie de fashion police dos blogs...mmm..e assim de repente lembro-me de umas quantas figuras que a titia ia gostar de ler e de ver, cala-te Sissi ;). Obrigada por enviares :* Beijoca.

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