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Wednesday, February 16, 2011

Bicho do mato

"I want to be alone, now" Greta Garbo
Sou uma daquelas pessoas que de vez em quando apreciam a própria companhia. Por vezes, gosto de me isolar; não tenho aquela necessidade fisiológica de falar a toda a hora, de socializar e conviver, de " conhecer pessoas" só porque sim. Um paradoxo para uma criatura comunicativa como eu, que se dedica à comunicação, que nasceu sob o signo de Mercúrio, mutável, adaptável, voltado para o exterior. Há momentos em que aprecio mais que ninguém " past time with good company" como Henrique VIII. Há outros, em que como Greta Garbo, "I want to be alone". Os meus neurónios, afazeres, livros, cadernos e o  piano substituem qualquer conversa da treta, muito agradecida. Tenho um rico mundinho interior que não reage bem a demasiadas influências exteriores.
 Conheço imensa gente - contactos e conhecidos, muitos dos quais admiro e respeito. Amigos é outra louça. É preciso algo de especial, não necessariamente um tempo muito longo, mas um "click" para que alguém faça parte da minha vida, para que me faça falta. Esta selectividade não tem nada de snob; acontece espontaneamente, por química e nem sempre à primeira vista.
Não sou anti social. Sou "sociável socialmente" tal como quem bebe e fuma socialmente. Quando tem de ser ou me apetece. Tenho uma forte noção de privacidade e do clã, tal como um dos meus bisavós, de sangue caledónio e porte altivo, que construia as casas com o pátio voltado para o interior da quinta para não ser incomodado, só deixava as filhas ir a festas quando o rei fazia anos e nem contratava trabalhadores para as terras para não andar a tropeçar em gente de fora. Nas partilhas, uma das minhas tias, a mais anti social de todas, escolheu a casa mais isolada, no alto de um monte, para ninguém a chatear.
Não chego a tais extremos, mas tal como esta tia " nunca gostei de andar em casa dos outros" (é preciso muito para me hospedar em casa amiga e nunca por mais de dois dias) e torço o nariz quando começo a conhecer os amigos dos amigos dos amigos. Viagens em grupo, Deus me guarde, quase sempre dão chatice, com cada cabeça a puxar para seu lado. Centros comerciais, dependendo de mim, só de manhã em dias úteis. Praias sobrelotadas, credo. Não compreendo a necessidade que certas figuras sentem de aparecer, de ser fotografadas, de revelar a sua vida privada. E no entanto gosto de conversar, de receber amigos, de dar e ir a festas. O sossego é tão bonito. Em boa companhia.

Tuesday, February 15, 2011

Estado de Graça e Bom Senso II- Os homens


No texto irmão deste, por receio de o deixar ficar demasiado grande, houve um aspecto que ficou por tratar: o papel dos homens na maluqueira que assalta certas famílias à espera de bebé. Os cavalheiros julgaram que se ficavam a rir? A culpa também é deles. Sejamos francos, antigamente a maternidade era coisa de mulheres. Enjoos? Desejos? Não lhes diziam propriamente respeito. No momento de ter um filho, os homens eram corridos dos quartos, expulsos para o quintal ou para o corredor, e iam remoer o nervoso para outro sítio.  Parteiras, criadas e parentes afadigavam-se à volta da parturiente, a ferver água, a amparar o piqueno, a fazer rezas milagrosas e por aí fora. Os homens só serviam para atrapalhar. Quando voltavam, já a senhora estava apresentável, penteadinha, com um bebé rechonchudo e de touquinha, um amor.
Pois bem, se nessa altura os maridos se demarcavam das suas funções após encomendar o rebento - o que não era lá muito solidário, diga-se - hoje o exagero é tanto que os papás se estão a transformar numas florzinhas. Sem ofensa. Até acho amoroso que participem, mas certos casais são ridículos com afirmações do género " ESTAMOS GRÁVIDOS" (queira desculpar, estão o quê?). Alguns maridos são tão queridos, tão extremosos, que até sentem enjoos, os macaquinhos de imitação.
Minhas senhoras: os homens andam à pancada por nossa causa, levam o carro à oficina, arranjam os canos, mas ainda não põem as crianças no mundo por nós. Eles já têm bastante com que se entreter, não os deixem ocupar também o nosso departamento!
Como se já não bastasse a uma mulher de esperanças aguentar as náuseas, os incómodos, os nervos, ainda tem de aturar um marmanjão cheio de lágrimas e esquisitices? Não. Uma senhora nesse estado precisa é de um homem racional, tranquilo, valente, que lhe dê estabilidade e vá buscar chocolates com coco e mostarda às tantas da manhã. Dois adultos a enjoar e a choramingar não dá. Depois existe a questão do parto, que ainda fica pior com as variantes esquisitas de dar à luz à vontade do freguês - para não falar daqueles que decidem gravar o parto, por amor da santa! Podem dizer-me que é querido o pai participar, que une o casal. Até acredito que seja um momento emocionante, mas não é para o estômago de qualquer um. Os homens são seres menos poéticos e mais visuais do que nós. E sem querer entrar em detalhes óbvios, não há nada mais constrangedor e menos sexy que uma sala de partos. Quantos recuperarão desse trauma? Creio mesmo que uma relação que resiste a uma prova dessas aguenta tudo! Mas quem estará na disposição de arriscar, para além da vergonhaça que é ser vista naqueles preparos por quem queremos - ou devíamos querer - impressionar? Já basta a depressão pós parto, o recobro, as alterações hormonais e aquelas teorias do " ciúme pós bebé". Não temos de acrescentar mais essa.
A minha teoria é que muitos casais que procedem assim o fazem para impressionar, para mostrar ao mundo e a si próprios como são modernos e apaixonados. Certas modernices não fazem cá falta nenhuma e só são "fofinhas" na aparência. Querem pôr à prova se um homem está realmente empenhado na paternidade? Ele que não atrapalhe e ajude no que realmente interessa: aturar desejos e enjoos sem se impacientar; elogiar a esposa, apesar do grande barrigão; aconselhá-la para evitar figuras tristes derivadas de descargas hormonais; levantar-se durante a noite para embalar o bebé; mudar fraldas. Porque aí é que elas doem. Não é " ai coitadinha que tens tantas dores e tenho tanta pena de ti" e "que enjoadinho que estou" . Isso é batatas, meus senhores, e com licenças de " maternidade" para eles não há desculpa para solidariedades da treta...


Estou pelos cabelos!

Not to touch the earth,  fashion editorial inspired by Maxine Sanders

Há alturas "cacosas" nesta vida. Momentos em que, citando uma blogueira famosa da nossa praça, o nosso dia a dia vira um montinho de caca, sem que se perceba bem como. Até parece que quanto melhor fazemos as coisas, mais elas parecem explodir ou esfarelar-se nas mãos. Que a quantidade de porcaria que acontece é proporcional ao nosso esforço e empenho. Que por mais que nos matemos a trabalhar, por muito tacto e diplomacia que tenhamos, por mais fé que haja e pensamento positivo que empreguemos, tudo se transforma num pesadelo. Até parece que as desavergonhadas das estrelas estão mal alinhadas, Deus me perdoe. Dá vontade de uma pessoa se calafetar na cave e não fazer nada, para não piorar a situação nem contagiar os outros, esperar que passe, implorar aos Deuses que parem de nos bombardear lá de cima, que afinal até somos boas pessoas e não fizemos nada para merecer isto. Lá em casa há uma frase de que não gosto nada, mas que tem uma certa razão de ser: quem me quis mal está vingado. Então pegue lá no prato frio da vingança e faça dele um tobogã para escorregar de um penhasco abaixo, e vá morrer longe que é melhor para si. Porque logo que eu acabar de limpar esta confusão, vou estar muito chateada, e cheia de energia, e o resultado não vai ser nada bonito.

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