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Friday, March 4, 2011

Das ruivas

Julianne Moore (de sangue escocês, já a vimos com todas as nuances de ruivo possíveis)


O cabelo ruivo foi objecto de fascínio e temor ao longo dos séculos. Em determinadas épocas e locais, serviu como uma pobre mas eficaz desculpa para condenar mulheres por bruxaria. A Rainha Isabel I, que herdou do pai, Henrique VIII, as melenas louro alaranjado em vez dos famosos cabelos negros da sua progenitora, ajudou a popularizar  a tendência dos cabelos estilo labareda.


Ticiano e Botticelli foram alguns dos artistas  que utilizaram tons entre o dourado e o cobre para adornar as madeixas de Vénus, ninfas e Graças. O famoso " louro veneziano" era na verdade um strawberry blonde, louro acobreado.O ruivo natural - geralmente acompanhado de pele branca e transparente, sardas, pestanas claras e olhos que vão do castanho ao azul pálido ou verde água -  é por vezes difícil de definir. Vagueia entre o laranja vivo, castanho avermelhado (por vezes quase bourdeaux, o famoso auburn) louro acobreado, avelã acobreado e encarnado. Esta variedade pode ser confusa para quem, como eu, herdou de antepassados celtas um cabelo avermelhado ma non troppo. Durante anos debati-me com essa questão: é louro? É castanho? É ruivo? Conforme as fases da vida, o clima e as épocas do ano.
 Na minha família, quase todos oscilam entre vários tons de louro e pele extremamente clara. Tenho uma tia ruiva e vários primos cenoura-vivo. Herdei um cabelo louro escuro (nem é louro, nem é castanho, é um dourado assim assim) que foge para o alaranjado à primeira oportunidade que lhe dão, olhos avelã, pestanas brancas e uma pele pálida, translúcida, extra sensível, que não tem a brancura láctea e rosada das louras nem o branco magnólia das morenas claras - ou seja, uma trabalheira para encontrar maquilhagem que me preste. No Verão, só apanho um ligeiro dourado com muita água benta e sardas com fartura no nariz e nas bochechas.  Ao longo da minha vida, experimentei várias cores, porque gosto de variar e porque me chateava que tentassem adivinhar de que cor era, afinal, o meu cabelo. Aprendi depressa que preto é para esquecer (aparecem todas as minhas veiazinhas azuis e os olhos parecem avermelhados) castanho não se mantém e o único louro que permanece inalterado nas minhas melenas é o louro esbranquiçado, champagne/ açúcar, vá-se lá saber porquê.
 Se não o posso vencer, junto-me a ele - viva o meu cabelo Ticiano. Graças a Deus, a caça às bruxas já lá vai há muito tempo.

Thursday, March 3, 2011

Mulher Maravilha





Christina Hendricks (estrela da série Mad Men) é a prova viva que beleza e estilo existem em todos os tamanhos. É linda, é ruiva (uma boa fonte de inspiração para o meu fototipo pálido, sardento e alaranjado)  e absolutamente fabulosa. Com 1,68, figurino 42 e um busto natural  uh-oh- que - é -aquilo consegue parecer elegantíssima. Quando se é tão bem feita, os números que se danem. Ao vê-la ocorrem-me imediatamente as belezas imponentes de Hera ou Afrodite. Na belle epoque, teria sido aclamada como a reencarnação de uma. Dentro das suas medidas tem uma figura de ampulheta perfeita, como se alguém tivesse misturado Laetitia Casta com  Monica Belluci e acrescentado um tiquinho aqui e ali. Não me identifico minimamente com a defesa acérrima do slogan " gordura é formosura" nem da magreza extrema a todo o custo (Raquel Welch, magra mas curvilínea, tem mais a ver comigo) mas acredito que é necessário pugnar pela diversidade.
 É comum ver as revistas dividir as mulheres entre magricelas e curvilíneas, vulgo "plus size", lançando as mulheres numa espiral de dúvidas e complexos. Nem todas as mulheres com curvas são " plus size" e nem todas as magras são destituídas de formas. Marylin Monroe, a eterna referência no que diz respeito a figuras " cheiinhas" era, apesar das flutações frequentes de peso, pequena e esguia, situando-se entre o tamanho 34 e o 36. O mito relaciona-se com a diferença entre peito, anca e cintura - o tipo apreciado há algumas décadas estava em maior harmonia com a figura "tradicionalmente" feminina - o que deve ter sido um pesadelo para as moças com menos cintura e ancas estreitas. Há dias, li numa revista dos anos 60 que uma dona de casa entrou em desespero por a sua cintura rondar os 70 cm - medida aproximada de  algumas manequins actuais. É tudo uma questão de perspectiva e temos de começar a aplaudir biotipos diferentes, belezas diversas, sem enaltecer as rechonchudinhas nem condenar as magras. Nem toda a gente é naturalmente esguia ou bem constituída, e nem toda a gente fica bem emagrecendo ou engordando. O ideal está algures no meio e é diferente para cada mulher.
 Anyway, Christina é lindíssima, apresenta-se muito bem e está apontada para o papel de Mulher Maravilha. Maravilhosa.

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