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Thursday, March 24, 2011

Duas coisas sobre a MTV

Que a  MTV não é o que foi em tempos não é novidade para ninguém. Deixou praticamente de passar música, da que passa pouco se aproveita e salvo raras excepções, os seus programas são intragáveis. Entre todos os medos que faz o favor de transmitir às nossas crianças, o piorzinho do piorio, o pai dos medos todos cozinhado lá nas caves do Inferno é o inenarrável Jersey Shore. Feios, porcos, ordinários e maus, os protagonistas deste freak show, "Guidos" e "Guidettes" fazem parte de uma (sub? contra?) cultura urbana que mistura o mais reles que há nos gangs com uma versão rasca da máfia (que ao menos tinha um certo panache). Antigamente, para os americanos, os "Guidos" eram apenas emigrantes italianos de classe baixa, o que já não era muito agradável. Hoje não é preciso ser italiano para pertencer à pandilha, embora o requisito " low class" se mantenha. Basta usar penteados nojentos carregados de gel, tomar esteróides, ser promíscuo, barulhento, oleoso e fazer disparates para envergonhar todos os italianos e descendentes de italianos (aí entro eu) desse mundo de Deus. Se Jersey Shore fosse um documentário do tipo National Geographic ("vejam, meninos, como vivem estes selvagens!") outro galo cantaria. Não é o caso; a estação faz deles estrelas e exemplos a seguir. Por estas e outras, é ponto assente que quando tivermos crianças nesta família não há MTV  para ninguém.
 Outra coisa que me escapa é a razão de, desde que Lady Gaga apareceu de body, todas as cantoras terem obrigatoriamente de fazer videoclips sem calças. Espero que a tendência não chegue às ruas:
vou ficar démodé, mas aconchegadinha.

Wednesday, March 23, 2011

E o Mundo está menos bonito

Hoje perdemos Elizabeth Taylor, como que a provar que o glamour de outros tempos se vai desmoronando aos poucos. Sempre elegante, sempre bela, gentil, de sorriso aberto, mesmo quando a debilidade a obrigava a aparecer em público de cadeira de rodas. Envelheceu com graciosidade. Teve múltiplos amores, foi recordista de casamentos, mas a classe nunca lhe escapou. Ficaram na história os diamantes ofuscando qualquer pecadilho. E os olhos violeta a brilhar sobre uma cara linda, de pele imaculada, os cabelos negros e o corpo de deusa. Gostava de Liz Taylor por tudo isto, por pugnar por causas nobres, por se parecer (tanto em jovem como mais tarde) com a minha querida avó, não só na fisionomia como na doçura de carácter, e pela sua amizade enternecedora, constante, por Michael Jackson. Ele foi primeiro animar o céu: enfeitar as núvens e pôr os anjos a cantar para receber Cleópatra. O Paraíso está mais bonito. O Mundo não. Rest in Peace, Liz Taylor.

Tuesday, March 22, 2011

Das branquinhas e morenaças










 Há dias, houve uma rapariga que me chamou a atenção: não era uma beldade, não tinha corpo de modelo -  apesar de ser alta - e as roupas não lhe caiam na perfeição, mas o conjunto funcionava. Casaco curto pied de poule, jeans escuros de cós alto, botins castanhos de atacadores e carteira Burberry. Maquilhagem escassa mas impecável, um leve blush alaranjado sobre a pele imaculadamente branca, em contraste com o cabelo escuro. Percebi então porque tinha reparado nela: mais do que o visual com bom ar, clean e honesto, saltou-me à vista o tom da sua pele. A herança árabe dotou muitas portuguesas de tons de pele em todas as nuances do dourado, e mesmo as que não o poussuem tentam obtê-lo com recurso ao bronzeamento artificial ou a base mais escura do que o seu tom natural (o que não é boa ideia). Por esses motivos, as caras pálidas acabam por ser uma espécie de minoria. Arranjar maquilhagem cor de porcelana exige algum olho, porque nem sempre estão disponíveis nos pontos de venda  mainstream. As marcas enviam menos embalagens em tons claros para as lojas portuguesas devido à fraca procura. Ser "very white" nunca me incomodou, pelo contrário. Nunca quis contrariar o tipo que Deus me deu. Na minha família, as senhoras ainda cultivavam a velha tradição da pele " mimosa" que indicava uma menina de boa estirpe, "criadinha em casa" que não precisava de se expor ao sol (e aos olhos alheios) para ganhar a vida. Ideias de outros tempos...para a avó (cabelo negro, olhos verdes, cútis translúcida a deixar entrever as veias azuladas) uma jovem trigueira, por mais bela que fosse, merecia o comentário " é um bocadinho morena, mas é linda". Ou seja " coitadinha, é castigada pelo sol e as suas avós também o foram". Não havia nada de racismo nisto, ressalve-se. O tom da cútis, mero detalhe hoje em dia, naqueles tempos era um imperativo só comparável aos actuais padrões de medidas "ideais". Dormir bem, fugir do sol e beber muito, muito leite, eis os seus conselhos para manter uma pele lisinha e branquinha. Os tempos mudaram, os ideais de beleza também, e há lugar para todas. O bronzeado ajuda o biquini a cair melhor, os músculos parecem mais tonificados, e hoje as "trigueirotas" são "as morenaças" - algumas bem lindas! Eu, que só alcanço um levíssimo dourado  com muito esforço (e auto bronzeador, convenhamos) invejo o bronzeado uniforme das Ritas Pereiras e Kim Kardashians deste mundo. Mas só no Verão, quando não me dá jeito nenhum fazer pisca pisca como uma pérola entre as sereias morenas do areal. Durante o resto do ano, prezo muito a minha brancura (que remédio) e acho refrescante ver outras mulheres que optam por realçar a sua em vez de a esconder, muitas vezes com "tratamentos" que envelhecem e são perigosos para a saúde.
 Mesmo assim(talvez porque havia uma miúda morena como um tição que me dava pancada no colégio e que acabei por ter de espancar de volta) quando olho para certas morenas, acho-lhes um je-ne-sais-quoi de malvadas, do tipo vou-te dar uma coça, copinho de leite. Só impressão, claro, pois tenho várias amigas morenaças que são um doce. E lindíssimas, sem nenhum "mas".

Às aranhas

A minha relação com bicharada e insectos sempre foi pacífica, com raras excepções. Já tive um morcego de estimação (que acolhemos com uma asa partida) adoro cobras e já peguei em várias ao colo...bichos mais pequenos do que eu não costumam chatear-me, a não ser que sejam especialmente nojentos, venenosos/perigosos ou em grande número. Mas a minha paciência tem limites. Nada tenho contra aranhas e aranhiços. No entanto, ARANHÕES (por direito próprio) a instalar-se lá em casa já é abuso. Tudo bem que moro ao pé do bosque, o que traz destes inconvenientes. É normal que apareçam aranhiços, e se for dos verdes pequeninos (sinal de fortuna) ou tigrados não vem mal ou mundo por causa disso, varrem-se para a rua e já está. Agora aranhões castanhos escuros, com ar peçonhento e contorcionistas ainda por cima, tendem a arrepiar-me. Ora se plantam no tecto a imitar o Michael Phelps ( com as patas em posição de mariposa) ou passam todos contentes pelo chão do quarto, impunemente, como se fosse a coisa mais natural que há uma coisa feia daquelas envenenar os meus aposentos. Não gosto de gente metediça que se faz de convidada, quanto mais de aracnídeos com falta de chá. Nunca, numa vida inteira a viver perto do mato, vi aranhas destas. Serão uma espécie autóctone e especialmente descarada?
 O maior problema com estes animalejos é que fico sem saber o que fazer. Matar não as mato, porque tenho pena e arrepia-me esborrachar seja o que for - só o som "crec" e a ideia de me livrar dos restos mortais dá cabo de mim . Pegar-lhes com um jornal ou a pá do lixo? Nem pensar nisso é bom, e se me salta em cima, com as alergias que eu tenho? Resta-me berrar "mãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaae, uma aranha" e a senhora minha mãe lá arranja artes de as expulsar varanda abaixo (fazem teias, desenrasquem-se). Pergunto-me o que passa pelo cérebro destas criaturinhas para se instalarem em casa das pessoas, bichos enormes e sem a mínima simpatia por elas. Mais ainda, como se reproduzem numa casa recém construída e onde não há exactamente acumulação de pó? Barrela a fundo e mafu, muito mafu e dumdum para exorcizar estes demónios, é tudo o que me resta.
 Ontem passou uma mesmo à minha frente. Ao ouvir-me gritar, estacou (de medo? de vergonha?) e deixou-se fotografar, a descaradona. Como sofrimento adora companhia, aqui deixo o bicharoco para vosso deleite.

Monday, March 21, 2011

Pés na terra



O campo, as árvores, a terra, estão-me na massa do sangue. Com a minha herança, não havia muito a fazer. Preciso de sombra e bosques altos, de ervas, de cantinhos escuros e de pedras velhas como o tempo para me sentir feliz. Quando me desloquei para o centro da cidade (afinal, eu não morava numa aldeia recôndita, apenas numa área verde a instantes do centro) pensando que seria mais prático, não sabia o disparate que estava a fazer. Senti-me seca, sugada, invadida. Partilhei um prédio pseudo chique com vizinhos que estavam bem no manicómio. Indignei-me com as pessoas "bem"  que levavam o cãozito a fazer a sua higiene no condomínio alheio. Tive problemas do arco da velha com o gás canalizado. Assaltaram-nos a garagem (e as lojas do rés do chão, para desespero do condomínio inteiro). Enfim percebi que não podia ser. E descobri uma zona residencial onde as pessoas deixam as árvores crescer nos jardins em vez de as cortarem " para não tapar a vista da casa" como é hábito. Com flores, ramos e privacidade. Onde ninguém chateia ninguém, pode escolher o aquecimento que entender e nem precisa de ir pôr o lixo de salto alto. A movida urbana é divertida, mas para passeio.

Chegou a Primavera e a Sua Majestade apetece-lhe...

Sicilia
Rumar às terras dos seus antepassados, voltar costas de vez a todas as embrulhadas, ser mais amiguinha dos seus instintos, lançar novas sementes à terra, relaxar e dedicar-se a coisas bonitas.

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