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Thursday, March 31, 2011

Dos Marialvas



Não posso falar por todas as mulheres. Isso seria absurdo. Mas a julgar pela cultura popular e pelos grandes autores,  há muito exemplar do homem moderno demasiado superficial, demasiado egocêntrico e muito - permitam-me a expressão - banana para aquilo que as mulheres gostariam. Ou melhor dizendo, para o que as mulheres querem mas não se atrevem a confessar. Citando Eça de Queiroz, "um ente meio príncipe meio facínora que tinha, sobretudo, a força". Não irei tão longe como Beatriz Costa, que escreveu  "no fundo, no fundo, todas as mulheres gostam de um marialva que lhes rasgue a camisa de noite", que eu cá prezo as minhas camisas de noite, mas há gostos para tudo. Dos antigos marialvas dispensa-se a infidelidade, a mania de meter o nariz (e mandar) onde não são chamados. Tapona e bengalada também não fazem cá falta. No entanto, quem não aprecia um homem decidido, que nos relacionamentos tome as rédeas, que se imponha à natural indecisão feminina (eu quero, eu não sei se quero, ai ai ai a minha vida) que saiba abraçar com ímpeto e como deve ser, que diga " mulher, é assim", que não se rale minimamente de mostrar o que lhe vai na alma e que finalmente, em caso de dúvida, rapte a sua amada para uma fuga romanesca? Isso é que é valor, isso é que é coragem, não é ficar num cantinho, tímido, mimado e mal habituado, na maior vibe " ai que eu sou a última coca cola do deserto" à espera que o femeaço faça o trabalhinho que lhe compete.

Da minha flor favorita

A rosa chá encerra em si todo o poder e provocação da rosa. Não é angelical como uma rosa branca, nem abertamente sensual como uma rosa encarnada, nem doce como uma rosa cor de rosa. Ser rosa lhe basta, o potencial está lá, a rosa chá pode ser o que quiserem que ela seja. É pálida o suficiente para não dar brado e cálida o bastante para se reparar nela. Para um ambiente elegante? Rosa chá. Para declarar uma paixão com subtileza? Já perceberam, rosa chá.  A rosa chá é uma rosa, sim, perfumada, macia, perfeita, perturbadora - mas não se dá a muito trabalho. É uma flor que trabalha silenciosamente. Blasé. Que se está nas tintas, mas cumpre o seu papel como nenhuma outra. Não grita para repararem nela. ´
Limita-se a aparecer,a fazer-nos a fineza da sua presença. Damos por ela quando tentamos entender de onde vem aquele perfume, aquela luz suavemente rosada, aquele quê. É como uma chicotada no chão, um tiro no ar, um lobo escondido na sua toca, que mesmo ferido e solitário não deixa de ser um lobo. Adoro isso.

Tuesday, March 29, 2011

Objecto de desejo


Há imagens que nos marcam para sempre. Quando era muito pequena, costumava ir brincar com as netas de uma amiga da avó Celestina. Essa senhora morava numa casa antiga e como a família tinha vivido no estrangeiro, trouxera consigo uma data de brinquedos velhos e diferentes. Entre eles, havia um pequeno piano de madeira. Não era um destes pianos minúsculos de brincar, era um piano em tamanho natural para uma criança se sentar, perfeito para os meus três anos, um tanto gasto pelo tempo, mas ainda afinado. Nessa idade eu ainda não sabia que gostava de tocar piano, mas mesmo assim encantou-me e nunca mais me esqueci dele. Não falei nisso a ninguém, não me passou pela cabeça pedir à nossa amiga que mo vendesse. Não me apercebi que se tornaria um objecto importante para mim. O da imagem acima não se compara: é só para dar uma ideia. O original tinha muito mais charme, apesar de ser menos elaborado e perfeitinho. Actualmente, não me serviria para grande coisa, mas adorava ter um, por ser o "brinquedo" mais bonito que já vi. Sempre que passo junto à casa da senhora, passa-me pela ideia bater-lhe à porta e perguntar se ainda o tem, se não estará interessada em ceder-mo. Talvez o faça, não vá haver algum bloqueio freudiano e desconhecido cá dentro provocado por este desejo insatisfeito. Nunca se sabe.

Monday, March 28, 2011

Que bruxedo!

Monica Bellucci

Este fim de semana descobri que, de acordo com o feng shui, andava a dormir com a cabeça virada para a "direcção das cinco mortes" e os pés para " a direcção dos cinco espíritos". Bonito. Estão explicados os meus desaires, a fuga do gato e as aranhas que me visitaram. Não sou fanática por esta ciência chinesa (limito-me a não desafiar certas crenças do "nosso" feng shui, como jamais pôr os pés da cama para a porta) mas lá que las hay, las hay.

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