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Thursday, April 7, 2011

Estou deslumbrada

Combinar tons vibrantes não é a minha receita favorita mas apaixonei-me por este coordenado da Gucci vestido por Camilla Belle. Adoro o ar oriental, o cinto que parece saído de um frasco de Opium de YSL, a riqueza do tecido e das cores, a boa caída. E encanta-me o penteado. Precioso!

Ficava bem assim, ficava.

Se fosse menos vaidoso. Se pensasse mais nas pessoas. Se, já que gosta tanto de ser um clone do George Clooney, tentasse ser simpático como o George Clooney (eu não acho o George sexy nem por sombras, mas adoro a sua simpatia). Se não tentasse dar uma de "gente bem" e de lisboeta a todo o custo, porque nunca cairam os parentes na lama a ninguém por ter nascido na Covilhã. Se deixasse de ser complexado e de atirar telemóveis, e fizesse por ser bem educado, sensível e gentil. Se procurasse não torcer a narigueta de nojo quando se fala no povo e de se curvar até ao chão quando se fala em Bruxelas. Porque já dizia o Maquiavel, nenhum príncipe está seguro sem o apreço do povo - os grandes são meia dúzia e o povo muito numeroso. Se, a meio de um anúncio destes para o país, a sua última preocupação fosse ficar bem ou mal nos holofotes -  afinal, já todos o vimos milhares de vezes, para mal dos nossos pecados. Se não desse uma de Maria Antonieta de calças, ralada com futilidades num momento destes. Se fosse menos ganancioso e amiguinho do luxo, pelo menos em público. Se não se armasse em superstar. Se fizesse um pequenino, mínimo, fofinho esforço no sentido de se interessar pelas pessoas, pelas criancinhas, pelas famílias, pelos bichinhos. E já agora, se mandasse o Armani e Rodeo Drive às urtigas e arranjasse um bom alfaiate português que lhe tirasse aquele aspecto de melão enfiado num pau (está tudo no corte, não na etiqueta) porque um cavalheiro não precisa dessas esquisitices, basta-lhe o carisma e o carácter- aí talvez o menino Zezinho ficasse bem. Assim não.

Eu também tenho preconceitos, pois.


Acredito profundamente que o racismo, assim como a maior parte dos preconceitos ou discriminação, é uma atroz parvoice. Cresci com gente de todas as cores e feitios, com diferentes origens, credos, cor política e orientações sexuais e se houve coisa que aprendi - pelo simples facto de a questão me passar totalmente o lado - é que ser branco, preto, amarelo ou às pintinhas, dormir com A ou B não  faz (ou não devia fazer) a menor diferença na vida das pessoas. É certo que a amostra com quem convivi- de vários países e cores do arco íris - era composta por pessoas de bem e pessoas bem formadas, o que pode influenciar consideravelmente a minha opinião. Se dou o benefício da dúvida a qualquer um e mantenho a mente aberta, também considero que o fruto não cai longe da árvore e quem teve a sorte de crescer com acesso a cultura e educação, numa família instruída e de valores, tem maior obrigação de se portar bem em sociedade. Não quer isto dizer que não simpatize mais com algumas culturas (ou subculturas, ou meios) e menos com outras. Questão de empatia. Aqui há tempos, à conversa com uma grande amiga com ideias semelhantes às minhas, cheguei à conclusão que sofro de um tipo de racismo: sim, esse horror. Tenho "racismo" contra a labreguice. Tenho "racismo" em relação à falta de chá. É um tipo de racismo muito chato, porque as pessoas com falta de chá andam por toda a parte, em diferentes sectores da sociedade, e é  complicado isolar os alvos do meu preconceito para os mandar refundir num Gulag qualquer e deitar fora a chave, amen. Como se define a labreguice? Não é decerto por área geográfica. Factores socio economicos também são enganadores. O que me faz encarquilhar os dedos é o atrevimento, a intromissão, o novo riquismo, o miserabilismo, a pretensão, o descaramento, a falta de cuidado com a língua, com o saber estar, o desrespeito pela liberdade dos outros, o mau gosto, a ausência de refinamento e de simplicidade, todos os atentados à modéstia (da falsa modéstia ao despudor completo) a ignorância voluntária, a carneirada. Para isso não tenho pachorra. Dou o desconto, que eu tenho os meus defeitos e faço bastantes exames de consciência para tentar dominá-los. Mas perante tais espécimes, caio facilmente em Ira e Soberba. Ninguém é santo.

Tuesday, April 5, 2011

Eu embirro com...piropos

foto de Ruth Orkin, 1954 (blog Instante Fatal)

Não morro de amores pelo piropo, essa instituição nacional. Ainda há instantes, passa por trás de mim um grupo de trolhas numa camioneta e faz uma travagem brusca (quase saltei fora da pele com o barulho!) só para grunhir "boooa!". Há piropos criativos, educados, que não nos fazem corar nem pensar " será que deixei parte da roupa em casa?" mas esses, os bons, são raros. Principalmente em Portugal, onde a arte de galantear foi substituída pelo atrevimento, grosseria e habilidade de despir com os olhos, quando não é "ver com as mãos" como os espanhóis. Li algures que já existe um enquadramento legal que pune actos incomodativos, como olhar fixamente para o decote de uma senhora. É um bom começo, mas como é que uma mulher prova isso? "Ó senhor guarda, ó senhor guarda faz favor...aquele cavalheiro estava a mirar-me indecentemente"? Tenho para mim que o atrevido diz que não, a senhora diz que sim e não saem disto. Para piropos de qualidade, ide visitar os meus primos italianos e irlandeses, esses sim, grandes massajadores do ego. Uma mulher bonita ou vistosa em Itália recebe sorrisos, piscadelas de olho, "ciao bella" e "que lindos olhos", volta para casa vaidosa e contente. Pela minha experiência, os holandeses também são perfeitos cavalheiros. Sorriem, dizem olá, entabulam conversa, de uma maneira tão delicada que dá gosto. O mesmo para croatas e franceses (oh lala, os franceses). Os homens portugueses precisam de reaprender a arte do piropo - mesmo quando dirigem um cumprimento às suas conhecidas. Online ou via SMS, então, há coisas de meter medo. Do género: um amigo de uma amiga que nos viu uma vez e atira logo " sempre foste bonita" ou " então linda? cada vez mais bonita" (Jesus!)assim do nada. Um elogio perde a piada quando cheira a engate barato. O pior do pior são os caramelos que mal nos conhecem e que assim que (por razões profissionais ou semelhantes) apanham o nosso contacto nos atiram com um " és tão sensual" à mínima oportunidade. Fico verde, amarela, roxa.
 Ditos melífluos e manhosos são piores que o velho " és muita boa!".
Quando um senhor mais velho, seja de família ou pessoa amiga, um amigo chegado, um namorado (ou candidato a) diz " estás um espanto" "estás linda" ou coisa assim, é uma alegria. Não me importo que me gritem "olá boneca" ou "Alá é grande" na rua. Isso tem graça.  Insultos não. A modéstia convida ao cavalheirismo. Mas pelo andar da carruagem temos de vestir burka para não nos faltarem ao respeito. Ou isso ou fazer como uma menina que vi uma vez, a espancar furiosamente um homem rua abaixo com um guarda chuva e a gritar " seu porco, repita lá isso".

Modas e elegâncias que agradam a Nosso Senhor - e aquelas que fazem cair os santos do altar



Encontrei um blog de moda católico (cada dia, uma novidade!) dedicado à Modéstia e Elegância, com muito know-how e fotos lindas. Um blog  laico com o mesmo tema seria mais abrangente - e eficaz se a ideia é dar o exemplo - mas credos e blogues cada um tem o seu, e mesmo quem pratica outra religião - ou nenhuma - pode tirar dali algumas ideias. Aprecio tanto ver uma menina ou senhora vestida como tal, com gosto, com qualidade, com bom ar, sem cair em exageros nem em desleixos, que todas as motivações são boas.
 No que concerne ao estilo de cada um, sou do mais tolerante que há. Acho imensa piada ver pessoas com indumentárias que nunca me passariam pela cabeça. Por vezes o resultado final até pode ser esquisito, kitsch, you name it - mas diverte-me encontrar gente com estilo. Vai tudo do aspecto que se tem. Só há duas coisas que me incomodam: descuido total ou vulgaridade. Vi há dias uma rapariga na rua que valha-nos Deus, Buda e Júpiter. Jeans descaídos e reles com as bainhas por fazer, com uns tacões enormes para não tropeçar e uma banhoca a saltar para fora; top de alças fininhas a mostrar um corpo que se não estava fora de forma, precisava de algum trabalho; casaco amarrado à cintura, como quem diz " está frescote mas eu sou boa, olhem para mim". Não só o look estava desactualizado, como arruinava a beleza da moça. E por aí vamos, que as desgraças são mais que muitas...
 Nesta época do ano, vou-me preparando para as enxaquecas da estação: vestidos sintéticos, purpurinas e musselinas brilhantes em casórios e baptizados diurnos; senhoras rechonchudas que não percebem que um vestido de festa não é obrigatoriamente um vestido sem mangas e que uma ècharpe de fibra artificial só agrava o desastre; noivas com véu de catedral em casamento informal; senhores que acompanham jeans com gravatas; pessoas que não fazem o mínimo esforço para diferenciar o traje nocturno do diurno, apresentando-se de jeans, malhas e afins em eventos depois do pôr do sol que requerem um bocadinho de sofisticação; mini saias va-va-voom em celebrações formais; saltos assassinos em festas ao ar livre com chão pedregoso; convidadas, madrinhas e noivas que aparecem na Igreja decotadas como para um cabaret; damas e cavalheiros que não se maçam a distinguir smart casual, formal para o dia, chic para a noite, casual chic para a discoteca. Se preciso for, de dia aparecem de lantejoulas e à noite de calça chino e cara lavada. Até parece que fazem de propósito para me obrigar a andar com migraleve na carteira. Malandros.

Monday, April 4, 2011

Asneiras a metro

Private Blend Lip Color Collection, Tom Ford
Não há nada tão mau como ouvir um chorrilho de asneiras a despropósito. Em plena rua, pior ainda. E há pessoas que até parecem ter um disco rígido pejadinho delas, associado a uma metralhadora de má criação que dispara cinquenta por segundo; nunca percebi como são capazes de se lembrar de tantas seguidas nem como diabos articulam uma frase com tal número de C**, F*** e similares. Eu ficaria com o discurso trocadinho de todo, mas esses asneirentos, que fazem coisas mirabolantes com a nossa língua, conseguem-no. Lá diria a minha avó, "diz asneiras como quem diz pão". Mas também há quem o faça com imensa piada e até com graciosidade, como o Fernando Rocha, a Rititi e algumas amigas minhas. Um palavrão certeiro no momento exacto é mais eloquente que muito palavreado. Quanto a mim, não tenho grande habilidade para os dizer. Falta de hábito, porque foi coisa que nunca se cultivou no aconchego do lar. Posso cair nesse pecado quando algo corre realmente mal, ou quando dou uma topada valente de sandálias, ou na brincadeira, mas sempre em privado e quase sempre em surdina. Já experimentei, não fujo de as dizer se a ocasião o exigir, mas não resulta comigo, não sai natural, não está na minha maneira de ser. E se prevaricar, tenho uma fila de caras espantadas e olhares tão reprovadores lá em casa que me sumo logo pelo chão abaixo. Fico-me por pragas como " Caneco" "Diabos" "Com mil raios" "Galdéria" "Raios o partam" "Dane-se" "Desencaca-te" "Filho da mãe/da polícia/da política/de uma cana" "Porca Miséria" "Maldito" "Desgraçado" "Seu urso" "Seu nojento" "Infame" "Caca, caca, monte de caca" "Porco, porco, porco" ou então eufemismos que me permitem dizer exactamente o mesmo, e que até soam parecidos, vulgo o nome de uma árvore máscula e poderosa em vez de....entendem. É um bocado infantil, é a versão light das asneiras e não tem tanto efeito como mandar alguém para o c***lhinho, mas há que deixar essas habilidades para quem tem realmente talento para a coisa. Não se pode ser bom em tudo.

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