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Thursday, April 14, 2011

Os amáveis Visitantes do FMI

Os Homens de Preto do FMI  já chegaram. Independentemente do receio e incerteza que possamos sentir, o que está feito feito está, e dinheiro por dinheiro antes controlado por gente isenta e capaz – assim se perca o pudor de mostrar o que escondem, realmente, as contas públicas, que quem pede emprestado não pode ser envergonhado. Mas que o caso é esquisito é,  pois os senhores têm um tremendo ar de extraterrestres. Extraterrestres muito amáveis, muito bem vestidos, cheios de pinta, de boas intenções e que vêm salvar a pátria não se sabe a que preço. Na minha modesta opinião os MIB do FMI são V. Visitantes, como os da mítica série agora ressuscitada pela FOX.  Uns apoiam-nos, outros protestam contra eles, mas está tudo em sentido e aflitinho com medo dos intrusos. Usam fatos italianos. Vêm em paz, sempre. E vai-se a ver, por baixo disso tudo são lagartos gigantes com a nave escondida e rabo de fora. É coincidência a mais.

Wednesday, April 13, 2011

Porque não há pachorra!


Porque fervo em pouca água, apesar de o meu saco demorar a ficar cheio. Porque não gosto que brinquem comigo, nem de meias tintas, nem de conversas da treta. Porque não tenho paciência para "talvezes", " logo vemos", "não sabemos" , "vai-se a ver" "ligue mais tarde", "depois contactamos" e "deixa andar". Porque odeio que me enrolem. Porque não nasci para carneiro, bode expiatório ou tapete. Porque detesto fogo de palha e entusiasmos fátuos, em todos os sectores da vida, e os meus pés não foram feitos para andar em círculos. Por tudo isso, inauguro a estação da barrela: haja saúde e Deus não nos desampare que a limpeza vai ser completa. Não vou regar vasos de tretas, nem acumular esqueletos no armário, nem dar pão a malandros, nem aturar malucos. De tralha, já basta o que basta. De revezes, já me chegam os que não posso evitar. Não há pachorra.

E a Imperatriz já está no Facebook!

Aqui.

Tuesday, April 12, 2011

Se eu não fosse uma pessoa honesta...



Mudava de profissão e ia pedir emprego a um gentleman thief qualquer. Talvez seja da minha costela siciliana, mas os ladrões de casaca, os malandros encantadores e os anti heróis sempre me fascinaram. Sim, sou uma caçadora de tesouros frustrada. Não me encorajaram a seguir Arqueologia (uma carreira que me ficou sempre atravessada) mas creio que sem o apelo de caçar um tesouro, tudo legalito, catalogadito, sem tiros nem cenários à Indiana Jones perderia parte da graça - se bem que trabalhar num arquivo bolorento, investigando o que os outros possam procurar no terreno continua a encantar-me. Imaginem-me de ar misterioso, very sartorial, numa biblioteca a anunciar a um qualquer Rick O´Connel :"descobri um talismã misterioso num livro com não sei quantos séculos". Chique a valer! Por outro lado, sendo filha, neta e por aí vai de militares, os truques de interrogatório, espionagem, fuga, luta e intriga despertaram-me um interesse precoce . Aos doze anos já era fã de Maquiavel e de tudo o que falasse de intriga palaciana, de mulheres fatais, de persuasão, de confidence tricksters, de tácticas para resistir à tortura, de artes marciais. Cartouche, Lupin, Borgia, Valmont e todos os que lhe deram corpo não são pessoas amorosas nem recomendáveis, mas aí é que está a graça. Mestres do disfarce, sempre elegantes, sempre carismáticos, encantadores, com uma grande lata. Como não tenho jeito para Mata Hari, vou-me divertindo com os episódios the Lupin the Third e Burn Notice. Uma pessoa nunca sabe em que assados pode cair. If you know how to kill, you know how to heal.

Monday, April 11, 2011

Dos saltos altos e da pinderiquice

Christian Louboutin

Saltos altos, quem não adora? Pump, stiletto, compensado, venham a mim as alturas. Da tríade sagrada (Louboutin, Choo e Manolo)  aos sapatos de sonho criados por outras boas casas (Prada, Ferragamo) passando por marcas médias e acessíveis, em poucas épocas o calçado teve o estatuto de obra de arte (e objecto de desejo) de que goza actualmente. Com prática e olho clínico, qualquer mulher de gosto pode dispor de uma boa selecção de sapatos de qualidade adequados à sua bolsa e estilo de vida, com formatos que se adaptam às diferentes situações. Falo em prática porque, mesmo para quem pode, a etiqueta não significa automaticamente conforto. O formato do pé, a estabilidade do salto e plataforma, a maciez do material, os acabamentos e detalhes são os aspectos a ter em conta quando se adquire um sapato, bota ou sandália. Já aqui mencionei a importância do formato da perna e do tornozelo, porque tal como nas roupas, nem todos os modelos são lisonjeiros (ou confortáveis) para todas as mulheres.
 Em termos de moda, as portuguesas enfrentam um desafio sem paralelo, passe o trocadilho: o pavimento das nossas ruas. Os paralelos e calçada portuguesa são verdadeiros testes à resistência do calçado e à saúde dos pés (para não falar nos riscos de dar uma valente queda).  Não vivemos em Nova Iorque. Conformem-se. Isto leva-me a chamar a atenção para o "bom tom" do calçado. Vejo muitas senhoras e meninas a usar saltos assassinos e pior (os chamados f****me shoes) durante o dia, no quotidiano. Ele é apliques. Ele é brilhos. Ele é o belo stilletto de metal.  Com raras excepções, é do pioro. Principalmente quando a utilizadora é baixinha e miudinha (não "baixinha" estilo Eva Longoria, mas mesmo mignon, petite!). O resultado é que o sapato fica maior que a dona.  Pumps e stilettos muito altos são indicados para sair à noite (desde que permitam dançar) para o red carpet ou para eventos que exijam traje social ( a não ser que se desenrolem na relva, o que requere um salto mais largo para não andar aos pulinhos) - enfim, ocasiões onde à partida não será necessário correr para o autocarro nem carregar pastas. Existem saltos elegantes para o dia e para trabalhar, basta procurar. Com tanta oferta, não há motivo para coxear, arrastar os pés e  passar a si própria um grande atestado "pindérica power". Pergunto-me o que usarão num casório. Não havia necessidade, já dizia o outro...

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