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Saturday, May 14, 2011

Os paninhos

Foto: Vanity Fair Italia
O senhor meu papá, que é um cavalheiro muito prático e muito organizado, gosta de ver tudo impecável. Se há uma mancha, se algo se entorna (nem que seja o caldo) ele diz logo a quem esteja próximo que vá " buscar um PANINHO" para tratar do assunto, e se não houver nenhum "assistente" por perto ele próprio saca do paninho para deixar tudo em pratos limpos, salvo seja. Isto já se tornou um estribilho entre nós, uma private joke, a ponto de designarmos por " paninho" todo e qualquer trapo, esfregão, escova ou apetrecho que sirva para limpar ou polir. Lá em casa, faz-se mesmo questão de dizer, por brincadeira " eu tenho aqui muitos paninhos".
Nas últimas semanas, por coisas que sucederam e pelo estado da nação,cheguei à brilhante conclusão que um paninho faz muita falta. Não só para limpar e desinfectar manchas ou poeira, mas para eliminar outro tipo de nódoas, acontecimentos ou pessoas. Há gente que não é nada senão uma nódoa feia, que nunca havia de existir de tão má que é, e que só merece uma coisa: um PANINHO logo que se atreve a dar um ar da sua graça entre pessoas decentes. Morre o bicho, acaba a peçonha, lá diz o povo, mas o povo nunca conheceu a utilidade do super paninho e é por isso que Portugal está como está. Dou-vos por isso a boa nova: não há nada que um paninho não tire. É só esfregar um pouco e já está, não nos caem os parentes na lama por causa disso. Apetrechai-vos, pois, dessas armas de destruição maciça, dessas borrachas mata borrão da vida. Felizmente para mim, eu tenho muitos paninhos. E não tenho medo de os usar.

Thursday, May 12, 2011

Nos dias de calor, hão-de ver-me...




Com os looks senhoris dos anos 50 e 60, cinturinha vincada e um visual muito feminino. Com renda e tons calmantes de branco e rosa chá. Com algumas cores fortes - verde menta, púrpura, magenta e encarnado. Com calças de cintura subida e calças pata de elefante. Com um visual bohemian dos anos 70, quando me aptecer trazer à tona a guerreira celta medieval que há em mim. Eventualmente, com um um nadinha de chinoiserie e umas riscas à francesa, estilo marinheiro. Vai haver blusas, calças e vestidos de boa qualidade. E clutches, carteiras e variedade de saltos. Acompanhado de cabelo Botticelli, smoky eye e bâtons entre o nude e o escarlate.


Para transparências, cabedais e padrões malucos, terão de bater a outra porta.

I´m going slightly mad

Freddie Mercury

Oh May, oh merry month of May, who took my true love away...*

Não se é da energia fervilhante de Maio, ou das coisas parvas que me têm acontecido, mas já me deu vontade de pegar no telefone, e como uma amiga minha, dizer não sei a quem: " podem vir buscar-me ao manicómio, se faz favor?". São coincidências esquisitas. É gente com atitudes que não estão escritas em lado nenhum. São pensamentos que me assaltam a cabeça, uma e outra vez, e quando digo " não vou pensar mais neste assunto" é certo que dali a segundos se faz um rewind automático e revejo a mesma cena mil vezes, pensando no que poderia ter feito, ter dito, no que poderia ter acontecido de maneira diferente - isto de forma totalmente involuntária. Depois há os sonhos, claro, a bater os seus próprios records do absurdo. Há dias sonhei que os meus sonhos eram uma porta - de um café da esquina, ainda por cima. Eu tentava entrar, mas um cigano com ar de poucos amigos plantava-se na soleira e não me deixava ir para dentro, a rir para mim com o esgar mais malvado deste mundo. Acabou por levar a melhor, porque não estive para o confrontar e acordei mesmo. Por falar em despertar, rara é a manhã que não acordo com uma palavra (ou frase) qualquer a girar na minha mente. Ainda não estou como o Freddie Mercury, a tricotar só com uma agulha ou a transformar-se numa bananeira, mas já andei mais longe. O que vale, aos malucos tudo se perdoa neste país, o que tem a dupla vantagem de me obrigar a dar o desconto aos doidos que por aí andam  e  de me deixar bastante descansada, caso venha a fazer algum disparate.

* Lembrei-me desta frase, mas não recordo onde a ouvi. Se alguém souber, queira ter a gentileza de me prevenir.

Tuesday, May 10, 2011

In the lap of the Gods



Não me escondo nas sombras, mas as trevas caminham comigo. Tenho sempre um pé no Submundo, para o que der e vier, mas os olhos postos no Olimpo. Caminho em encruzilhadas, acima e abaixo do chão e do céu: conheço o amor e o ódio, a vitória e a traição, a felicidade e a mais profunda angústia. Mudo de forma, para regressar a um Todo que me surpreende, para caminhar entre mundos, entre planos. Tenho visto a Beleza muitas vezes, conheço-lhe os cantos e os segredos, mas já fiquei cara a cara com a indignidade mais abjecta. Suportei-a, uma vez que não podia fazer outra coisa, para observar e aprender. Todos os cenários me contaram alguma coisa para meu governo. Para mais tarde. Para um dia cinzento. If you know how to kill, you know how to heal. Tenho a mesma intensidade - ou no extremo oposto, a mesma coragem de mártir, a mesma evangélica paciência - no Amor e na Guerra, no Triunfo e na Adversidade. Mas jamais permiti que me poluissem. O meu Todo foi forjado há demasiado tempo para se moldar ao que quer que seja. Tenho dentro de mim os ingredientes necessários para me adaptar ao que se identifica comigo - o resto é mero estudo. Direccionado. Descartável. Não roça a fímbria das minhas vestes. Não recuo, reflicto. Não faço prisioneiros. Não há retaliação possível. Estou finalmente a tornar-me no que realmente sou, e apenas a começar a conhecer-me. Não sei se gostarei do que vou ver - mas só os Deuses me julgarão.


Monday, May 9, 2011

Sedução à antiga portuguesa

O site Opúsculo publicou um texto desta vossa amiga, dedicado às técnicas de sedução do tempo da outra senhora. Para o lerem, basta clicar aqui.

Beijar a claridade


Haja alegria. Haja saúde. Estejam as pessoas queridas ao meu lado. E dias de sol com passeios pelo campo, que está uma delícia. Novos projectos que estou ansiosa por abraçar. Tranquilidade. A possibilidade de praia, não tarda. Roupinhas. Looks. Acessórios. Sapatinhos e outras miudezas de mulher acabadas em inho. Os meus livros. O meu fiel piano. A minha varanda com vista para as árvores logo de manhã. Uma surpresa boa uma vez por outra, para não ser tudo igual. E eis-me contente.

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