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Friday, May 20, 2011

Da importância que devemos dar a parvoices


Há mais de vinte dias que a avó está no hospital e não sabemos como a saga vai acabar, nem os médicos atinam com a solução a dar-lhe. Esperamos que tudo corra pelo melhor, porque 82 anos valem o que valem, e se acrescentarmos que já passaram por esses 82 anos todas as maleitas do dicionário, a concorrer entre si
(ou a aliar-se, já não sei) para a atormentar e complicar o tratamento, pior é. Conforta-nos saber que a avó Celestina já escapou de outras piores, que é a pessoa mais resistente que eu conheço, que chegou a esta idade com uma lucidez e inteligência raras, que enfim, é a avó Celestina. Pareço-me com ela (e com o seu lado da família) em muitos aspectos, nem todos eles fofinhos e amorosos. Um temperamento aceso, se nos traz algumas chatices, também nos permite ser valentes perante a adversidade e dar dois pontapés no perigo. Está a resistir a tudo isto, considerando que perdeu o irmão mais novo pouco antes, que nos deixou a todos com o coração destroçado. Quando olho para este cenário, pergunto-me se vale a pena uma pessoa irritar-se, zangar-se, perder tempo com tretas. Com o diz que disse, com maldadezinhas dos bancos do liceu, que não valem um caracol. Deixar mal entendidos por resolver, coisas por dizer, perder tempo com futilidades que não acrescentam rigorosamente nada. Ou simplesmente uma pessoa ralar-se com quem é mau para nós, seja por embirração, orgulho, raiva, ambição, ciúmes ou o que quer que seja. Tudo o que vejo neste instante é a minha avó a embirrar com os coitados dos enfermeiros (sinal de que com sorte, não está assim tão mal) e a minha oração para que no desfecho, haja saúde e sanidade de espírito. Para ela e para nós.

Dois looks para a Sissi

A imagem aqui à esquerda mostra um dos hairdos que vou adoptar para o Verão (aliás, trago-o hoje). Fresquinho, rápido, elegante e adequado aos cabelos compridos que ainda conservam pontas desiguais graças aos delírios "escadeantes" dos senhores cabeleireiros. A maquilhagem também está muito bem conseguida, com um strawberry nude nos lábios, blush ligeiríssimo e os olhos levemente escurecidos. Perfeito para ruivas e strawberry blondes de olhos castanhos ou cinzentos.  Abaixo, o meu acessório fetiche para eventos formais: o fascinator, ou toucado.  A meio caminho entre um chapéu (que é demasiado quente) e um gancho de grande efeito, remata lindamente um visual mais sofisticado. É perfeito para mim, que não aprecio apanhados totais (e não tenho o mínimo jeito para os fazer). Basta fazer o brushing (liso ou caracois) prender uma parte do cabelo e já está. Este, com tons pálidos e opala, é simplesmente maravilhoso.

Thursday, May 19, 2011

That mood for love



Tem de nos fazer atravessar a madrugada e obrigar-nos a ver o nascer do sol, ainda pálidos de sonho e de palavras ditas. E recomeçar tudo assim que a claridade chega, primeira coisa ao abrir os olhos e última antes de fechá-los. Essas palavras têm de ficar na nossa cabeça dias a fio. É necessário que andemos a vaguear entre o cá e o lá, remoendo não se sabe bem que expressão, que instante. Que provoque uma dorzinha boa cá dentro, uma vertigem, que nos faça corar, subir ao céu e descer aos infernos no mesmo dia. E que haja uma saudade absurda. Por vezes, também é indispensável que algumas conversas que tenhamos passem totalmente despercebidas, que não se diga nada que tenha conteúdo, para nos sentirmos cheios não se sabe de que bênção, como se carregássemos uma núvem de felicidade que nem nós entendemos bem. Para que se torne real, precisa-se daquele fio de aço invisível, que não se quebra venha o que vier, uma confiança cega que não precisa de explicações. E saber quando o outro se lembra sem motivo aparente, como uma corrente de água fria que passa por nós. Que haja códigos verbais, gestuais, de aromas, de tacto, de silêncio, de tolices, de " eu conheço-te". E que exista aquele mundinho pequenino, murado, selado, onde não entra mais ninguém. Assim, assim é mesmo perfeito.

Do cantar aos berros e da falsa pena

Não tenho nada contra o R&B - apesar de a minha formação ser clássica e de preferir a "escola" da música celta, sempre ouvi de tudo. Mas cansa-me que actualmente, 90% da música que se ouve seja baseada em acrobacias vocais, a pontos de uma voz já não ser considerada "grande" se não berrar e fizer montanhas russas, adulterando a melodia toda. Custa muito levar uma cançãozita a eito, sem variações e trinados histéricos, custa?
Isso, adicionado aos dois conceitos quase obrigatórios da sensualidade e das canções hipócritas de auto aceitação (vulgo Firework, de Katy Perry, e Perfect, da Pink) começa a chatear a sério. Nem tudo tem de ser sexy nesta vida. E se ser obeso, rebelde, marginalizado, suicida, doentinho ou vítima de bullying é tão maravilhoso como estas canções sugerem, não façam dessas pessoas aberrações de circo, eternos coitadinhos. Detesto que tenham pena de mim e acredito que essas pessoas também detestem. Acho muita piada quando um vídeo inclui gente de todos os tamanhos, visuais e idades, mas em circunstâncias normais. A óptica " olhem para a gorda, é reboluda e espaçosa, mas é linda por dentro e isso é que conta, as magrinhas malvadas que se amolem...e aí vai ela, meninos e meninas! A fazer o número de se atirar para a piscina de bikini...o público está chocado...mergulhou!!!!!"  enerva-me profundamente. É alguma coisa do outro mundo ser gordo? É caso para fazer canções sobre o assunto? Do estilo " eu, a cantora linda e magra de peito XL também canto para ti, apesar de não seres linda como eu". No lugar dos "coitadinhos" eu mandava-as passear. Pior que chachada, só chachada com caridadezinha.

Porque já mete nojo.

Não vou alongar-me porque os textos na blogosfera acerca do tema são imensos, e porque um protesto já está decorrer de forma "oficial". Porém, como mulher, não posso deixar de atirar a minha flecha. Porque já mete nojo - e o nojo não é de ontem - a forma permissiva, descontraída e superficial como os crimes sexuais são tratados no nosso país. Não passa um dia que uma pessoa abra um jornal sem ler notícias repugnantes. É o padrasto, pai ou tio que viola a menina de doze anos, que depois é entregue ao padrinho que repete a façanha; o médico que abusa da paciente; o violador confesso que apanha vítimas nas esquinas para depois ter direito às costas folgadas de um julgamento que nunca mais começa (ou acaba) e ainda "obrigar" as vítimas a depor, não vão elas difamar sem consequências o pobre cidadão exemplar e coitadinho. E no meio disto tudo, penas que dão vontade de rir, considerações intermináveis sobre o grau de consentimento da vítima, se gritou, se não gritou, se chorou, se usava mini saia, se sangrou mais ou menos e quantas equimoses lhe ficaram do encontro com a besta. Ignoro se o que aumentou foram os casos de abuso ou o grau de atenção que os media lhes dispensam. De uma forma ou de outra, o que salta à vista é que em Portugal, é possível apanhar uma pobre coitada ( que pode ser qualquer uma, Deus nos livre) numa esquina, fazer horrores, ser identificado e voltar para casa com termo de identidade e residência a tempo do jantar, sem sequer perder o apetite porque o castigo, se houver castigo, vai ser leve e tardio.
 Choca-me que as penas para estes casos, num país democrático - e numa perspectiva oposta, um país católico - sejam de tal maneira brandas, e que o princípio da presunção de inocência, embora importante, se sobreponha aos direitos das vítimas e à prioridade de impedir o agressor de cometer vilezas semelhantes. A polícia está de mãos atadas. Os juízes, embora sujeitos a um código limitado, têm maior liberdade de acção, mas parecem viver numa óptica de desvalorização do problema. Do género: " ah, foi violada? Quando  casar já não se lembra. Assim como assim, hoje em dia toda a gente vai para a cama com toda a gente". Nem sequer nos resta, creio, o direito à justiça popular que vigorava antigamente, quando um pai ou irmão que vingasse a sua honra  tinha a a lei por si ou pelo menos, as autoridades a fazer vista grossa. Quem pregar uma merecida sova no monte de lixo que ousou tocar na mulher alheia sujeita-se a punições mais severas que o monte de lixo em causa. Suspeito que uma vítima que faça justiça pelas próprias mãos não irá jantar a casa.  Quando a depravação merece condescendência, ninguém está seguro. Quando um violador leva palmadinhas nas costas, estamos perante uma sociedade sem honra, sem vergonha, sem valores. Isso não é um país moderninho e democrático, de mente aberta. É um país que perdeu a vergonha. 

Tuesday, May 17, 2011

E depois ela disse (ou o texto que não vai ser escrito)



Estou no mood para escrever algo fofinho, triste, lindo, lamechas e piegas, um tanto dark, daquelas coisas de fazer chorar as pedras da calçada. Mas não o farei, porque não sou boa com palavras de faca e alguidar, salvo nos momentos certos. Há pessoas assim, só quando se sentem confortáveis e seguras é que soltam as lágrimas, palavras comoventes que sabem bem ouvir e frases que arrrepiam. Por agora, deixo para autores tão espectaculares como Sir Walter Raleigh, Dante, Petrarca e tantos outros a maçada de traduzir o que não serei capaz de escrevinhar, mas que se fosse rabiscado, envolveria imagens do género "caminhar sobre vidros partidos" e "peitos em chamas sem prantos que as apaguem" ou pessoas encantadas em estátuas, colocadas em jardins sinistros, opressivos e enevoados. Ou ainda, Orfeu incapaz de conter-se, a olhar para trás no último momento, que não há coisa pior que olhar para trás e perguntar-se " e se?" Cupido a voar pela janela por uma asneira de Psique; Jaufré Rudel a chegar tarde demais, morrendo nos braços da princesa amada;  ou simplesmente "Agora é tarde, Inês é morta". Cantai, poetas, cantai, que eu cá não posso, e para escrever disparates mais vale deixar a página em branco.

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