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Tuesday, May 31, 2011

Coisas que eu ouço - Dos "chifres" imaginários

True Blood


Um casal na casa dos vinte e muitos  - com muito bom ar, honra lhe seja feita, e obrigação para ser educado -  a discutir junto ao carro. Ele encarnado que nem um pimentão, ela à beira das lágrimas.
A conversa era mais ou menos isto:

Ele - Sua galdéria! Estragaste tudo! A culpa é tua! A enganar-me com outro! E eu a julgar que gostavas muito de mim! Não tens vergonha? Traidora!

(E por aí fora, temperada com nomes feios do mesmo género, a subir de tom como um balão de ar quente...)


Ela - Parvalhão, mas tu alguma vez disseste que éramos namorados, ou me pediste namoro? Eu cá nunca te enganei ...e ainda te digo mais, sabia lá com quem é que tu andavas...se eu não sou tua namorada, tinha de te guardar respeito? Julgas que eu adivinho? ( continuando a expôr uma longa lista de acusações e nomeando as outras "namoradas" do sujeito indignado).

Ele - Se andávamos, eras minha namorada! Não te admito que me ponhas os....(palavra bruta para "hastes")...a Joana e a Liliana não têm nada a ver...nunca as levei lá a casa!

Saí de fininho porque não quis ser (mais) indiscreta, mas ainda ouvi a rapariga resmungar em surdina uma coisa muito feia que o povo diz quando alguém não pega nem larga, e que envolve a palavra F.
Não precisei de ouvir mais nada para perceber o caso, que acontece aos centos por aí.  Alguns homens que me desculpem, mas estão habituados a ter a papinha toda feita. As mulheres que se declarem, que peçam namoro, que formalizem tudo (para depois as poderem acusar de peganhentas e desesperadas, claro). Se isso não acontece, é muito normal gostarem de uma rapariga, irem saindo com ela, irem namoriscando, insinuando o seu amor - de forma muito ou nada platónica- até apresentarem a família e os amigos, mas com a inexpressiva etiqueta de " amiga". Dizer " quer namorar comigo?" ou afirmar " esta é a minha namorada" dá muito trabalho. Para quê formalizar, se usufruem das vantagens do amor sem as obrigações de um namoro e sem perder as alegrias da liberdade? Espertos.
   Em muitos casos esta receita até funciona - ou por pura sorte, ou porque a moça se farta e trata de pôr tudo em pratos limpos ("afinal, isto é namoro ou anda a fazer pouco de mim?"). Mas às vezes corre mal, porque isto da "liberdade" e da "não exclusividade" é bilateral : amigos há muitos, a fila anda e aos compinchas não tem de se guardar fidelidade. As regras valem para os dois lados e se ele tem direito a flirtar - ou coisa pior - com a Matilde, a Aninhas e a Mariana, a sua mais que tudo também pode (por muito que goste dele) sair à vontade, aceitar a corte do Manel, do Rui e do Joaquim, e dar troco a outro se assim o entender. A intuição feminina existe mas não é infalível; se um homem quer transformar uma paixoneta ou caso num relacionamento sério, exclusivo, tem de abrir a boca e explicar-se. Como diz a outra, if you like it, put a ring on it. Quem não o fizer, acaba normalmente a pedir explicações às quais não tem direito, e a lamentar a dor dos "chifres" imaginários. Temos pena.

Monday, May 30, 2011

Let them eat cake, ou o guião para dias perfeitos


Emily Blunt


Descobri uma senda no bosque, mesmo perto de casa, que parecia saída de um cenário de Tolkien. Surreal. Foi como encontrar a Irlanda ou a floresta encantada de Broceliande a dois passos da porta. Comi cerejas da árvore, rijinhas e encarnadas. Fiz um brownie com chantilli e morangos, espesso, compacto, capaz de tentar os anjos. Houve soirée. E coisas cósmicas e fenomenais. E no rescaldo disto tudo, em pleno pôr do Sol, a relaxar na minha senhorinha frente às árvores, ouvi do nada a minha prima mais nova a tocar Greensleeves na flauta, como uma pastorinha encantadora. Dias assim, nem de encomenda.

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