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Netscope

Monday, June 6, 2011

Let´s sing about sex, baby



Podem cantar sobre sexo. Mas com cuidado.
Rihanna é uma pop star que me confunde. Se num dia aparece com uma canção interessante, bem construída e intensa como “Disturbia” logo a seguir sai-se com verdadeiros disparates. Pior do que as suas declarações desnecessárias (“gosto de apanhar pancada na cama”) e no mínimo estapafúrdias para quem levou o namorado a tribunal por agressão, só a pornochanchada que é o seu último single, S&M. Ainda não percebi se a artista é uma desmiolada com ligeiros momentos de inspiração, uma attention whore ou se está algures no meio.
Sexo e rock and roll sempre andaram de mãos dadas. O sexo faz parte da vida, a arte retrata a vida, logo, é um tema tão sujeito a ser captado em obras primas como outro qualquer. Se vende mais? É verdade, mas não deixa por isso de ser excelente material para arte de qualidade – desde que bem tratado. O Beijo de Klimt e de Rodin, as obras de Sandro Boticcelli ( se contarmos as que atirou à fogueira num surto de fervor religioso) os textos do Marquês de Sade ou os poemas obscenos de Bocage são exemplos mais ou menos explícitos, mais eufemismo menos eufemismo, de criar algo de belo tendo a paixão (ou a perversão, o que quer que isso signifique) como musa inspiradora. Jim Morrisson exaltava a luxúria e intitulava-se uma espécie de sacerdote do êxtase dionisíaco. Jane Birkin e Serge Gainsbourg levaram os gemidos para as pistas de dança em 1969, entoando o desespero da (não) consumação física “"Je vais et je viens, entre tes reins" Nos anos 80 e 90, Madonna e Prince cantaram alguns dos temas mais emblemáticos sobre o assunto. Get off é inesquecível(“They say that you ain't you- know - what / In baby who knows how long … all I wanna do is wrong”) e o album Erotica, que contemplava a incontornável Justify My Love mantém-se como exemplo de disco conceptual que funcionou. Das letras “Yearning, burning/ For you to justify my love/ Poor is the man/ Whose pleasures depend on the permission of another(…)” à imagem gráfica deu escândalo, mas escândalozinho com conteúdo. Bandas como Nine Inch Nails foram mais longe, explorando a temática da obsessão, poder e amor doentio em Closer “ help me/ you make me perfect/ help me become somebody else/ I want to f*** you like an animal/ I want to feel you/ from the inside/ you get me closer to God”.
 Comparem-se estas poesias com a letra óbvia, pueril e baratuxa de “S&M”. E consideremos que os fãs de Prince, Madonna e NIN no século passado tinham mais alguma idadezinha que os fãs de Rihanna hoje. Creio que a menina acordou, decidiu chocar as audiências com algo que nada tinha de novo e pensou “ já sei, vou dizer que gosto muito de Sado Masoquismo e escrever uma canção que diga…que diga…ah, já sei! Gosto muito de Sado Masoquismo! Baril! “. Para completar o ramalhete, convidou a sensível-e-boa-rapariga-mas-cabeça-de-alho- chocho Britney, que até andava no bom caminho, a acompanhá-la nos prémios Billboard. O resultado? Uma actuação que nada teve de artístico, elaborado ou inspirador: duas tontinhas de body barato e algemas agarradas a um varão. Shame on you, Britney, que “Toxic” esteve muito perto de alguns hinos pop sobre rough sex e não precisavas desta foleirada. Cantem para aí sobre o que vos apetecer, mas de forma apimbalhada e fútil é que não.

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