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Friday, June 24, 2011

Ochon, ochon, ullagon.

A avó Celestina acaba de nos deixar. Não tenho palavras para o sentimento de perda, de choque, de medo. São demasiadas recordações, memórias e cumplicidades a chocar entre si neste momento. O tio Celestino era o melhor dos Guinas. A avó Celestina personificava o melhor dos Malvas. Sinto as minhas raízes abaladas. Tenho o coração partido, e o Paraíso é de pouca consolação neste momento.

Thursday, June 23, 2011

Why do you have to be a heartbreaker...


No que respeita a livros e canções, tenho um defeito que me irrita: quando descubro ou recordo algo que me agrada, não descanso enquanto não ouço/leio, estudo, viro do avesso e decoro os detalhes de uma ponta à outra. Esta semana aconteceu-me isso com a canção Heartbreaker, da Dionne Warwick. Já não a ouvia desde pequenina, apanhei-a na M80 ao regressar a casa e estou viciada. A melodia tem muitos detalhes interessantes e a letra -  uma reflexão simples, racional e dorida de amor desiludido -  é linda. Com licença, que vou sentar-me ao piano.

Why do you have to be a heartbreaker
Is it a lesson that I never knew
Gotta get out of the spell that I'm under
My love for you

Os manequins de montra têm celulite!

Eu juro, vi com estes olhinhos! A praga já chegou às modelos de PVC. As luzes nas lojas são tão más, mas tão más, que as pobres bonecas de mini saia apresentam as pernocas cheias de furinhos. Não percebo se foi um happening, uma manobra de marketing, do género " queremos estar próximos da realidade do mercado" ou o aviso apocalíptico para mudarem finalmente aquela iluminação infeliz. De qualquer das formas, não é nada bonito.

Baise moi


Estou oficialmente apaixonada, e toda contente. O Labello Cereja, o hidratante de lábios encarnado-renascentista, está de volta. A fórmula é diferente da original, com uma cor um pouquinho mais transparente, mas o que perdeu em pigmento ganhou em hidatação. É extra maciinho, extra cheirosinho e super "brilhoso", quase como um gloss. Perfeito para quando se quer um look natural e beijocável sem muito trabalho e para ir aplicando ao longo do dia. Muito bom.

Tuesday, June 21, 2011

Nem ao menos vê que não...


Johnny Depp

Situação comum à maioria das mulheres: os pretendentes do Livrinho Negro. Desde que a senhora em causa não seja hipótese a) um camafeu de meter medo ao susto; hipótese b) chata como a potassa, a pontos de afastar todos os exemplares do sexo oposto num raio de quilómetros; hipótese c) completamente destituída de auto estima (o que a colocaria na categoria b) é muito provável que conte com a presença destas entidades na sua vida.
Os meninos do Livrinho Negro são a contraparte Daquele que Escapou: rapazes românticos, com um tremendo fraquinho por nós, que podem situar-se no ex flirt, ex pretendente ou ex namorado, que continuam a achar que ainda têm uma hipótese. Para os meninos do Livrinho Negro, nós somos Aquela que Escapou (visão não necessariamente correspondida) ou situamo-nos algures no Top Ten das Mulheres- que- eu-deixei – estupidamente-escapar-e- com-quem-não-me-importava-nada – de assentar. Para eles o tempo não passa, a fila não anda, a vida não muda. Gostou uma vez, está gostado, pelo menos se o objecto da sua paixoneta não tiver mudado muito de visual. São criaturas constantes e de preferências bem definidas.
Está uma mulher ocupada com as suas coisas, a pensar em tudo menos em namoricos, e zás: lá aparece a criatura do nada, out of the blue, a arrastar a asa, a cortejar, a dizer coisas do estilo “ contigo é que eu havia de casar”, “ largo já tudo e fico contigo” e “ que burro que eu fui em não te ter agarrado logo” sem ninguém lhe encomendar o sermão nem a massagenzita ao ego, sem que ao menos perguntem se a apaixonada ainda está disponível para a corte. Ou para aí virada. Tenho a impressão que estes senhores acham que são videntes ( tu és o meu destino) acreditam no amor eterno à moda medieval (disse que gostava de ti há cinco anos e isso vale para sempre mesmo que não se fale no assunto desde sei lá quando) ou têm um ego do tamanho do mundo, para virem assim, de uma forma tão seca e tão directa, declarar-se a quem está para lá de Bagdad.

Monday, June 20, 2011

Sorry seems to be the hardest word, ou os romances da vida real

Goran Visnjic e Nicole Kidman

Há romances de tal modo intensos que não podem ser explicados somente pela química, pela astrologia ou pela biologia. São casos raros, mas conheço algumas destas paixões fatais: mais perdição que amor, mais veneno no sangue que outra coisa qualquer. Na vida real os Rhetts e as Scarletts, os Heathcliffs e as Catherines, os Chucks e as Blairs têm de estar atentos ao ponto, para que a peça não acabe em tragédia- ou pior, num volume da Arlequim. Não há um guionista que saiba quando já é tempo de pôr fim à telenovela antes que ela perca a piada, que diga "meninos, já chega" e os obrigue a agir como pessoas crescidas.

Quando dão por si, os nossos heróis estão embrulhados numa teia perigosa, numa dependência semelhante à do ópio. Deixam de raciocinar naturalmente. Temendo o efeito do outro sobre si, todos os seus cálculos, todos os seus movimentos, todas as suas palavras visam - consoante o momento - manipular, vencer, seduzir, revelar, esconder. Até chegar ao momento em que caem as máscaras, em que ambos aceitam admitir a sua vulnerabilidade, até ao instante do raios! não aguento mais isto, as vítimas destes enguiços não são capazes, mesmo com todos os ingredientes, de viver uma relação feliz e saudável, de amar simples e naturalmente, como todo o mundo. Não, isso não tem graça nenhuma. Até parece que é nas brigas, nos ciúmes, nos conflitos e no sofrimento que reside a voluptuosidade da coisa. Que é melhor quebrar que torcer. Que ambos têm de dar largas ao seu orgulho, mau feitio e obstinação, ver quem ganha, assim é que é emocionante, assim é que é divertido. Mas assim nunca se chega ao final feliz do romance, nem mesmo a uma separação de fazer chorar as pedras da calçada, cheia de declarações giras como nos livros. O resultado de tanto fogo-de-artifício é por vezes bastante chocho, tal como um romance light. Volta, Emily Bronte, estás perdoada.






Sunday, June 19, 2011

Da peçonha


 
Eu sou uma pessoa tolerante, no sentido “ live and let live”. Quando determinado tipo de criatura não me agrada, deixo-a estar, desde que não se aproxime demasiado de mim nem daquilo que me é querido. Procedo com essas pessoas como com as centopeias que volta não volta tentam trepar a minha varanda: desde que se mantenham ao largo, enfim. Desprezo-as, acho-as feias, desagradáveis e repugnantes - azar o meu. As centopeias não se fizeram, não tiveram outra educação e não podem fazer outra coisa senão parecer, agir, andar e comportar-se como as centopeias que são. Mesmo que uma centopeia tentasse dar-se ares de outra coisa, mudar de look, servir chá e scones e convidar-me lá para a toca com a maior boa vontade, não conquistaria as minhas graças. “Queira perdoar, minha senhora, mas a mim não me engana. Não é que a culpa seja sua; nasceu centopeia, centopeia morrerá. Por muito bem que lave a louça, nunca poderia tomar chá consigo, porque tem peçonha… e eu sofro de alergias, compreende?” . Facto da vida, as centopeias largam peçonha, por mais que tentem disfarçar e ser simpáticas. Não vamos assassiná-las a todas por causa disso. Mas também não é sensato abrir-lhes a porta de par em par, chamá-las para almoçar connosco para gozarmos com elas pelas costas e deitar fora o Mafu achando que somos muito espertos - e elas umas pobres saloias de centenas de joelhos perante a nossa superioridade. Se procedermos assim, acabaremos por ser vítimas da nossa própria soberba. Quando damos por nós, os “coitados dos bichos” , que se fingiam tão humildes e bajuladores, já fizeram aquilo que sabem fazer melhor, pois está está na sua natureza: abusar da confiança. E é vê-los a espalhar-se por todos os cantinhos da casa, a apropriar-se, a invadir, a reproduzir-se alegremente e a morder-nos durante a noite, espalhando a famigerada peçonha pela família, pelos amigos que lá passem e pelos homens da desinfestação que se atrevam a tentar por cobro à brincadeira. Depois é demasiado tarde para Mafus – se queremos limpar o estrago, lá temos de desmanchar a decoração e começar de novo.





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