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Netscope

Thursday, July 7, 2011

Hoje acordei assim:

Julia Roberts
Que é o que acontece quando deixo secar as melenas ao natural durante a noite, com uma boa hidratação: um cabelo maluco, cheio de caracóis acobreados.  Mas depois veio o vento e estragou tudo. Bolas.

Tuesday, July 5, 2011

Duende sapateiro, precisa-se!

Eu bem adiei, à espera de melhores dias, ou antes, à espera de melhores sapatos. Tive a esperança que a meio do Verão chegassem às lojas modelos apetitosos para que pudesse actualizar, em consciência e sem deitar dinheiro à rua, a minha frota de sandalocas. Pois sim. Vou ter de me contentar com uma selecção rigorosa de sapatos "giritos" que é coisa que me chateia. Quando invisto numa peça, gosto que seja um caso de amor. Ir às compras por mera necessidade, sem entusiasmo, é como almoçar sem apetite.  Acontece que o que vejo, mesmo nas colecções dos maiores designers é, mais coisa menos coisa, uma repetição das quatro colecções passadas: calçado muito giro para sair (pumps ou sandálias vertiginosos, de salto fino ou grosso) que já tenho, obrigadinha, a não ser que veja algo realmente especial, e mais clugs, solas de corda, madeira ou cortiça para andar por aí. Solas de madeira magoam-me, já dei para esse peditório. Corda ou cortiça achata, amolga e larga fios. Desculpem, mas vivemos em Portugal, enfrentamos a assassina calçada portuguesa, e eu gosto que o calçado dure -  ou pelo menos, que esteja impecável enquanto eu desejar usá-lo. Bem sei que estamos em crise e que em alturas destas é natural que os modelos se mantenham parecidos ao longo de mais tempo, permitindo às pessoas jogar com o que já têm no armário.Também calculo que estes materiais sejam mais acessíveis para o fabricante. A questão é que além de não terem graça, estes sapatos duram pouco e como diz o povo, o barato sai caro. Uma vez que no Verão passado me contive pelas mesmas razões (e corro o risco de afanar tudo o que tenho)  lá terei de usar a minha intuição para não ficar com mais do mesmo. E fazer o sapateiro trabalhar que nem um leprechaun, de modo a conservar o que por lá anda em casa. Chatice.

´Tá bem, Alberto – dos “chifres” milionários

Charlene, Charlene, Charlene, I´m begging of you please don´t take that man! (Ooops, too late)


Soube desta ontem (que eu, casamentos, só os espreito para ver se os vestidos são bonitos) e fui assaltada por um misto de vontade de rir e solidariedade feminina.
Parece que a pobrezinha da Charlene descobriu, a dias de dizer o “sim” que o Príncipe de sangue pirata, seu noivo, a andou a enganar forte e feio. Não que ela não soubesse o embrulho que estava a comprar: as bastardias do senhor, passe o termo, eram história velha. Mas armar-se em macho alfa e fabricar novas criancinhas quando se está comprometido já é abuso. Perante o escândalo, a noiva tomou a única decisão digna: tentou fugir três vezes, sem sorte. Viu-se com o passaporte confiscado e arrastada pelas autoridades para um “acordo amigável”, leia-se milionário, para engolir o sapo que o príncipe lhe saiu. Compreendo perfeitamente a atitude de Charlene – eu faria o mesmo, ou mais ainda, no seu lugar. Sendo tão boa nadadora como ela, talvez tentasse escapar em estilo mariposa à revelia da guarda costeira. A simples ameaça de infidelidade, ou moura na costa, seria o suficiente para eu agarrar nas minhas malinhas e partir ( não sem antes pôr um laçarote na cabeça do malandro e mandá-lo à outra senhora, com um bilhetinho a dizer “ guarde-o”).

Como não é uma noiva vulgar, Charlene teve de casar com a maior cara de tacho e o ar murchinho de quem tomou uns bons calmantes. Não há véu nem diadema capazes de disfarçar umas valentes antenas. Não há dinheiro que pague a dignidade ofendida, a confiança perdida nem a honra manchada. Pobre princesa que começa mal. É caso para dizer, passe o trocadilho, nem por um reino queria estar no seu lugar, não casava com ele nem por um reino (nem por um principado, vá) ou, como diria a avó, raios te partam, casamento.

Everybody lies

Gossip Girl
A melhor mentira é a que se baseia, de forma mais ou menos fiel, na verdade. Um bom mentiroso tem de acreditar na sua mentira- só assim mantém a serenidade necessária para contar uma fiada de petas inofensiva, pregar uma partida, salvar-se de um apuro, dourar a pílula ou danificar severamente a reputação de outrém. A mentira pode ter diferentes motivações, funcionalidades e aspectos - de certas formas de omissão ao truque de enganar com a verdade, passando pela boa e velha difamação pura e dura, uma mentira tão grande e tão espectacular que só pode soar como verdade. É uma arma (ou uma ferramenta) que se torna mortal quando toma a forma de calúnia, mas precisa de terreno fértil (um receptor crédulo, ingénuo ou desconfiado) e do clima certo para desabrochar em toda a sua glória infame.
 Nem o indivíduo mais reservado e cauteloso, que não tem nada a esconder, está livre de sofrer uma destas. Basta um rival ambicioso, ou um invejoso sem escrúpulos, lembrar-se de aumentar um pormenor sensível. Qualquer um serve: só é preciso investigar um bocadinho. Se o alvo disse " hoje vou trabalhar até mais tarde" é certo que a sua frase será deformada para algo do tipo " diabos levem o patrão, estou farto deste emprego de onde nunca se sai a horas" - e devidamente comunicada aos superiores . Se está a fazer dieta, provavelmente dirão que sofre de bulimia e é dependente de efedrina. Teve um flirt de sexta feira à noite? Diz-se que se envolveu numa orgia. Se foi ao banco, é porque está falido. E por aí fora...
Mantendo-se calado, fingindo-se desinteressado e alheio ao assunto, se possível, até defendendo o visado em público" oh, é tão talentoso e bom rapaz, coitado" o falso bonzinho investiga os podres, se os houver, ou qualquer detalhe que lhe pareça sumarento, para no momento exacto, os distorcer ou agigantar devidamente, de forma discreta. Pode fazer circular o rumor durante uma festa, quando todos estão eufóricos demais para prestar atenção ao foco difusor do mexerico. Pode mandar um intermediário, como quem não quer a coisa. Ou pode fazer-se compungido, dizendo algo do género " eu também fiquei chocado...quem diria que uma pessoa tão amorosa era capaz de uma coisa dessas?" dando pulinhos de contente lá por dentro enquanto contempla a sua obra de destruição.
 São argumentos tão velhos e fanados que qualquer um com um mínimo de noções de história (as intrigas palacianas estão cheias de coscuvilhices fatais) ou que seja espectador de telenovelas pode entender.
 Perante este tipo de mentiroso, só há duas coisas a fazer: se a pessoa é suspeita, não lhe dar o mínimo de informação, de conversa ou de confiança, mesmo correndo o risco de passar por malcriado. Tudo o que dissermos, ainda que inocente, pode ser usado contra nós.

Se nos contarem um mexerico, antes de olhar para o que é apontado, há que olhar atentamente para aquele que aponta. A que propósito vem contar coisas desagradáveis? Qual dos intervenientes conhecemos melhor? Quem tem um background mais suspeito? Qual é o motivo do mexerico? Qui bono? (Quem ganha com isso?) Ou, como diz o povo e muito bem, quem quiser ouvir de si, ouça dos outros. O que murmura coisas que nos dão jeito num momento, é bem capaz de murmurar contra nós logo a seguir, conforme as suas conveniências. Atenção, muita atenção, aos que vêm, com ar de conspiração, "descobrir carecas". Geralmente, a próxima vítima somos nós.

À valsa! À valsa!


É bom ter sonhos bonitos, daqueles que nos fazem acordar com um sorriso no rosto. Hoje tive um assim. Estava num salão de baile dourado, usava um soberbo vestido de veludo escarlate e dançava uma valsa vertiginosa. Como as danças de salão não são o meu forte, não sei onde fui buscar esta ideia.  E apesar de a valsa ser das poucas danças do género que me parece interessante, nunca tinha compreendido o seu apelo, nem o escândalo que provocou quando se tornou moda.
Júlio Dinis exprimiu perfeitamente esta aura frenética num soberbo poema, No Baile:

(...)À valsa! à valsa!

Mais rápida! mais rápida! Nas salas

Já desmerece o refulgir das luzes.

Mais rápida! Convulsos, enlevados

Giram os pares em redor. Que febre!

Que febre de volúpia os alucina! Mais rápida! A vertigem se apodera

Dos sentidos. Estreitam-se os braços, E os lábios inflamados, quase, quase Em êxtase d'amor se tocam (...)


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