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Wednesday, July 20, 2011

Mad Love (Se tu della mia morte)


Se tu della mia morte

a questa destra forte

la gloria non vuoi dar, dalla a'tuoi lumi,

e il dardo - del tuo sguardo

sia quello che m'uccida e mi consumi
 
 
Se tu, pela tua forte direita mão direita, não queres dar-me a glória da minha morte, fulmina-me com o teu olhar....(ária de Alessandro Scarlatti baseada em poema anónimo, sec XVII)








Sunday, July 17, 2011

Os Bórgia - ou seja, estou mortinha

"The Borgias" Showtime

"Los Borgia" Antena 3





Não sei o que se passa, que não há meio de a série da Showtime "The Borgias" (sucessora de "The Tudors") estrear por cá. Se continuamos assim, vou ter de recorrer à pirataria, ai vou. Entretanto (Deus salve o MEO Videoclube) consegui finalmente deitar as mãos ao filme espanhol "Los Borgia". Considerando que não é fácil agradar a uma ávida estudiosa amadora desta família como eu, a película é bastante razoável. Analisemos: temos uma Paz Vega como Caterina Sforza de esplêndida armadura, o que seria fantástico se se tivessem dado ao trabalho de lhe tingir o cabelo de louro veneziano. O argumento é bem construído, com uma cobertura apreciável dos principais acontecimentos históricos comprovados e a deixar ao nosso critério - mais coisa menos coisa -  alguns mitos: Cesar matou ou não matou o mano Giovanni? Qual era de facto a natureza do relacionamento entre Cesare e Lucrezia? (Deixado no ar através da opinião de outras personagens e de equívocos em acontecimentos públicos, embora em privado seja mostrado de forma inocente, talvez excessivamente cândida para estes meninos). Gostei do actor que interpretou Juan (Giovanni) Borgia, belo o suficiente para ser invejado por César e fraco que chegue para o fazer perder a paciência. Um Rodrigo/Alexandre simpático, charmoso, a traduzir o que este Papa (injustamente chamado o mais perverso de todos) foi realmente: um homem do seu tempo, com pecados do seu meio, mas capaz de decisões sábias e devoto à sua maneira. Não percebo o porquê de uma Giulia Farnese, La Bella, morena. Madonna Vanozza velha e sofrida não me convence.A escolha de uma actriz madura, mulata e com peito de silicone para interpretar Sancha de Aragão - justamente a única personagem importante que tira a roupa, já lá vamos - também me escapa.  Lucrécia é mostrada à luz redentora dos historiadores actuais: doce, meiga, um simples peão nas manobras da família (que pelo bem que lhe quer, até os olhos lhe tira) mas falta-lhe intensidade. Calúnia de facções inimigas ou não, da reputação de mulher fatal não se livra e uma caracterização mais dúbia, um nadinha mais sensual, seria bem vinda.
Quanto a César, só Milo Manara acertou - a versão em Banda Desenhada, apesar de um ligeiro excesso de sexo e violência, é até agora a que melhor captou a essência desta mítica famiglia. No filme o actor, apesar de carismático, não se parece com os retratos (achei-o um bocadinho cabeçudo, mas habituei-me). A interpretação satisfaz, mas queria um pouco mais de cinismo e impulsividade. É César Bórgia, o Príncipe, minha gente.
No todo, precisava-se de uma pitadinha extra de violência nos momentos certos (cortar a língua a quem insultou a família em público, naquele tempo, não era nada de extraordinário; é até um acto compreensível no contexto) e de uma dose maior de sensualidade. As únicas cenas chave de malandrice passam-se entre Sancha e César, quando a relação com Caterina Sforza terá sido bem mais interessante, cinematograficamente falando, e com Lucrécia, bastante mais amarga, estranha e intensa. Em resumo, satisfaz, mas não arrepia. Falta-lhe sal. Espero que a série complete este vazio (tem o Jeremy Irons, tem uma Giulia ruiva linda de morrer) mas não estou com grandes esperanças no César canadiano que arranjaram. Aguarda-se a versão de Hollywood, que está como as obras de Santa Engrácia.

Um escaldão valente

Lindsay Lohan


Foi o que ganhei (ossos do ofício!) apesar de me ter protegido, qual marroquina, para uma actividade na praia. Trabalho a quanto obrigas: o vento gelado tratou de repassar túnica, casaco e sunblock 50, com o firme propósito de chamuscar o meu pálido pescoço, ombros e clavícula. Voltei com uma insolação tremenda, a cara cheia de sardas, o nariz queimado, a tremer de febre e com dores que não estão escritas em lado nenhum. Uma data de dias depois ainda tenho de aplicar queimax com dedos de fada e escolher camisas e t-shirts que não rocem, nem ao de leve, as marcas violácias e encarnadas. Males de quem é "branquinha, mimosa e criadinha em casa" como diria a avó Celeste. Já apanhei alguns escaldões na vã tentativa de me bronzear à séria, mas como este, nunca.

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