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Sunday, July 31, 2011

Oops, I did it again

Angelina Jolie

Há alturas em que as emoções nos pregam uma partida, em que até o mais resistente, racional e analítico dos seres sucumbe e deixa que algo ou alguém lhe atinja a alma. Nunca tinha reparado muito na minha alma: suponho que é como outras partes de nós, só nos apercebemos da sua existência quando nos doem. Tal como no corpo, estes males vêm e vão. Há que enterrar as desilusões, as loucas esperanças, os disparates, tudo aquilo que já não serve, requiem in pace, e dar espaço à indulgência, a um pouco de futilidade, um nadinha de estroinice, romance, cor, beleza. Valham-nos as coisas belas num mundo como este; juntemos champagne aos limões que a vida nos dá, porque os cocktails que compramos feitos são muitas vezes falsos como Judas.

Estes romanos são doidos…

Ave Segovax!


… e é por isso que nunca passam de moda. Ora, eu tinha decidido não ficar fã de Spartacus, depois de um primeiro episódio que deixou a desejar: a estética baseada em 300 carecia da elegância daquele e a grande cena “de amor” com laivos de pornochanchada (só faltaram saxofones, como nos filmes adultos de série C) arrefeceu o meu entusiasmo. Mas umas espreitadelas aqui e ali aos episódios seguintes converteram-me. Continuo a preferir Rome - que infelizmente não passou da segunda temporada - mas para um público mais abrangente, Spartacus é apaixonante. Um excelente casting, argumento intrincado e inteligente, efeitos especiais bem doseados, coreografia primorosa, e por fim, textos e falas marcantes contribuem para uma série muitíssimo bem pensada.


Agrada-me particularmente o facto de a segunda temporada, Gods of the Arena, ser uma prequela: a fuga e aventuras do escravo trácio já foram contadas amplamente noutros formatos. Para a audiência é muito mais interessante conhecer de perto o modo de vida de escravos e gladiadores, ao mesmo tempo que as personagens se vão desenvolvendo no ritmo correcto. Politiquice, sexo e intriga na medida certa, aliadas à intensidade dos protagonistas, empolgam sem enjoar. A minha única queixa até agora reside na morte prematura de personagens secundárias cujas histórias ou personalidades poderiam enriquecer muitíssimo a trama. Segovax, com a sua bela figura trágica e altiva, só durou um episódio: eis um crime que me ia arrepiar os cabelos, se fizesse parte da equipa de argumentistas. (E já que estou a sonhar, podiam não ter cortado barba e cabelo a Crixus, que assim parece tudo menos gaulês).

Não se concentrando à volta de Spartacus (todos os escravos são Spartacus, já dizia o outro) a série ganha colorido e diversidade. Para quem vê é tão sedutor imaginar-se no lugar dos nobres patrícios – no seu dia-a-dia de luxos decadentes, beleza por catálogo e vinganças mirabolantes – como identificar-se com a causa dos escravos. Também estes alcançam a sua vingança, ou justiça, já que a fronteira é muito ténue. Quem nunca se sentiu malvado, pecaminoso, com sede de uma boa vendetta ou simplesmente escravo, que atire a primeira pedra.


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