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Sunday, August 21, 2011

Damnatio ad bestias



Todos os anos o mesmo. Gente reles de férias, ou caçadores que a Deusa da Caça havia de castigar  mais severamente que a Acteon, abandonam os animais que se tornaram "uma chatice". Há dias apareceram-me  à porta dois cãezinhos de caça amorosos - um deles amarelo com olhos azul claríssimo, ou seja, um animalzinho que poderia comover mesmo as almas mais fúteis. Estado do cão castanho: coxo e quase zarolho da pancada que apanhou. Estado de ambos: desnutrição severa e terror do ser humano. Pudera...
Valeu-lhes que onde moro a grande maioria das pessoas é bondosa, amiga das árvores e dos animais. Cães e gatos encontram aqui um porto seguro com muito onde se abrigar e gente amiga que não lhes falha com água, alimentos e gestos de carinho.
 Ainda não se aproximam muito, mas já nos abanam a cauda em sinal de amizade e estão mais gordinhos. Como andam sempre juntos, baptizei-os de Titus Pullus e Lucius Vorenus. Desconfio que o Titus é uma Tita mas não faz mal.
 Nem vou comentar a crueldade gratuita contra estes bichinhos, porque já vi, li e ouvi casos tão horríveis que nada me surpreende. Biltres que fazem isto não só prejudicam os animais que confiavam neles. Mostram não ter ponta de civismo, de saber estar em sociedade. Sabem perfeitamente que ao abandonar um animal, alguém terá de se ocupar dele. Que o animal se vai reproduzir, gerando mais infelizes abandonados. Que pode provocar acidentes. Mas não, esta gente pensa: se não querem ter trabalho, façam como eu e não o alimentem, acabará por morrer e deixar de chatear. É triste. Para pessoas assim, a pena ideal seria damnatio ad bestias: lançada na arena para gáudio da bicharada e de populaça da mesma laia. O método " fofinho e democrático" não serve para esta tropa fandanga.

 Falando em bestas, a minha bestinha Farinelli deu - ao fim de meses intermináveis - sinal de vida. Vive na colónia de gatos junto à casa em frente e veio do alto do telhado miar-nos para dizer olá, com uma ternura que só visto. Ainda não o agarrámos, mas pouco falta. Já o seu sósia Mata Gatos não nos larga e já se deixa afagar. Não há fome que não dê em fartura.

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