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Friday, September 30, 2011

Uma senhora só vê e ouve aquilo que quer

Jackie Kennedy: grande senhora, ícone de estilo e exímia na arte de ignorar sapos: sobreviveu a dois maridos.

Eis uma regra que uma querida amiga (que é uma grande senhora) me recordou há uns dias, e que é uma receita essencial para a serenidade. Porque não basta parecê-lo: é necessário sê-lo. Ou seja, é insuficiente afectar indiferença perante pessoas ou situações desagradáveis: há que senti-la. Tenho para mim que o esquecimento desta máxima é a razão de tantas depressões e desordens emocionais entre muitas " perfeitas senhoras" que conheço. Ninguém aguenta engolir muitos sapos: é preciso ignorar os sapos.
A minha atitude perante a vida (laissez faire, laissez passer, mas manter as granadas à mão) tem-me permitido circular com um mínimo de danos. Partir de uma base de respeito e educação com todos, evitar o diz-que-disse, não levar de um lado para o outro o que se ouviu poupa muitas maçadas. Por vezes estranho pessoas amigas que se queixam de ódios de estimação - acredito firmemente, como Eça de Queiroz, que se deve ter "apenas os inimigos necessários para confirmar uma superioridade" pois só os medíocres e os falsos não têm antagonistas. O que se diz nas minhas costas - desde que não lese o meu bem estar nem as pessoas que me são queridas - passa-me ao lado. No entanto, de vez em quando surgem seres que se dedicam a infernizar a vida dos outros deliberadamente. Criaturas que acordam de manhã, põem os cascos no chão e os chifres no ar e começam a maquinar a maneira mais divertida de torturar quem os rodeia: por ambição desmedida, por sadismo, por inveja ou por trauma de infância, as desculpas são muitas. Com ervas daninhas dessas há que agir sem contemplações.
Mas vai-se a ver e na maioria dos casos o mexeriqueiro, o caluniador,  o sociopata, o carrasco, tem telhados de vidro tão finos que nem valem o pedregulho. Não é preciso escavar em profundidade para saber, ipsis verbis, a reputação de bêbado (a), caloteiro, conflituoso (a), tarado, galdéria, ou coisas de morrer a rir como o hábito de morar em antros, entrar em pândegas- muito- imorais, não tomar banho e deixar  cuecas sujas pelo chão de meio mundo (não me perguntem como detalhes destes se ficam a saber). Perante evidências destas que havemos de fazer?
Atrás de mim virá quem os sovará. Tantas fazem que alguém há-de perder a transmontana e dar-lhes uma merecida tareia, literal ou metaforicamente, para gáudio das outras vítimas. E isto não é karma: é lógica. Entretanto, o remédio é comprar uns óculos escuros bem grandes, uns tapa orelhas bem quentinhos e um casaco de costas largas- como a Jackie.

Thursday, September 29, 2011

Old habits die hard

Sienna Miller e Jude Law
Há coisas boas que nos chegam sem grande ginástica da nossa parte, outras que nos dão muito trabalho e nos fazem sentir nas núvens quando se realizam. Existem também aqueles desejos que ficam pelo caminho - porque arranjámos outra coisa em que pensar ou porque afinal não valiam o esforço.
 A questão é: somos educados para pensar que a dedicação, o trabalho árduo e a fé compensam. Se nos ralarmos muito com uma coisa, tudo correrá bem. Temos mais amor ao desejo que ao seu possível resultado. Habituamo-nos a desejá-lo, amamos o desejo que se torna uma companhia, um luxo interior.
Mas não tem de ser assim. Por vezes aquilo por que vale a pena lutar, que é realmente nosso, que nos está destinado, desabrocha amorosa, estável e firmemente. Sem birras. Sem tensão. Sem ranger de dentes, sangue, suor e lágrimas. Flui para nós suavemente, de braços abertos, com um laçarote por cima. As vitórias sofridas nem sempre são as mais espectaculares. O que nos faz batalhar, sofrer, esperar, queimar neurónios, pode reluzir e não ser ouro. Porque quando chega, se chegar, é geralmente tarde demais - quando estamos exaustos, ressentidos, magoados e inseguros demais para apreciar a nossa felicidade.

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