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Tuesday, October 18, 2011

Psicopatas há muitos...mesmo muitos!


Malcolm Mcdowell (A Clockwork Orange)

Nem todos os psicopatas se tornam serial killers. Na verdade, os especialistas afirmam que 1 a 3% da população sofre desse transtorno - e anda por aí, destruindo vidas discretamente. Alguns sinais de alarme ajudam a detectar os "Hannibals" da vida que minam organizações, famílias e relacionamentos.

 
Segundo a Organização Mundial de Saúde, a psicopatia (a.k.a. sociopatia ou transtorno de personalidade anti social) é uma doença, ou antes, uma deficiência que - tenham medo - atinge uma fatia apreciável da população. Embora não descartem a influência do meio, neurologistas e psiquiatras apontam a genética como causa deste "daltonismo emocional". Um psicopata não se faz: é um predador nato. A estrutura familiar determina a gravidade das suas acções. Ou seja, um bebé sociopata nascido numa família funcional dificilmente se tornará num assassino - podendo até ser ajudado a dominar os seus impulsos malvados. Um psicopatazinho criado num meio violento terá maior probabilidade de canalizar os seus "talentos" para matar pessoas. Mas ambos sofrem de uma total ausência de compaixão, sentimento de culpa ou medo das consequências, possuindo uma habilidade incrível para manipular quem os rodeia. A maioria não mata, mas moi e deixa um rasto de destruição por onde passa. Embora se tornem peritos em enganar até os especialistas na matéria - e detectores de mentiras - alguns sinais chamam a atenção dos mais perspicazes, criando uma desconfortável sensação de que algo não bate certo.

Ausência de culpa, sangue frio e uma grande lata: A falta de "consciência" é um dos traços dominantes do psicopata. A sua capacidade reduzida de distinguir o certo do errado ou de sentir emoções (embora consiga  imitá-las) privam-no das sensações e sintomas físicos de ansiedade, remorso, embaraço, medo, nojo, dor, vergonha ou acanhamento. Trivialidades como sentir pena da desgraça alheia, evitar dizer coisas que magoem os outros, sentir timidez perante um novo grupo de pessoas, receio de fazer figura de parvo ou de ser apanhado em falso são desconhecidas para o sociopata. Esta desfaçatez e desinibição podem confundir-se inicialmente com descontracção ou auto confiança, o que os ajuda a fazer amigos facilmente. Costumam ser eloquentes (embora a inserção de palavras, erros ou expressões sem sentido em frases aparentemente coerentes seja um traço comum) e convencem pessoas vulneráveis sem esforço, trepando na carreira ou relacionamentos a uma velocidade suspeita. Quando a lua-de-mel acaba, o mal já está feito.


Mentiras compulsivas: O maior talento do psicopata é parecer inofensivo a quem o conhece superficialmente. As mentiras sucessivas, mesmo disparatadas, são um dos primeiros sinais de alarme. Um psicopata mente permanentemente, mesmo sem motivo, a toda a gente -até a si próprio- e não tem qualquer receio de ser apanhado em contradição. Quando confrontado com o facto de ter mentido, conta uma nova sucessão de petas com absoluta descontracção, acabando por ficar bem visto na mesma; é incapaz de distinguir entre o verdadeiro e o falso mas aparenta segurança absoluta naquilo que diz, desconcertando quem o ouve. Citando, " são capazes de dizer "Já saltei de pára-quedas" e, logo depois, "Nunca andei de avião", sem achar que existe uma grande contradição aí. A habilidade para mentir despudoradamente sem levantar suspeitas faz com que se dêem bem nas entrevistas de emprego. O charme que simulam ajuda a conquistar a confiança dos chefes e a pressionar para que colegas que atrapalham sua ascensão profissional acabem demitidos. Na cadeia, tendem a se transformar em líderes e agir no comando de rebeliões, por exemplo. Mas nunca aparecem. Eles sabem como manter suas fichas limpas e acabam saindo da prisão mais cedo". Onde um sociopata está, os sarilhos sucedem-se. É perito em envolver os outros em intrigas, conflitos e confusões sem que a sua participação seja detectada. Hábeis manipuladores, costumam juntar-se a outras pessoas (por vezes, a outros sociopatas - nesse caso, um tende a assumir o papel de estratega e outro de executante) que usam como escudo humano para apanhar as culpas em seu lugar. Quando finalmente são descobertos negam até à morte mesmo perante as maiores evidências, e continuam a culpar outrém pelas suas asneiras. A culpa é sempre dos outros. Há sempre uma desculpa. A desonestidade, o engano e a manipulação são atributos naturais destas pessoas.


Egocentrismo, megalomania e narcisismo: Ávidos de controlo e poder, estes "monstrinhos" sofrem de um egocentrismo anormal: eles nunca erram. Consideram-se lindos, omnipotentes, com uma auto estima imbeliscável. São fanfarrões e auto elogiam-se mesmo sem obter resposta. O suposto "génio" que não consegue ter sucesso em nenhuma escola e culpa agressivamente os professores e os colegas; o aspirante a cantor que insiste em participar no "Idolos" e insulta o júri apesar de não saber cantar, e por aí fora. Não têm noção da realidade, consideração pela opinião alheia nem espelhos em casa; acham que tudo lhes é permitido e que têm direito a tudo, sem olhar a meios para alcançar os seus fins megalómanos . As suas ambições são doentias, febris e desmedidas - e na maioria dos casos, desfasadas das possibilidades reais. Alguns fazem-se passar por médicos quando não acabaram o liceu, colocando vidas em risco. O poder, status social, glamour e logo, a possibilidade de ser admirado pelos outros (confirmando a sua auto imagem de superioridade) são verdadeiros iscos para o psicopata. Vivem no seu próprio mundo de fantasia, regem-se pelas próprias regras e estão-se bem nas tintas para o resto do planeta. A gabarolice constante é outra caractística reveladora: mesmo que esteja no fundo do poço, o sociopata continua a vangloriar-se e a falar no futuro triunfante que o aguarda.


Incapacidade de aprender com os erros: Um indivíduo maquiavélico, mas são de espírito, hesita quando um golpe é demasiado arriscado; um psicopata avança sem pensar duas vezes, porque não tem medo do fracasso, de ser envergonhado nem das consequências. As pessoas normais mudam de estratégia quando não obtêm recompensa. Mas quem tem tendências psicopáticas insiste nas mesmas atitudes, mesmo que não ganhe nada com isso, porque acha que não está a fazer nada de errado. Age segundo um padrão, que eventualmente o leva a ser apanhado. É incapaz de resistir às tentações ou de refrear impulsos, fazendo pura e simplesmente o que lhe apetece. Tende a ter uma vida íntima errática, desordenada, e a adoptar comportamentos irresponsáveis sem explicação. A insensibilidade, ilusão de impunidade e de omnipotência tornam as punições inúteis. Um psicopata não conhece o remorso nem o arrependimento. No reverso da medalha, não sabe o que é bom para ele.

 
Parasitismo: Quando consegue a confiança de alguém o predador social entra em acção e os abusos instalam-se a uma velocidade alucinante. Onde agarra, é dele: muitos são burlões profissionais, outros limitam-se a aproveitar-se de amigos ou parceiros ingénuos. Pedir dinheiro emprestado sem devolver, plagiar trabalhos, fazer-se convidado e/ou mudar-se para a casa alheia à primeira oportunidade, desviar contas, usar o que não lhe pertence sem autorização, apoderar-se das amizades ou vida de outrém - sem respeitar as estruturas hierárquicas ou sociais já existentes e invadindo o espaço dos outros - causando rupturas de famílias, casais ou sociedades, o psicopata é como os Cucos: quando cobiça um ninho,
instala-se e os outros pássaros que se danem.

Muitos de nós já se cruzaram com seres destes. Perante tais predadores, não há muito a fazer senão proteger as costas, fugir para bem longe e esperar pacientemente que cometam um erro que seja a morte do artista. No Canadá, os índios inuíte têm um termo para descrever os psicopatas: kunlangeta. Um parasita incorrigível que faz a vida da  tribo num inferno e não arrepia caminho nem com papas nem com sovas. Quando questionados sobre a forma de lidar com kulangetas responderam "empurram-se de um precipício abaixo sem ninguém ver". Problema resolvido.

Fontes aqui e aqui.






















































 

Monday, October 17, 2011

It´s getting hot in here! Ou o mundo vai acabar?

Eu cá não acredito no fim do mundo (pelo menos para já)  nem em profecias dos Maias. Estou convencida, como muito boa gente entendida na matéria, de que os senhores maias estavam cansados, acharam um disparate continuar a fazer calendários até dois mil e bolinha - tempos em nenhum deles estaria vivo assim como assim - e foram para casa mais cedo, complementando as delícias de viver o presente com o prazer de pregar um susto aos parvos do futuro.
Quando era pequena tinha pesadelos de meia noite com o Apocalipse. Eram os céus a rasgar, os anjos a tocar corneta, cometas a cair, extraterrestres carnívoros a aterrar, tudo a que eu tinha direito. Com o tempo fui lendo e achando que esta coisa da Era do Aquário era simbólica: justos para um lado, ímpios para o outro, e os mais iluminados a conquistar um futuro melhor. Mudanças sim, mas espirituais; e se viesse um apocalipse paciência, os Deuses lá sabem o que fazem. Na melhor das hipóteses, a parte boa da humanidade livrava-se da escória (isto supondo que eu sou boa pessoa, mas com tanto camafeu não hão-de ter espaço para mim). Na pior, vai tudo desta para melhor ao mesmo tempo, não fica ninguém para se rir de quem bateu as botas e pronto. Dito isto, o meu último pesadelo com o fim do mundo foi há uns dois ou três anos e nem queiram saber o pânico que ia pela zona do Parque Verde.
 Se confiássemos em profecias, o mundo já tinha acabado umas poucas de vezes. Nos anos 80, anunciaram o apocalipse para uma certa data. A minha prima ouviu a notícia na TV, marcou o dia no calendário e na hora aprazada, dirigiu-se a casa - nas calmas -para assistir ao fim dos tempos com os pais. Escusado será dizer que ficou desapontada; quanto a mim, passei a descrer ainda mais no Fim do Mundo.
Agora que este calor é estranho isso é. Nunca se viu tanto calor em Outubro, nem tanta manifestação nas ruas por esse planeta fora. Alguma coisa anda no ar, e não são só os gambuzinos. Mas até os anjos tocarem as cornetas, só acredito no que vejo - e na minha vontade de calçar botas, que as sandálias já cansam.

Cuidado com o Homem Tofu!

Miranda Kerr

Temos problemas: uma querida amiga minha está emocionalmente envolvida com um Homem - Tofu. Para quem não sabe, esta espécie - perigosamente ignorada pela ciência - também é designada por homem esponja. Não porque bebe como uma esponja (há homens tofu abstémios) mas porque não tem espinha dorsal, molda-se a tudo o que lhe dizem, emprenha pelos ouvidos, tenta agradar a todo o bicho careta, não escolhe lados, não se decide embora goste de fingir que é macho alfa e que manda em tudo. Mas sobretudo, tem esse nome porque uma relação com uma pessoa assim nunca é doce nem salgada, não tuge nem muge, não fede nem cheira- não é carne nem é peixe, antes tofu. Um homem tofu está sempre à espera do comboio na paragem do autocarro. Ou seja, dá as pistas, manda indirectas, enrola-o-melão-desenrola-a-melancia, mas não explica directamente as suas intenções. Se todo o mal fosse esse, o drama não era grande: com o evoluir da relação havia de surgir um "momento clique" em que com uma ajudinha subtil da cortejada a coisa ganhava cabeça, tronco e membros. O pior é que um homem tofu é capaz de num dia parecer apaixonadíssimo e no outro, fazer-se de novas. Ou seja, é um quebra cabeças esponjoso. Não tem uma curva ascendente, nem rota: é uma estrada segura para a taquicardia, a não ser que a mulher seja descarada o suficiente para lhe perguntar " afinal o que é que tu queres, ó engraçadinho?". Ora, a minha amiga é uma pessoa discreta, tradicional, e não se atreve. E ele vai cavalheirescamente enrolando.


Se não fosse a curiosidade de perceber " afinal o que é que este caramelo quer de mim?" ela já o tinha mandado lamber sabão. Mas a curiosidade matou o gato; ele é respeitoso, carismático, amoroso, gostam das mesmas coisas, têm muito em comum...e à custa de resolver o puzzle (é amigo? é namorado? é carne ou peixe?) a minha amiga está a caminho de passar um mau bocado. Num momento cobre-a de atenções, de presentes, põe-a na coroa da lua, parece tão comovido perto dela que é incapaz de beijar a fímbria das suas vestes, exige o seu tempo, proibe os amigos de se aproximar ou dirigir-lhe piadinhas, arma cenas de ciúmes. No outro, faz coisas completamente parvas, vulgo convidá-la para o acompanhar a uma festa e depois fazer par com outra amiga, relegando-a para o resto do grupo. Ou flirtar com malucas à frente dela, como se estivesse mesmo à espera de uma valente peixeirada. Um homem tofu, como dizia uma amiga cabo verdiana, é como os ratos: morde e assopra;dá uma no cravo e outra na ferradura, não dá a sua palavra porque tem preguiça de a manter, não fala porque assim não se responsabiliza e se algo correr mal a culpa não foi dele, coitadinho. Foi dela, a descaradona que andou com o carro à frente dos bois. Foi das malucas que não o largam porque ele é tão lindo e tão sensível a bajulações. Foi dos amigos que lhe deram maus conselhos. Foi das más companhias. Foi do padre da freguesia.
Ou eu muito me engano, ou esta história vai acabar numa escandaleira de chifres imaginários. Como nas coisas do coração cada um sabe de si e Deus de todos, vou preparando o ombro e uma caixa de kleenex extra fofinhos pelo sim, pelo não.

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