Recomenda-se:

Netscope

Friday, November 11, 2011

Gaja é a tua tia

Gong Li



Não acho piada quando as amigas se interpelam umas às outras com um afectuoso "ó gaja" ou um lisonjeiro "ó gaja boa!". Principalmente em público. A intenção pode ser simpática mas soa-me agressivo, brejeiro e desnecessário. Talvez porque me acostumei a tratar as minhas amigas pelo nome próprio, por um petit nom carinhoso (ou sarcástico) ou por termos fofos como "querida" (nunca miga, nem môr, nem miguxa, cruz credo). Que se diga em privado " estás giríssima, estás uma gaja boa" ou "saiste-me cá uma galdéria" em tom jocoso ainda vá. Que se resmorda, quando estamos chateadas " que gaja maluca" ou se definam coisas de mulheres como "cenas de gaja" é aceitável. Mas em geral gaja, tal como sujeita, tipa e fulana, está reservado às pessoas que não prezamos lá muito. Tratar as amigas por nomes feios é pior ainda.
Nunca hei-de esquecer um grupinho de doidas do liceu que se tratava aos berros por nomes amorosos como p**** , vaca, porca e badalhoca. Foi fauna que me fez arrepender mil vezes de ter trocado a escola onde andava por outra, só porque lá havia as opções de antropologia, sociologia e geografia (quem me manda querer aprender alguma coisa?). Os meus pobres ouvidos. Quando elas entravam na casa de banho, todos se arredavam!
Para essas gracinhas já bastam os elementos do sexo oposto. Ainda não há muito, vira-se um rapazola e atira meio para mim, meio para o grupinho " olha, eu vi esta gaja na televisão! Foste tu não foste?" . E eu: "viu, viu, mas olhe lá que eu não sou gaja nenhuma, está bem?". Gaja é a tua tia, ó palerma.

Spartacus, bringer of rain, slayer of Theokoles....




É favor parar de matar mostrengos. Agradeço, que Adamastores não faltam por aí...mas eu já estou farta de andar assim:



E já somos mais de meia centena....

Esta linda imagem foi gentilmente cedida pela talentosa Vilma Costa. Enjoy!


Obrigada meus anjos!

Thursday, November 10, 2011

Isso é que é ter juízo, meninos


A dupla Dolce & Gabbanna decidiu pôr fim à sua segunda linha, D&G, para dar prioridade à marca original. Os motivos são sombrios e a decisão foi mal recebida por milhares de compradores e retalhistas, que não entendem como se deita à rua uma etiqueta que factura milhões por ano. Mas eu aplaudo e penso que não estou sozinha. A D&G foi um sucesso para as massas - mas banalizou totalmente o trabalho de uma casa de qualidade, afastando os verdadeiros apreciadores. Acredito que muito boa gente deixasse de vestir Dolce & Gabbanna para não se ver associada aos logótipos horrendos, à ostentação, à contrafacção e ao look "jogador da bola/mânfio da noite". Há tempos a Burberry também se viu obrigada a retirar o seu padrão de assinatura para fugir da má imagem causada pelas WAG, que usavam e abusavam das peças mais óbvias, causando uma invasão de cópias ilegais - por isso creio que as razões de Domenico Dolce e Stefano Gabanna não fugirão muito a isto. RIP, D&G, bons ventos a levem.

Fashion faux pas

David Bowie e Kate Moss - divindades da moda para casos desesperados. Rezai!


Se há coisa que me faz vibrar os nervos é ver palavras mal empregues. O termo "fashion" é uma dessas expressões que se banalizaram no nosso país, sendo utilizada a torto e a direito, com a conotação errada ou pelo menos afastada do seu sentido original. Fique claro que eu não tenho nada contra quem se declara anti moda (o que por si só pode ser um fashion statement, uma afirmação de estilo) nem contra quem só compra roupa para não andar em pelota por aí. O que eu não gosto é de pantomineiros, como os meus leitores já devem ter percebido depois de vários textos a condenar a pantominice (ainda não escrevi o manifesto anti pantomineiros, mas lá chegaremos). Ora vejamos umas definiçõezitas:

Fashion - o estilo que prevalece ou é aceite actualmente; vogue; o traje em geral, e o seu estudo; modo de executar algo ("he did it in a familiar fashion": fê-lo da maneira a que já nos habituou ; to be out of fashion: estar fora de moda ( "Truth is out of fashion": a verdade está fora de moda) fashion industry: indústria de moda, compreendendo casas, designers, marcas, manequins, agentes, produtores, etc.

Se quisermos ser puristas, raramente (ou de todo) se usa "fashion" como adjectivo. Para isso existem outros termos: fashionable, stylish, smart, elegante, hype (algo que está no auge da popularidade, must-have) e muitos mais. Alguém que segue de perto a indústria de moda, e que em princípio terá carradas de estilo, é fashionista. Uma personalidade que influencia a indústria, ou que prevalece ao longo dos tempos, é um fashion icon (Marie Antoinette, Aundrey Hepburn, David Bowie, Twiggy...). Fashion victim não é necessariamente alguém que é doido por moda mas uma pessoa que veste tudo o que é tendência sem olhar se lhe assenta bem, fazendo por vezes tristes figuras.

Por cá, se aceitarmos fashion como adjectivo, é mais correcto assumir que alguém parece ou está fashion em determinado dia, não que é fashion. No entanto, a palavra tem vindo a ganhar uma conotação irónica, associada à logomania, à foleirada e a quem se esforça demasiado.

Mas o pior nem é empregar o termo descontextualizadamente. É que as pessoas descrevem objectos ou indivíduos como fashion, ou se auto classificam como tal, sem ao menos se debruçarem sobre a matéria. Se alguém se empenhou no visual ( nem que esteja a cair de pindérico) é fashion. Ai que "féchion" que eu sou, diz a rapariga coberta de poliester. Sabem, o tipo de criatura vulgar que diz adorar moda mas quando lhe perguntam quem é o seu designer de eleição atira "Fátima Lopes". Ok, então porquê? Resposta: ahhhhhhhhhh...cof, cof...porque é mais chique (cada tiro, cada melro, já lá vamos). E além da Fátima? - perguntamos, a tentar entender se ela gosta mesmo das roupas da designer portuguesa ou se atirou o único nome que conhece.

E a boneca de feira, sapatucho de má qualidade e carteira falsa como Judas começa a esgueirar-se de mansinho, sem sonhar que se alguém lhe atira um fósforo a sua farpela arde que é um mimo, tal a quantidade de petróleo.

Porque gostar de "trapos" ou de compras qualquer mulher gosta; mas isso não é o mesmo que gostar de moda (que é uma arte) compreendê-la, saber situar-se ou pelo menos, distinguir uma tendência de um clássico ou uma peça boa de uma má.

Pior que isso, só o uso indiscriminado da palavra chic, como se a tivessem aprendido ontem ou não existissem sinónimos. Superlativos de chic então, é o cúmulo do ridículo. Se não se tem cultura, mais vale ser discreto e não fazer figura de Dâmaso Salcede com o seu constante " podre de chique" e "chique a valer". Que para ser justa, ao menos o rústico do Dâmaso procurava copiar os bons exemplos e aprender alguma coisa.

Wednesday, November 9, 2011

Tão cedo não se toca em...


Uma noite de Sábado maravilhosa, excelente música, muita alegria...e depois veio uma sangria desatada.

You know...I´m bad?


Numa segunda temporada de The Walking Dead a mover-se devagarinho, Daryl revela-se a personagem mais interessante. Não me enganei com este saloio meio selvagem, brutamontes, mas corajoso - e lá no fundo sensível, um coração de manteiga. Já existem grupos de fãs "Daryl casa comigo" e cá com os meus botões, acho que não vão mal encomendadas. Há qualquer coisa de apelativo num cavalheiro do Sul que toma conta de toda a gente, nunca se desmancha, sabe caçar, conta histórias e anda com uma besta pronta a chacinar o primeiro morto em pé que lhe apareça. Eis um homem para uma pessoa se valer numa aflição:  não perde tempo com comadrices nem pieguices e vira tudo de cangalhas se for preciso. Aposto que não gosta de gente esquisita e abusadora que morde os outros pela calada. Temos muito em comum. Não direi Daryl, casa comigo, mas que me dava jeito tê-lo por perto, não nego.

Monday, November 7, 2011


Um lobo pode estar ferido, escondido e isolado no seu covil...mas é sempre um lobo.

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...