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Saturday, December 31, 2011

Contagem decrescente



Azul real, encarnado e dourado. Champagne. Correria. Alegria. Vou ali abrir as portas ao Ano Novo e já volto.

Adeus, 2011...o ano da Agoge


Enquanto escrevo, estou a ansiar pela passagem de ano. Não que a data me entusiasme muito...eu nunca gostei do desconhecido, embora leve a sério aquela coisa do "mudar de página".
Mas 2011 equivaleu a uma agoge* na idade adulta. Este ano foi como os mestres dos filmes de kung fu dos anos 70, que ensinam magistralmente - à bofetada, para não esquecermos as lições. Num mood ou aprendes e sobrevives, ou estás feita. A contornar obstáculos. A forçar-me a respirar. Uma longa aula que me obrigou a "abrir a pestana" e pôr fim a certos padrões que se vinham instalando. Com músculos doridos, membros arranhados, exausta - mas apta. Mais forte. Mais ágil. Mais rápida. Foram 12 meses que me permitiram realizar alguns desejos e pôr em prática projectos muito bons. Vitórias que valem o dobro porque sei que muito do que consegui foi feito com o coração ferido, a alma a pesar toneladas e vontade de não me levantar do sítio. Esforcei-me a triplicar porque as mulheres da minha família, tal como as mulheres espartanas, não choram quando têm problemas - erguem-se, inspiram, sacodem o pó dos vestidos e vão à luta. Que eu guarde bem as lições desta "coming of age" forçada:


- O meu primeiro instinto está sempre correcto e é para seguir, pareça o que parecer, doa a quem doer.
Se faz quá quá como um pato e anda como um pato, provavelmente é um pato. Quando o meu dedo que adivinha e o meu chackra de estimação dão sinal de alarme, estou perante uma situação perigosa. Há que saltar para cima do inimigo ou dali para fora imediatamente. Se parece mal, paciência. Se se zangarem comigo, temos pena.

- Com os malucos não se discute. Esta poupa imenso tempo e muita canseira. Cada um tem o seu ritmo, não vale a pena tentar resolver tudo segundo os meus padrões. Deixar que os outros percebam os factos por eles mesmos. Já sabia esta mas ainda fui parva...a prudência excessiva nunca resultou bem comigo. A racionalidade sim, mas tem limites.

- As pessoas magoam muito mais facilmente aqueles que amam. Facto.

-A culpa não morre solteira. Vi cair com estrondo um mostrengo que parecia intocável e fazia a vida dos outros num inferno. Todos torciam para isso, mas ninguém esperava um desmoronar tão meteórico e definitivo, daqueles que garantem que a besta não voltará a chatear vivalma. Sim, os Deuses estão acordados. Às vezes gostam de se espreguiçar, mas não falham.

- Não tentar salvar a carruagem descarrilada, nem bater num cavalo morto. Quando a coisa está preta ou cheira a esturro, mais vale sair do comboio a tempo. O que nos estiver destinado, volta e compõe-se. O que não voltar estava a mais.

- Face a uma crise, há que lançar mão a todos os recursos.
E isto significa mesmo todos. Sair da zona de conforto. Não é esperar que o diabo não seja tão negro como o pintam, perder tempo a analisar pormenores nem arranhar a superfície. O que aprendemos não vale nada se não for usado. Mesmo que meta medo ou dê muito trabalho. Mesmo que tenhamos vontade de nos acanhar. O bem sempre que possível, o resto sempre que necessário. Mover montanhas a pontapé, ir buscar recursos à China, chamar o génio da lâmpada, a girl´s gotta do what a girl´s gotta do. E mais nada.

- Há sempre uma surpresa boa ao virar da esquina. Não vale a pena descabelar-se, a roda gira constantemente.

Desejo-vos um Feliz Ano Novo. Que 2012 seja mais romano e menos espartano...queremos alegria!

* Regime de treino duríssimo a que as crianças espartanas eram submetidas.

Thursday, December 29, 2011

Vassourada na primeira...catrapuz, bruxa no chão!*



Felizmente cá em casa temos as vassouras largas. Coriscos, como eu detesto amadores.


* José Barata Moura, no fantástico álbum infantil "A cidade do penteado" (do tempo em que ainda não tratavam as crianças como estúpidas).

Monday, December 26, 2011

E antes de fechar o ano, há que dizer isto....(porque depois tenho mais em que pensar)

A ESPADA DE DÂMOCLES
Mestre Maquiavel disse que a vitória, mesmo que obtida por meios vergonhosos, nunca desonra. É triste, mas é um facto. A grande qualidade de Maquiavel reside em ver o ser humano por aquilo que ele é, desencantadamente: naturalmente mau, lambe botas, ganancioso, crédulo e fraquinho do miolo. Os seus escritos pretendem dar-nos ferramentas para lidar com isto.
Consolemo-nos pensando que a Fortuna é caprichosa. A "sorte grande" só sai uma vez. Quem depende de um golpe (de sorte e não só) não tem vitórias duradouras. Uma batalha não significa a guerra, e quem ri por último...

Deve ser triste só ganhar fazendo batota. E estar sempre a olhar por cima do ombro, com medo de ser apanhado mais dia menos dia. Saber que não se conseguiu nada naturalmente - nem pela beleza, nem pelo talento, nem pela inteligência, nem pelo mérito, mas pela vigarice pura e dura, por insistência e por cara de pau. Nunca ser desejado, nunca estar à altura, nunca passar de mula com arreios de cavalo por mais que se faça.
Ser-se burro que nem um testo, sem uma colher de chá; ser um falhanço tão redondo em tudo que os únicos meios de subir na vida são na horizontal ou através de esquemas. Viver a tentar a sorte, a atirar o barro à parede. Só que a Sorte está sempre a olhar para o relógio, o barro é escorregadio e o cuspo não é uma cola de confiança. Andar com a espada de Dâmocles por cima da cabeça, entre o Pêndulo e o poço, tic tac, tic, tac, tic tac.
É de uma pessoa rir e comer bolachas. Mesmo.

As coisas que eu ouço, versão Natal


Como foi o vosso Natal? O meu foi mais-que-perfeito, graças a Deus, assim que acabou a lufa lufa dos preparativos. E como é apanágio cá em casa, não podiam faltar as coisas extraordinárias e misteriosas. Desta vez não foi antes do pequeno almoço, mas antes da Consoada:

- Um pão-de-ló escapou-se da mesa dos doces e fugiu para parte incerta levando dois cúmplices consigo. Não nos fez falta mas deixou-nos intrigadíssimos. Se virem um bolo com ar culpado por aí já sabem a quem pertence. (Mas não o mandem para cá, foi há dois dias e já deve estar num bonito estado; ele que volte para quem o desencaminhou).

- Devido a problemas de comunicação, o lenhador teve de entregar a "mercadoria" por volta das quatro e meia da tarde do dia 24. A Sissi cheia de coisas para fazer, com uma salada de frutos do bosque a meio, lá foi orientar o homem. "Ó menina, a minha carrinha já é velha, não desce essa rampa toda; vou buscar o rapaz e mandar as cavacas pela ladeira abaixo!". E eu - a contar com a lenhinha empacotada e arrumadinha no alpendre sem sujar nada- que remédio. Quando voltei lá fora só tive tempo de dar um grito, porque havia troncos voadores por todo o lado, projectados a grande velocidade na direcção do meu gato mais novo. O sacaninha adora a lareira e lá deve ter percebido o destino da lenha. Como a "máquina de fazer quentinho" é amiga, os troncos também deviam ser, julgava ele. "Pare, pare que me mata o gato" avisei eu a esquivar-me de um projéctil de três quilos. "Ah, ele arreda-se" ou qualquer coisa assim, responde o lenhador que obviamente nunca teve gato na vida.
Fechou-se o bichano, descarregou-se a lenha, e o pátio sujo que metia dó. Pediu-me uma vassoura e uma pá para limpar as cascas de pinheiro. Levei-lhas, com um saco para apanhar as "carrascas" que - no meu entender, que tenho lareira desde que me conheço por gente - dão um excelente combustível.
"As cascas, menina? Nem pensar metê-las na lareira, não  queira uma coisa dessas. Não é preciso saco que eu levo-as de volta para deitar fora". Cheia de pressa, super ocupada e mal refeita do susto não insisti; encolhi os ombros, paguei, muito obrigada e feliz Natal.
 Só hoje é que em conversa com a família me ocorreu porque é que ele não quis deixar as carcodoas - deve vendê-las muito mais caras para cobertura de jardins. Deve ter-me achado com ar de betinha da cidade que não percebe nada disto e só gosta de lareiras porque estão na moda, e pensou que me podia enganar com uma peta dessas. Malandro. Se apesar disso não tivesse feito um bom negócio, eu dizia-lhe as cascas!

Adoro

Este spot spot da Coca Cola. É emocionante sem lamechices, está muito bem produzido e de todas as versões que vi, a portuguesa é a melhor. Perfeito!

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