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Monday, December 31, 2012

Preparados para o Novo Ano?


Para garantir que entramos em 2013 com o pé direito, vamos lá conferir a lista:

- Lingerie nova, Azul (Sorte) ou encarnada (Amor);
- Comida auspiciosa (mariscos, frutos secos...eu enjoo com as passas, vamos ver se cumpro ou se faço batota).
- Notas e moedas (para atirar ao ar ou forrar carteiras e sapatos).
- Champagne ou espumante bom, para brindar e segurar na mão enquanto se dá saltinhos com o pé direito. Se entornar, é sinal de sorte;
- Velas brancas (luz) douradas (sorte) encarnadas (amor) azuis (saúde) e verdes (prosperidade).
- Apitos ou outros artefactos barulhentos (para espantar os maus espíritos).
- Roupinha nova e/ou de ar luxuoso - branca, dourada, azul, encarnada...as aplicações, bordados e brocados estão na moda, a época é adequada, e adoptar o estilo "Rei Mago" nesta altura do ano não faz mal a ninguém. 

 Que a Boa Fortuna esteja convosco no Novo Ano, com felicidade, segurança, saúde, amor e abundância para todos!

Dicas de estilo fundamentais a lembrar antes do fim do ano:



2012 foi um ano de grandes remodelações, ajustes e arrumações. Depois de bastante trabalho, tenho o closet quase como queria. 
 Aqui no blog, também se falou bastante sobre elegância intemporal, compras sensatas, tirar partido do nosso tipo...enfim, sobre como organizar a nossa roupa, o nosso estilo e a nossa vida para aproveitar ao máximo, sem esforço, com menos custo e tempo os nossos dotes e recursos. Adorei escrever esses posts porque ao fazê-lo, também organizei as minhas ideias e recordei dicas para mim. Por vezes, não cair no "faz como eu digo, não faças como eu faço" é um desafio trabalhoso! O mais curioso é que há sempre coisas a melhorar ou modificar...e quando damos por nós, estamos a acrescentar novas regras ou a reparar em pequenos truques que nos ajudam.
Ontem dei-me conta de mais um, que de certa maneira resume tudo:

Há que arrumar o closet (e tudo o que se relaciona com ele) de modo a deixar as coisas À VISTA. Roupas, carteiras, sapatos, etc...que não se vêem, é como se não existissem de todo. É preferível ter tudo menos dobradinho e compacto (desde que esteja direito) mas manter todas as peças ao alcance dos olhos. Sei que não é fácil quando se tem muita coisa, mas sem isso nada feito.

Outra ideia que me ocorreu no seguimento de uns raspanetes que fui obrigada a passar: há que haver coerência

Ou seja - ou bem que uma pessoa é espartana e prefere ter pouca roupa, mas boa (logo, tem desculpa para repetir muitas vezes o mesmo) ou que compra muitas coisas mas tira partido delas. Ter ziliões de casacos no armário, por exemplo, e andar sempre com os mesmos por preguiça de se aventurar naquela selva, não dá. É um desperdício e na época que se atravessa, é ainda mais necessário dar uso àquilo em que se investe dinheiro. 

Por fim, cada vez mais é preciso espírito crítico no que concerne à moda. Vivemos uma fase de grande criatividade, em que praticamente tudo é permitido, com o regresso de formas, materiais, cores, silhuetas e padrões que há muito tinham saído de cena, e a introdução de constantes novidades. Isso é óptimo porque permite a personalização e a individualidade - mas por isso mesmo, é um pecado que se adoptem cegamente tendências. A Moda está na moda e de repente, toda a gente parece ter algo a dizer sobre o assunto. Os "gurus" e referências multiplicam-se, nem todos com verdadeiro sentido do que é esteticamente correcto, ou mesmo daquilo que é ou não de boa qualidade. Mais do que nunca, exige-se sensibilidade e olho vivo. Só porque o personal stylist das celebridades diz que algo é o máximo, não quer dizer que tenha razão. Como em todas as áreas da vida, nem todos são isentos...e há sempre quem precise de óculos. Ora vejamos dois exemplos de fugir:

                                        
O videoclip da nova cançoneta de Christina Aguilera tem tanto pecado junto que nem sei por onde começar. Não vou alongar-me sobre o ar barato e exagerado dos materiais, cores e maquilhagem: vejam vocês mesmos. Também não vou passar sermões quanto à "classe" dos looks, ou à mania da menina de se apresentar como a última das strippers (sem ofensa às mesmas; estou certa que algumas saberão vestir-se adequadamente nos dias de folga). O mais importante a reter é que por muito bonitas que as curvas sejam, as saias bandage e os vestidos tubo não são a melhor forma de as realçar. Especialmente quando se engordou um pouco...ou bastante.

                                 
Já Alicia Keys não peca tanto por falta de classe - as roupinhas têm bom aspecto - mas por não adequar o que veste ao tipo de corpo. Quando se tem figura de pêra, as saias justas em materiais reveladores/coleantes/reluzentes e as partes de baixo mais claras em relação ao top não são a melhor ideia. A bainha a mostrar a parte mais rechonchuda do tornozelo também não ajuda nada. E se acrescentarmos a isto os decotes e mangas demasiado apertados e fechados, um tamanho mesmo, mesmo à justa para o seu corpo (para não dizer que vestiu o tamanho abaixo do seu) e o cabelo colado à cabeça, o resultado é que em vez de uma menina bonita com fatiotas de designer, temos uma salsicha entrangulada em película plástica.

Agora reparem no alcance destes videoclips, nos milhões de telespectadoras que vão achar estes visuais "inspiradores" e tentar fazer o mesmo em casa. Depois temos o terror nas ruas...
 Por isso, pessoas sensatas e de gosto, desejo a todos nós bastante sense of style, criatividade e sensibilidade, para encher o Ano Novo que aí vem com muitas páginas de elegância. Happy New Year!





Sunday, December 30, 2012

As birras do Ano Velho




Não sei se vos sucede o mesmo, mas quando o Ano Velho está mesmo de saída acontecem coisas esquisitas. Uma pessoa pensa que já fez as suas resoluções para os próximos doze meses, que tem o balanço fechado e que enfim, só falta preparar os petiscos e a fatiota para o Reveillon descansadinha...e pimba, o Ano Velho, esse ancião jarreta, desata à bengalada às coisas como quem diz "olha que eu ainda não me fui embora! Não te livras de mim tão facilmente!". Uma pessoa leva as mãos à cabeça e responde-lhe:

 - Mas não podias sair pacificamente, com muita dignidade, e amigos como dantes? Tinhas de ir buscar mais coisas e desenterrar pecados esquecidos agora que estava tudo limpo e arrumado, agora que já pus todo o lixo fora? 
Mas velho teimoso, autoritário, com a veemência de quem tem já um pé na rua e nada a perder, ele lá continua a descobrir carecas, a expor factos, a lembrar coisas que ficaram menos bem feitas ou estão mal acabadas e que por muito que eu gostasse, não podem ficar "para o ano".
- Não, não puseste todo o lixo fora. Ainda falta isto e aquilo -lembra ele, apontando com o seu indicador adunco, de garras afiadas.
De modo que, para não perder o jeito, a agitação dos últimos dias tem passado por dizer umas verdades, pôr alguns pontos nos ii, deixar pratos limpos, dizer das boas e das bonitas a quem está mesmo a pedi-las, pôr fora tudo o que é falso e dissimulado, enfim, em preparos pouco tranquilos. E creio bem que ainda não pára por aqui. No fundo, o rabugento do velho tem razão: há certas coisas que não merecem, nem devem, continuar na nossa vida até dia 1 de Janeiro. Porque lá diz a tradição: conforme estamos no Ano Novo, assim andaremos o ano todo. E sinceramente, há certos monos que não me apetece arrastar comigo para o Ano Bebé...





O terceiro marido de Caterina Sforza



Já não é a primeira vez que aqui menciono Caterina Sforza, virago crudelissima, como lhe chamava o seu inimigo-jurado-amante - com-toques-de-amor/ódio - o grande e belo César Bórgia - a tigressa de Forli, uma das mulheres mais ambíguas e fascinantes do Renascimento italiano, para dizer o mínimo. Nas palavras da própria senhora, "se a minha vida desse um livro, chocaria o mundo", logo um post sobre a sua vida será demanda para o ano que vem. São muitas as aventuras e peripécias intrincadas, que não se contam em meia dúzia de linhas. Para hoje, importa lembrar que ela era lindíssima, muito bem nascida para o meio em que se movia, rica e poderosa. E que apesar de feminina, vaidosa e orgulhosa da sua beleza (como podem ver no retrato acima) a armadura e a espada eram os seus "acessórios de moda" preferidos.

File:Sandro Botticelli 039.jpg
Caterina Sforza, à direita, como uma das três graças de Botticelli         
          Caterina orgulhava-se da tradição da sua família nas armas, e fazia por honrá-la pessoalmente. Tinha também um sex appeal irresistível, que usava em proveito próprio. Embora vivendo numa época e estrutura social de relativa descontracção no que respeita às questões amorosas (muitas mulheres do seu meio, como Sancia de Aragão, coleccionavam amantes perante a "vista grossa" das cortes e clãs) a Condessa de Forli era menos subtil e manhosa nesses aspectos - dona do seu destino, dirigindo o poderio familiar, apenas questões políticas a faziam retrair-se no que respeitava a amar quem bem entendesse, ou obrigá-la a dissimular os seus romances. Foi o caso do seu terceiro marido, Giovanni 
de´Medici il Popolano. Giovanni conheceu Caterina numa visita para a homenagear enquanto embaixador da República de Florença. Ficaram alojados em aposentos contíguos  e duas pessoas de tão sedutora presença não podiam ficar indiferentes uma à outra. 
         
 A paixão foi rápida e fulminante: dizia-se à boca pequena que passaram a viver em pecado pouco depois, para gáudio dos seus inimigos e escândalo geral. O casamento entre membros de duas famílias poderosíssimas causaria medo e desconforto - entre outras manobras delicadas, temia-se a guerra entre Veneza e Florença-  por isso a união formal teve lugar rápida e secretamente, em Setembro de 1497. O sigilo só foi quebrado a instâncias do tio de Caterina, Ludovico o Mouro, Duque de Milão. Um ano mais tarde Caterina teve um filho do seu amado: Ludovico, que ficaria conhecido como Giovanni dalle Bande Nere. Mas a felicidade durou pouco: o formoso Giovanni adoeceu no campo de batalha e morreu pouco depois, com apenas 31 anos, deixando Caterina sozinha para enfrentar os poderosos Bórgia. Pessoalmente, eu gostaria que César e Caterina tivessem ficado juntos, pois eram almas irmãs - exímios estrategas e guerreiros, belos e cruéis, geniais e intempestivos, semelhantes o suficiente para se refrearem um ao outro. Porém as circunstâncias, o destino, e essa mesma semelhança - que em demasia, é explosiva - ditaram uma sentença diferente. Mas também isso, é história para outro dia...

Saturday, December 29, 2012

Isto vai ser bonito, vai...e perguntinha para o Fim de Ano

                                  
Além do frio que faz lá fora e da correria dos preparativos para o Fim de Ano, calha-me uma festa de aniversário pouco antes do Reveillon. Noblesse oblige, os amigos merecem todos os mimos  e não me estou a queixar - casaquinho de peles, coragem e vai de cantar e bailar, para queimar os últimos cartuxos a 2012. Já agora, brilhantes e espirituosos amigos de refinado gosto, como acham que devo ir no Fim de Ano?

 Com algo assim...

                                 

Ou assim (mas em azul pálido e prateado fosco, com um decote um bocadinho mais aberto)?

                           
                                     
Ouro ou prata? Brocado ou aplicações? Barroco ou anos 50? Decisions, decisions...

Envelhecer bem...ou não (Parte 2)


Continuando o post de ontem, hoje é a vez dos cavalheiros. Há quem diga que os homens ganham charme com a idade e que envelhecem melhor do que as mulheres. Isso não se aplicará a todos, embora haja alguns que sem dúvida, ficam mais interessantes com o passar do tempo. O reverso da medalha é que se as intervenções estéticas nem sempre resultam para as senhoras, no caso masculino quanto menos, melhor. Hábitos saudáveis, uma mente sã e viver intensamente apesar dos números no BI parecem continuar, para ambos os sexos, a ser a chave da eterna juventude...

                          Fantásticos!

Jeremy Irons (64 anos)

Mantém a mesma figura esbelta, a mesma cara de sempre - linha de expressão a mais ou a menos - e o seu charme não sofreu nem um bocadinho. Junte-se a isso toneladas de talento e uma voz inconfundível.   Não encontrei nenhuma referência aos seus "segredos de beleza" mas calculo que os genes irlandeses, o hábito de viver no campo e passear a cavalo e o facto de continuar apaixonado pela sua mulher há 34 anos tenham algo a ver com o seu bom aspecto. Isso e uma elegância sem esforço quando se trata de bem vestir. Muitos homens mais jovens podiam aprender com ele algumas lições de estilo.

Sir Sean Connery (82 anos)

É impossível pensar num exemplo de homem que envelhece bem sem que Sean Connery ocorra de imediato. Chamado " o maior escocês vivo" eis outro celta ( a família do pai é de origem irlandesa, a da mãe, falante de gaélico escocês da iha de Skye) de voz inconfundível e charme à prova de bala. A sua alta e bela figura continua desempenada - a viva confirmação dos mitos sobre os grandes homens escoceses. Karate - é primeiro Dan - e golf conservam-no,apesar de alguns problemas de saúde passageiros, como o bom vinho do Porto. Um senhor!

Johnny Depp (49 anos)

Conserva o mesmo palminho de cara, embora a expressão tenha amadurecido e ficasse, a meu ver, mais interessante. Apesar de não se privar de nada e de ter vivido, até certa altura, um estilo de vida de rockstar, a rotina mais recatada que adoptou em França - terra de bons vinhos e boa comida - e uma dieta rica em proteínas e antioxidantes (soja, frutos do bosque, kiwis, ovos...) parecem surtir um efeito que não é de desprezar.

Brad Pitt (49 anos)

Foi por diversas vezes considerado o homem mais bonito do mundo. Nunca fui uma grande fã, mas não há que negar que é bem parecido e que só melhora com o tempo. O anúncio da Chanel nº5 está qualquer coisa, e note-se que nem tentou disfarçar os fios brancos da barba...tudo se quer com realismo e equilíbrio, lá está.
                      
 Embora não se livre de alguns rumores quanto a tratamentos estéticos no dermatologista, a ser verdade só prova que os cuidados de beleza são boa ideia quando aplicados com moderação e de acordo com os traços de cada um. Ter uma casa cheia de crianças e dedicar-se a obras de solidariedade também deve ajudar - a par com a sua carreira, dificilmente terá tempo para ficar obcecado com a aparência, o que é meio caminho andado para evitar o stress, esquecer as marcações de botox e manter uma cara bonita naturalmente...

Outros:  Paul Newman, Tom Cruise ( fisicamente está esplêndido, das ideias não estará tanto...) George Clooney (melhorou francamente com a idade, como todos sabemos)  Richard Gere, Harrison Ford, Russel Crowe, Clint Eastwood (apesar das rugas, mantém a mesma cara e a mesma figura...) Bruce Willlis.


                                                     A Precisar da Fonte!

Val Kilmer (52 anos)

Neste caso não se trata tanto de envelhecer mal - no sentido de enrugar ou de modificar demasiado as feições. Mas engordar muito nunca é boa ideia. Algumas más decisões que lhe custaram a carreira em ascensão poderão ter contribuído para este aspecto menos atraente...

Jack Nicholson (75 anos)

Com um carisma irresistível, sobrancelhas mefistofélicas e ar de bad boy, o actor era muito atraente até há relativamente pouco tempo. Entretanto deixou de preocupar com manter a boa forma, usar protector solar e pentear o cabelo uma vez por outra. E aí o temos, como um avozinho bon vivant. O carisma, esse continua lá, e o talento ninguém lho tira.

Nick Nolte (71 anos)

Não é que Nick Nolte esteja mal para a sua idade - continua a ser uma figura bonita e convenhamos, já o vimos bem pior, a pontos de ficar irreconhecível. Mas os problemas com o álcool e drogas, flutuações de peso e sobretudo, o desleixo com a sua imagem são perfeitamente escusados...principalmente se recordarmos como era bem parecido nos seus bons tempos.

Keith Richards (69 anos)


Nada a dizer, é o tio Keith Richards e gostamos dele exactamente como é! Além disso, a lenda do rock admitiu diversas vezes que o seu aspecto enrugado se deve aos excessos: sex, drugs & rock n´roll  não é a melhor receita para conservar uma imagem de capa de revista. Por outro lado, mantém-se elegante e em forma, com uma energia em palco de fazer inveja a muito rapazinho. Não se pode ter tudo.

Outros:  Brendan Fraser (não se faz: era o meu ai Jesus. Espero que ganhe juízo e se ponha em forma rápido) Gérard Depardieu : outro dos meus ícones. Não é que tenha envelhecido assim tanto mas a comezaina não perdoa - como bom francês, gosta dos prazeres da vida, faz muito bem, mas  há limites.  O que vale, lá vai voltando à forma quando lhe dá na gana. Sylvester Stallone, Ozzy Osbourne, Axl Rose ( um sacrilégio...) Robert Redford.



10 Coisas que eu gostava que ficassem em 2012

                     
Além dos aspectos sérios, óbvios e comuns a quase toda a gente- chatices de toda a ordem, pouca sorte neste ou naquele aspecto, etc - que não queremos que nos sigam quando começar o Ano Novo, há sempre coisas específicas, a nível pessoal ou geral, que gostaríamos trancafiar no Ano Velho e deitar fora a chave. Aqui ficam algumas das minhas:


1- O uso ad nauseam das expressões (pipoquianas?) "...(insira opção) que só ele" (lindo lindo que só ele, fofinha que só ela, etc) e "e tudo e tudo e tudo" (esta creio que foi a Maria Rueff a inventar, ainda os blogs não estavam na berra). Nada contra. Não serão de um brilhantismo queirosiano, mas também não são nenhum palavrão. Não quero com isto ofender ninguém, até porque tenho amigas que usam os estribilhos: provavelmente muita gente já o faz porque vê fazer e entranhou sem perceber bem como. Mas por muito que uma frase/termo/seja o que for ande na boca do povo, é bom que se cultive vocabulário, ditos e interjeições próprias. Originalidade, autenticidade, bocas ou algaraviadas genuínas e noção do prazo de validade de piadas ou modismos é refrescante, faz bem e revela sentido crítico, que é coisa que eu gosto de ver!

2 - A minha falta de timing para me chatear na hora certa. Tenho de me começar a chatear mais vezes, mais rápido, de forma radical e assim, reduzir o tempo que fico chateada comigo mesma por não ter cedido ao meu primeiro impulso. Pratiquei um ano inteiro mas ainda preciso de afinar a minha capacidade de identificar as minhas emoções e agir de acordo, em vez de me armar em Buda ou disparatar quando a oportunidade já passou. A boa educação deve ser q.b - em excesso, é confundida com passividade. Sinais dos tempos e quem não se adapta, extingue-se.


3 - As tachas. Já o disse e repito: toda  a gente tem, teve ou está para comprar alguma coisa "entachada" nos saldos. Não nos batam mais, que já não posso ver mães de família de meia idade com isso na rua. E por favor, designers que nos governam: lembrem-se que nem todas as vossas ideias mirabolantes vão ser usadas por pessoas com boa figura, sentido estético e ainda por cima, sensibilidade artística para as empregar sensatamente. Não, os empregados das lojas não querem saber e deixam-nos sair dos provadores nesses preparos. Para não falar nas cópias baratas que aparecem à velocidade da luz, propagando as pragas.


4 - Pelos mesmos motivos, os desgraçados dos calções, principalmente em denim. Sim, os calções são engraçadinhos. Ficam muito bem com a roupa certa, na ocasião certa, no corpo certo, e a quem tem idade, silhueta e estilo para os usar. E até os há discretos. Mas enquanto continuarem nas lojas em quantidades industriais, as pessoas vão continuar a querer usá-los com tudo e mais alguma coisa - e já não posso ver moçoilas a exibir pequenos presuntos com botas com cano curto demais que esborracham a parte mais rechonchuda da perna, e calções de ganga com collants horríveis, quando não têm malhas caídas, tiritando de frio só pelo prazer estranho de vestir precisamente o que lhes fica pior.


5 - A malfadada crise, a atitude subserviente de Portugal perante a Todo Poderosa "Europa" e pior ainda, as pessoas que à custa disso, debitam diariamente, via Facebook, a sua amargura contra os políticos  - a quem todos os dias descobrem novas carecas - sentindo-se muito atentos, inteligentes, conscientes e informados por esse exercício de "cidadania virtual amargurada". Independentemente da justiça que haja no seu descontentamento, não tenho paciência para queixumes de quem se divertiu à grande no 25/4 e agora nada faz senão convocar protestos, pensar em protestos, sonhar com protestos e partilhar piadinhas. Algo me diz que não é via Facebook que se muda alguma coisa e não tenho paciência para profetas de redes sociais...

 Mais ainda, notícias sensacionalistas sobre hipotéticos pecados de Padres, por quem não põe um pé na Missa desde pequenino. Quem quer vai, quem não quer não vai, mas não há paciência para tanta histeria.

6- A Casa dos Segredos, pessoas normais a discutirem apaixonadamente a Casa dos Segredos, crianças a ver a Casa dos Segredos e miúdos e graúdos a partilhar no Facebook (que se vem tornando um depósito do disparate) "quem achas que deve ganhar? quem achas que deve ser expulso?". Posso escolher a opção "eu gostava era que a Casa dos Segredos fosse expulsa do país para fora, sem novas temporadas"?

7 - A ideia recente de que um look fashionista ou "com estilo" (principalmente em stylists, artistas, bloggers de moda e por aí) tem de ser uma árvore Natal e acumular statement necklaces, cuffs, litas, top knots, caveirinhas, caveironas e assustar as velhinhas na rua. A indústria de Moda já existia antes da Lady Gaga, da Nicki Minaj e de outras porta estandartes do chapitô estarem na berra e brincadeiras à parte, o verdadeiro estilo não tem nada a ver com "modas". Mais ainda, há muitas formas de perceber de moda, de ter sentido de estilo e nem todas (ou poucas) passam necessariamente por ter um visual "artístico" ou dramático.

8 - E a propósito do anterior, todo e qualquer tipo de carneirada, de fazer por ver andar os outros, de idolatrias cegas, de modismos parvos. Haja respeito, que a Era de Aquário já começou!

9 - Os vários tipos de bicho careta: pessoas metediças e interesseiras, que vivem para controlar a vida das "galinhas dos ovos de ouro" que lhes arranjam convites e pagam as despesas. Mulheres da luta desesperadas, que dão cabo da reputação às outras mulheres e ainda lhes complicam a vida,  tudo em nome daquele que elas meteram na cabeça ser "o seu homem" por pouco que isso seja verdade. Já falei bastante sobre esses seres ao longo do ano, espero deixar de o fazer. (A expressão "o meu homem" também devia ir embora, se não for pedir muito...).  Gente atrevida que não sabe o seu lugar e ousa dar sentenças sobre pessoas que mal conhece, mas cuja cadeira gostaria de ocupar. Lambe botas que num momento criticam impiedosamente quem tem mais dinheiro e sucesso do que eles - até o "alvo" lhes dar dois dedinhos de confiança...aí dão o dito por não dito e multiplicam as vénias, os elogios babosos e as simpatias.  Get a *bloody* job. Get a life. Mas como uma coisa não vive sem a outra, há que deixar em 2012 pessoas que dão abertura, troco e facilitam o convívio aos seres acima descritos - atacando a causa, acabam-se os sintomas. 
 As companhias que escolhemos são das poucas coisas que podemos controlar a 100% nesta vida e quanto menos "fontes de inspiração" destas, melhor. 

10 - Tudo o que seja assuntos por esclarecer, palavras suspensas por orgulho ou porque não dá jeito, histórias mal resolvidas e conversas adiadas. Tenho tentado acabar com isso  e embora nem tudo dependa de mim, pois são precisas duas partes para dançar o tango, já consegui dar algumas coisas que andavam "em suspenso" há anos por concluídas. Outras não será possível, e pode acontecer que fiquem em 2012 tal como estão (temos pena) mas o que não tem remédio, remediado está. Moving on!


E vocês, o que querem MESMO que fique em 2012?








Envelhecer bem...ou não, Parte I

"A Fonte da Juventude" por Lucas Cranach, o Velho
Por muito que a medicina cosmética e a indústria estética avancem (levando frequentemente a exageros que são quase sempre pior a emenda que o soneto...) ainda não se descobriu a Pedra Filosofal nem a pílula da eterna juventude. Em boa verdade, não sei se continuar décadas a fio com a mesma cara, sem tirar nem pôr, terá tanto encanto como isso. À semelhança de outras coisas na vida, a Beleza amadurece e evolui. Pessoalmente, creio que o encanto não está em ter eternamente cara de dezoito anos, mas em estar bem para a idade cronológica que se tem  - e eventualmente, em parecer razoavelmente mais jovem do que se é. Fugir do sol, alimentação, rotinas de beleza e exercício adequados associados a tratamentos estéticos q.b, sem procurar mudanças radicais ou impossíveis são - a julgar por certas celebridades que parecem imunes à passagem dos anos - a chave para conservar um aspecto bonito, avançando graciosamente através das décadas. Há até quem se torne mais interessante com a idade. Vejamos o exemplo de algumas mulheres belas que se mantiveram assim...ou nem por isso. (Dos cavalheiros trataremos mais tarde).

                                                              Fantásticas!

Sophia Loren (78 anos)

 Mantém-se linda e ainda por cima, sexy sem cair na vulgaridade nem na caricatura. Segundo ela, o segredo está em manter uma mente jovem e alegre, focada nas coisas boas e nas pessoas queridas. Se uma deusa o diz, quem somos nós para duvidar?

Monica Bellucci (48 anos)


Dizem que a beleza de longa duração das mulheres italianas está na boa genética, boa comida, bom vinho, constante enamoramento e numa vida intensa. Água fria, ioga, natação, muita hidratação e fugir da maquilhagem pesada são outros segredos daquela que é, para mim, uma estátua viva.

Isabelle Adjani (55 anos)
News Photo: French actress Isabelle Adjani waits to receive her…

Na minha opinião, uma das mulheres mais deslumbrantes do cinema. Nem me vou dar ao trabalho de colocar uma imagem sua na casa dos vinte: com 39 anos, no muito recomendável La Reine Margot, tinha essa carinha de boneca de porcelana. Outra menina que foge do sol como os vampiros, mas também evita o stress e adora bons cremes.

Outras beldades imunes à passagem do tempo: Catherine Zeta Jones, Julianne Moore, Jennifer Anniston, Jennifer Connelly, Lauren Bacall, Grace Jones, Gwyneth Paltrow.

                                                                     
                                                                          A precisar da Fonte:

Francesca Dellera (46 anos)

A sua pele era considerada a mais radiosa do cinema italiano, tinha um rosto incrível e um corpo de ampulheta do outro mundo. Hoje não é que esteja mal de todo - a figura alargou e apresenta, no todo, um aspecto algo cansado, mas nada que não tenha remédio. O problema está mais nos visuais que escolhe. Não se pode mudar de silhueta e manter a mesma roupa. A imagem de bomba sexy também tem prazo de validade - se aos 18, vintes e trintas pode "fazer parte" depois disso é preciso um pouco de subtileza. O que não quer dizer que se perca a sensualidade, como vimos atrás...

Mariah Carey (42 anos)

Nunca a considerei uma beleza de cortar a respiração, mas era bem bonitinha e discreta. A dada altura não sei o que aconteceu (eu diria endoidou, mas não quero ser malcriada) e numa tentativa de competir com as Britneys, Christinas e companhia da indústria musical (para quê? goste-se ou não  do seu estilo, nunca foi acusada de falta de voz ou talento...) substituiu as roupinhas de bom gosto por farrapos de lycra, o peito giro e normal por umas enormes bolas, as canções românticas por gemidos e os caracóis por umas extensões gigantes. Não é que no todo, esteja mal para a idade (não está) mas tanto exagero, além de a tornar ridícula, fá-la parecer mais velha do que de facto é...realmente, a classe também ajuda a manter a juventude!

Kelly LeBrock (52)

Foi uma das modelos e actrizes mais belas dos anos 80 - com um corpo fabuloso e um rosto lindíssimo. Depois de um casamento atribulado com o rei dos filmes de pancadaria, Steven Seagal, e de jurar "nunca mais quero ver uma folha de alface na vida"  o resultado não é muito animador. Está certo que nem sempre está na mão das pessoas engordar ou emagrecer - mas o que se veste até nova ordem sim.

Outras senhoras que não envelheceram muito bem: Brigitte Bardot (por opção, mas imperdoável ainda assim) e Kathleen Turner.


Friday, December 28, 2012

Balanço do Ano: muralhas de prata

                                       
                               
                                       
O ano está quase a ir embora e como de costume, nesta altura fico com um certo nervoso miudinho. Há sempre aquela sensação estranha de deixar uma coisa para iniciar outra (embora, se considerarmos o calendário celta, o Novo Ano já tenha começado a 1 de Novembro... o que aligeira consideravelmente a responsabilidade imposta pelo Reveillon). 2011 foi, como escrevi na altura, um ano iniciático. Abriu-me os olhos e obrigou-me a levantar a espada e o escudo, pois vi lados da vida - e das pessoas - que nunca julguei que existissem. Jamais me considerei ingénua, mas a minha serenidade, o "deixai ir, deixai passar" e o "não aborreças ninguém e ninguém se mete contigo" que tinham sido até então boas linhas de orientação, permitiram que baixasse - demasiado - a guarda. E num tempo record, ainda aturdida pela chuva de flechas que parecia vir de todas as direcções, precisei de me pôr de pé, de gritar "lutaremos à sombra", de conduzir o exército para fora dali com um mínimo de baixas e de procurar refúgio para começar de novo. 2012 foi o tempo de encontrar uma fortaleza, com as ameias um pouco amachucadas ainda, e de estabelecer ali um quartel-general: começar a cura, receber boas novas, arar campos, plantar sementes, reconstruir (parcialmente, pelo menos) estruturas, criar fundações mínimas para criar coisas novas e recomeçar outras. Sobretudo, foi um ano para análise: algumas das estratégias do ano anterior já não se aplicavam. Percebi que nem o mais exímio dos guerreiros pode andar constantemente em guarda, só porque há sempre nações inimigas prontas a invadir e roubar o que lhe pertence. O mundo é louco, mas nós não temos de enlouquecer com ele: há que atacar ou contra atacar quantas vezes for preciso, mas a pureza interior, se é condição para estar vulnerável a investidas, também não pode ser descartada, por mais explosões que haja lá fora. A destruição que os outros provocam no seu próprio território basta a si mesma, não é possível controlar tudo. Temos de ser quem somos - mais fortes, mais atentos, mais ágeis é certo - mas manter a fé em nós mesmos, nos aliados fiéis, por poucos que sejam, e na sabedoria divina que nos orienta, cuida de nós e nos ajuda a triunfar na adversidade ou no nevoeiro. E houve alguma nebulosidade este ano, intercalada com momentos luminosos. Algumas das coisas que construí ganharam asas; outras estruturas provaram ter os alicerces demasiado afectados para que eu as possa reerguer sozinha. Certas coisas não dependem de nós e não vale a pena uma pessoa afligir-se por causa disso; há aspectos que só os Deuses, Todo Poderosos, vendo perto e longe no cosmos e no coração dos homens, podem resolver. Eles, o Tempo...e aqueles que connosco carregaram as pedras, e que podem querer continuar o processo ou não. Um dos sinais de evolução espiritual é precisamente não as prender, teimosa e egoistamente. Há que saber deixar ir: o que voltar estava no nosso caminho.  No todo foi um ano tranquilo, com a serenidade e poder de decisão que para mim, são as maiores bênçãos. O que deixo para trás, é por escolha própria e consciente. Estou grata por todas as alegrias, por todos os êxitos, pelos pequenos começos, pelo quartel general. Deixo que a Luz brilhe sobre aquilo que de facto me foi dado, e sobre as Torres de mármore branco da minha cidade. Pequenina, mas bonita e em expansão. Com bandeiras e estandartes coloridos, ondulando conforme o vento que vier das montanhas e do mar adiante, cristais nas janelas para apanhar a luz do sol e das estrelas, e grandes florestas à volta. Há que olhar para a frente com  esperança, pois quem semeia trigo e rosas não pode de modo algum colher cardos....e vice versa, o que só nos deixa com uma certeza tranquila: what goes up, must come down. O que traz consigo no regresso à Terra depende de cada um - não podemos controlar a colheita nem o clima, mas a sementeira é sempre da nossa responsabilidade. E quanto a isso, estou tranquila comigo e com o pelotão. Acima de tudo, há que estar resguardado - mas com passagens secretas para as coisas boas, que o armamento não é tudo. E com um mapa: porque o mais complicado, antes de mais nada, é saber exactamente o que queremos e para onde desejamos ir, iluminados pelos astros. Godspeed.

Thursday, December 27, 2012

Cheaters: trash TV versus vida real

                                          
O canal CBS Reality, não sei se já espreitaram, tem alguns programas interessantes sobre ciência forense, genealogia e locais assombrados. Depois há o reverso da medalha, como as séries sobre médiuns que (devidamente equipados com o kit completo de caça-fantasmas) vão investigar casas atacadas por poltergeists ou almas penadas de serial killersarregalam os olhos, afirmam "ai que ele está aqui, ai que eu estou todo arrepiado", juram aos pés juntos "o espectro do Ted Bundy puxou-me o cabelo" mas nunca provam rigorosamente nada porque os fantasmas, como quaisquer membros da sua classe que se prezem, só aparecem quando não há câmaras por perto - ou pelo menos, quando não estão devidamente prevenidos pelo escarcéu que estes "profissionais do outro mundo" fazem na sua "pesquisa". Fosse eu fantasma (cruzes) e também me escondia...isto se não adormecesse, porque além de pobre, o formato é aborrecido de morte.
                                   
 Mas o piorzinho dos seus programas, tão mau que ainda não decidi se supera a Casa dos Segredos no top do trash TV ou se andam empatados, tem de ser Cheaters - espécie de agência de detectives dos classificados Correio da Manhã, investigamos (nada) discreta e honestamente casos de infidelidade conjugal, versão reality show. O modelo é simples: amantes ou esposos desconfiados (todos com o pior e mais carenciado ar possível, comme il faut) recorrem à "agência" para comprovar as suas suspeitas. Digo comprovar porque do pouco que vi - com a mesma curiosidade mesclada de horror que se tem por qualquer visão assustadora  - nunca houve um "suspeito" que passasse o teste.
 Esta pérola é apresentada por um autêntico malandro com cara de fuinha e aspecto de cangalheiro misturado com vendedor agressivo de colchões ortopédicos, que faz um ar compungido mas está claramente mortinho por atirar achas para a fogueira. Encenado ou não, parece que já foi apunhalado no cumprimento das suas "funções", por alguém que lhe quis ensinar a não meter o nariz onde não era chamado...
 O que mais me intriga, no entanto (ainda que as histórias sejam criadas por guionistas) é o discurso dos supostos enganados: homens ou mulheres, a conversa é a mesma.

" Já não me liga... não é a primeira vez que o (a) apanho...passa as noites todas fora e gasta-me o dinheiro todo...vem para casa a cheirar a perfume alheio...apanhei-lhe mensagens da Maria ou do Manel... ainda por cima não me trata bem e dá -me tareia...mas quero salvar o meu casamento" blá blá blá, por aí fora.

O caricato é que já ouvi muita conversa desta na vida real, e que não vinha de pessoas com mau aspecto como os integrantes do programa. Se faz quá quá como um pato, anda como um pato e nada como um pato, provavelmente é um pato. Uma pessoa que trata mal, não presta para coisa nenhuma, já deu provas de não ser de fiar e só falta comprovar se ainda por cima é infiel, não é "tesouro" que valha a pena guardar. E no fim - quer na TV, quer realidade -  ainda há os que dão ao traidor(a)-apanhado(a)- com -a-boca-na-botija a hipótese de escolher "ou eu ou ela (e)", como se isso fosse hipótese em cima da mesa numa situação dessas. Viva o luxo, e a vocação de muito boa gente para tapete, ou para salvar o que não tem salvação possível. 
Precisam de quê? De um desenho? Ou do golpe de misericórdia para caírem na realidade?  De ir ao fundo da questão - chamando um detective, ou por conta própria, fazendo em todo o caso figura de urso - só para ter uma certeza que a lógica confere sem muito trabalho? Palavra que não percebo a paciência (ou o medo da mudança, ou a fé cega) de certas almas...





Toilettes de Natal



            
Quando se trata de festas de Natal, das duas uma: ou há comemorações fora de casa (como jantares ou galas de empresas e organizações) ou acolhedoras reuniões indoors de família e amigos. Nestas últimas, o conforto impõe-se muitas vezes ao brilho da quadra, pois não é muito prático amarrotar um elaborado vestido de noite à conversa no sofá, junto à lareira, enquanto se petiscam doces e bombons. Isso não quer dizer que uma pessoa use " coisas de todos os dias" e que se deixem totalmente de lado as roupas elegantes, festivas, adequadas à época. Para mim a solução está somewhere in between, e foi isso que fiz, até porque o frio não tem estado para brincadeiras - e convém ter em atenção que há quem opte a 100% por um visual descontraído, não sendo boa ideia por isso, ficar overdressed junto dos outros convidados. Uma forma de estar "arranjadinha, ma non troppo" sem cair nos camisolões natalícios que estão na moda este ano é coordenar uma peça requintada com um básico intemporal. 
Tecidos ricos como o brocado (que regressou em força às lojas) são recursos muito práticos para o conseguir. Na noite da Consoada, optei por uma saia balão, estilo New Look, em brocado prateado e preto Apostrophe. Juntei-lhe uma camisa branca Benetton do mais simples, uns Mary Janes roxos que andavam por estrear lá em casa e um statement necklace de olho de tigre. 
   
 
No dia de Natal, para "correr as capelinhas", escolhi umas calças em brocado preto que já vos tinha mostrado mas combinei-as com uma camisola Etam 100% cachemira, daquelas que não dispenso e nunca falham, e botas de couro macio, tudo em preto integral. Não se vê nas imagens, mas a toilette de Consoada levou um sobretudo de faux fur branco por cima, e no dia seguinte fiz uma escolha inesperada, que tenho visto nas ruas com resultados interessantes: uma parka também preta. Simples, prático, mas com um toque natalício. E os vossos looks para receber o Menino Jesus, como foram?














Santa Isabel de Aragão: the Once and Future Queen

                                                
Ontem entretive-me nos meus afazeres até tarde e por acaso tinha a televisão ligada. Qual não foi a minha surpresa quando, na RTP Informação, me deparei com um documentário muitíssimo bem construído sobre uma das mulheres - e Santas - que mais admiro: a muito nossa Sta. Isabel de Aragão, padroeira de Coimbra, a Rainha Santa. Com uma fotografia excelente, testemunhos bem fundamentados e alguns dados menos conhecidos sobre a biografia desta Rainha extraordinária, este é afinal um dos episódios de uma série que é um verdadeiro serviço público para bons Católicos ou para quem, simplesmente, se interessa pela nossa História: Santos de Portugal
 Em primeiro lugar, pergunto-me como um programa de qualidade, ao nível do melhor que se faz no género - e que deve ter tido custos de produção consideráveis -  não passa na RTP generalista, em horário próprio (se não nobre, como devia, pelo menos a horas de família). Mais ainda, questiono-me sobre os motivos da escassa (ou inexistente) promoção da série. Soube por acaso, ao fazer zapping. Faz-me confusão porque cresci a ver na Televisão do Estado, ao serão, programas fantásticos sobre a História de Portugal, apresentados por grandes vultos da nossa cultura, e isso não me fez mal nenhum (lembro-me de ter uns quatro anos e vibrar com um documentário sobre Inês de Castro apresentado por, creio, Natália Correia. Se não se absorvia tudo, ficava-se pelo menos com umas luzes e ganhava-se o "bichinho"). Para mim, isso é que é televisão estatal, por muito que o entretenimento (escolhido, nota bene) não ocupe lugar...
 Sendo de Coimbra, a Rainha Santa é uma devoção familiar. Esteve sempre presente na minha vida, por uma questão de fé (a quem acredita, posso dizer que lhe devo mais o que um milagre, um deles logo que pus os pés neste Mundo) e através de um sem-número de coincidências. Foi um exemplo de coragem, de incansável abnegação, de constante assistência aos mais pobres e desprezados. Esse é essencialmente, o verdadeiro papel de uma Rainha consorte: esquecer-se de si mesma e cuidar desveladamente do seu povo. Mas Isabel de Aragão superava o que era esperado dela, talvez por vir de uma família que contava vários exemplos de santidade como a sua tia materna, Isabel da Hungria.
 Esposa modelo, chegou a  desobedecer ao marido para estabelecer a paz ou assistir aos mais necessitados. Por iniciativa própria abriu inúmeros hospitais e asilos para órfãos, mendigos e prostitutas, desfazendo-se das suas jóias para acudir aos famintos nos momentos de maior crise. Tomava importantes decisões políticas e diplomáticas. Se ao contrário de outras consortes da sua época, nunca aceitou as sucessivas infidelidades do marido  - que conta a lenda, amava muito -  acolheu e educou com todo o carinho os seus bastardos. (Diz-se em Coimbra que por ter sofrido tanto com o Rei seu marido, não concede graças relacionadas com o amor conjugal, embora atenda a tudo o resto...).
Procurou incessantemente - mesmo com risco da própria vida -  o entendimento entre o marido e o filho, que nunca perdoou essas mesmas bastardias e a preferência demonstrada por D.Dinis aos seus meios-irmãos. Era uma mulher bela e inteligente, revestida de uma força interior inesgotável, que levava ao extremo o seu desejo de auto aperfeiçoamento, a pontos de tolerar com seráfica paciência o que era para si, como mulher, insuportável. Nobilíssima, impunha-se pela dignidade e respeito que inspirava, mas apresentava-se com humildade: após enviuvar, usou o resto da vida o hábito de Clarissa
  Foi uma grande senhora, uma Rainha exemplar e para quem tem fé, uma grande santa - o que significa que continua a reinar e a velar, de certa maneira, pelo país cujo Trono ocupou...






Wednesday, December 26, 2012

O dito por não dito: camisolões horrorosos

                               

Não será bem o dito por não dito, pois já tinha feito a ressalva (pelo menos no que diz respeito a moda, não se deve dizer "nunca"). A tendência das mega sweatshirts e camisolões lançada por Balenciaga e Kenzo foi uma febre de tal ordem à escala mundial, tenho visto combinações tão inesperadas (e algumas, admito: até resultam) enfim, tanto se insistiu na coisa que acabei por ficar curiosa. A gota de água terá sido que até as infames camisolas natalícias, alvo de troça nas revistas de moda desde que me lembro de ser gente, de repente são "tendência". Muito bem, venceram: conseguiram a minha atenção. Continuo a não achar que favoreçam, não criam a figura clássica que gosto de ver mas há algo interessante neles. Como não sou menina de ficar com uma curiosidade a inquietar-me, lembrei-me de arranjar um "mono", como lhes chama um designer meu amigo. Não necessariamente uma sweatshirt, mas um camisolão de malha dos anos 80. Recordo-me de ver a mãe e as tias com alguns - em lãs bonitas e extravagantes, com aplicações de pedrarias, pérolas e penas.

Queria-o  "ugly pretty", espaventoso, enfim, tão feio, tão grandalhufo e maljeitoso que se tornasse giro ou pelo menos, interessante à vista. Como os que havia em casa (lembro-me de um roxo e de um dourado) desapareceram, ocorreu-me procurar em lojas e feiras vintage: nada. De certeza que mais gente teve a mesma ideia, e que o que era "mono" agora é "moda", porque antes estavam por todo o lado ao preço da uva que não presta. Por fim lá arranjei, nuns restos de colecção de alguma loja antiga que fechou, dois monos: um tem inclusive um passaroco à frente, bem à moda; o outro é preto com galões e aplicações de cetim na mesma cor, a lembrar muito a Wave. Vou inventar qualquer coisa com eles e depois vos digo. Em todo o caso continuo a achar que são "novidades" que merecem pouco investimento, e que se é para voltar aos anos 80 mais vale arranjar algo que venha realmente dessa época. Tem o charme de outros tempos e não se gastam 3 dígitos num mamarracho...


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