Recomenda-se:

Netscope

Monday, February 27, 2012

Cuchulain e a ríastrad celta



O céu está sobre nós, a terra abaixo, e o mar à nossa volta; a não ser que o céu caia sobre o nosso acampamento num chuveiro de estrelas, ou que a terra seja sacudida por um sismo, ou que as ondas do mar azul  cubram as florestas do mundo dos vivos, nós não cederemos um palmo.
Palavras dos Heróis do Ulster ao seu Rei - Táin Bo Cuailgne, the Book of Leinster

Michael Fassbender vai interpretar o lendário heroi celta Cuchulain, o bravo do Ulster, filho de Lugh, uma espécie de Aquiles ou Beowulf irlandês. Estou ansiosa para ver o filme. Michael é um dos actores mais interessantes dos últimos anos e esteve fantástico como Stelios em 300 - tem tudo para interpretar um belo guerreiro de outros tempos.
Cú Chulaind/Cúchulainn (pronuncia-se "kiu kolln") era filho de um Deus, extremamente corajoso e foi treinado pela deusa guerreira Scáthach, na Escócia - senhora que só aceitava ensinar quem sobrevivesse a uma luta consigo. 
   Mas Cuchulain sofria de uma bênção e de uma maldição: em combate era tomado por um furor assassino, ou ríastrade derretia tudo. 
Quando isso acontecia, era de fugir: de belo mancebo ( tão bem parecido, aliás, que os seus pares temiam que todas as mulheres fugissem com ele, e o obrigaram por isso a casar depressa) tornava-se num monstro. A boca fendia-se-lhe até às orelhas, o cabelo ficava em chamas, um olho saltava para fora da órbita, o outro enterrava-se pelo crânio dentro e lançava gritos assustadores, chacinando quem lhe surgisse à frente, sem distinguir amigos de inimigos. Uma vez desencadeada, a ríastrad só cessava com a total aniquilação do alvo.
Esta lenda é ilustrativa do carácter dos povos celtas: verdadeiros valentes, tão dados à sensualidade, ao culto da beleza e à subtileza de discurso como à brutalidade mais feroz. Guerreiros que só temiam que o céu lhes caísse em cima da cabeça. Os próprios romanos ficavam pasmados ante o espectáculo das tropas de elite celtas à cabeça dos exércitos - "os formosos selvagens", homens na flor da idade, admiravelmente feitos, que se apresentavam como os Deuses os haviam deitado ao mundo, com o sol nos longos cabelos e nos adornos de ouro, exibindo a sua masculinidade numa provocação (como quem diz "vamos raptar as vossas mulheres"!) . Outros havia, que arrancavam as roupas na fúria do combate, acreditando-se possuídos pelos Deuses, sem temer pela vida por um segundo, matando e espezinhando enquanto a fúria durasse. 
Foram vários os grandes líderes e exércitos do período clássico que contaram com guarda costas e mercenários celtas nas suas fileiras (Aníbal, Cleópatra, Herodes...). E nem falemos das mulheres, que eram tão independentes e dotadas como os homens nas artes do amor e da guerra - e igualmente de temer, lutando como feras no campo de batalha e habilíssimas a coleccionar cabeças.
 No seu tratado sobre as virtudes femininas, Plutarco conta a história da bela Rainha Chiomara, que foi violada por um centurião romano.  Ao regressar a casa, queixou-se ao marido - com a cabeça do agressor na mão.


Nota: Algumas destas histórias, e muitas outras, são contadas em maior detalhe num blog que recomendo verdadeiramente: De Reyes, Dioses Y Héroes.

2 comments:

André said...

1 - Já leste o Mabinogion?

2 - http://www.youtube.com/watch?v=MkT2wW3-1jQ

Imperatriz Sissi said...

Excelente sugestão, André. Conheço alguns dos contos,como de Taliesin, mas noutras versões!
Obrigada pela música. Fiquei curiosa para ver o filme: tem irlandeses, tem o Norman Reedus, tem mafiosos...já está na minha lista ;)

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...