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Wednesday, March 28, 2012

Atia Iuliae dixit





"You are swearing now that someday you will destroy me. Remember: far better women than you have sworn to do the same. Go look for them now."


Se Ilythyia (Spartacus) é verdadeira Patroa - ax aequo com a deliciosamente malvada Lucrécia - Atia (Rome) é a incontestável Godmother. Tem o poder que falta a Lucrécia e a experiência que falta a Ilythyia. É uma raposa velha - com uma belíssima pele. 


Embora seja uma personagem  ficcionada ( uma mistura entre duas mulheres reais, Atia Balba Caesonia e Clodia Metelli ) a sua construção, o guião e a magistral interpretação de Polly Walker elucidam-nos sobre as mulheres que mexiam os cordelinhos por trás do pano na Roma Antiga. E deixam-nos com pena que a série, devido aos elevados custos de produção, tenha acabado (em grande) ao fim da segunda temporada.

 Atia não brinca em serviço. É capaz de tudo - literalmente - para defender o clã.  As suas contendas com Servilia, amante de Júlio César, são arrepiantes. Eis duas senhoras taco a taco - um espectáculo raro, hoje em dia. Servilia é elegante, subtil, mas deixa-se arrastar pela amargura e ressentimento. Atia é mais funcional. Menos mesquinha. Não se  fica a chorar porque um homem lhe virou as costas. Tem a resposta na ponta da língua. E aqueles olhos verdes, amendoados, capazes de derreter uma pedra. Possui as virtudes da paciência e da descontracção. Pensa estrategicamente. Enquanto Servilia se faz velha de raiva, Atia conspira desportivamente, com um sorriso. E liberta o seu ódio no momento certo - apenas quando é útil passar à acção. Se perdeu, aguarda que a maré mude, como quem diz "espera que vais ver". Até lá entretém-se como pode. Não deixa que o coração a domine, não permite que o seu adorado Marco António ou mesmo o amor pelos filhos (os seus calcanhares de Aquiles) interfiram no que deve ser feito. E acaba por ter sempre razão, mesmo quando os métodos não são os melhores. Ela não é má pessoa - só não gosta que ataquem o que lhe pertence. No fim de tudo, Atia é sincera: as suas acções são a resposta às exigências do meio. Escolhe dominar, em vez de ser dominada. Nos bastidores e com calma, comme il faut

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