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Monday, March 19, 2012

Eu não sou casmurra, mas...


Elizabeth Taylor, The Taming of the Shrew 


"If I be waspish, best beware my sting." (Shakespeare II, i. 208)
 
 
Até me considero uma pessoa flexível e se o motivo da teima não é grave ou fracturante, sou adepta do "leva lá a bicicleta!". Apesar de orgulhosa, se não tiver razão, ou a culpa for minha, sou a primeira a dar o braço a torcer. Cedo imensas vezes, em imensas coisas, para fazer as pessoas de quem gosto felizes, para o bem de um projecto e por vários motivos semelhantes. 
  Não teimo por desporto. Não embirro por embirrar. Não faço questão de ter razão (mas infelizmente, quando estou convicta é raro enganar-me).  Logo, quando bato o pé e dali não arredo é porque o caso é sério/importante/perigoso/incontornável, uma questão indiscutível em que não estou disposta a negociar. 
Se digo "não aceito isto" ou "enquanto este problema existir não dá"  - é porque é assim, porque já analisei a situação sob todos os ângulos e o meu infalível instinto continua a buzinar-me aos ouvidos. É inútil aligeirar a coisa (não brinco com assuntos sérios) saltar por cima do ângulo espinhoso e agir como se ele não estivesse lá, passar uma esponja, andar de lado para o evitar, tentar que eu aceite engolir o sapo com promessas, subornos, ameaças ou pressões. Ter uma vontade firme é uma chatice. À primeira vista, pode parecer que perco mais do que ganho, mas sucede que me conheço muitíssimo bem: há coisas com que lido impecavelmente, há outras que chocam com os meus valores. Quando o problema é de fundo, não sou capaz de diplomacias - sei à partida que é inútil tentar, e nem todas as situações se prestam a soluções radicais. Não é má vontade, mas quem tem espinha dorsal não nasceu para contorcionista. 
 Assim como assim, teimo tão raramente que o meu plafond ainda me vai permitindo ser cabeçuda de vez em quando.

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