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Saturday, March 24, 2012

Gold Diggers à paisana

Paulette Goddard, Celestine em " O Diário de uma criada de quarto" (baseado no romance de Octave Mirbeau)

Não há nada mais cómico do que uma aventureira a (tentar) fazer-se passar por uma mulher honesta. Ou uma malcriadona a dar-se ares de grande senhora. Para os mais distraídos, aqui fica um pequeno criminal profiling:


- Fala muito baixinho para esconder o timbre de peixeira, o vozeirão e/ou o sotaque rústico. Ou pior, fala à bebé para tentar parecer "fofinha".

- Responde que "sim"  a tudo, não vá escapar alguma verdade ou uma asneirola das grandes 
 (qualquer chico esperto sabe que em boca fechada não entra mosca). Faz isto apoiando a cabeça nas mãos, inclinando o busto para a frente e batendo as pestanas, para parecer muito interessada e boa ouvinte.

- Esconde os brincos XXL e o excesso de bijuteria;

- Caso lhe perguntem se gosta de alguma coisa, responde "imenso!" mesmo que não faça a mais pálida ideia do que se trata. For all she knows, até lhe podem estar a oferecer aranhas fritas - mas há que fazer um esforço para agradar, e sem sacrifícios nada se consegue...

- Finge interessar-se por "causas" (pela paz, pela religião, pelos pobrezinhos...) e manifesta gosto por bens de luxo, sem nunca desenvolver a conversa. Pudera...

- Como não quer cair abertamente numa linguagem debochada, fica-se por insinuações picantes que ainda caem pior.

  - Cita frases " comoventes e profundas" daquelas que por aí andam na internet, acompanhadas de bonequinhos e pores-do-sol, para mostrar que é muito sensível e boazinha...

- Faz copy/paste de textos, mas nunca cita o autor (o que sendo plágio, às vezes é uma sorte - com o gosto desta gente, mais vale ficar na ignorância).

- Mantém permanentemente um sorriso parvo, que só tira quando a costa está livre (aí desforra-se).

- Se a insultam, provocam ou gozam com ela, mantém o sorriso parvo e as risadinhas (o ataque histérico fica para quando chegar a casa, pois então!).

- Concorda com tudo o que o seu objecto de interesse diga ou faça, nem que seja a pior alarvidade do mundo. É capaz de se atirar a um poço para acertar no alvo.

- Troca a cataplasma de maquilhagem pelo look cara lavada, porque não conhece meio termo. O pior é que os excessos da véspera não perdoam...

- Em vez de sapatos de verniz berrante, calça acrílico bege.

- Troca os penteados de catatua por um ingénuo rabo de cavalo. E arranja, à pressa, meia dúzia de peças/acessórios que passem por "sérios" : blazer, cardigan e/ou lenço de poliéster. Resultado: stripper a fazer "o número da bibliotecária".

- Em último caso - e porque ninguém consegue representar o tempo todo - entra em modo "que se dane" e mostra-se brejeira, tal como nasceu. 

                Afinal, há sempre quem goste de uma nota grosseira para animar a noite.

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