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Saturday, March 24, 2012

Lita Superstar

A famosa bota de Jeffrey Campbell já celebrou o 1º aniversário. Não me recordo de um modelo de calçado que tenha despertado tantas discussões apaixonadas: a Lita ou se ama ou se odeia. Ao início, não percebi a novidade, nem o sururu, nem que tanto as originais como as reproduções de outras marcas esgotassem à velocidade da luz. 
  Repare-se: é um botim simples, inspirado nos anos 70 (e parece-me, nas botinas do século XIX, apenas com um salto de 12 cm). O design espartano, mas bem construído, é como uma tela em branco para inventar com diferentes cores, texturas e materiais. De certa forma, isto proporciona uma identificação junto das potenciais consumidoras: há uma lita a condizer com cada cliente. Raramente um produto statement é tão transversal.
  O que me espanta, de facto, são os comentários dos críticos da bota: "sapato ortopédico", "bota de circo", "salto de stripper" já ouvi de tudo. Não percebo a estranheza uma vez que, nos últimos cinco anos, temos assistido a um tudo ou nada no que respeita à altura dos tacões e tenho visto sim, verdadeiros saltos de stripper pelas ruas portuguesas: altíssimos, finos ou ligeiramente côncavos no meio, acompanhados de uma plataforma que inclina o corpo para a frente; ou os inenarráveis pumps inspirados nos Loubotin, mas sem qualquer cálculo quanto ao conforto ou ergonomia (e volto a dizer, usados em plena luz do dia, de forma constrangedora). Comparadas com esses exemplos, as Lita são relativamente discretas. Mantêm o pé equilibrado, com uma inclinação próxima do natural (isto é muito importante) e não são tão diferentes de outros chunky heels considerados casuais. Acrescente-se que apesar da extravagância de alguns materiais, o salto é sempre preto ou de madeira, o que torna a bota divertida de usar, mas descontraída. 
 O facto de ter cordões e de não empurrar o pé para baixo - note-se que a biqueira termina a direito, e a curva ascendente da plataforma por baixo dos dedos permite calçá-las sem o esforço de outros saltos - é uma possível razão para a sua popularidade. Acrescente-se que -  embora exijam algum cuidado, como qualquer peça exuberante - são versáteis, prestando-se a uma panóplia de combinações equilibradas: com vestidinhos, calças skinny ou pata de elefante, saias maxi...
 Quem me conhece sabe que sou adepta de um estilo clássico e depurado. Raramente arrisco nos formatos ou em grandes novidades. Saltos assassinos não fazem o meu género. Mas detalhes com o seu quê de boho, como estas botas, podem dar vida a um outfit sem muito trabalho. São daquelas peças chave que falam por si, e pedem algum olho na coordenação dos elementos. 
 Claro que o resultado final depende não só da combinação, mas também da figura de quem usa, da Lita em si, e da ocasião. Este tipo de calçado recomenda-se para acontecimentos sociais de pouca formalidade (jantares de amigos, concertos, discotecas, desfiles, lançamento de produtos). Em alguns meios profissionais (publicidade, televisão, moda) poderão ser usadas em reuniões ou eventos, desde que não se esteja muito tempo de pé - embora sejam confortáveis dentro do seu género, convém não pedir demais.
 Não são decerto botas para levar para o liceu ou para passear pelo bairro às 10 da manhã. 
 Finalmente, será que representam um bom investimento? Cerca de 150 euros (preço médio) é relativamente acessível tendo em conta a celebridade da botinha. Há que ter em conta, no entanto, a frequência com que se usam saltos desse género; se a Lita veio para ficar ou se será constrangedor usá-la dentro de um ano ou dois; e se nos adaptamos ao formato. O mais sensato será experimentar primeiro, ou comprar um ou mais modelos em versões acessíveis para tirar a prova dos 9. Mas isso são aventuras para outro post. Entretanto, deixo-vos alguns looks amorosos ( e razoáveis) para usar as botas superstar:









5 comments:

Unknown said...

São boas sugestões Sissi mas não consigo distanciar as Lita da bota que usava o sapateiro de minha avó... que era coxo... é uma imagem que não me deixa ver beleza nas botas. O que fazer?!

Mas adorei os looks que aconselhas:)

**

Imperatriz Sissi said...

LOL...essa do sapateiro coxo é muito boa :D. Coitado do senhor!
Recordo-me que na adolescência tive uns sapatos (creio que eram vintage dos anos 70) muito parecidos com as Lita. Não sei o que foi feito deles (o que é estranho, costumo guardar essas relíquias). Por isso acho esquisito uma reacção tão forte à bota, já não é novidade. Mas sim, são um calçado que exige muita cautela. Pode passar de fabuloso a horroroso num ápice. Obrigada. Beijinho :*

Unknown said...

Excelente o post :))
E obrigada pelo comment babe*

xoxo,
IV

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, my dear :). Não tens de quê, é um prazer comentar os teus posts. Beijinho.

Sara said...

Adorei o post! Finalmente encontrar alguém que me saiba explicar como deve ser o porque de eu ter gostado imenso das botas e não as achar assim tão estranhas!! O mais engraçado é que este post explica aquilo que as pessoas mais me perguntam quando tenho umas calçadas: Como consegues andar com isso?
Eu fico: Normalmente! São sim senhora, e a calçada portuguesa é traiçoeira.. mas elas são confortáveis..

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