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Thursday, April 26, 2012

Somebody that I used to know



Já vos contei no Facebook: estou ligeiramente viciada nesta canção. Há muito tempo que um tema pop (a não ser talvez Video Games, de Lana Del Rey , mas esse versa sobre um amor obsessivo e doentio) não me intrigava tanto. É incrível como numa letra tão curta se resume o grande e complexo drama de muitos relacionamentos. A voz é maravilhosa, uma mistura de Sting com Peter Gabriel. A canção é belíssima, no seu espírito de melancólica resignação. Ali estão duas pessoas que se adoram, encurraladas na sua própria teia de culpa e orgulho.
In a nutshell: rapaz ama rapariga, rapariga ama rapaz. Juntos, sentiam-se capazes de morrer de felicidade, conta ele. A meio do caminho, o doce torna-se amargo, a relação é sufocante e cada um vai para seu lado jurando, por descargo de consciência, "continuar amigos". Claro que não há nada mais triste nem menos sincero do que permanecer amigo de alguém por quem ainda se é apaixonado...
De repente, a rapariga muda de ideias, manda recolher os souvenirs que continuavam amontoados em casa do ex e troca o número de telefone. E o ex, que até ali andava a saborear a liberdade com a consciência tranquila, repara que algo lhe falta. Começam as trocas de acusações (ansiedade e culpa, culpa, culpa): "não é que precise disto, nem do teu amor, mas escusavas de ser tão bruta e de me tratar como um estranho...é horrível como agora és apenas alguém que eu conheci".
É então que nos é revelada a outra face da moeda, ou a perspectiva da ex namorada ( despeito, mágoa, raiva):
"Quando me lembro das vezes que me fizeste mal fazendo-me crer que a culpa era minha...chego à conclusão de que não quero viver assim, a tentar decifrar cada palavra que tu dizes - e vai dar uma valente curva, porque se eu fosse só "alguém que tu conhecias" não estavas tão ralado"!
A música deixa-nos um final em aberto. Fica o tom passivo agressivo e magoado da história. A conclusão triste, mas verdadeira, de que por vezes, as pessoas que foram importantes para nós se reduzem a "somebody that I used to know"  ou pior, não chegámos a conhecê-las de todo. Em alguns casos, os danos que causam são tão grandes que não chegar a conhecê-las profundamente é uma benção. Ou como dizia o outro, "I love you and you love me, but some times we must let it be".

6 comments:

colibri esverdeado said...

Quando ouvi e vi pela primeira vez também me senti logo cativada! É viciante...

Imperatriz Sissi said...

É fantástica: agarra a nossa curiosidade e depois entranha-se!

Fénix said...

Excelente post. Adorei a interpretação à letra e o bocadinho pessoal que lá foste inserindo :)

Imperatriz Sissi said...

Muito obrigada, Fénix. É uma bela letra, que dá asas à imaginação e toca as cordas cá por dentro ;)

Sara Silva said...

essa música também me tem ficado no ouvido, mas não tinha ainda dado especial atenção à letra. gostei da tua interpretação, sem dúvida que os versos têm uma mensagem muito forte!
e sim, é muito estranho quando alguém que outrora foi tão importante para nós, hoje em dia quase consegue ser um desconhecido...

Imperatriz Sissi said...

Obrigada ;)

A canção tem de facto uma mensagem profunda em meia dúzia de palavras, one shot. Essa questão de "hoje inseparáveis, amanhã estranhos" faz-me uma confusão terrível...c´est la vie. Mas é muito triste.

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