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Sunday, June 3, 2012

Hot rollers, papelotes e demais engenhocas


                                                                                                                                                               


                                                                      

 Por questões profissionais tive desde cedo a oportunidade de trabalhar com excelentes maquilhadores e cabeleireiros, que não só operaram em mim um bocadinho da sua magia como me ensinaram uma série de truques. A dinâmica de um profissional que trabalha na indústria de moda, televisão ou cinema é um pouco diferente do dia-a-dia num cabeleireiro normal: o tempo é precioso, há menos mão de obra (e muitas vezes, espaço) disponível, mais gente para aprontar num prazo recorde e exigências distintas para cada situação ou personagem. Um dos recursos a que deitam mão, e que não vejo por enquanto na moda por cá (no que concerne ao uso doméstico) são os rolos quentes, usados em celebridades como Giselle Bundchen e Blake Lively. Já vos tenho dito que gosto muito de ter à mão todo o tipo de modeladores e estes são dos meus preferidos, quer sozinhos quer como complemento para os babylissNos E.U.A foram muitíssimo utilizados a partir dos anos 60 (eram um dos segredos para o famoso penteado de Farrah Fawcett) e nunca perderam realmente a popularidade, muito graças ao hábito dos Beauty Pageants e à predilecção das americanas pelos penteados volumosos. 


                            Farrah Fawcett


O povo americano é adepto do do it yourself e na década de 70, enquanto as jovens portuguesas se esfalfavam para ter cabelos lisos, já as adolescentes de lá dispunham de modeladores práticos para usar em casa - anunciados na TV por Farrah Fawcett, claro.


Também os hot rollers saltaram muito cedo dos salões para os lares americanos, libertando as mulheres da  mise semanal (blhec). Ao longo dos anos foram surgindo em várias versões e tamanhos, desde os rolos tradicionais aos papelotes, permitindo obter em poucos minutos o mesmo efeito de meia hora debaixo de um capacete (o incómodo, o horror) ou de uma noite inteira tentar dormir com bigoudis na cabeça (mais incómodo, mais horror e grande enxaqueca, perguntem às senhoras que foram obrigadas a isso na infância).
No nosso País os ferros de esticar e frisar o cabelo tornaram-se, de há uns anos a esta parte, um acessório indispensável para as jovens fashionistas: vendem-se em toda a parte e poucas são as bloggers de moda que não têm mais do que um. No entanto, os rolos ainda se encontram à venda praticamente só nas lojas de cabeleireiro. Mesmo alguns profissionais, quando não trabalham na TV, preferem rolos comuns -num evento que organizei, tive de me passear com uma dezena de modelos com rolos e redes no cabelo em pleno centro comercial, enquanto aguardavam que o penteado fixasse. Parecia uma parada de caricaturas do tempo da outra senhora (tive sorte, em mim limitaram-se a um brushing normal e fui poupada à provação). Na blogosfera internacional, porém,  os hot rollers começam a voltar à ribalta e a sair dos bastidores dos desfiles para casa das pessoas - basta ver muitos tutoriais de penteados, vintage ou nem por isso, por essa web fora.
                                             
E porquê este regresso dos hot rollers? Fácil: aquecem rápido, aplicam-se num instante (sobre o cabelo seco e tratado com um  protector de calor) e permitem uma série de efeitos diferentes, consoante o seu formato e o tempo que forem deixados a actuar sobre os fios: desde volume num estilo liso a caracóis tradicionais, passando pelas ondas ou efeito saca-rolhas .São feitos de materiais diversificados: alguns têm cera quente no interior, outros são                                                     
de borracha maleável, etc.



O efeito é mais durável, principalmente em cabeleiras resistentes. E sobretudo, são menos cansativos de usar, se compararmos com o trabalho de empregar o ferro de enrolar por todo o cabelo: com prática aplicam-se em poucos minuto e deixam-se actuar enquanto se vai tratando da maquilhagem, da roupa, etc (ou no caso dos cabeleireiros, enquanto se "despacha" a modelo seguinte). No fim espalha-se um pouco de spray fixador sobre os fios ainda enrolados, solta-se e dá-se mais um jeitinho com pentes ou um babyliss, de acordo com o efeito desejado. E já está. Não direi que sejam um acessório para todos os dias ou que substitua totalmente os ferros ou escovas quentes (cada um tem o seu uso e qualidades específicas) mas considero-os um must-have para todos os tipos de cabelo e uma bênção para as Rapunzeis...


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