Recomenda-se:

Netscope

Sunday, June 10, 2012

Ser "fashionista" (?) dá muito trabalho

Apesar de preferir visuais depurados, sempre achei que um estilo espampanante (desde que bem definido e próprio) tem mais mérito, e é mais interessante ao olhar, do que a ausência de estilo. Há pessoas que fogem ao que se convenciona como bonito ou elegante e que no entanto, são consideradas gurus de elegância: é preciso conhecer as regras para poder quebrá-las. Ao longo dos anos, como qualquer apreciadora de moda, fui recebendo e seleccionando influências, que na sua maioria ainda se mantêm em menor ou maior medida  no meu guarda roupa. Experimentei coisas diferentes, tive "fases" em que certos elementos ou inspirações predominavam, aderi a algumas tendências, escolhi os clássicos que haviam de ficar. E embora admirando acima de tudo os looks limpos, elegantes, com materiais de qualidade (independentemente da discrição ou ousadia das roupas) fui sempre achando que mesmo isso rareava no nosso país, a que faltava uma certa cultura de moda. A maior parte das pessoas era absolutamente banal. O "estilo consciente" não era generalizado, mas apanágio de grupos informados e específicos: uns campeões da elegância clássica, outros pioneiros na exploração de looks alternativos, associados a certos estilos de vida ou subculturas. No círculo que conheci, tanto os rebeldes como os que se cingiam ao Bon Chic, Bon Genre tinham uma vantagem em comum: cultura geral e uma certa educação que conferiam autenticidade e motivo à forma como se expressavam visualmente.  Para fazer brilhar um visual simples é preciso um ar racè, elegância - que não passa apenas pela forma física - peças boas, espírito crítico, prática, um porte bonito e bastante imaginação. E por estranho que pareça, suportar um visual excêntrico com graça exige exactamente o mesmo. 
 No entanto, num par de anos, a moda ficou na moda. O interesse dos adolescentes e jovens adultos na indústria, na beleza, no street wear, tornou-se mais transversal. Já não interessa apenas "andar na moda" mas "ter um look fashion". E para muitos, "parecer fashionable" ou ser "fashionista" implica chamar a atenção, não necessariamente como os góticos e vanguardistas dos anos 90 ou os fashionistas do início do milénio, que desejavam acima de tudo expressar-se. Os novos "fashionista wannabes" portugueses, que descobriram agora as maravilhas dos blogs e das redes sociais especializadas ( ? chictopia, lookbook) querem simultaneamente usar todas as peças tendência, de preferência todas ao mesmo tempo, ser diferentes entre si e destacar-se na colorida panóplia de visuais. Tarefa difícil, já que embora compitam a ver quem sobrepõe mais  shorts, turbantes, laçarotes, sneakers (termo velho que está em voga) mullet skirts, calções de renda, Foxy Woods, Ticks e Litas, muitos parecem clones com fatiotas muito desconfortáveis. Ser e parecer fashionista à força dá demasiado trabalho para ser divertido. O estilo, seja simples, composto ou extravagante, é effortless: relaxado, natural, apoiado em referências e inspirações próprias. Um ícone usa as roupas como se fossem a sua própria pele. E procura a individualidade ao interpretar as tendências.
A vantagem desta disseminação da fashion consciousness   é que vemos, de facto, pessoas que apetece fotografar na rua pelos melhores motivos. Mas essas, claramente, não se põem em bicos de pés: são da velha guarda ou tiveram bons professores. Meninos e meninas: relax.




No comments:

Textos relacionados:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...