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Wednesday, June 27, 2012

(Too) fast Fashion?


Michelle Williams usando vestido H&M na gala BAFTA  deste ano                                   

A noite passada partilhei no Facebook o link para uma entrevista que me deu que pensar (publicada por um blog de moda realmente inteligente, em termos de conteúdos e opinião). O livro a que se refere (ver imagem abaixo) analisa o fenómeno da fast fashion, cada vez mais popular e frenética, e os inconvenientes do seu consumo exagerado. Ultimamente Primeiras Damas e representantes de Casas Reais têm dado o exemplo, usando marcas acessíveis dos seus países (Mango, H&M) em eventos oficiais.  
 O hi-lo fashion (arte de combinar peças requintadas com outras mais económicas) que a par com a introdução do vintage era até há pouco um hábito típico da scene fashionista e dos stylists de celebridades, saltou para o mainstream. Em geral, estou de acordo com a autora: se por um lado, a aceitação das marcas acessíveis em arenas usualmente reservadas a griffes exclusivas tem as suas vantagens (os tempos não estão para ostentações e há coisas francamente interessantes nas grandes cadeias) por outro, corre-se o risco de perder de vista a tradição e a qualidade.
    Pessoalmente sou apologista do hi-lo fashion, e sê-lo-ia igualmente se dispusesse de recursos ilimitados. Exige equilíbrio para saber quando investir mais ou menos- mas a mistura e a variedade conferem um estilo único, colar-se unicamente a marcas “seguras” não garante sofisticação numa época em que o luxo é cada vez mais comercial e há produtos que não faz sentido nem diferença comprar em marcas caras.
Michelle Obama com vestido Target (cerca de 35€)
       No entanto, eu nunca considero uma peça, seja qual for o seu preço, como descartável. Se vem comigo para casa é porque é única no seu género. Compro-a para representar um papel junto das outras e para ser igualmente estimada. É claro que para que isso funcione é preciso saber distinguir um artigo bom de um mau, e aí reside o busílis da questão: há coisas de qualidade e coisas péssimas nas cadeias acessíveis, que têm diferentes linhas, diferentes moldes e trabalham com materiais diversificados. Isso acontece pouco nas griffes de referência que por mais comerciais que se tornem para apelar a novos públicos, investem numa execução minuciosa e em tecidos seleccionados.
   O problema não reside tanto em apreciar a evolução das cadeias low fashion: algumas, como a Zara e a Mango (que trabalha com materiais nobres) têm-se aperfeiçoado notoriamente. Os danos advêm de uma nova dinâmica na introdução de produtos. As casas exclusivas não têm como competir com a reposição constante e cada vez mais rápida de stocks.
A intenção é não dar ao consumidor tempo de reflectir: aquela peça gira e baratíssima chega num dia e desaparece no outro. Enfatiza-se a aquisição semanal de roupa nova e não a construção de um guarda-roupa pensado ao detalhe. Falando por mim, prefiro mil vezes o formato tradicional de colecções Primavera-Verão e Outono-Inverno, que permite conhecer o que quero de cada uma e planear as aquisições. Mas isso é exactamente o oposto do que as cadeias de fast fashion pretendem actualmente.
 Claro que peças massificadas a preços irresistíveis surgindo a toda a hora não são feitas para durar: imperam o poliéster e as costuras “a martelo”. E em última análise, comprar com frequência artigos de qualidade inferior poderá não sair tão barato como isso… é tudo uma questão de prioridades.

7 comments:

Maria Pitufa said...

As cadeias de fast fashion respondem a uma sociedade, ao que parece agora está a repensar os seus hábitos de consumo. Ou seja, as pessoas compram barato, está na moda... mas rapidamente se fartam daquela e querem outra... Eu noto muito isso nas miúdas, o que para mim ainda é um mistério onde que vã buscar dinheiro para aquilo. Se reparares todas as estações estão vestidas com o último grito da moda... berska e afins sempre cheias de miúdas entre os 16 e os vinte e poucos anos. Também não vão investir dinheiro na roupa, porque no ano seguinte, já não se usa e consequentemente elas não usam.
Ainda assim continuo sem descobrir como é que conseguem ter capital disponível para todas as estações mudarem o guarda roupa.

xana said...

Esta assunto dá pano para mangas!!! Sem dúvida... Eu cá sou muito a favor do reconhecimento pela fast fashion - pegaram num segmento que não estava desenvolvido, investiram, foram bem sucedidos, e ainda conseguiram revolucionar a industria (e a vida de muito boa gente). O resto é conversa, nada mais! Parece a conversa do instagram para Android - o mundo só está bem quando o mais desejado é raro e caro. Quando o desejado está ao acesso de 'todos' a porca torce logo o rabo e surgem teorias deste género. A realidade é que já não é o dinheiro que define status (em estilo), mas sim o bom gosto!! Eu vou comprar o livro, mas pelo resumo acho que não passa de argumentos fracos e teorias ultrapassadas...

E quanto às colecções, eu adoro a constante novidade!! Adoro! Concordo que há muita pressão - como dizes - mas começo a aprender a lidar com isso (e aproveitar bem a questão dos 30 dias para devolução). Eu sou muito básica, e muito igual a vestir-me de ano para ano, mas ao mesmo tempo gosto de novidades ;) Há, e o barato (barato Zara, não barato Primark) compensa muitas vezes - eu tenho roupa que dura ANOS! Basta saber o que escolher...


Beijinhos!!

Imperatriz Sissi said...

Maria, em boa verdade já não sei se lojas respondem a uma necessidade ou se a aumentam. Pessoalmente, não sou de me fartar da roupa e adiro pouco a tendências passageiras (prefiro actualizar o visual com apontamentos em vez de investir em peças espampanantes que fiquem datadas com facilidade, a não ser que me cheire ali a um futuro clássico, ou que seja uma coisa especial). Quanto a essas raparigas, também não percebo: a roupa até pode ser barata (embora algumas peças de fast fashion não sejam, em comparação, pechinchas assim tão grandes) mas com tanta frequência não entendo. Fica caro na mesma. Deve ser uma questão de preferência (querem muita tralha, e descartável) ou de ilusão (assim têm a sensação de gastar menos). Go figure...até porque a Bershka é, quanto a mim, a loja do género que mais perdeu em termos de qualidade.

Imperatriz Sissi said...

Concordo que a fast fashion evoluiu muito, embora seja como dizes: quem sabe escolher encontra sempre coisas giras e é bom que não haja constrangimentos em usar um vestido da Zara, desde que bem escolhido. Vai tudo do gosto e do ar que se tem. Como dizia a outra, "há quem vista Zara e pareça Prada, e vice versa". Tenho peças da Inditex da H&M que estão impecáveis (a H&M é muito rigorosa na confecção, em especial nos pontos, mais do que a Zara que por seu turno aposta em tecidos melhores) mas lá está, há que distinguir os materiais e a execução. A novidade constante faz-me impressão porque prefiro de facto os moldes de antigamente. Por outro lado (principalmente quando se tem um guarda roupa já composto) sabe tão bem ter uma peça de uma casa mais especial, com tradição, com materiais fabulosos. Não para ostentar (Deus me livre, acho que nunca usei um logótipo que se visse) mas por uma questão de qualidade e de exclusividade, de conferir alguma diferença com peças que não andam aos montes por aí. Gosto de variar, acho que é isso :) - Obrigada! Beijinhos.

Tamborim Zim said...

Mesmo se me achasse elegante de momento (estou demasiado rechonchuda p isso), acho q a minha tendência seria a mesma: comprar menos, e ainda menos. Comprar o q se gosta muito. Se possível, de boa qualidade (e, no meu caso, essencialmente sem produtos de origem animal). Há tanto p fazer c tão pouco dinheiro, afinal! Estilos: querem-se individualizados, criativos, abertos. Pessoalmente detesto a H&M, apesar do vestido aí da menina ser bonitinho. Deve ser interessante desenhar a ppa roupa, e ainda gostava de ter essa experiência.

Imperatriz Sissi said...

Também adorava desenhar, um dos desgostos que tenho é a de não saber costurar (um pecado porque o meu trisavô tinha uma empresa de alfaiataria e a minha bisavó estudou numa modiste francesa). Por acaso a H&M, na minha opinião, é uma das lojas de fast fashion com coisas mais interessantes e uma execução cuidada. Mas tem dois defeitos: alguns dos moldes são feitos para nórdicas enormes e sem cintura e rende-se cada vez mais ao poliéster...

A Bomboca Mais Gostosa said...

Adorei o post! Escrevi um paper sobre o fast fashion e dei o exemplo da Zara :)

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